O Herdeiro do Mundo

175 - Leona a Mestra de Aluguel

Naquela noite, em casa, as esposas de Rael quiseram saber dos mínimos detalhes. Rael contou tudo com um ar natural, sem parecer feliz nem aborrecido. Ele contou que beijou a princesa e que foram atacados. Natalia ficou preocupada com a parte do ataque, já Mara não se sabia se estava mais preocupada ou com ciúmes por conta do beijo:

― Marido, por acaso você gostou de beijar essa... princesa? ― perguntou Mara em um tom quase natural, mas havia um toque de agressividade junto.

― Esposa, você sabe que eu prefiro mil vezes beijar vocês a beijar outras. Foi apenas um beijo necessário. ― disse Rael sem graça. Mas isso deixou Mara ainda mais desconfiada.

Terminando de contar que a mulher misteriosa fugiu, as duas não tiveram o que fazer além de sentir seus corações apertados. Mara queria perguntar se Rael achava que a mãe de Natalia estava envolvida, mas segurou a pergunta para não deixar o clima mais pesado. E Natalia não queria perguntar porque tinha medo do que iria ouvir como resposta.

― Marido, você tem três meses até o casamento. Espero que durante esse tempo você se cure, cultive para se fortalecer e nos faça companhia. ― disse Mara, segurando todas as possíveis perguntas que causariam brigas.

― Esses são exatamente os meus planos. ― concordou Rael calmamente.

― Eu sinto muito por isso... ― disse Natalia, de cabeça baixa e sem jeito. Mara e Rael podiam adivinhar que a garota se referia a mãe, como se ela soubesse que esse atentado fosse ordens da mesma.

― Você não é culpada. ― disse Rael. Puxou a cabeça da garota e beijou o pescoço dela meigamente: ― Eu jamais culparei você pelo que seus pais tentarem fazer comigo, mas vou me sentir triste toda vez que você tentar defendê-los. ― admitiu Rael. Natalia permaneceu em silêncio de cabeça baixa. Mara ficou do lado olhando os dois. Desde que elas começaram a viver juntos, Mara estava mais apegada a prima, todo aquele ódio e desavenças familiares tinha sumido completamente. Mara via Natalia como uma irmã e uma amante ao mesmo tempo, por dividirem prazeres juntas.

Não houve muito debate na sala. Depois de jantar e passar um tempo normal pensando na sala, as meninas chamaram Rael para deitarem.

No quarto os ânimos melhoraram. Roupas voaram, rolaram beijos, apertos, e até mordidas. Mara, que estava ficando mais acostumada a fazer a três, começou a pedir alguns tapas de Rael, que começou a aplicar.

Natalia ficou um pouco confusa com os dois, mas vendo que Mara estava gostando, não se incomodou. Por vezes Natalia até batia em Mara, mas bem mais leve que Rael. Mara gostava de sentir dor misturado ao prazer e ficava louca, ela praticamente ficava duas vezes mais excitada quando apanhava um pouco durante o sexo, não importava quem batesse nela, contanto que batesse.

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A manhã seguinte não foi diferente: Esposas nuas, esparramadas na cama e por cima de Rael. O cheiro perfumado dos corpos das duas estavam impregnados no corpo de Rael. Ele se acostumou a ser o primeiro a acordar com aquelas duas beldades por cima ou entrelaçadas nele. Rael sempre ficava na cama parado enquanto o Sol nascia e as duas dormiam suavemente.

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Naquele dia, algum tempo depois do café, Rael parou de cultivar porque sentiu a presença de Neide. Ele desceu do quarto e encontrou a mesma na sala, já o esperando:

― Genro, está lembrado da mestra que você me mandou procurar para Natalia tempos atrás? Ela finalmente apareceu, e está lá fora esperando. Ela se chama Leona. ― disse Neide.

― Oh, sim!Eu me lembro. ― disse Rael.

― Ela tem conhecimento com basicamente todos os tipos de armas. Se você quer ver Natalia se aperfeiçoando com alguma, ela é a pessoa certa. ― disse Neide.

― Peça para ela entrar. ― disse Rael e entregou um anel com o símbolo de “8” para Neide: ― Eu vou buscar Natalia.

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Leona era uma mulher que aparentava ter uns trinta anos. Ela estava no décimo segundo reino nível um. Não era uma mulher bonita, tendo apenas uma aparência razoável. Mas a expressão dela era séria e confiante, Rael não duvidou das capacidades da mesma:

― Esta é Natalia, tem 15 anos. Ela é esposa do meu genro e sobrinha do meu marido. Ela tem como liberação o Caminho da Liberdade, mas sua combinação em chamas é tão forte quanto a sua liberação, ou até mais forte. ― disse Neide, enquanto apresentava Natalia.

Os olhos castanhos da mulher morena de estatura média correram admiradas sobre a bela Natalia, que ficou quieta deixando as coisas rolarem. Ela ainda não sabia o que estava rolando, mas Rael tinha dito que ela agora receberia um treinamento especial com armas.

A própria Leona analisou a aura de Natalia e ficou impressionada, tudo que Neide dizia fazia sentido:

― Essa garota não pode está apenas no terceiro reino. ― disse Leona depois de sua análise. Não que ela tivesse certeza apenas analisando, mas é que não era possível uma combinação ser mais forte que a liberação. Ela realmente confirmou ao tocar Natalia, que seu poder em chamas era maior na garota.

― E ela não está. ― disse Rael do lado. ― Mas eu espero que o segredo dela continue guardado até a hora chegar. No momento, ela está no oitavo reino. ― explicou Rael. Leona abriu levemente os olhos ainda mais surpresa, mas não passou disso. Ela tinha ouvido muito bem que essa moça bonita à frente tinha apenas 15 anos. Como aquilo poderia ser possível? Natalia só poderia ser um monstro. Leona não sabia que Mara estava no mesmo patamar:

― É incrível o desenvolvimento dessa garota. Quem era o mestre dela antes, com quem ela treinou? ― Leona ficou deveras interessada.

― Ela não teve nenhum mestre decente, eu basicamente ensinei tudo o que ela sabe e a fiz atingir esse nível. ― disse Rael sem se importar. Ele queria que Leona soubesse quem ele era. Por mais que ele confiasse em Neide, ele ainda queria ter certeza que Leona realmente não faria nada contra Natalia.

― Isso é incrível! Fazer alguém atingir tal nível de poder em tão pouco tempo... Não sei nem porque precisam da minha ajuda. ― disse Leona.

― Eu não quero que ensine a ela cultivações ou técnicas normais. Quero ela aprendendo a usar armas, não importa qual desde que ela goste, e você pode ensinar técnicas de armas para ela. É isso que espero. ― disse Rael.

― É do meu interesse ensinar essa garota. Os valores eu posso acertar depois. ― disse Leona, correndo os olhos por Natalia: ― Antes, só quero ter uma conversa em particular com você. ― disse ela voltando a olhar Rael.

Rael olhou para Neide. Neide parecia um pouco surpresa, mas mesmo assim ela fez um sim, que indicava não ser problema. Leona era uma especialista em armas conhecida por muitos e Neide sabia que ela não faria nenhuma estupidez.

― Por aqui. ― disse Rael subindo as escadas, Leona subiu atrás seguindo Rael, que andou pelo corredor e voltou para o quarto que estava cultivando anteriormente. Assim que Leona entrou, ele fechou a porta e se virou para a mesma:

― Estamos sozinhos agora. ― disse Rael.

― Eu ouvi tudo que ocorreu entre você o clã Sarbaros. Fiquei bastante surpresa com as coisas que eu ouvi. ― disse Leona, aparentando um ar normal.

― E o que exatamente você quer saber?

― Você é Samuel Raymonde, não é? Estranho você não ter o sobrenome Serrari, e ainda ser o irmão de Rita. ― disse Leona, surpreendendo Rael.

― Quem exatamente é você? ― perguntou Rael surpreso.

― Ela nunca te falou que teve uma mestra? ― perguntou Leona de volta.

― Sim, ela disse algo como isso uma vez. ― lembrou Rael, levando a mão para o queixo.

― Eu fui a mestra dela. Mas vocês eram mesmo irmãos? ― perguntou Leona com um olhar fixo.

― Éramos sim. Muitas coisas aconteceram e eu não vivi com eles. Só fui conhecê-los mais tarde, onde...Tudo acabou acontecendo... ― disse Rael com muito desgosto e tristeza, se lembrando que a culpa da morte daquela família era inteiramente dele.

― Sinto muito pela sua perda... ― disse Leona após ouvir a resposta de Rael, seu tom pareceu até ficar mais manso: ― Eu treinei Rita por apenas um ano, mas me lembro dela perfeitamente. Aquela garota tinha um bom coração, ela tinha futuro para crescer e se tornar uma boa pessoa. Foi uma pena o que aconteceu... ― disse Leona, deixando Rael ainda mais triste por voltar a se lembrar disso.

― Obrigado, eu acho... ― disse Rael sem jeito.

― Pegue! ― disse ela estendendo uma tiara prateada com pedras verdes, vermelhas e azuis que tinha acabado de tirar do bracelete: ― Eu pretendia dar a ela quando tivesse a chance, mas ela não está mais aqui. Você pode ficar com isso. Eu lembro que ela amava essas tiaras. ― depois de dizer isso e colocar a tiara na mão de Rael, Leona se virou.Ela mesma abriu a porta e saiu.

Rael ficou sozinho segurando a tiara em mãos, se lembrando da primeira vez que eles andaram pela cidade. Naquela ocasião que Tomas cruzou o seu caminho. Uma lágrima silenciosa escapou de seus olhos. Ele poderia continuar vivendo, poderia continuar sorrindo, poderia fingir que tudo tinha ficado bem, mas sempre haveria aquele buraco no peito que nunca se fechava.

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A noite, no mundo paralelo, mais cidades tinham sido tomadas. Sob a liderança de Violeta, os devoradores não paravam de avançar e o seu exército se tornava maior a cada instante. Eles estavam se aproximando do clã Torres.

― Senhora líder, eu achei a garota que você estava procurando. ― disse um dos devoradores do décimo primeiro reino. Ele trazia consigo ninguém mais ninguém menos que Natalia, transformada em devoradora. A garota tinha sido transformada ainda nova, com seus quinze anos e mantinha a mesma aparência, parecendo a original do outro mundo. É claro, ela estava com roupas desgastadas e sujas, mas ainda mantinha uma beleza natural que ela possuía desde que era normal. Os únicos defeitos corporais dela era uma mancha cristalizada em seu pescoço da mordida que a transformou e seus olhos vermelhos cristalizados.

Devoradores transformados perdem os sentimentos familiares ou qualquer tipo de empatia que tinham antes por pessoas. São tomados por uma fome de carne humana e de poder que parecem nunca saciá-los. Por mais que seus corpos ainda funcionem normalmente em todos os outros sentidos, eles não ligam, não se importam e matariam até as pessoas que amavam antes. O instinto puramente assassino vem de seu mestre Cristalandio, que deseja ser liberto, e para isso, deve ser juntado uma enorme quantidade de poder. Esse é o trabalho de seus servos.

Diferente dos outros devoradores que não tinham qualquer sentimento, Violeta ainda tinha, devido a traços de sua última maldição e seu poder total ser muito grande. Mas a fome Violeta ainda compartilhava:

― Você deve ser Natalia, estava sob o comando de outro bando, não era? Eu mandei que a trouxessem a mim. ― disse Violeta, analisando ela.

― Sim, sou eu, senhora líder, e estou a seu dispor. ― disse Natalia suavemente com um leve cumprimento. Essa Natalia estava no décimo reino, mas ela não tinha todo esse poder quando foi transformada. Durante os longos anos ela se alimentou muito bem.

― Estamos nos preparando para atacar o clã Torres muito em breve, o que sabe sobre eles? ― perguntou Violeta.

Violeta estava sentada em uma cadeira de madeira, com as pernas cruzadas. Ela e seus devoradores estavam no meio da rua de uma cidade recém destruída. Em volta, pessoas ainda estavam sendo transformadas, cultivadores do nono reino acima. Era possível ver corpos se tremendo pelo chão e em poucos segundos se levantando para se juntar aos outros. Havia também outros grupos comendo e saboreando a carne de pessoas mais fracas que ainda sofriam, agonizando nas mãos dos mesmos.

― O clã Torres é a ultima resistência. Meu pai, meu tio e sua esposa são os mais fortes, são todos cultivadores do reino final. Se a senhora não fosse fazer parte do ataque, eu aconselharia a terminar todas as outras cidades antes. ― disse Natalia sem nenhum sentimento, mesmo falando de sua antiga família.

― Três reinos finais? Fabuloso! Não esperava menos do clã mais poderoso! ― disse Violeta com um sorriso agradável. Todos os outros devoradores apenas se mantiveram em espera sem expressar sentimento, incluído Natalia.

― Entre todos os clãs, eles são os que mais nos atrapalharam, senhora líder. Eles são os que lideram a Barca da Esperança, qual não podemos chegar perto. ― disse Natalia, depois de alguns segundos.

― Vocês falam muito dessa barca, mas até o momento não a vi uma vez sequer. ― disse Violeta.

― Eles controlam o carregamento de Cristal de Ureno. Antes de ser transformada, meu pai e meu tio eram quem controlava tudo isso, mas acho que hoje é meu irmão quem assumiu a liderança. ― disse Natalia.

― Nessa Barca, tem uma mulher que usa uma armadura mágica. Eu já lutei com ela uma vez. ― disse um homem saindo do meio do grupo: ― Na ocasião, ela desceu para salvar um jovem rapaz ruivo que eu quase consegui matar.

― Você disse um rapaz ruivo? Rita, não era um homem ruivo que você conheceu? ― perguntou Violeta girando a cabeça de lado, tentando olhar para trás.

― Sim, era. Ele vestia roupas pretas e se cobria bem. Ele tinha um braço azul, que parecia querer esconder. ― disse Rita, que estava próxima, atrás de Violeta.

― Isso bate com as descrições? ― perguntou Violeta, se voltando ao devorador.

― Sim, senhora. Ele estava de preto naquela noite.

― Resumindo: ele ainda pode estar nesta barca, caso não tenha voltado para o seu mundo. Quero todos procurando pela barca, e quando a encontrarem, me avisem! Todos, com exceção de Rita e Natalia devem permanecer comigo, vão imediatamente!

Como um enxame, os devoradores que sabiam voar partiram, se separando nos céus. Os que não podiam voar, corriam como vultos pelas terras.

 

― Eu tenho mais algumas perguntas para você, lindinha. ― disse Violeta sorrindo, enquanto olhava Natalia. Natalia se manteve apenas obediente esperando junto com Rita.




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