O Herdeiro do Mundo

161 - Apresentando a Mestra

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Com Violeta levando Rael, a velocidade de movimento era extraordinária. É claro que Rael ainda continuava pensando em todas as coisas novas que descobriu.

― Sabe, Violeta, se você tivesse me dito a verdade desde o começo e dito como você era antes, eu com certeza não teria ficado com nenhuma outra mulher. Eu teria ficado apenas com você, mas você acabou foi me empurrando para cima de outras mulheres… Mesmo assim, eu acho que entendo, sua regra de quatro mulheres não parece ser brincadeira.

― E não é. Se você se deitar com uma violadora antes disso, você praticamente não vai querer mais saber de outras mulheres.

― Mas, porque muda tanto? O prazer é muito maior se for diretamente com uma de vocês de começo?

― Não. A transa é um pouco melhor sim, mas existe uma maldição para os homens que não seguem essa regra. Acredito que isso esteja ligado a nossa maldição. Você acaba se viciando e não querendo outra coisa.

― Como sabe disso?

― Seimon foi quem descobriu. Ele havia visto outros casos.

― Como ele conhecia tanto sobre vocês?

― Como pessoas poderosas poderiam não conhecer? Nós somos praticamente servas de quem nos desperta, e isso atrai muitas atenções. Além de sermos sensuais, nós somos poderosas e servimos perfeitamente para o combate. Juntando os dois, nós somos praticamente o sonho de homens de poder e conhecimento.

― Eu queria ter conhecido você em sua forma normal. Você ainda era assim, tão bonita? ― perguntou Rael curioso.

― Sim… Nós éramos sim. Todas as mulheres escolhidas eram muito bonitas, o sangue demoníaco é que nos tornou ainda mais. Ele não somente nos deu uma melhorada na aparência como em todo o resto. Você deve ter chegado um pouco longe com Emilia, deve ter percebido que é difícil resistir, mesmo ela não sendo a sua paixão. ― observou Violeta.

― Sim, tem razão. Eu ainda não sei como consegui impedi-la, todo meu corpo gritava pelo dela. Eu nunca imaginei que podia ser tão forte.

― Você por ser o Herdeiro, talvez essa maldição poderia não pegar você, mas não tínhamos certeza. Por isso eu sempre fiz você seguir essas regras.

― Mas e você, Violeta? Quando me vê com outras mulheres, não dói?

― Sabe o interessante? É que se eu ver você com outra violadora não sinto nenhum ciúme, mas com qualquer outra mulher eu sinto.

― Mas, por quê?

― Eu acho que isso é um termo de aceitação criado por nós mesmas. Não sei explicar, só sei que quando imaginei você e Emilia lá dentro, a única preocupação que eu tinha era de você ficar preso a nós e se perder.

Os dois continuaram a todo vapor, cruzando os céus com velocidade. Eles chegariam a cidade do clã Sangnos em poucos minutos.

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No salão principal do clã Sangnos, Arthur conversava com seu elder Ariel. Arthur estava sentado em seu trono e o elder em pé ao seu lado.

― Senhor tenha um pouco mais de paciência, ela certamente não irá recusar seu pedido. ― disse o elder, tentando acalmar seu patriarca.

― Paciência? Eis uma coisa que eu não tenho! Aquela família está escondendo alguma coisa, eu posso sentir. Eles não nos contam o que Samuel ficou fazendo lá todos esses dias, e eu não acredito que fosse apenas cuidando da filha deles! Eu quero que você prepare algo imediatamente contra eles. Se eles não nos ajudarem por bem, ajudarão por mal. Prepare algo com o que eles não possam lidar e então tome a filha deles como escrava.

― Isso é muito fácil, senhor. Bastaria roubarmos a carga de entrega deles e acusá-los de roubo, mas o senhor tem mesmo certeza sobre isso? O jovem Samuel ainda vive, e ele parece ter algum afeto com aquela moça. Nenhum homem ficaria tanto na residência de uma mulher se não tivesse. ― disse o elder.

― Você acha que eu tenho medo daquele jovem arrogante? Ele não tem sequer o apoio do patriarca. E não se esqueça o quanto Romeo vai nos dever quando ele pegar aquela filha traidora. Mesmo que Samuel reclame de algo, Romeo não fará nada.

― Mesmo assim, senhor, o jovem ainda é casado com Mara, a filha do elder Rayger.Ele não é alguém que o senhor desejaria ofender. Isso sem esquecer Neide, que dizem ser a mulher mais forte do clã Torres. Eu ouvi rumores que ela se dá muito bem com Samuel. Quando ele chama pelo nome dela, ela já vai correndo.

― E daí? Rayger não é mais conselheiro, e eles não têm mais poder que o patriarca, ainda sim isso não me assusta.

― Bom, se o senhor está mandando, eu vou preparar imediatamente um esquema para essa família. Será fácil conseguir o pergaminho com o imperador depois do que eu fizer. ― disse o elder, certo sobre o seu plano.

― Muito bem! Faça isso sim, eu acredito que mesmo que ela aceite entrar para o clã, ainda vai esconder segredos, e sendo nossa escrava, ela não terá escolhas a não ser falar.

― O pai disse algo sobre escravas? Eu tô precisando de algumas novas. ― disse um jovem loiro bonito, bem vestido, entrando na salão com um sorriso elegante.

― Você finalmente voltou da caça, filho. Como foi? ― perguntou Arthur, já mudando o tom de voz. Ele se levantou sorridente de seu trono.

― O de sempre, é claro, grande pai. Nós conseguimos capturar facilmente duas bestas demoníacas rank B.

― Jovem mestre Alexandre, é bom revê-lo! ― disse o elder Ariel educadamente.

― Senhor Ariel, é bom ver o senhor também, e como vai Samara? Quando ela vai finalmente se entregar para mim, hã? O senhor sabe que eu a desejo desde quando ela completou 16 anos. ― disse o Alexandre sorrindo.

― Não seja bobo, jovem mestre. Você sabe que minha filha só se casaria com você se fosse para ser sua primeira esposa hahaha! ― o elder disse rindo.

― É uma pena, nesse momento eu continuo não pensando em casamento. Eu prefiro ter as escravas, pois elas são obedientes e me satisfazem. Dessa forma, também posso me manter livre para algum plano do grande pai. ― enquanto dizia, Alexandre se virou para o pai.

― Bom, meu filho, muito bom. Eu tinha planos de casar você com Natalia, mas a política do clã Torres não aceita casamento com outras potências. Agora estou pensando em arranjar um casamento entre você e o clã Luante. A filha do elder Edgar, dizem que é muito bela. ― disse o patriarca e voltou a se sentar. Agora o filho estava parado em pé ao lado de Ariel.

― Se isso ajudar o senhor, não tem nenhum problema. ― disse o filho.

― O jovem mestre ainda pensa na filha do imperador? Se não me falha a memória, Anita, não? ― perguntou o Ariel com um leve sorriso.

― E quem não pensa em um sangue real? Anita é realmente formosa. O povo fica idolatrando uma menina como Natalia que nem corpo tem e esquecem do que realmente é importante. Anita tem tudo, e o grande pai sabe que assim que ele tomar o império eu a quererei como recompensa. ― disse o jovem e sorriu abertamente.

― Filho, isso não será problema. Quando juntarmos nossas forças com os outros clãs tomaremos o poder. Casarei você com Erica do clã Luante e sua irmã mais nova com um dos outros dois, assim teremos duas alianças. Então, dizimaremos o clã que sobrar e depois destruiremos o clã Torres. Em seguida, será fácil tomar o império. ― disse Arthur.

― Eu espero o pai sem problemas. Desde que eu continue recebendo belas escravas, não vejo nenhum ponto negativo. ― disse Alexandre.

― Eu vi Laís hoje, aquela garota que estava doente com o veneno Noite Escura. O estado dela antes era bem desagradável mas, agora, ela está bem bonita e será nossa próxima escrava. ― disse Arthur.

― Sei quem é. A irmã de Thais, aquela que tentou se vender pra mim. Mesmo eu tendo oferecido um bom dinheiro, ela recusou, e depois desapareceu misteriosamente. ― disse o jovem.

― Sim, essa mesma. ― disse o pai.

― O pai sempre escolhe bem suas escravas, então eu apenas esperarei. Um dos melhores presentes que o pai já me deu, foi com certeza as filhas da família Alencar. Com essas eu me delicio até hoje. ― disse o jovem sorrindo.

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Violeta e Rael pararam flutuando próximo a cidade. Agora Violeta podia soltar Rael, pois já haviam chegado. Rael foi solto ativando seu elemento vento e se mantendo flutuando ao lado de Violeta. Ambos encararam a cidade de cima, a uma distância bem alta.

― Fique atenta, se eles demonstrarem qualquer sinal de que possam ter sua fraqueza fuja e não espere por mim. Não se deixe desmaiar como Emilia. ― disse Rael.

― Eu acho improvável que eles conheçam. Você anda com muito medo sobre isso, não? Neide e Rayger conhecerem tal coisa já foi muita surpresa, aposto que o clã Torres não dividiria essas informações com outros.

― Eu acho que não preciso dizer, mas não use sua Essência Demoníaca. Não deixem eles perceberem seus olhos. ― disse Rael, se lembrando que a primeira vez foi isso que entregou Violeta para Neide e Rayger.

― Esse clã é extremamente fraco. De todo o clã, somente um está no décimo terceiro reino, e ainda no nível um. ― disse Violeta depois de uma rápida análise.

― Deve ser o patriarca. Bom, a gente nunca sabe, só fique atenta para o caso deles souberem. ― disse Rael e começou a descer. Se Rael tivesse cem por cento ele poderia tentar proteger Violeta caso algo desse errado, mas ele não estava, tinha uma habilidade bloqueada e outra causando mal a ele. Rael agora só poderia depender de sua mestra.

A cidade estava calma como de costume, parecia ser só mais uma noite com uma temperatura confortável. Um pouco mais frio que o normal, mas nada em excesso. Os guardas se mantinham em suas rondas pela cidade e pelas muralhas do clã. As pessoas ainda iam e vinham de seus afazeres.

Os guardas nem se quer notaram. Duas presenças ocultas desceram diante da residência Reis.

― Violeta, espere aqui.Eu irei falar rapidamente com eles e ver se estão obedecendo o que propus. ― disse Rael. Violeta fez um sim cruzando os braços e esperou. Rael pulou o portão e se dirigiu até a porta.

― Senhor Reis!? Senhora Valda!? ― chamou Rael.

A porta foi aberta rapidamente pela própria Laís:

― Samuel! ― disse ela não muito surpresa. Até o momento Rael tinha cumprido tudo o que dizia, então eles não tinham como duvidar.

― Estão se preparando? ― perguntou Rael olhando de lado e já viu a sala praticamente limpa, eles já deveriam ter guardado todos os móveis em algum bracelete.

― Sim, estamos fazendo como você ordenou. ― disse a jovem.

― Ótimo!Seus pais estão por ai, né? Preciso que vocês arranjem uma carruagem. Iremos levar vocês e mais quatro outras pessoas. ― disse Rael. Os pais de Laís apareceram atrás da moça, eles correram assim que ouviram a conversa.

― Jovem mestre, é bom revê-lo! ― disse o senhor Reis.

― Boa noite… Samuel. ― disse Valda.

― Boa noite. Terminem de ajeitar tudo, arranjem uma carruagem e me esperem. Eu vou apenas buscar mais algumas pessoas no clã Sangnos e já estou voltando. ― disse Rael.

― Tome cuidado, Samuel.O patriarca Arthur estava parecendo um pouco irritado mais cedo. Não faz muito tempo que ele veio aqui. ― disse Laís.

― Não se preocupe, minha mestra está comigo. Ele não será burro de tentar me ofender. ― disse Rael. Isso fez Laís virar de lado e tentar ver a mulher misteriosa no portão. Os pais de Laís também chegaram perto, todos queriam ver a mestra por trás de Rael. Tal pessoa só poderia ser um imenso monstro por ter tal discípulo.

― Estou indo, mas volto logo.Preparem tudo até eu voltar. ― disse Rael.

Rael e Violeta partiram direto para o território do clã nos fundos. Violeta e Rael entraram no território sem avisar, passando ocultamente por vários guardas e se dirigiram diretamente para a residência do patriarca. A porta principal era protegida por cinco guardas, e naquele momento eles estavam abrindo passagem para Samara que estava chegando. Coisa do destino ou não, isso fez Rael encontrá-la novamente:

― Samara, que surpresa agradável! ― disse Rael pousando, flutuando sobre eles. Atrás de Rael pousou Violeta. Samara se virou e todos os cinco guardas entraram em postura defensiva, sacando suas lanças. A princípio, eles estavam bem firmes diante de Rael, mas quando perceberam a presença por trás dele, ficaram trêmulos. Aquilo era um invasão, porque eles sequer chegaram a ser avisados.

― Sa-Samuel, o q-que faz aqui? ― perguntou Samara, com um ar preocupado e surpreso.

― Vim fazer uma visita ao patriarca Arthur e fazer alguns agradecimentos.Será que eu poderia entrar e vê-lo? Vocês também não desejavam conhecer a minha mestra? ― perguntou Rael, dando um passo de lado. Isso abriu espaço para todos verem a bela ruiva de olhos vermelhos, tão bela que fazia a alma deles esquentarem,o que fez os guardas esquecerem um pouco do medo.

― Sua mestra…? ― Samara quase perdeu as palavras olhando Violeta.

― Exatamente. Agora, será que podemos entrar? ― perguntou Rael.

― Eu sinto muito, o patriarca não está no momento. ― disse Samara se recompondo.

― Samara, você está tentando me ofender? Ou ofender a minha mestra? Porque ela está sentindo a presença do patriarca lá dentro. ― disse Rael, já se tornando um pouco frio.

― Eu quero dizer… É que não houve horário marcado, e não costumamos receber visitas surpresas. ― disse a mulher, tentando se manter controlada. Ela sempre era informada do que o pai andava fazendo, por isso ela soube do ataque que Rael sofreu.

― Nós fizemos uma viagem bem longa e não queremos ficar sem ver o patriarca.Se eu pedir para minha mestra fazer uma demonstração do poder dela destruindo metade desse lugar, será ele iria nos deixar vê-lo? ― perguntou Rael em um tom frio enquanto sorria. Os guardas e Samara estavam quase petrificados.

― Isso não será necessário, eu levo vocês. ― disse a mulher, depois de perceber que Rael não estava brincando.

Os guardas abriram espaço e os três entraram. Samara seguia na frente, tentando controlar o medo que tinha começado a sentir.

No salão principal do trono, os três ainda estavam lá – Pai, filho e o elder, pai de Samara –  quando Rael e Violeta entraram atrás de Samara.

― Senhor patriarca Arthur, é um grande prazer revê-lo! Esta é minha mestra, Violeta, que o senhor desejava conhecer na outra ocasião, lembra? Eu contei para ela sobre o senhor e de todas as coisas que rolou da última vez, e ela teve o interesse em vir aqui. ― disse Rael sorrindo.

O patriarca se levantou do seu trono com uma cara não muito boa porque percebeu que algo estava errado. Ele não foi avisado e a expressão de Samara não era boa. Mas mesmo, assim aqueles três homens ainda olharam impressionados para Violeta. Todos eles até esqueceram de tentar medir o poder dela.

― Eu também gostaria de agradecer o senhor pelo presente de despedida. Aquelas dez mil moedas de ouro, lembra? Aquilo foi realmente maravilhoso! ― disse Rael e abriu um grande sorriso.

O patriarca e o elder despertaram do encanto e sentiram seus corações apertarem no peito. Eles entenderam rapidamente o que Rael quis dizer com aquilo.