O Herdeiro do Mundo

169 - Consequências

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: Nego


Rael ficou com Beatriz até ela poder se vestir. Depois que o poder dela finalmente ficou controlável, ele a levou para a nova casa dela com família Reis. Ele a deixou sob os cuidados de Valda, que rapidamente correu com a moça para arrumar um quarto para ela.
Deixando a moça, Rael partiu para a casa da residência Alencar. Ele entrou e já foi procurando por Janete. Janete veio toda animada na direção de Rael, a mulher estava bem arrumada com um vestido verde que ela ganhou de Neide. Estava até usando algumas jóias que certamente a família dela não teria, tudo ganhado de Neide. Janete quis ficar o mais bonita possível, sabendo que Rael estaria sozinho na cidade, a mulher queria pelo menos ter a chance de atrair o coração do rapaz.
― Essas roupas...? ― Rael perguntou curioso.
― Eu ganhei da sua sogra, você gostou? ― perguntou ela de volta com expectativa.
― Ficou bem em você. Venha comigo. ― disse Rael, ele se virou subindo as escadas, Janete subiu atrás.
Rael não entrou em um dos quartos, ele se dirigiu para a varanda e Janete o seguiu com o coração saltitando, a mulher pensava que Rael iria cumprir o que haviam combinado antes.
Quando os dois estavam na varanda, o ar ficou turvo e Violeta apareceu, surpreendendo Janete:
― Quem é ela? ― perguntou Janete chocada.
― Essa é a minha mestra, Violeta. ― respondeu Rael. Isso acalmou Janete mas ainda a deixou um pouco sem jeito, isso porque ela pensava que estaria a sós com Rael.
― Você tem mesmo certeza que quer fazer isso? ― perguntou Violeta olhando Rael. Janete ficou parada sem fazer ideia do que ela falava. Janete estava muito admirada com a beleza de Violeta, e quem não ficaria?
― Tenho certeza. ― disse Rael e se virou, dando as costas para Janete. Janete ainda fitava Violeta impressionada.
― Janete, olhe para os meus olhos. ― Violeta concentrou seu poder enquanto iniciava sua hipnose e Janete facilmente entrou no estado de transe enquanto via a estrela escura girando dentro da íris vermelha de Violeta.
― Agora você está sobre o meu controle e responderá todas as minhas perguntas. Quero que me diga: o que você sente por Samuel? ― perguntou Violeta. Janete permanecia olhando os olhos de Violeta, mas parecia estar com a mente em outro lugar.
― O Samuel é meu salvador, eu me sinto agradecida e apaixonada. Daria a minha vida se ele precisasse dela. Eu o amo do fundo de minha alma. ― disse a mulher com a voz arrastada. Violeta olhou para Rael de lado mas o mesmo continuava olhando a cidade. Rael estava com o coração apertado por fazer isso, mas ele sabia que era necessário. Janete merecia alguém que fosse realmente ficar com ela.
Como Rael não disse uma palavra, Violeta entendeu que deveria mesmo continuar. Violeta sentia ciúmes, é claro, mas ela conseguia se controlar por saber que isso era parte da maldição e, portanto, ela não tinha nenhuma raiva real de Janete.
― A partir de agora, você não ama mais Samuel, nem tão pouco está apaixonada por ele. Tudo que você sente por ele é gratidão e amizade por ter salvado você e sua família. O que você tem por Samuel a partir de agora é lealdade como uma amiga. ― disse Violeta e esperou.
― Sim, você está certa. Samuel é agora um amigo, ao qual eu devo minha lealdade. ― disse Janete com a voz arrastada.
― Eu deixarei um comando mental em você, Janete: Se você ouvir Rael dizer “Janete, eu liberto você da Hipnose”, então você esquecerá de toda a hipnose e voltará a ter os mesmos sentimentos de antes dessa hipnose. ― disse Violeta, e isso fez Rael se virar surpreso pra ela. ― Agora, você pode voltar ao normal. ― disse Violeta e fechou seus olhos.
Janete piscou algumas vezes para recobrar a consciência e viu somente Rael à sua frente. Violeta já havia sumido:
― Samuel? O que estamos fazendo aqui? ― perguntou a mulher curiosa. O olhar dela sobre Rael já não tinha mais aquele brilho. Era um olhar simples, de respeito e admiração, diferente de antes, que era quente e amoroso.
― Apenas olhando a cidade. ― disfarçou Rael.
― Você pretende ficar muito tempo por aqui?
― Vou embora em breve, irei apenas terminar de aprontar suas irmãs e sua mãe para serem minhas novas discípulas. ― disse Rael.
― Isso vai ser muito bom! ― disse Janete sorrindo.
― Sim... ― concordou Rael sorrindo de volta.
― Se precisar de mim, eu estarei lá embaixo. ― disse ela e saiu caminhando tranquilamente. Se fosse antes, ela não sairia de perto de Rael assim. Ela jamais perderia uma chance de ficar sozinha com ele.
― Violeta, porque você deixou esse comando nela? O que estava pensando? ― perguntou Rael, que sabia que Violeta ainda estava ouvindo tudo.
― Porque se você mudar de ideia, você poderá voltar atrás ― disse Violeta sem sair do seu esconderijo.
― Eu nunca vou mudar de ideia. ― disse Rael de volta. Violeta ficou apenas em silêncio.
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Rael reuniu as irmãs e a mãe de Janete, fazendo a mesma proposta. Elas aceitaram o mais rápido possível, toda família Alencar era composta de cultivadores e Rael tomou todos como seus discípulos, preparando tudo: Veias, pontos de poder, anéis, pílulas e técnicas de cultivos.
Quando ele finalizou todo o processo, já era mais de meia noite. Rael tinha marcado todos também, dando entrada para a residência de Ana e avisado a todos que, se houvesse sinais de perigo, eles deveriam se esconder lá.
Rael também deu a todos anéis de comunicação e explicou seu uso. Só depois disso que Rael se despediu e deixou o clã, sendo levado por Violeta.
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Somando a família de Janete, que tinha um total de onze membros, com Laís, Ana e Beatriz, Rael agora tinha um total de 14 discípulos, composto por seis homens e oito mulheres.
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Violeta continuava levando Rael para o clã Torres. Rael tinha pedido para ela o levar até próximo a cidade e depois ela poderia voltar para o esconderijo.
― O que vai fazer agora? ― perguntou Violeta.
― Vou ficar um tempo com minhas esposas e repousar. Esperarei Alexia aparecer para ver o que podemos fazer sobre os ancestrais. ― explicou Rael.
― Eu aconselho você a não sair do clã por alguns dias até tudo se resolver e você aumentar de poder. No estado que deixamos o patriarca Arthur, não sabemos o que ele pode querer fazer. Se você quiser, eu posso matá-lo. ― disse Violeta.
― Se no futuro eu não puder lidar com ele, então não serei digno de ter vocês ao meu lado. Eu quero continuar crescendo e avançando poder, ter ele como um inimigo só vai fazer eu me esforçar mais. ― disse Rael.
― Sim. Você deve crescer, mas não corra riscos desnecessários. ― disse Violeta.
― Eu não correrei, tenho minha sogra que é de minha total confiança se caso algo der errado. Mas eu não quero depender da força de ninguém, eu mesmo quero superar Arthur. E claro, não vou deixar mais ninguém correr riscos como antes. ― disse Rael.
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No clã Sangnos, os elders haviam se reunido a pedido do patriarca e todos estavam sentados em poltronas em volta da grande mesa da sala de reunião. Ninguém conversava ou cochichava em respeito. O patriarca Arthur calmamente ajeitava uma pilha de papéis, tentando buscar toda calma do mundo para o que viria a seguir.
O patriarca Arthur tinha feito de tudo para tentar recuperar a virilidade do filho nos últimos dias. Juntou os melhores médicos curandeiros do clã e nada pôde ser feito, eles não tinham qualquer resposta de uma possível cura. E mesmo se ele curasse o filho, ainda não poderia fundir o clã com outras duas família, após perder a sua filha Beatriz. Tomado por esse caminho, Arthur decidiu que deveria nomear outro patriarca e se tornar um elder. E quem melhor pra esse cargo do que seu homem de maior confiança?
― Eu decidi transferir meu cargo de patriarca para o elder Ariel devido aos últimos problemas.Eu não possuo mais herdeiros, e isso torna impossível para que eu continue na liderança. ― disse Arthur, sendo direto após deixar os papéis pousados na mesa. Ele correu sua visão sobre cada elder e esperou pacientemente a suposta votação.
Quem não tinha escutado a história de Rael tomando Beatriz? Ou quem não sabia sobre o problema de Alexandre, depois de verem dezenas de curandeiros entrando e saindo do clã? O patriarca nunca pensou em negar tal fato e nem queria, ele estava pronto para passar seu posto adiante e correr atrás de seu único desejo naquele momento: Vingança. Deixar um amigo leal no poder era somente um meio termo para o caso dele voltar vivo depois de exterminar Rael.
Ariel tinha Samara como filha e mais dois filhos homens que estavam em treinamento, isso tornava ele perfeito para ser novo patriarca, todos os seus filhos eram maiores de idades e solteiros.
Os elders se olharam, eles não aceitavam a ideia tão facilmente como Arthur, mas o que poderiam fazer? Eles poderiam tentar opinar outra pessoa, mas nem todos tinham os mesmos ideais, e quem seria louco de ir contra a opinião do atual patriarca, que era o único em todo o clã no décimo terceiro reino? Além disso, eles pensaram e seria muito mais prudente apoiar o novo futuro patriarca:
― Tem meu total apoio sobre essa questão! ― disse o primeiro.
― Ninguém melhor do que o grande elder Ariel para assumir tal fardo! ― disse outro.
― O patriarca fez a melhor escolha possível!
― Foi uma grande e sábia escolha!
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Trinta minutos depois, toda a reunião já estava encerrada e todos os elders já haviam se retirado ficando apenas Arthur e Ariel, que assumiria o papel de patriarca a partir do dia seguinte:
― O que vai fazer, velho amigo? ― perguntou Ariel depois de um tempo.
― O que você acha? Eu vou acabar com aquele moleque! ― disse Arthur, enquanto analisava alguns itens de seu bracelete.
― Se o senhor fizer algo, a mestra dele virá nos destruir. Isso não é uma boa ideia.
― Porque ela viria? Eu, não sendo mais o patriarca, não devo mais nada a ela. Se algo acontecer, você pode me considerar um desertor, assim vocês ainda terão uma defesa.
― Velho amigo, tenha calma, não seja precipitado. Se quer tanto assim uma vingança, eu o ajudarei e farei de uma forma que você não precise se arriscar. ― disse Ariel.
― De que forma, Ariel? Já tentamos contratar um assassino e veja a merda que deu.
― O senhor se lembra da primeira opção que eu dei antes? Aquela assassina cobra caro, mas nunca falhou em nenhum assassinato. Ela mata até mesmo pessoas acima de seu próprio reino.
― A tal da Dama... ― lembrou Arthur.
― Sim, eu ainda tenho o anel de comunicação para falar com ela. O preço que ela deu para tirar a cabeça do jovem mestre Samuel foi de duzentas mil moedas de ouro, pagando metade antes e metade depois do serviço. Ela também não tem qualquer registro da alma, o que a torna perfeita para os nossos planos.
Arthur antes havia recusado ela exatamente devido o preço exuberante,mas agora que ele estava furioso, dinheiro não era mais um problema.
― Certo! Chame essa mulher aqui e acerte tudo com ela. E se ela não conseguir, eu mesmo matarei esse moleque! ― disse Arthur.
― Não se preocupe, ela não falhará. Ela tem um histórico de quarenta dois pedidos, todos com 100% de sucesso. Ela não cobra caro atoa.
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Há alguns quilômetros de distância do clã Sangnos, uma pequena cidade se situava cercada por um longo rio. Subindo um pouco os caminhos montanhosos depois do rio havia uma espécie de templo, era uma imensa construção toda feita de madeira. No quintal dessa construção, tinha uma estátua oferecida a um deus desconhecido. E em frente a ela, estava uma mulher ajoelhada, de olhos fechados e mãos juntas em forma de oração.
Ela era uma mulher tímida e por isso morava afastada da cidade, preferindo se manter solitária e longe dos demais.
Ao longo do quintal podia-se ver plantações de frutas e legumes. Por dentro, o templo era bem cuidado e bem limpo, a Dama não possuía escravos e fazia todo trabalho sozinha.
Ela se mantinha concentrada orando e não percebeu a presença de um indivíduo mascarado chegando por trás dela. A sombra do indivíduo a cobriu devido ao intenso brilho da lua no céu:
― Keylla, pare com essa oração agora. Eu preciso de você. ― disse o homem por trás da máscara. Quando a mulher o ouviu, se estremeceu e parou tudo que estava fazendo. Ela mergulhou de lado e se arrastou para a parede, fugindo o mais rápido que podia:
― Você de novo! Por favor, me deixe em paz! Eu não fiz nada contra você! ― a moça gritou assustada e se encolheu na parede, a medida que o homem se aproximava tirando algo do bracelete.
Ele achava uma pena essa mulher ter problemas de personalidade porque ela era, com certeza, muito atraente. Seus olhos eram azuis claros como o céu e brilhavam mesmo agora a noite, seu rosto era impecavelmente lindo, sem esquecer de uma pinta sexy do lado direito de seus lábios. Ela era perfeita em corpo, com curvas de tirar o fôlego e seu jeito de menina assustada ou inocente como agora despertava nos homens o desejo de se tornarem feras e atacar essa moça que parecia indefesa. Mas os que se atreveram a tal ato certamente não fariam novamente, mesmo se ainda tivessem vidas:
― Eu não sei porque sempre me mandam pra passar as novas ordens a você. ― reclamou o homem, enquanto segurava agora um espelho em mãos.
― Por favor, apenas me deixe em paz! Me perdoe se eu fiz algo de errado para com o senhor mascarado! ― disse ela se tremendo. E não era mentira, Keylla, a “Dama”, realmente estava apavorada com o homem à frente.
― Eu só quero que dê uma olhada aqui. ― disse o homem, apontando o espelho para ela com uma mão e com a outra, ele usou seu elemento Luz para poder clarear o local e ela poder se ver no reflexo.
Keylla começou olhando o próprio reflexo com medo enquanto se tremia mas, em segundos, o medo desapareceu de sua face, seu rosto foi tomado por uma expressão séria que se tornou fria. Em seguida, ela sorriu como uma deusa da guerra e se levantou em um salto. O homem imediatamente guardou o espelho:
― O que tem para mim hoje? ― perguntou ela em tom animado. Nem parecia mais com a mulher tímida e assustada de agora a pouco. Agora ela era uma mulher ousada, sem medo e sem um pingo de vergonha.
O homem tirou um papel do bracelete e apresentou a mesma:
― O pedido da cabeça do jovem mestre Samuel foi confirmado. O patriarca Arthur mandou que você comparecesse o mais breve possível ao clã Sangnos para acertar os detalhes.
― Huum... parece que eu terei alguma diversão por esses dias. ― disse ela e passou sensualmente a língua em volta do lábio superior. Ela guardou o papel e se virou caminhando para dentro do templo.
― Agora você já pode ir. Vou me aprontar e já estarei indo visitar o patriarca para saber dos detalhes. ― disse a mesma lá de dentro. O homem de máscara escura, fez uma reverência de respeito mesmo ela não vendo e se retirou.
Keylla sorria enquanto tirava o vestido exagerado que cobria muito a sua pele. Ela queria uma roupa mais confortável, onde ficasse mais a vontade e também pudesse exibir melhor a sua beleza. Não era porque ela era uma assassina que iria andar toda embalada:
― ‘O que se é bonito, tem que ser visto!’ ― pensou ela sorrindo enquanto se trocava.
Ela não demorou para vestir uma saia de couro escura apertada nas coxas e um par de botas no mesmo tom de cor. Em seguida, ela vestiu uma blusa escura de couro e passou um cinto de prata sobre a saia. Depois, ela abotoou dois botões, apertando mais a blusa na altura do peito e lançou seus longos e belos cabelos para trás. Ela não se olhou no espelho porque teria sérios problemas, mas ela sabia o quanto estava bonita. Por último, ela pegou sua máscara branca com um sorriso vermelho e a levou ao rosto:
― Matar um jovem mestre do clã Torres não será uma tarefa fácil. Acho que vou me divertir muito hahahahaha! ― disse a mesma rindo enquanto se virava deixando seus cabelos fazerem uma curva no ar.




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