O Herdeiro do Mundo

168 - Reunindo a Família

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael não teve muito tempo para pensar, ele observou uma carruagem chegando no portão, mas essa ele não estava esperando:

― Parece que chegou visita. ― disse Violeta que também estava vendo a chegada inesperada. Rael focou sua visão se concentrando e reconheceu o homem que saiu de dentro da carruagem. Era Jaime, o homem que ele havia tirado da escravidão na época que salvou Janete. Jaime saiu acompanhado de um rapaz mais jovem, ambos pareciam bem animados, olhando o lugar em volta.

― Eu conheço aquele homem, eu o libertei da escravidão. ― disse Rael.

― E lhe prometeu um lugar seguro? Vá recebê-lo! ― disse Violeta satisfeita com Rael. Ela gostava de vê-lo tomando boas ações.

―Sim. Com licença. ― disse Rael e começou a descer com a atenção voltada aos dois. Violeta continuou sorrindo e sumiu em seguida, entrando novamente em sua dimensão.

Quando Rael pousou, os portões já estavam sendo abertos, pai e filhos entravam curiosos olhando em volta. Um dos guardas locais estava os acompanhando e se deparou com Rael, e no mesmo instante eles pararam:

― Pode deixar eu cuido deles daqui em diante. ― disse Rael. O guarda fez um sim e se afastou, deixando os dois nas mãos de Rael.

― Jovem mestre, eu vim como o senhor me ordenou antes. ― disse Jaime e o reverenciou, baixando a cabeça em sinal de respeito. O jovem ao lado fez o mesmo.

― Fiquei feliz por ter vindo. Esse é o seu filho? ― perguntou Rael. Os dois voltaram às suas posturas normais.

― Sim. Esse é meu filho Guilherme, jovem mestre.

― Me chame de Samuel, eu não gosto desse tipo de tratamento. Venham comigo, deixe-me apresentar a pessoa que ficará a cargo de vocês. ― disse Rael se virando. Os dois imediatamente partiram seguindo Rael.

Depois da batalha entre Rael e os elders, várias casas estavam abandonadas por estarem com problemas. Aqueles dois teriam muito trabalho até arrumar tudo. Já tinha alguns trabalhando nisso, Rael só iria aumentar os números.

Conforme foram apresentados para Ana, ela já os levou para uma casa sobrando, um tipo de alojamento onde ela pretendia colocar mais pessoas que Rael trouxesse. Conhecendo Rael, ela sabia que ele iria ajudar outros. Depois, os instruiu com o trabalho que teriam e seus ganhos, e Rael ficou junto, acompanhando para ver como ela fazia as coisas. Ela mantinha um rapaz jovem com um caderno em mãos, anotando tudo e passando os detalhes quando ela perguntava. Por fim, Jaime e seu filho ficaram bem felizes, porque eles receberiam valores dignos pelos seus trabalhos.

― Por hoje vocês devem descansar da viagem. Se não tiverem muitas roupas, eu posso providenciar algumas para vocês. Qualquer problema falem comigo, o trabalho de vocês começa amanhã. ― disse Ana.

― Obrigado, senhora matriarca. Nós temos roupas sim. ― disse o Jaime. Ana tinha perguntado porque notou que eles eram bem simples.

― Certo, vocês podem descansar da viagem agora. ― disse ela.

― Muito obrigado, senhora matriarca e senhor Samuel! ― disse Jaime novamente, se virando e saindo com o filho.

― Eu estava esperando por eles desde quando você me instruiu. ― disse ela se voltando para Rael.

― Vou fazer desse lugar um porto seguro e trarei todos que quero proteger para cá. Com meus discípulos aumentando o poder, no futuro vocês serão os mais fortes e ninguém aqui poderá fazer nada contra, mesmo que tentem. ― disse Rael.

― Você está bem animado. ― disse Ana sorrindo.

― Estou sim, agora, vamos preparar a residência? Vou precisar ficar sozinho no lugar por algum tempo ajeitando tudo.

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Rael formou a barreira na residência de Ana. E durante a barreira os três ancestrais apareceram novamente, mas Rael não os viu porque estava concentrado.

Depois, ele marcou cada discípulo e explicou a situação. Se algo perigoso ocorresse, eles deveriam correr e se esconder lá. Rael também marcou os escravos que trabalhavam na arrumação da residência. Mantendo assim, Ana e mais três escravos com a permissão de entrar no lugar, todo o resto só poderia ficar na área de recebimento. Rael não criou anéis nem artigos para a entrada de outros, ele não queria deixar riscos para que as coisas dessem errado no futuro:

― Esse tipo de barreira é novidade para mim. ― disse Ana vendo o símbolo do oito no ombro.

― Só entra quem eu marcar, por isso não tem como dar errado. ― explicou Rael.

― Você criou essa barreira sozinho?

― Não exatamente, mas você não precisa saber isso. ― mentiu Rael. Apesar de confiar nela, ele não sairia distribuindo todos os seus segredos deliberadamente.

― Não quis parecer intrometida, lamento. ― disse Ana de volta. Rael se sentiu meio sem graça por tratá-la assim e tentou se explicar:

― Não foi intromissão nenhuma, é que muita coisa sobre mim eu prefiro manter em segredo.

― Tudo bem, tomarei mais cuidado para não perguntar nada estranho. ― disse Ana e sorriu levemente, se mantendo neutra. Ana sempre soube quando recuar ou avançar e ela não era uma mulher que se ofendia fácil, por isso ela nem ligou para o que Rael disse antes.

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O dia passou e Rael manteve contato com Laís e suas esposas, que o chamaram algumas vezes. Ele explicou que ainda estava com a mestra, o que não era nenhuma mentira. Violeta continuava oculta.

À noite, a carruagem certa dessa vez apareceu nos portões e Rael desceu para recebê-la. Como tudo já tinha sido avisado, a carruagem já tinha sido liberada quando ele chegou flutuando. Rael conduziu a carruagem, que o seguiu até a residência indicada.

― Aqui está bom, pode parar. ― disse Rael para o homem que conduzia os três cavalos.

As portas da carruagem se abriram e todas as mulheres desceram, junto com o senhor Reis:

― Laís, Valda, Beatriz e senhor Reis, esperem aqui.

Rael acertou as contas com o dono da carruagem e o dispensou. O mesmo apenas andou um pouco mais para frente e fez o contorno enquanto saía, indo embora.

― Eu não vou demorar,me esperem aqui.Família Alencar,sigam-me. ― disse Rael. Conforme ele disse, as mulheres o seguiram e os outros esperaram na frente do portão.

Rael abriu a porta e entrou com as mulheres. A família de Janete não estava reunida toda na sala, naquele instante só um dos irmãos e o senhor Alencar estavam. Quando eles se viram a alegria tomou forma, tanto as mulheres que chegaram quanto os que já estavam na sala gritavam de felicidade. A celebração atraiu os outros irmãos e Janete, que desceram do segundo andar correndo para ver o que tinha acontecido. Rolaram abraços apertados, beijos, choro e até danças entre eles. Rael ficou de canto, vendo a família se reunir, com um leve sorriso satisfeito. Rael imaginou que isso talvez pudesse pagar por ele não ter conseguido salvar Rita e seus pais.

― Samuel, você cumpriu mesmo o que me prometeu para mim! ― disse Janete bastante emocionada. A mulher limpava as lágrimas com o pulso, tentando contê-las.

― Se eu disse que as salvaria então é claro que eu salvaria, certo? Agora, vocês estão todos reunidos novamente e eu não vou deixar mais nada acontecer a vocês. ― garantiu Rael firme.

― Eu não tenho como agradecer você o suficiente, a não ser prometer que sempre serei fiel a você. ― disse Janete.

― Eu quero sua amizade e lealdade, mas de resto não precisa se preocupar. ― disse Rael. Antes que Janete pudesse dizer algo mais, Malcon se aproximou e se ajoelhou em agradecimento a Rael. Todos sabiam que agora elas não eram mais escravas, e tudo isso graças a Rael.

― Senhor Malcon, não precisa se ajoelhar. ― disse Rael sem jeito. Mas não ajudou, em seguida todas as mulheres e filhos fizeram o mesmo e se ajoelharam ao lado do pai, até mesmo Janete. E mesmo que Rael dissesse e reclamasse, ninguém se levantava. Todos se mantiveram assim por alguns segundos de cabeça baixa.

― Não temos como agradecer o que fez por nós, mas juramos aqui e agora que não importa o que o jovem mestre Samuel precise, nós o faremos. Nós o agradecemos do fundo do coração! ― disse Malcon e só após isso ele se levantou e todo o resto em seguida.

Cada uma das irmãs de Janete se aproximaram timidamente e deram um beijo no rosto de Rael, os irmãos abraçaram Rael e apertaram a mão dele com a maior intimidade, todos estavam bem animados.

Rael não ficou por muito tempo porque tinha que resolver o caso da família de Laís e Beatriz.

― Amanhã cuidarei de vocês, todas se tornarão minhas discípulas. ― disse Rael, para a alegria dos demais.

Saindo da residência dos Alencar, ele encontrou o restante:

― Me sigam ― disse Rael, guiando o caminho e os quatro atrás o seguiram.

No território do clã várias pessoas estavam espiando os acontecimentos pelas janelas, mas ninguém ousava olhar feio ou dizer algo. Rael apenas seguiu para uma residência reservada para eles, pois já estava com as chaves. Depois de abrir os portões para um quintal com uma árvore, eles passaram para dentro e Rael abriu a porta dupla. Era uma residência bem maior do que a antiga deles. A maioria das casas ali tinham dois andares como essa:

― Esse lugar deve ser o suficiente para vocês, não? ― perguntou Rael e entregou as chaves para o senhor Reis. Todos entraram olhando o lugar com curiosidade, menos Beatriz, que ficou parada ao lado de Rael como se esperasse um novo destino pra ela.

― Senhor e senhora Reis, será que posso falar com vocês? ― perguntou Rael.

― Claro que sim, Samuel. ― disse o senhor Reis rapidamente e ambos pararam esperando em frente a Rael:

― Eu gostaria de pedir para que cuidem de Beatriz.Quero que ela more com vocês e que tratem-na como se fosse sua filha. ― disse Rael.

― Nós cuidaremos sem problemas. ― disse o senhor Reis e Valda concordou com um sim, balançando a cabeça positivamente.

― Mas Samuel, você não disse que eu seria sua… ― Beatriz se sentiu confusa, mas não terminou a frase porque todos ficaram olhando e ela ficou vermelha. Dizer concubina não era uma tarefa fácil quando se estava em público.

― Pois eu estou dizendo agora que você ficará com eles. Você aprenderá a cuidar de uma casa, a cozinhar e todos os tipos de tarefas caseiras. No momento, isso é o que eu quero de você. Mas por enquanto me siga, eu tenho algo a tratar contigo. ― disse Rael e puxou o braço de Beatriz com a intenção de sair: ― A propósito, essa residência agora pertence a vocês, família Reis. Amanhã o senhor deve conversar com a matriarca Ana, ela irá arrumar um trabalho para o senhor.

Rael saiu, tomou a mulher nos braços e flutuou para cima levando Beatriz, que se agarrou forte em Rael com medo de cair.

― Para onde estamos indo? ― perguntou Beatriz.

― Apenas indo confirmar se você está sendo mesmo séria sobre tudo o que disse. ― disse Rael e parou a vários metros acima. Violeta apareceu no ar depois de sair de seu esconderijo e Beatriz olhou um pouco assustada para a violadora, se lembrando do que ela havia feito na casa do seu pai.

― Beatriz, olhe nos meus olhos. ― ordenou Violeta. Beatriz encarou Violeta e os olhos da violadora ficaram em um tom vermelho vibrante. Uma estrela escura parecia girar dentro dos olhos de Violeta, até mesmo Rael ficou bobo ao observar.

― Beatriz, agora você está sobre o meu controle e responderá a algumas questões. ― disse Violeta ainda com os olhos brilhando e uma pequena estrela girando dentro de sua íris.

― Sim, eu responderei. ― disse Beatriz como uma voz arrastada e bem fraca, até a forma dela falar estava diferente. A expressão de Beatriz agora lembrava a de um zombie.

― Tudo que disse para Samuel era mentira? Você está fingindo que está feliz por ele ter trago você? ― perguntou Violeta.

― Não. Tudo é verdade. Eu não gosto do meu pai e farei tudo que me pedirem, só para ficar longe dele. ― disse a moça, confirmando toda a história.

― Você pretende ser leal a Samuel?

― Sim, eu pretendo ser leal. ― disse a mesma.

― Já basta, Violeta. Encerre. ― disse Rael.

― Muito bem, Beatriz. Você pode voltar ao normal agora. ― disse Violeta e fechou os olhos. Beatriz piscou algumas vezes desnorteada e olhou de Rael para Violeta:

― O que estamos fazendo aqui? ― perguntou Beatriz.

― Nada, só estamos passeando. ― disse Rael com um sorriso bobo, segurando a jovem.

Violeta voltou a se esconder e Rael levou Beatriz para fora do clã, em um local reservado:

― Beatriz, vamos ter uma conversa melhor agora que confio mais em você. ― disse Rael deixando a moça no chão.

― Como o quiser, Samuel. ― disse ela com expectativa.

― Para ser franco, eu não tomei você de seu pai para fazer de você uma concubina, eu só fiz isso para provocá-lo… Tudo foi merecido. Mas agora, vou dar a você uma chance real. Você quer mesmo continuar livre do seu pai, não quer? Então, torne-se minha discípula e eu farei você ficar forte, muito forte. Você só precisa jurar lealdade a mim. Sua vida amorosa é sua e você fará o que quiser dela, eu só quero a sua lealdade como discípula. ― disse Rael.

Beatriz ficou alguns instantes em silêncio e depois respondeu:

― Eu aceito me tornar sua discípula! Eu juro ser leal!

― Ótimo. Começarei agora mesmo a preparar o seu corpo. ― disse Rael.

Rael começou a de liberar os pontos de poder, curar as veias espirituais, deu também dois anéis a jovem e as pílulas para ajudá-la no cultivo.

― Você é mesmo incrível, Samuel! Pontos de poder, veias espirituais, esse anel e essas pílulas…! ― Beatriz estava muito chocada com tudo, o que era natural para uma moça que conhecesse aquilo.

― Vamos focar no que importa. Você tem roupas extras? ― perguntou Rael já preocupado. A liberação dela era o Caminho do Apoio, a “Amplificação”, e por isso não havia garantias de que as roupas dela ficariam no corpo depois dela tomar a pílula.

― Tenho sim, por quê? ― perguntou ela sem pensar muito enquanto se acalmava.

― Ótimo, tome a pílula. ― disse Rael. Sem nenhum medo, Beatriz obedeceu.

Booooom! Woch!Woch!Woch!

Como Rael imaginou, a aura roxa explodiu em volta da moça, tomando todo o corpo dela com violência. As roupas da garota começaram a ser destruídas em uma velocidade insana. Beatriz, percebendo isso, se agachou e escondeu rapidamente sua parte especial, fechando as pernas e levou as mãos para os seios. Rael já tinha se virado para não ver a cena:

― Você ficará cerca de alguns minutos nesse estado até se acostumar. Ficarei vigiando o lugar enquanto isso acontece. Cultive e controle seu poder e quando ele se acalmar, você poderá colocar novas roupas. ― disse Rael de costas para a menina.

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Capitulo Liberado através de doação. Agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann

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Nota autor: Não é que eu voltei com as doações. Só aceitei essas porque ainda foram antes do novo site abrir. Mas não estou aceitando outras se não for conversadas e acertadas antes. O capitulo também já aumentou: o valor e está 50,00 agora.
Boa leitora a todos.




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