O Herdeiro do Mundo

167 - Os Discipúlos

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Violeta e Emilia só foram se encontrar com Rael na biblioteca bem mais tarde. Porém, ele estava focado em uma busca mais árdua sobre esconder a mente de Rika e Alexia. Mesmo que elas fossem de confiança, Rael não queria ficar sendo espiado constantemente por elas. Violeta e Emilia não o atrapalharam e saíram de perto. Rael já tinha procurado artigos sobre ancestrais, tinha de algumas raças e até alguns deuses mais nada sobre os dele. Por isso desistiu, deixando para que Alexia o ensinasse depois.

As buscas de Rael foram inúteis, havia algumas técnicas de controle, mas ele precisava ser no mínimo um décimo reino ou “ter um reino renascido”. Rael ficou confuso com esse renascer porque, na verdade, poderia ser o caso dele:

― Violeta, me tire essa dúvida aqui. ― disse Rael, apontando no livro: ― Eu sou um reino renascido? ― perguntou em seguida.

― Não. Você é um ser renascido, mas isso não se refere a vida. Se refere aos reinos.

― O que isso quer dizer?

― É um tipo de ápice de poder para entrar em outra categoria de reinos. No momento, Neide nesse mundo é a mais próxima a renascer. Ela está quase completando o caminho. Quando ela chegar ao nível máximo desse reino, poderá renascer e entrar em uma outra linha de reinos.

― Eu não entendo…

― Nesse pequeno mundo ninguém atingiu esse limite ainda mas, uma vez atingido, a pessoa pode escolher entre permanecer forte e ficar estacionada no limite, ou renascer. Se essa pessoa optar por renascer,perderia uma grande quantidade de poder e inicia novamente os reinos do um, como se fosse um novo começo. Mas é completamente diferente, os avanços são várias vezes maiores, e o crescimento dessa categoria é três vezes maior que a primeira. O corpo da pessoa rejuvenesce, voltando a ter uma aparência de um adolescente, ficando na sua melhor forma e demorando muito mais pra envelhecer. ― explicou Violeta.

― O décimo terceiro reino nunca foi o limite?

― Nesse mundo ele pode até ser, mas em outros, nunca. ― disse Violeta.

― E se eu renascesse, eu voltaria a ser uma criança? Basicamente sou um adolescente. ― disse Rael.

― Para ser bem franca, ninguém nunca atingiu esse limite numa idade tão baixa. As pessoas nos outros mundos costumam levar, no mínimo, de trinta a cem anos. ― disse Violeta.

― Oh, sério? Você não está brincando? ― perguntou Rael, encarando Violeta.

― Eu não brincaria com algo assim.

― De qualquer forma, isso não me ajudaria. Eu ainda vou continuar sendo espiado por Alexia e Rika, não importa o quanto me esforce para buscar uma solução. ― disse Rael fechando o livro.

― Ficando mais forte, você mesmo vai criar barreiras. Mas no momento você não tem que se preocupar: essas duas te espiam, mas são aliadas.

― Diz isso porque não é sua cabeça a ser é vasculhada todas as vezes em que elas aparecem. É um saco!

― Pelo menos são duas pessoas que querem o seu bem. ― disse Violeta.

― Até demais, não?

― A propósito, como foi com Rose? ― perguntou Violeta. Rael ficou alguns segundos em silêncio antes de responder, ponderando mentalmente:

― Foi muito bom. Você estava certa, com ela é um pouco diferente de uma mulher normal. Se bem que Natalia e Mara, mesmo sendo normais, também são diferentes uma da outra.

― Eu disse a você. Se fizesse conosco antes de ter mais experiência, você estaria perdido.

― Violeta, quero que me acompanhe amanhã até o clã Sarbaros. Iremos receber o pessoal que vai chegar e também te pedirei um favor. ― disse Rael.

― Que favor? ― perguntou Violeta curiosa.

― Quero que use seu poder hipnótico para fazer uma mulher que gosta de mim parar de gostar. ― disse Rael se lembrando de Janete. Ele tinha pensado muito no assunto e, depois de tudo, ele concluiu que o gostar dela não fosse algo natural. Ele a salvou duas vezes e por isso, ela poderia acreditar que devia o amor dela a ele. Rael não achava certo se aproveitar dela e depois largá-la de canto. Rael também não teria espaço para ela em sua vida, seria melhor que ela esquecesse que gostava tanto dele. Sem esquecer o fato que ele mentiu para suas esposas, ele não parava de pensar nisso e se sentia culpado. Uma coisa era ele se deitar com Rose, as duas entenderiam porque isso já foi conversado, mas outra seria com Janete:

― Mas, quem?

― É uma mulher chamada Janete. Eu a salvei duas vezes, e ela acha que me deve a vida ou coisa do tipo. Eu só quero que ela esqueça que me ama, deixe-a como uma amiga leal, mas não apaixonada. Eu quero que ela arrume alguém e viva com essa pessoa. Aquela família já sofreu tanto e eu serei apenas um estorvo para eles, ao tirar a pureza da última mulher pura deles. Eu seria um canalha se fizesse isso. ― disse Rael.

― Então, agora você se preocupa com pureza?

― Eu nunca me preocupei, mas existem pessoas que se preocupam. De todo modo, ela só iria sofrer ao me esperar por dias. E sem contar que se minhas esposas sonharem que eu me relacionaria com ela, eu seria esfolado vivo por elas.

― Tudo bem. Eu ajudo você, se é esse o seu desejo. ― disse Violeta em seguida. Rael sorriu e depois saiu andando de lado, carregando o livro. Violeta ficou apenas olhando sua partida.

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O dia seguinte começou normal como qualquer outro. O café da manhã foi servido por Violeta e todos começaram a tomar chá e comerem pães. Rika, Emilia e Violeta tinham olhares afiados sobre Rael e Rose, eles se perguntavam se os dois iriam se encontrar mais uma vez.

Rael frequentemente olhava para Rose, é claro que depois da noite anterior não seria uma tarefa fácil esquecer o ato, a vontade de repeti-la era enorme. O corpo de Rose era realmente um mar de prazer.

Rose, por sua vez, estava no mesmo estado. Na verdade, ela estava com ainda mais vontade do que na sua primeira vez, antes de saber como era. Se aquelas mulheres não estivessem ali, ela com certeza o atacaria. Rose teve vários orgasmos com Rael e ela jamais se esqueceria do conforto e bem estar completo que sentira no corpo.

As mulheres ainda haviam conversado um pouco mais naquela noite a respeito da evolução de Rose. Violeta disse que a mesma evoluiria quando engravidasse, ela ganharia poderes próximos aos da sua mãe e cresceria da noite para o dia, se tornando uma adulta completa como Rika. A partir desse ponto, ela teria uma gravidez quase normal. Exceto pelo tempo de desenvolvimento do bebê que seria muito menor, coisa de dois ou três meses de gestação. Isso se dava ao fato da dificuldade de engravidar que as celestiais tinham, essa coisa de acostumar o corpo reiniciava a cada gravidez.

Mesmo para Rika, que já era adulta, também seria difícil gerar filhos. Ela teria que se deitar com Rael muitas vezes.

Rael não se sentiu incomodado com os olhares, ele sabia que Rika já tinha contado para as outras. Ele só ficava deprimido pensando no quão difícil foi para Violeta e Emilia saber sobre isso. Agora Rael podia aliviar as duas, mas ele ainda tinha uma chance de tornar as coisas diferentes. Rael era homem e, pela vontade que ele sentia, seria capaz passar dias com aquelas maravilhosas mulheres, saciando-as e se saciando. O maior problema é que ele tinha assuntos a resolver, sem esquecer o fato que ele sabia que as violadoras ainda eram mais suas servas do que companheiras.

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Depois do café, Rose e Rael se despediram com um último beijo. Rose estava cheirosa e tinha um sorriso cativante, ela parecia estar duas vezes mais bonita do que antes e Rael achou uma pena não poder se deitar mais uma vez com ela. Depois, ele partiu com Violeta.

Rael lembrava sobre o que Violeta disse a respeito de ter ciúmes com outras mulheres que não eram violadoras e, no percurso da viagem, enquanto era levado por Violeta, ele resolveu perguntar:

― Violeta, e sobre Rose, você tem ciúmes?

― Rose e Rika? Delas não, já me acostumei com as duas. Eu sinto como se fossem da família, você não precisa ficar pensando sobre isso. Meu ciúme não deve ser nenhum fardo para você porque, como você mesmo disse é parte da maldição, e isso não é culpa sua.

― Como Emilia está reagindo sabendo que agora eu completei a quarta? Porque tenho certeza que todas vocês já devem saber.

― Emilia está te dando tempo para você cumprir sua promessa, não importa qual.

― E você?

― Você sabe como me sinto. Não é diferente de Emilia, mas eu vou respeitar suas escolhas, independente de quais forem. Eu fiquei pensando sobre o que você disse, e não existe nenhuma maneira de você esquecer uma transa com a gente. Mesmo completando a quarta mulher, ainda será algo muito forte, muito além de uma transa com uma celestial e você não vai esquecer tão facilmente. Se depois que formos libertas a gente nem olhar na sua cara, você iria sofrer. Eu sei que iria, pois se apegar a algo como nós e depois perder será extremamente doloroso.

― Gosto quando você é sincera… ― disse Rael.

― Você notou a diferença em tocar Rose e tocar uma mulher normal, não? Agora, imagine uma de nós. Mas seja qual for sua escolha, eu ainda irei te apoiar.

Rael continuou o resto do caminho em silêncio, pensativo. Ele ainda não sabia quando poderia convocar seus ancestrais, mas Alexia voltaria na hora certa e o ajudaria. Agora ele tinha certeza que Alexia jamais o trairia.

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Rael chegou cedo ao clã Sarbaros. Ana estava ocupada assinando alguns relatórios relacionados a colheita, trocas, e novos trabalhadores para a mina. Rael chegou sozinho, ele preferiu manter Violeta escondida. A mesma ocultou seu poder e ficou invisível para o restante.

― Samuel! É bom te ver! ― disse Ana, que largou tudo que estava fazendo para correr e abraçar levemente, cumprimentando Rael. Ana agora sempre andava bem vestida.

― Pois é, rolou mais algumas coisas e eu vim trazer mais um pessoal. ― explicou Rael.

― Traga quem você quiser! Você manda aqui e qualquer um que trouxer, eu cuidarei muito bem. ― disse Ana soltando Rael enquanto sorria.

― Certo! Hoje também vim ver como vai a minha discípula. ― disse Rael.

― Eu? Eu vou muito bem, já consegui entrar no sexto reino e estou no nível dois! ― disse Ana animada.

― Quero que você fique forte mais rapidamente. Você não pode ficar confiando nessas pessoas. Confie no seu próprio poder. ― disse Rael.

― Eu sei, sempre cultivo quando tenho tempo. ― disse ela.

― Ponha alguém de confiança para te ajudar nas tarefas e acelere seu cultivo. Se as pessoas forem tentar fazer algo, você será o primeiro alvo. ― disse Rael, preocupado com a moça. Antes ela não era nada, mas agora ela era uma discípula dele.

― Você, preocupado comigo? Cuidado hein… Eu costumo levar qualquer tipo de afeto como uma indireta para fazer sexo. ― disse Ana, abrindo um sorriso leve

― Não se empolgue. Arranje alguém pra você, eu já disse.― disse Rael de volta com outro sorriso leve.

― Mas e você, como está? Se divertindo muito com suas esposas?

― Estou levando a vida. ― disse Rael se virando.

― Hoje você não está a fim de me contar? Huuum, deve ter sido muito bom então. ― Ana riu ainda mais de Rael.

― Vou ver a família Alencar. Depois a gente se fala. ― disse Rael, já se preparando para sair.

― Eles estão na colheita, em um campo ao leste depois das muralhas, aproximadamente a meio quilômetro daqui. Menos Janete, ela está cultivando em casa mesmo, eu insisti para que ela não trabalhasse.

― Você fez bem, eu não a quero trabalhando. ― disse Rael que tinha se virado de volta.

― Você gosta dela, não? Dá pra perceber que ela te ama muito. Só de escutar o seu nome ela já fica ansiosa. ― disse Ana.

― Sobre isso… Ah, eu também vou precisar que você me indique uma residência livre, um local de fácil acesso para a maioria. Vou criar uma barreira para todos os meus discípulos. Caso aconteça algo, vocês terão um local para ficarem protegidos. ― disse Rael.

― Por que não faz aqui mesmo? A residência do patriarca está em uma boa localização e é enorme. ― propôs Ana.

― Mas aqui entra muitas pessoas para conversar com você e essas coisas mais. Eu quero um lugar onde só entrarão mesmo pessoas minhas, entende?

― Faça aqui, eu vou providenciar para que todas as visitas não passem da área de recebimento. Além disso, a sala de bens fica aqui e eu iria adorar saber que ninguém além dos seus teriam acesso a ela. ― disse Ana.

― Bom, se você insiste, eu voltarei mais tarde para planejarmos isso. Por enquanto irei ver a família de Janete. ― disse Rael e saiu caminhando.

Não foi difícil Rael achar o campo onde eles estavam empenhados trabalhando. Aparentemente eles cuidavam do lugar sozinho, Ana provavelmente teve receio de colocar outras pessoas junto para não causar estranhezas entre eles.

Rael os forçou a uma pausa e analisou o crescimento de cada um deles. Para pessoas que cultivavam somente pela metade de um dia não estava ruim. Rael ficou satisfeito com o resultado e mandou continuarem se esforçando. Aqueles homens não deixariam de trabalhar, mesmo que Rael insistisse, então ele nem perdeu seu tempo.

― A noite quero que fiquem em casa e não saiam.Terei uma surpresa para vocês. ― disse Rael e depois saiu. Agora ele iria ver Janete.

Janete estava mesmo cultivando. Quando Rael entrou no quarto, a mulher despertou na mesma hora, o olhando:

― Samuel? ― perguntou ela, se levantando.

― Vim visitar você e ver como anda seu cultivo. ― disse Rael com meigo sorriso.

― Suas esposas…? ― ela perguntou ansiosa.

― Elas não estão comigo hoje. Eu vim sozinho. ― disse Rael. Os olhos de Janete brilharam, ela correu e abraçou Rael com força.

― Eu estava com saudades de você! Sei que não me comparo a elas, mas ainda sim eu amo você e se tiver qualquer pequeno espaço em seu coração eu quero fazer parte dele! ― disse ela.

― Sobre isso, mais tarde resolveremos. ― disse Rael suavemente.

― O que quer dizer?

― Eu tenho uma surpresa pra mais tarde. Por enquanto, deixe-me ver como anda o seu cultivo. ― disse Rael. A mulher o soltou e Rael tocou a mão na cabeça dela e se concentrou, analisando como andava o seu desenvolvimento.

Depois da verificação, Rael a elogiou e mandou continuar se esforçando, mas ele não deu nenhum beijo nela e nada além daquele o abraço inicial. Janete, que não era boba, percebeu que havia algo de errado e se encheu de tristeza. Mas agora ela só podia se lamentar por não chegar aos pés das esposas de Rael. Ela lamentou mais uma vez sua má sorte.

Rael subiu voando vários metros para cima, até tudo ficar pequeno embaixo de seus pés.

― Aquela é a mulher que você deseja que eu hipnotize? ― perguntou Violeta, surgindo ao lado de Rael ao sair de sua dimensão secreta, enquanto o ar a sua volta ficava turvo.

― Sim, é ela. ― disse Rael em um tom comum, levemente decepcionado.

― Ela parece gostar de você… Será uma pena fazer isso. ― disse Violeta.

― Mas é preciso. Você mesma sabe o tanto de pretendentes que tenho. Eu não vou ter tempo pra ela, será melhor assim. ― disse Rael.

― Sim, eu entendo. Farei conforme você me pede, basta me dizer quando.

― Deixaremos isso para depois que ela receber a família. Eu ainda a quero em seu estado normal até lá, depois não importa. ― disse Rael. Violeta fez um sim silencioso. Rael ficou pensando em silêncio olhando o território do clã e uma parte da cidade. Era uma decisão difícil fazer aquilo, mas era necessário.

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Capitulo Liberado através de doação. Agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann