O Herdeiro do Mundo

177 - TAKAGI-SAN

Rael continuou cultivando, sentindo que estava na beirada do gargalo. Até que então uma aura dourada girava, o cercando como um redemoinho, indicando que ele estava passando de reino. Rael sentiu o seu corpo tremular enquanto uma onda quente correu por dentro de si. Essa onda quente se espalhou por todo o seu corpo, causando uma sensação de estar em uma sauna bem quente, e isso fez Rael começar a suar, mas ele se manteve concentrado no cultivo. Em seguida, uma sensação refrescante tomou a quente, fazendo ele se sentir aliviado do calor. A sensação passou por todo o seu corpo causando um bem estar e explodiu como uma forte onda de ventos:

Booooom!

Rael continuou concentrado enquanto sua aura dourada se espalhava pelas paredes em volta. Graças a resistência da barreira, nada ocorreu de ruim na estrutura da casa.

― ‘Estou agora no oitavo reino, Força do Céu!’ ― pensou Rael, sentindo seu corpo um pouco mais leve. Dentro desse reino tudo aumentava um pouco, como em qualquer avanço. Força, velocidade, resistência. Mas aqui, o principal era a velocidade, devido a leveza que o corpo ganhava por começar a aprender a controlar o poder do ar, podendo também puxar energia do mesmo, parecido com o sétimo reino onde os cultivadores puxam energia da terra, agora Rael tinha duas formas de conseguir energia.

― Ótimo, eu consegui! ― Rael disse consigo mesmo, enquanto se levantava depois de controlar seu poder. Ele sentiu que teve um aumento bem interessante, principalmente em suas habilidades de velocidade. Rael deu alguns leves saltos testando a leveza do corpo e sorriu animado, isso o ajudaria muito nos próximos combates, mas ainda não seria suficiente para encarar um Lendário Poder Final. Talvez ele agora não tivesse mais nenhuma dificuldade com décimos reinos, mas ainda deveria sim tomar cuidado com os décimos primeiros reinos, isso se dando ao motivo que ele não poderia ativar o nível três da essência demoníaca.

― Vou sobreviver, por enquanto. ― disse Rael sozinho depois de testar a leveza do corpo.

― Ativar: Rayger. Quero ir naquele lugar, você pode me levar agora? ― perguntou Rael no anel.

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Não demorou muito, Rael e Rayger saíram pela parte lateral da muralha. Rayger seguia na frente caminhando e guiando Rael.

Por causa de suas preocupadas esposas, Rael nunca saía de casa sem Neide ou sem Rayger. Dessa forma, ninguém tentaria nada, desde que ele não saísse de perto de seus sogros.

― Achou mesmo um lugar bom? Eu quero ter algum espaço na hora do combate e, também, tem que ser um lugar onde eles não possam fugir. ― disse Rael.

― Todos eles tem o simples registro da alma, eu ainda poderia matá-los usando algum disfarce e não seria descoberto.

― Tio Rayger, essa vingança... Eu quero fazer isso da minha maneira. Mesmo que eu esteja apenas no oitavo reino, eu ainda posso acabar com quatro deles facilmente.

― Quatro dos nossos não são como simples quatro de um clã fraco como o Sarbaros. Você ainda precisa ter cuidado. ― lembrou Rayger.

― Mesmo que eles sejam um pouco mais forte, ainda não terão chance. ― disse Rael confiante.

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Eles não tinham como saber, mas Keylla se movia de longe, flutuando a uma distância segura, e de muito alto os acompanhava com bastante curiosidade. Keylla queria saber para onde os dois iriam e se poderia haver alguma chance para usar sua carta na marga. O dardo com veneno ilusório, o projétil ao acertar alguém faria um cultivador pensar que até seus aliados seriam inimigos, mas isso só ocorreria se houvesse uma situação propícia para tal reação. Atirar o dardo de qualquer maneira, como em uma caminhada segura feito a que estava ocorrendo, poderia não ter qualquer efeito. Keylla precisava de uma situação de combate, e se fosse vista antes de atirar o dardo, seria fim de jogo.

Para Keylla ter uma visão melhor dos dois mesmo com aquela enorme distância, ela usava uma técnica especial chamada “Visão Avançada”. Essa habilidade criava uma espécie de lentes de gelo sobre seu olho direito, ajudando-a a enxergar sobre aquela distância. A habilidade ativa ficava brilhando em azul no olho direito dela e criava um tipo de cilindro cônico, onde ficava armazenado as pequenas películas de gelo transparente, que permitiam a ela ter uma visão ampliada da região onde apontava o cilindro.

Ela agora podia voar porque tinha entrado no décimo reino a poucos instantes atrás com um outro aumento absurdo de poder, no qual ela saltou um reino inteiro, indo do reino nove nível 1 ao décimo reino nível 1. Ela até chegou a assustar os cidadãos que estavam próximos na hora, e teve que fugir assim que retomou o controle. Para ela, que não conhecia os motivos de seus constantes aumentos de poder, aquilo era o sinal dos deuses de que ela precisava completar aquela missão. Mas ainda assim ela não poderia enfrentar um reino final. Por isso, continuou se movendo com extrema cautela.

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Depois de uma caminhada de uns trinta minutos sem pressa ao qual mantiveram conversas bobas, eles pararam diante de uma construção abandonada. Parecia ser um tipo de templo, era uma enorme construção feita de blocos de pedras grandes. Haviam várias janelas e uma entrada, com portas de aço amassadas.

― Isso serve para você? ― perguntou Rayger.

― Parece que sim... ― disse Rael e entrou pelo espaço entre as portas duplas de aço quebradas. O local por dentro era bem espaçoso e havia um altar ao fundo. Tinha alguns bancos de madeira empoeirados e alguns quebrados. O local lembrava bastante um tipo de igreja abandonada.

― Que tipo de lugar era esse? ― perguntou Rael, pisando firme em um tapete escuro no chão. Uma grande quantidade de pó subiu, mas eles não tiveram problemas. Era possível ver diversas teias de aranha pelos cantos.

― Um antigo salão de uma seita. Não está mais funcionando faz mais de cem anos. ― disse Rayger, que entrou atrás de Rael. Havia até mesmo alguns buracos nas paredes do teto. A iluminação do lugar vinha das janelas e desses buracos.

Rael girou a visão ao redor para estudá-lo e constatou o enorme número de buracos que precisariam ser fechados. Janelas, buracos nos tetos e a porta.

― Tio, me ajude a fechar essas janelas e esses buracos no teto. Eu preciso tampar tudo para criar a barreira. ― disse Rael, concentrando seu poder de Terra. Rael sabia das combinações de Rayger devido a tê-lo ajudado a liberar os pontos de poder do mesmo, por isso ele sabia que seu tio tinha o poder da Terra.

Do lado de fora, flutuando se mantendo na mesma distância, Keylla continuava observando toda a cena. Ela estava vendo as janelas e buracos no teto serem fechadas por terra e não entendia o que Rael e seu sogro iriam querer em um lugar como aquele. Mas ainda assim ela continuou observando em silêncio e pacientemente, esperando uma oportunidade de agir, com apenas Rael e Rayger ela não poderia utilizar, assim como ela também não iria aparecer diante de um reino final. Se fosse apenas Rael, ela desceria e o enfrentaria frente a frente sem medo, ainda mais agora que ela teve mais um enorme e misterioso avanço.

― Está bom assim. Agora, quero que saia e feche a porta. ― disse Rael depois de ver todas as janelas e buracos no teto tampado, o lugar ficou até mais escuro.

Depois de Rayger obedecer, sair e fechar a porta, Rael deu inicio a criação da barreira. Rayger ficou do lado de fora vigiando os arredores sem sequer imaginar que há um longo tempo estavam sendo observados pela astuta Keylla. Keylla tinha uma noção dos sentidos de um reino final e por isso estava bem longe, controlando seu poder para não se deixar ser sentida.

Minutos depois, Rael quebrou a parte de terra emendada na porta e saiu caminhando com um sorriso natural.

― Está feito! Assim que eu estiver pronto eu aviso o dia pra você me trazer os idiotas. Prendendo eles dentro dessa barreira, não terão como fugir e assim eu terei parte de minha vingança. ― disse Rael para Rayger. Rayger tentou entrar e conseguiu facilmente.

― Tem certeza que está feito? ― perguntou Rayger, olhando de dentro para Rael que estava na porta.

― Está sim, você pode entrar porque a barreira segue o mesmo esquema da minha casa e a do clã Sarbaros. Tendo o símbolo em forma de oito, você pode entrar em qualquer uma das minhas barreiras. ― disse Rael para Rayger. Esse compreendeu e fez um sim de dentro. Depois ele saiu, se juntando a Rael.

No céu, Keylla se arrepiou e arregalou os olhos, ela tirou a luva da mão direita e olhou firme para o seu símbolo em forma de oito:

― ‘Símbolo em forma de oito? Será que... Não... Não é possível!’ ― disse Keylla com o coração pulsando. Ela podia fazer leitura labial, por isso ela entendeu o que eles estavam conversando. Mas ela não acreditou que Rael fosse capaz de criar uma barreira.

Embaixo, os dois começaram a se afastar e estavam falando em voltar ao clã. Rael dizia que precisava esperar uma tal de Alexia. Keylla esperou pacientemente eles se afastarem e apenas vários minutos depois ela desceu diante da entrada.

― ‘Se isso é mesmo uma barreira, então deve acontecer alguma coisa caso eu tente entrar.’ ― pensou Keylla avançando cuidadosamente para dentro do local enquanto mantinha mão direita erguida e olhava para o símbolo. Ela cruzou facilmente a porta, tendo total acesso ao local e viu o símbolo em forma de oito na sua palma pulsando enquanto ela passava. Isso indicou que o símbolo de fato permitiu a sua entrada.

― ‘O que isso significa? Por que aquele jovem pode usar o mesmo símbolo que ganhei?’ ― a Dama se perguntava pensativa, analisando a estrutura por dentro. Não parecia haver nada de importante.

― ‘Eu não posso acreditar que ele sozinho seja mesmo capaz de criar uma barreira. Terei que testar isso trazendo alguém...’ ― Keylla não se conformou com o ocorrido. Ela voltou para trás e partiu voando em busca de alguém para fazer suas confirmações.

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No portão do clã estava Alexia, esperando os mesmos serem abertos para poder entrar. Alguns guardas tiveram dúvidas sobre permitir sua entrada, mas alguns outros que sabiam rapidamente fizeram a confirmação e a menina soberana entrou de nariz empinado, frustrada pela enrolação que ainda existia sobre sua permissão. Aquilo durou pouco, logo ela voltara a ser a mesma menina fofa e curiosa, lançando seus sentidos em todas as direções, enquanto andava sem pressa rumo a residência Raymonde.

Como ela queria fazer uma surpresa, nem sequer lançou seus pensamentos. Ela apenas foi chegando diante da porta e já foi entrando sem avisar:

― ‘Rael, estou aqui embaixo. Venha me receber.’ ― disse ela, mas ninguém apareceu e não houve respostas. Depois, ela lançou seus sentidos e descobriu que não havia ninguém em casa além da escrava, que estava ocupada na cozinha. Depois que Rael fez a barreira, ele mandou retirar os guardas, eles não eram mais necessários, desde que só entraria na residência pessoas com o símbolo em forma de 8. Por isso, Alexia entrou tão facilmente em sua casa.

― ‘Onde será que eles foram?’ ― se perguntou Alexia, já dando meia volta preparando-se para sair, quando sentiu duas auras já conhecidas que estavam chegando na residência.

Natalia e Mara entraram, encontrando Alexia parada na sala. As duas, que vinham conversando sobre seus treinamentos, se contiveram e se silenciaram vendo a soberana as aguardando:

― Vocês não vão me cumprimentar? ― perguntou Alexia de volta, em seu tom sério.

― Boa tarde, Alexia! Obrigada por cuidar da gente e do nosso marido. ― disse Natalia, se recompondo rapidamente. A garota se aproximou, agachou e trocou um cumprimento natural com a menina, um beijo e um caloroso abraço. Natalia gostava de crianças, e por pegar mais confiança em Alexia, ela perdeu um pouco mais da vergonha de antes.

― Boa tarde! ― disse Mara, que nesse quesito era muito mais reservada. Ela se aproximou e deu um beijo e um abraço de leve na menina e já se recompôs.

― Vocês duas estavam treinando, que bom! Agora, podem me dizer onde está Rael? ― perguntou Alexia.

― Nosso marido saiu com meu pai e logo estarão voltando. ― disse Mara normalmente. Mara teve que se contentar e se esforçava para não ter nenhum ciúme ou problemas com a pequena soberana. Ela era muito agradecida por toda a ajuda fornecida por Alexia.

― Que bom, eu vou esperar. Será que poderiam me servir um chá? ― perguntou Alexia e se sentou no sofá. Alexia estava satisfeita com o tratamento das meninas, até mesmo Mara com toda aquela personalidade forte se esforçava para tratá-la com respeito. Natalia ficava querendo se aproximar para apertar Alexia devido a achar ela muito fofa.

Mara procurou Beta e pediu para que a mesma preparasse um chá. Beta correu para cumprir o pedido.

― Você voltou para curar o nosso marido? ― perguntou Mara, se sentando de frente para Alexia.

― Isso depende dele. Se ele me obedeceu minhas ordens, ele já deve estar pronto para ser curado.

― Você vai ficar com a gente a partir de agora? ― perguntou Natalia com expectativa. Havia duas razões por ela desejar a presença de Alexia: Proteção e fofura. Mara não tinha o mesmo interesse de sua prima, ela se sentia segura com seus pais.

― Mesmo que eu queira ficar, ainda não posso. Lamento, mas vocês terão que esperar um pouco. ― disse Alexia ao espiar a mente das duas. Ela pegou as coisas que andavam rolando nas suas intimidades com frequência, a três:

― Eu não sabia que mulheres poderiam ter prazeres assim entre si. ― disse Alexia, curiosamente inocente. Mara e Natalia se olharam e ambas ficaram coradas. Elas entenderam no mesmo instante onde Alexia quis chegar mencionando aquilo.

― Mara, você gosta de sentir dor enquanto faz? Isso é bom? ― perguntou a curiosa Alexia, deixando Mara ainda mais sem graça.

Mara ficou sem saber como responder aquilo, mas Alexia recebeu as respostas através do que ela pensava. Mara gostava sim de sentir dor durante o ato, isso a fazia sentir duas vezes mais prazer do que o normal, deixando Alexia bastante impressionada.

Mara não respondeu, e imaginou que Alexia agora já saberia. Ela tomou coragem e fez uma pergunta que sempre quis fazer desde que a conheceu:

― Alexia, você futuramente deseja filhos. Eu quero saber se pode me dizer se eu tenho algum problema corporal, pois também desejo. Estou tentando já a algum tempo engravidar, mas não consigo. Tomo até medicamentos que minha mãe conseguiu para mim que facilitaria a gravidez. Faço de tudo para o meu marido... Sabe... Completar o ato, fundo em mim... Mas não obtenho resultados. Por acaso você sabe de algo? ― perguntou Mara, mesmo ficando ainda mais envergonhada em dividir tudo aquilo. De qualquer forma, Alexia pode espiar a mente dela e ver os resultados. Era estranho para Mara também estar tendo aquela conversa com uma menina muito mais nova que ela. Mara sabia que, no entanto, havia uma mente experiente e poderosa por trás daquela menina, que poderia ter a resposta de seus anseios.

Natalia, ao seu lado, mordeu levemente os lábios porque ela sabia da verdade, mas nunca contou para Mara. Natalia sabia que Rael tomava um medicamento que evitava gravidez, e quando ela pensou nisso ela gelou sobre o olhar de Alexia. Agora Alexia com certeza sabia, isso se já não sabia antes.

― ‘Não conte a ela, ela vai ficar brava com Rael!’ ― pensou Natalia varias vezes, pedindo mentalmente para que Alexia pudesse estar ouvindo esse pedido.

― Eu já engravidei antes, mas não durou muito tempo. Infelizmente, eu perdi o bebê em um torneio da família. Depois disso eu não conseguir mais resultados e temo que essa perda possa ter afetado a minha saúde. Meu marido não me diz nada e eu acho que ele me esconde isso para não me fazer sofrer. Alexia, se você é mesmo minha amiga, pode me dizer se eu tenho algum problema? ― perguntou Mara.

Natalia do lado permaneceu em silêncio. Depois de pedir inúmeras vezes para Alexia não contar, ela não poderia fazer mais nada. A decisão de contar aquilo ou não estava nas mãos de Alexia. Natalia só queria que Alexia não dissesse sobre ela já saber do ocorrido e ainda assim manter segredo, pois Mara com certeza ficaria chateada com ela. Isso caso Alexia decidisse contar para sua prima.

― Problema corporal você não tem nenhum. ― disse Alexia para acalmar Mara, que se sentiu extremamente aliviada ouvindo aquela afirmação.

 

― Se o problema não é meu corpo, então o que é? ― perguntou Mara ansiosa. Alexia se virou, ajeitando-se no sofá enquanto pensava sobre o que iria responder.




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