O Herdeiro do Mundo

164 - Um Dia Com Rose (Parte 1)

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael e Violeta finalmente saíram da residência. Todos os guardas ficavam de longe, olhando horrorizados o estrago feito na residência. Eles viram quando Rael saiu levando a filha do patriarca, mas tinham ordens para não chegarem perto.

Beatriz estava um tanto ansiosa por não saber como ficariam as coisas para ela, a moça também estava com um pouco de medo de Violeta, aquela demonstração de poder assustaria qualquer um. Mas, mesmo assim, ela ainda preferia seguir com eles do que continuar naquela casa. Ela tinha saudades e inveja de sua irmã, que foi expulsa tendo a proteção de um mestre. Assim seu pai nunca pôde tirar a vida dela.

Seguindo daquele ponto, eles avançaram caminhando tranquilamente pelas ruas. Agora já estava mais do que comprovado que eles não tinham informações das violadoras e, desse modo, eles não poderiam fazer absolutamente nada.

― Jovem mestre Samuel, eu posso falar com o senhor? ― perguntou Beatriz cautelosamente.

― Se você vai me pedir para voltar, eu não irei permitir. ― disse Rael olhando de lado para ela. Apesar de Rael ter raiva de Arthur ele não expressou raiva com a moça. Ele não pretendia culpar a mesma pelos problemas do pai.

― Não, eu só quero agradecer por estar me levando, e eu farei o meu melhor para agradar o… O senhor e seus pedidos. ― disse a moça, ficando vermelha.

― Não me chame de senhor, nem de jovem mestre. Eu gosto de ser tratado como uma pessoa comum. Me chame apenas de Samuel. ― disse ele.

― Samuel… Ok, eu entendi! ― disse a moça ainda vermelha.

― Mas, porque está feliz por eu estar fazendo isso? ― Rael ficou curioso.

― Eu não me dava bem com meu pai, ele me tratava muito mal…

― Bom, se você for obediente, eu não vou tratar você mal. ― disse Rael e já se virou para frente. Beatriz apenas relaxou ouvindo aquilo, talvez ela esteja tendo a mesma sorte que a irmã teve, em um caso um pouco diferente.

_____________________________________________________________________________

Logo eles chegaram em frente residência Reis, encontrando a carruagem esperando na entrada.

― Estou aqui fora, Laís. Cadê vocês? ― perguntou Rael no anel. Não houve resposta. A porta da frente se abriu e a família saiu bem arrumada, com alguns trajes mais adequados para viagens.

Eles se reuniram em frente a Rael e pararam confusos vendo a filha do patriarca ao seu lado. Eles não deram muita atenção a família de Janete devido justamente a presença da jovem. Obviamente, Beatriz era bem conhecida no clã por ser a filha do patriarca Arthur e ainda ser bem bonita.

― Jovem mestra Beatriz? ― perguntou Laís um pouco surpresa.

― Oi… ― respondeu Beatriz um pouco sem jeito. Beatriz não conhecia Laís, e nem poderia, ela saía de casa em raras vezes e seu pai não permitia que estranhos falassem com ela. As poucas vezes que Laís a viu foi de longe, sem poder chegar perto.

― Oh, sim. Não se preocupem, ela virá conosco. Agora ela me pertence. ― disse Rael, para a surpresa de todos.

O homem que guiaria os cavalos já estava preparado, esperando. Era muita gente para a carruagem, então Rael e Violeta, que podiam voar, simplesmente cederam seus lugares para o restante, que coube sem maiores problemas.

Assim a carruagem partiu. Rael e Violeta se mantinham seguindo voando vinte metros acima enquanto seguiam pela cidade para o destino que levaria um pouco mais que dois dias de viagem.

― Rael, você pretende mesmo tomar aquela moça como concubina? ― perguntou Violeta curiosa, aproveitando que agora que ela estava longe deles.

― Claro que não. Nem pretendo operá-la também, aquilo foi por vingança.

― E o que vamos fazer com ela?

― Bom, eu ainda não sei… Vou apenas mantê-la longe de casa. A moça também parece agradecida, então não vejo problema.

― Ah, agora você está adotando jovens problemáticos? Ou com problemas, sei lá… ― disse Violeta com um leve sorriso.

― Engraçadinha, ela já é bem crescida. Desde que ela tenha mesmo raiva do pai, eu acho que posso tomá-la como discípula também.

― Você está mesmo levando isso a sério, mas sabe que também precisará cuidar deles, não? Não é só juntá-los, entregar-lhes técnicas de cultivos e abandonar. Você deve manter o olho atento e sempre analisar o desenvolvimento deles. Se for para ser mestre, que seja um bom mestre e não faça as coisas de qualquer jeito. ― advertiu Violeta.

― Eu sei disso, mas ainda é cedo demais para analisar qualquer coisa. Eu verificarei isso de tempos em tempos. ― explicou Rael.

― Já pensou em um nome para a seita? Como um mestre, é bom você criar um. ― observou Violeta.

― Nunca pensei, foi uma ideia louca que tive para proteger Laís. Depois, fiz o mesmo com a família de Janete e agora estou até tomando a filha de um patriarca. ― disse Rael.

― Crie uma base na cidade para onde eles estão indo. Uma casa com a mesma barreira que a sua no clã Torres, marque todos os seus discípulos, se surgir um problema eles podem se esconder nessa casa ― disse Violeta dando uma ótima ideia.

― Violeta, você é um gênio! Eu nunca tinha pensado nisso. ― disse Rael de volta, olhando a bela mulher de lado. Violeta sorriu vendo Rael feliz por uma ideia sua. Como o movimento da carruagem era bastante lento,

Violeta não precisava carregar Rael, por isso eles seguiam juntos, um ao lado da outro. Os guardas viam a carruagem avançando e não faziam nada, eles apenas abriam espaço, deixando a mesma passar. Tudo correu bem, até mesmo no ultimo portão.

Agora eles já seguiam por fora da cidade.

― Você acha que eles vão tentar fazer algo? ― perguntou Rael olhando de lado.

― Você estava certo, o patriarca é medroso, mas isso porque eu estava lá com você. Se ele te encontrar sem mim e sem nenhuma proteção, pode ter certeza que ele tentará algo, mesmo acreditando que depois morrerá pelas minhas mãos. Pela expressão que ele ficou, você tirou muito dele e ele não irá poupá-lo.

― E sobre eles? ― perguntou Rael olhando para baixo.

― Não sei dizer, mas acho que nesse caso ele não vai fazer nada. Você deixou claro que o mataria se ele fizesse algo assim. ― Violeta fez uma pequena pausa: ― Ele se vingaria de você na mesma hora que tivesse a chance, mas não acredito que seja burro de fazer qualquer coisa antes disso. Assim, ele não poderia se vingar e ainda perderia a vida.

― Eu não estou preocupado com isso. Vamos acompanhar eles por mais algumas horas, depois eu passo um chamado a Laís avisando que nos encontraremos lá. ― disse Rael.

― Você é quem sabe. ― disse Violeta.

Rael ficou com eles por três horas seguidas e Violeta confirmou que não havia qualquer sinal de alguém os seguindo. O patriarca não seria ousado o suficiente para fazer qualquer coisa logo em seguida, e isso os deixou mais calmos. Depois de passar a mensagem a Laís, eles partiram de volta para o esconderijo de Violeta. Violeta, assim, levou Rael para ser mais rápida a viagem de volta.

Rael fez um chamado para casa e explicou para as esposas que ficaria fora por alguns dias para cultivar e cuidar de seu problema. Mara e Natalia entenderam facilmente, mesmo com um pouco de ciúmes, elas não reclamaram.

Voltando para o esconderijo, Rose ficou extremamente feliz por saber que Rael passaria um dia inteiro presente. Rika não fez nada para separar a filha de Rael, como ela tinha prometido, e ficou de olho em Rael para saber quando ele iria atacar sua filha. Agora, ela tinha pressa que ele o fizesse por saber que o corpo delas precisavam ser acostumados. Mas é claro que ela não disse uma palavra, fingiu apenas indiferença e ficou na dela. Rika imaginava que se ela tentasse acelerar Rael, o mesmo seria teimoso. Rael parecia sempre teimar com ela, então ela imaginou que mantendo a neutralidade seria a sua melhor opção.

Rael passou aquela noite em seu quarto sem maiores problemas. Ninguém o atacou na madrugada, nem mesmo Emilia que agora mantinha sua palavra de não fazer nada até ele cumprir uma de suas promessas.

No dia seguinte, Rael entrou em contato com Laís e a mesma disse que tudo estava correndo tranquilamente, a carruagem continuava avançando. Eles tinham parado a noite para dormir um pouco, descansar os cavalos e retomaram a trajetória pela manhã. Com isso, Rael simplesmente foi cultivar. Era hora dele trabalhar para atingir logo o oitavo reino.

Rael ficou cultivando na caverna de treino que ele usou na época que treinou com Rika. Lá em cima, não era somente Rika a entusiasmar a filha, Emilia era outra a empurrar a celestial:

― Vai logo, menina! Ele não vai ficar muito tempo por aqui e acho que você deveria aproveitar, já que eu e Violeta não podemos. ― disse Emilia olhando a moça. Por mais ansiosa que Rose estivesse, ela não transparecia, embora ela estivesse falando normal e suas expressões fossem muito melhores que antes, ela ainda mantinha um ar mais despreocupado.

Depois de muito insistirem, Rose foi se encontrar com Rael. A garota estava novamente bem cheirosa e bem arrumada. Ela chegou caminhando silenciosamente para perto de Rael, que estava cercado com sua energia dourada, cultivando.

― Rose? ― perguntou Rael abrindo os olhos assim que sentiu a presença dela. Ele cessou o cultivo no mesmo instante.

― Eu não queria atrapalhar o seu cultivo, mas ficamos tão pouco tempo juntos que, eu fico pensando se haveria outras chances como essa futuramente. ― disse a moça normalmente.

― Realmente… ― disse Rael e se moveu, ajeitando as pernas e batendo com as mãos nas próprias coxas: ― Venha aqui.

Rose se aproximou, segurou o vestido de lado com a mão e se sentou no colo de Rael, se virando para ele:

― Muita coisa aconteceu desde a última vez que nos vimos no clã Torres, mas mesmo assim, eu nunca esqueci você também. ― disse Rael. A moça sorriu levemente.

― Você aprendeu a falar, melhorou as expressões, agora se veste muito melhor e está sempre tão cheirosa… ― disse Rael depois de sentir o perfume dela.

― Violeta e mamãe me ensinaram várias coisas. ― disse ela em resposta.

― Que bom que elas cuidam bem de você. ― disse Rael e alisou o cabelo azul da garota. Depois, ele passou o dedo sobre a testa dela, na mancha branca onde antes deveria ser um chifre.

― Quando você vai me levar pra dar um passeio com o Ralf? Eu também estou com saudades dele. ― disse ela em seguida, sem se incomodar com os toques de Rael.

― Oras, não seja por isso, a gente pode fazer isso ainda hoje. ― disse Rael de volta.

― Rael, estamos sozinhos e temos todas as permissões. A gente também poderia fazer aquilo…

― Sobre isso, o momento não é muito bom… ― disse Rael.

― Por que não?

― Rose, seria sua primeira vez. Fazer em um lugar como esse, que memórias você vai ter? Você pode achar que isso não é importante, mas no fim, é.

― Me leve para um passeio e ache um lugar adequado. Eu quero sentir como é, quero saber porque até mesmo Mara faz aquelas expressões estranhas que você me mostrou. Ela só poderia está se sentindo muito bem. ― disse a garota.

― Mas no começo dói um pouco, pelo menos eu acho que doera em você.

― Ainda assim eu quero fazer. Se não fizermos agora, quando poderemos? Você quase nunca fica por aqui. ― disse ela. Rael pensou um pouco sobre o pedido dela, sobre o lance com as violadoras e era certo dizer que ele precisava completar a quarta, mas ele não faria em um lugar desses, uma caverna escura seria uma péssima lembrança para a primeira vez dela.

― Tudo bem, vamos fazer um passeio e achar algum lugar bom, mas não faremos exatamente agora, esperaremos anoitecer e então faremos. ― disse Rael.

― Sim! ― disse a moça saindo de cima dele com um ar animado. Rael se levantou olhando a garota, que alegremente segurou a mão dele e saiu puxando. Rael se deixou ser levado pela celestial e também pensou em Emilia e Violeta, fazer aquilo ali e ser visto de repente seria extremamente estranho.

Os dois voltaram e em seguida já saíram da caverna, usando outro cristal. Rika, que tinha visto tudo e espiado a mente de Rael, não ficou preocupada porque percebeu que eles iriam ficar por perto. Assim, ela permitiu que Rael e Rose saíssem.

Rael não estava muito no clima mas Rose estava pedindo muito por aquilo, a moça estava muito curiosa pra saber como era, com o fato de completar a quarta mulher, isso também fez Rael se antecipar.

Fora da caverna, Rael convocou Ralf, ainda era de manhã e o Sol brilhava forte em um céu sem muitas nuvens.

― Ralf, que saudade de você! ― disse a moça alisando a cabeça de tigre de Ralf. Ralf se acariciou de volta na moça, respondendo ao carinho amigavelmente. Rael apenas esperou olhando em volta, se certificando que não tinha ninguém enquanto lançava seus sentidos.

Depois, eles partiram pelo o céu. Correndo os olhos em volta, Rael começou a procurar por algum lugar. Atrás dele, Rose o abraçava com gosto, a moça estava muito animada pelo que estaria por vir em breve.

Não foi difícil Rael avistar um local interessante. Havia uma montanha alta, em cima dela tinha um pedaço de cobertura com uma sombra e a outra parte aberta para o tempo. O local não era perfeito, mais seria melhor do que aquela caverna escura, pelo menos eles poderiam ver o céu enquanto faziam. Eles não seriam atrapalhados por ninguém que viesse subindo a montanha, como animais ou bestas. O único problema mesmo seria se alguém viesse voando, mas eles poderiam se ocultar na parte coberta, indo mais para o fundo.

― O que acha daquele lugar? ― perguntou Rael apontando o local para Rose enquanto Ralf voava por cima circulando o local.

― Eu não estou escolhendo, Rael, isso é trabalho seu. Você é quem acha isso importante ― disse a garota de volta depois de lançar um breve olhar. Ela pouco estava ligando para o local.

― Maravilhoso, que seja aqui mesmo. Quando for mais tarde, voltaremos. Ralf, vamos voltar pra casa! ― disse Rael. Ralf deu a volta a partiu voltando como Rael pediu.

_____________________________________________________________________________
Capitulo Liberado através de doação. Agradeçam a: Dillon Peixoto




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.