O Herdeiro do Mundo

163 - As Punições

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael fez os procedimentos uma a uma, até todas terem suas marcas removidas. Depois, entregou panos para as mesmas cobrirem seus pescoços, como se fossem um cachecol.

― Isso é para eles não perceberem que eu retirei a ligação da escravidão. Vocês manterão isso em segredo. ― disse Rael. As mulheres estavam todas emocionadas e não paravam de agradecer Rael. Elas se abraçaram e choraram juntas.

Rael esperou eles ficarem mais estáveis para só então, iniciar as perguntas:

― Preciso saber, vocês foram maltratadas nesse clã? Espancaram vocês? Fizeram algo do tipo?

― Não, isso não… ― respondeu umas das mais novas com um pouco de vergonha, e acrescentou: ― Nós três fomos feitas de escravas sexuais, o jovem mestre Alexandre tomou todas as nossas purezas.

― Minha filha, eu sinto tanto… ― disse a mãe chorando e abraçando a garota. Ela não estava exatamente com uma cara muito ruim, mas estava triste.

― E você, mãe, o que fizeram? ― perguntou Rael, se dirigindo para a mulher de cultivo maior.

― Comigo, nada. Apenas me colocaram como uma escrava caseira mesmo. ― disse a mulher depois de soltar a filha.

Rael ficou em silêncio,mas por dentro ele queimava em ódio contra Alexandre. Um homem como ele, rico filho de um patriarca, tomar escravas para isso? Sim, as irmãs de Janete eram bonitas, mas isso era o cúmulo. Rael não podia simplesmente ignorar esse fato.

― A partir de agora vocês ficarão em silêncio e só falarão se eu pedir. Vocês não são mais escravas, então não precisam mais obedecer aqueles crápulas. Mas ainda precisamos voltar naquela sala e resolver todo o resto.

O retorno de Rael com as mulheres pareceu deixar todos ainda mais tensos. Alexandre agora imaginava que Rael poderia ter descoberto sobre as escravas sexuais, isso porque ele nunca deu uma ordem que as proibissem de falarem. Elas mal saíam de casa, então não havia necessidade.

― Sabe, eu ia deixar por isso mesmo, mas descobri algo que simplesmente não posso ignorar. ― disse Rael lançando um olhar frio para Alexandre, esse até se encolheu porque ele já esperava por isso. Então, Rael se virou para Arthur: ― Quer dizer que vocês tomaram as propriedades de uma família pobre, fizeram as mulheres de escravas, mãe e filhas, e ainda por cima, esse seu filho se aproveitou e tomou a pureza dessas mulheres? Isso tudo porque elas não tinham qualquer apoio… Me diga, patriarca, se alguém abusasse assim da sua filha, você iria poupar essa pessoa? ― perguntou Rael bem sério.

― Eram escravas…Não tinham nenhum valor… ― disse o patriarca depois de pensar um pouco, mas o tom dele era bem manso.

― Elas não eram antes de vocês armarem tudo. Essa família era inocente, e não venha me dizer que você não fez isso porque agora eu conheço bem a peça que você é! Agora eu estou pensando seriamente em tirar a vida desse lixo! ― disse Rael voltando a olhar para Alexandre.

Alexandre se tremeu porque desde o começo ele notou que ninguém ousava desafiar Rael e ainda estavam cumprido todos os pedidos dele.

― Jovem mestre Samuel, eu sei que erramos, mas ele é meu único filho homem. Se houver algum outro acordo de poupá-lo, eu gostaria de ouvir.

― Se o patriarca está disposto a um acordo, eu vou tentar algo… Quantos filhos totais você tem, somando todos? E não minta para mim, porque se eu descobrir que você está mentindo, eu definitivamente acabarei com você. ― disse Rael bem sério.

― Tive três filhos, esse meu filho homem e duas mulheres. Uma delas foi banida do clã por traição, seu nome é Isabela, a outra é Beatriz, você já conhece. São somente esses três. ― disse o patriarca.

Rael ficou em silêncio pensando no tanto de tempo que ele não via Isabela. Pensar que ela poderia ser filha desse crápula era algo bem ruim mas, de todo modo, ela não tinha o sangue dele. Como Rael era um renascido, ela também seria.

― Mestra, sei que você não quer opinar, mas me ajude aqui: Pelos seus conhecimentos, o que fazem com estupradores? Porque isso é o que o filho do patriarca é, não?

Assim que ouviu Rael, Violeta pensou por um momento. Se Rael quisesse matá-lo, ele não ia enrolar daquele jeito, então Rael estava em busca de outro tipo de punição.

― Sei a punição perfeita pra ele. ― disse Violeta e já fez surgir uma mesa, e todas suas coisas a mais de alquimia: Fornalha, ervas…

Rael ficou em silêncio, observando-a trabalhar. O patriarca e o elder estavam pálidos por não saber o que viria a seguir, mas quem estava pior era Alexandre, que durante tantos anos levou uma vida sem muitas preocupações, achando que nada poderia abalar sua coragem nem sua família, mas bastou uma mulher aparecer e tudo ficou assim. Todos eles pareciam estar em um tipo de pesadelo infindável.

― Está feito! Um perfeito chá destruidor de prole. Tomando esse chá, o estuprador nunca mais terá uma ereção na vida. Será até melhor que cortar. ― disse Violeta com uma pequena garrafa em mãos com um liquido vermelho.

Quando o patriarca ouviu aquilo ele abriu a boca preocupado. O elder repetiu o ato. Alexandre escancarou a boca e olhou para o pai algumas vezes, como se buscasse apoio.

― O patriarca pode escolher: Ou eu tiro a vida do seu filho, ou ele bebe esse chá. ― disse Rael olhando friamente para o patriarca.

― Como eu disse antes, ele é meu único filho… Se houver outra forma de negociarmos, eu estarei ouvindo.

― Oh, não quer tomar o chá? Podemos então mandar cortar fora, é um pouco mais nojento e doloroso, mas a decisão é de vocês. ― disse Rael e já se virou para o elder: ― Ariel vá e busque a filha dele, Beatriz. E não me invente desculpas porque eu não estou com paciência, como você mesmo sabe! ― disse Rael. O elder olhou para seu patriarca e tentou esperar um sinal.

― Me diga, elder: Será que eu vou ter que punir a sua filha também? Eu acabei de lhe dar uma ordem, e você está esperando a confirmação de Arthur? Você está fazendo pouco de mim? ― perguntou Rael irritado. Rael não suportava estupro desde que viu Natalia sendo estuprada nas garras de Heitor. Em seguida, isso quase ocorreu com Janete, também sob as mãos de outro homem nojento. E agora, sabendo que aquelas mulheres ficaram nas mãos daquele homem, ele se sentiu ainda mais furioso.

― Desculpe-me, a trarei imediatamente! ― o elder não esperou mais e partiu. Samara ficou em silêncio, agradecida por seu pai ter tomado aquela rápida decisão. Rael não estava mesmo pegando leve e se ele fosse puni-la, ela não ia saber o que ele poderia fazer com ela.

― O que você vai fazer? ― perguntou o patriarca suando frio e se tremendo. Ele queria muito arrancar a cabeça de Rael, mas ele sabia que não iria conseguir.

― Por enquanto vamos focar aqui, no que realmente importa. O que vamos fazer? Matar seu filho, fazê-lo beber o chá ou mandar cortar? A decisão é sua. ― disse Rael. Violeta continuava segurando a garrafa.

― Pai, eu imploro! Não deixe eles fazerem isso comigo, eu sempre obedeci o senhor e nunca o desrespe…! ― quando Alexandre ainda estava falando. Rael avançou como um vulto e socou com força o estômago do rapaz.

Booooom!

― Eu não mandei você falar, lixo estuprador! Quem vai escolher seu destino é seu pai, e não você! ― disse Rael e se virou para Violeta: ― Mestra, se qualquer um deles desobedecer novamente, mate sem dó. Eu não estou mais com saco para isso!

O patriarca se tremia, sentindo seu coração ferver em ódio por dentro. Rael estava pisando sobre eles como se fossem meros insetos. Se não fosse pela mestra dele ali agora…

― Dê o chá para ele. ― disse o patriarca, que não tinha mais nenhuma opção. Ele ficou com medo de que Violeta agisse e o matasse caso ele tentasse novamente renegociar.

― Mestra, vou deixar que você mesma sirva o chá e tenha certeza que ele tomará cada gota. ― disse Rael saindo de perto de Alexandre. Alexandre ainda estava no chão, se contorcendo com as mãos no estômago.

Quando Violeta chegou perto, ele ficou pálido porque percebeu que seu pai realmente não iria protegê-lo. E ele estava se preparando para implorar de novo.

― Mestra, se ele gritar ou tentar qualquer coisa para não tomar o chá, arranque uma perna. Se ele continuar insistindo, arranque a outra. Vamos aumentar a punição caso ele fique teimoso. ― disse Rael. Violeta sempre fazia um sim, consentindo facilmente. Agora ela desejava apoiar Rael. Os atos de Rael no geral eram um tipo de justiça e, sobre isso, Violeta não tinha do que reclamar.

Alexandre foi forçado a beber e ele não ousou fingir e segurar o liquido na boca, pois teve medo de perder uma perna.

― Está feito, ele tomou tudo. ― disse Violeta, fazendo a garrafa vazia sumir nas mãos.

Alexandre se afundou em uma cadeira, ele estava pálido e acreditava que a partir de agora sua vida sexual estaria destruída. Violeta não parecia ser o tipo de mulher incapaz de criar uma porção com aquele efeito. Ele não duvidou das capacidades dela, o patriarca também não. Os dois ficaram angustiados sem poder fazer nada.

Dois minutos depois, a bela jovem loira com cabelos penteados em forma de Maria Chiquinha surgiu, acompanhando o elder Ariel. Ela estava um tanto ansiosa e aos poucos foi fazendo sua análise, porque o elder não disse nada, apenas disse que seu pai precisava dela.

― A única coisa boa que você parece ter feito de bom foi essa filha, patriarca. Ela parece bem diferente de você e de todo restante dessa merda toda.

― O que você vai fazer com ela? ― perguntou o patriarca preocupado. Se seu filho estava agora com aquele problema, Beatriz era a única que restava para ele ter uma esperança de continuar com seus planos.

― Eu lembrei que você me ofereceu ela, não? Como eu sei que você é um homem muito generoso, eu vou levá-la comigo. Ela será minha concubina. É assim que se diz, não é? Vou operá-la para não ter riscos de gravidez, e ela será minha de agora em diante. Assim, o patriarca poderá sentir o que família Alencar sentiu.

― Você…! ― o patriarca rangeu os dentes e deu um passo a frente, mas parou petrificado. Ele não soube como, mas Violeta estava diante dele, barrando o caminho. Foi em uma velocidade que ele nem sonhou perceber, isso o fez desistir completamente de qualquer reação.

Beatriz não estava entendendo bem o que acontecia, mas ela notou que o pai estava com problemas e que isso a faria se tornar concubina de Rael. A garota em vez de se encher de tristeza, se encheu de alívio, pois naquela casa ela era tratada como um lixo por não obedecer o pai. Se ela pudesse sair daquele lugar, então ela só poderia agradecer. Não importa o que ela teria de fazer, ela faria com gosto.

― Se você apenas sonhar em colocar as mãos em meu discípulo, vai morrer antes mesmo de saber o que de fato aconteceu. ― disse Violeta suavemente e continuou inexpressiva. O patriarca sentiu o frio daquelas palavras e travou completamente. Ele sentiu em sua alma o forte instinto assassino de Violeta sobre ele.

Violeta se virou e saiu caminhando para longe do patriarca. Depois daquilo ele nem sonharia em pensar em reagir.

― Muito bem, patriarca Arthur. Estamos resolvidos por enquanto. Eu vou dizer mais, se você vier atrás de mim mais uma vez como antes, minha próxima visita não será negociável. Tente vim atrás de sua filha ou da família Alencar e o resultado será o mesmo. Ah, é… E antes que pense em me denunciar para o império ou pedir socorro de fora, esteja preparado para confessar tudo que você fez com a família Alencar e o que tentou fazer comigo. Eu não estou brincando, a minha próxima visita aqui não terá nenhuma conversa. Agora, antes que eu me estresse lá fora e tenha que matar alguns lixos de guardas seus, explique a situação a eles, para que eles nem pensem em impedir minha passagem. ― disse Rael.

O patriarca, sem ter outro jeito, avisou pelo anel dando a ordem para todos os homens ficarem longe de Rael.

― Eu acho que isso termina nossa visita, não? Mestra, eu não quero andar todos aqueles corredores para sair daqui, será que você poderia abrir um novo caminho para nós? ― perguntou Rael, que queria dar uma demonstração do poder de Violeta. Mesmo ela tendo acabado de mostrar sua velocidade, Rael queria mostrar um pouco mais.

― Também me sinto da mesma forma. ― disse Violeta. Ela lançou seus sentidos e procurou um lugar seguro, sem pessoas na sua linha. Depois, levantou a mão direita e com a simples ponta do dedo apontado ela juntou uma rápida quantidade de energia.

Zuuuuuuunf!!!

Um tiro vermelho de poder foi disparado. Era uma rajada grande que saiu rasgando paredes e até um pedaço do chão. A Rajada não fez o lugar tremer, ela simplesmente evaporou todas as partes da residência do patriarca por onde passou e continuou se elevando no caminho, destruiu uma parte da muralha, algumas árvores, rochas e só então sumiu, quase um quilômetro depois. O lugar onde ela atirou ficou soltando uma leve fumaça. Um imenso corredor havia sido formado e todos podiam ver o lado de fora do território por ele. Do lado de fora era possível ver o rastro na terra e nos locais que a rajada passou.

Todos, além de Rael e Violeta ficaram de olhos esbugalhados. Tamanho poder, e apenas com a ponta do dedo, era algo extremamente assustador.

― Está vendo, patriarca, como sou bonzinho? Estou até reformando de graça sua propriedade. ― disse Rael, tirando mais uma com a cara do mesmo.

O patriarca ficou com uma cara de quem comeu comida estragada e estava quase vomitando. Rael não parava de provocá-lo.

― Será que o patriarca não gostou? Porque eu não ouvi nenhum agradecimento ainda. ― Rael continuou a provocação. O patriarca permaneceu com mesma cara.

― Mestra, eu acho que ele não ficou muito feliz, seria bom abrir outro corredor? Acho que assim ele iria nos agradecer. ― disse Rael com um ar irônico. Violeta já estava levantando a mão para outro ponto quando o patriarca saltou gritando.

― Eu agradeço o jovem mestre e sua grande mestra pela reforma na minha propriedade! ― disse o patriarca, tentando fazer um som animador enquanto forçava um sorriso. Isso fez Violeta baixar a mão e cancelar o novo ataque.

― O patriarca gostou mesmo? Não ouvi nenhum elogio. ― disse Rael.

― Ficou incrível! Era exatamente o que precisava na minha residência! ― respondeu o patriarca.

― Oh, se o patriarca agradece, então acho que ficou mesmo bom. Venha, Beatriz, minha nova concubina, e vocês também, mulheres da família Alencar. Vamos embora! ― disse Rael e puxou a moça pelo braço. Ela nem precisava ser puxada, ela estava disposta a ir, mesmo com aquele recente espanto da apresentação do poder da mestra de Rael. Não é que ela gostava de Rael ou algo do tipo, Rael era sim atraente, mas isso não foi o que atraiu o coração dela, o que atraiu ela era fato de que Rael era a porta de saída daquela família, ela queria se ver longe do pai, só não tinha coragem de fugir. Mas sendo levada dessa maneira, era o mesmo que sair para não ter mais volta.

Violeta e Rael cruzaram pelo corredor criado. O chão estava meio esburacado e as paredes em volta ainda derrubaram um pouco de terra.

― Você não acha que exagerou um pouco? ― perguntou Violeta, olhando Rael de lado.

― Pelo que ele fez, isso é o preço mínimo. ― disse Rael ainda levando Beatriz, segurando-a pelo braço. Ele não estava apertando com força.

― Eu acho que você foi longe, e ele irá atrás de você. ― disse Violeta.

― Irá nada, aquele patriarca é um medroso. Ele agora vai pensar cem vezes antes de fazer alguma merda.

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O patriarca Arthur se sentou em seu trono e levou as duas mãos para a cabeça. Uma só visita de Rael e todos os seus planos foram completamente acabados.

― Senhor patriarca, eu sinto muito. ― disse o elder Ariel do lado. Samara, a filha do elder estava de cabeça baixa, as palavras de Rael ainda doíam sobre ela.

― Sente muito? No que isso me ajuda agora, velho amigo? Estou definitivamente na merda! Até a minha filha ele levou.

― Pai! Está dormente, eu não sinto mais o meu pau! ― disse o filho Alexandre do lado. O mesmo estava com a mão por dentro da calça enquanto mexia.

Arthur não olhou para o filho. Ele apenas manteve Rael em seus pensamentos, enquanto pensava sobre o que iria fazer a partir daquele momento.

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Capitulo Liberado através de doação. Agradeçam a: Dillon Peixoto




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