O Herdeiro do Mundo

157 - A Visita de Rael

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

 

Naquele dia, depois das explicações de Alexia Rael ficou atado. Ele não podia fazer muita coisa devido as suas duas habilidades estarem impossibilitadas.Tudo o que ele podia fazer era esperar por boas notícias como Rika, por exemplo,conseguir terminar seu trabalho.

Mara, por incrível que pareça, não fez nenhum show, ela meio que entendeu que Rael não teve escolha e deixou essa passar. Sem esquecer o fato que Alexia não só ajudou ela e Natalia como também sua mãe, que já era bastante forte antes, agora então ficou ainda mais poderosa. Somando todos esses favores, ficou muito mais fácil de aceitar Alexia.

― Marido, para onde você está indo uma hora dessas? ― perguntou Mara, vendo Rael se dirigindo para a porta depois de jantar. Ele não conseguia tirar da cabeça toda a história que Alexia contou sobre as violadoras. Rael estava ainda um pouco avoado sobre alguns pensamentos. Ele queria deixar isso para quando ele tivesse melhor, mas o fato não saía da cabeça dele.

― Esposa, eu preciso ver minha mestra. Tem assuntos que devem conversados. ― disse Rael com um ar triste. Mara por um segundo pensou que ele iria para lá no intuito de traí-la, mas vendo a expressão dele, ela ficou preocupada.

― Aconteceu alguma coisa?

― Eu só quero conversar com ela a respeito dos problemas que estou tendo. Alexia não foi capaz de resolver, talvez Violeta possa ajudar. ― mentiu Rael. Se Alexia não poderia fazer algo por ele, Rael duvidava que Violeta podia.

― Me deixe ir com você? Agora eu sei a verdade e ela não irá ficar brava com a minha presença. Estou mais forte e posso proteger você se algo acontecer. ― disse Mara. Ela não falou por ciúme, e sim por preocupação.

― Eu sempre visitei ela sozinho, e mesmo quando mais fraco ninguém nunca me seguiu. Você não tem que se preocupar porque ninguém vai me incomodar. A noite é a minha casa, Mara, meus poderes funcionam todos melhores à noite. ―disse Rael sorrindo levemente e se virou para a porta: ― Diga para Natalia não se preocupar, se eu não voltar hoje, amanhã com certeza eu volto. Eu mandarei um chamado dizendo que está tudo bem assim que puder. ― explicou Rael e partiu. Mara só pôde deixá-lo ir enquanto fazia uma expressão meio triste.

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O céu a noite estava bem aberto, era possível ver formações de estrelas e uma meia lua. Não estava muito frio e o vento que batia no rosto de Rael não o incomodava muito. Ralf cruzava os céus com velocidade, levando o triste Rael de volta para sua mestra.

Para Rael, Violeta era tudo: Era mãe, era amiga, era paixão, era seu amor e era sua mestra.Ela era especial em todos os sentidos e descobrir tal segredo sobre ela foi sufocante.‘Não me chame de irmãzona, eu não gosto.Me trate pelo meu nome, Violeta. Lembre-se: eu não serei sua mãe e nem vou substituir qualquer parte de sua família que falte, eu serei apenas Violeta para você, assim como você será Rael para mim.Fui clara?’. Rael se lembrou das primeiras coisas que eles conversaram e na ocasião ela deixou isso bem claro. Depois teve todas as exibições onde ela se mostrava nua para Rael, aquilo o seduziu mesmo que inconscientemente. Violeta sempre trabalhou em Rael e só agora ele tinha percebido. Quando Rael nem mesmo entendia dos assuntos sexuais, Violeta deixava a toalha do banho cair ou se esfregava nele as vezes, é claro, ela não iria chegar até o fim, mas aquelas demonstrações carregavam um certo desejo dela. E também um preparo para que Rael no futuro se apegasse ainda mais a ela. Como mulher, Violeta sabia como conquistar.

― Ah, maldição! ― disse Rael alto demais.

― Ruuuum? ― perguntou Ralf olhando levemente de lado.

― Eu não falei com você, bobo. ― disse Rael olhando de volta. Ralf ignorou e se virou, continuou levando Rael.

Pensando com cuidado, uma mulher como Emilia ou como Violeta não ficariam com Rael. elas nem sequer o desejariam. Elas eram mulheres que estavam em outro nível e poderiam conseguir homens centenas de vezes melhor. Rael se sentia cada vez mais deprimido quando pensava sobre o assunto. Ele estava tão deprimido que nem se lembrou do que ele era, sendo o Herdeiro ele não era pouca coisa.

Ralf pousou diante da rocha invisível. Como sempre Rael mandou Ralf voltar e já olhou em todas as direções, lançando seus sentidos e confirmando que estava mesmo sozinho, só depois cruzou a falsa rocha, saindo no corredor escuro.

Rael tinha saudades de Rose, das Violadoras, e queria vê-las pessoalmente. Mas hoje ele certamente não teria uma conversa muito agradável com todos.

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Usando o cristal, Rael foi transportado para a sala de chegada, a sala que ficava antes de toda expansão da caverna.

Quando Rael chegou, ele fez uma pausa antes de prosseguir. Ele olhou para a entrada aberta como de costume e suspirou antes, como se tivesse se enchendo de coragem. Depois ele tentou avançar.

― Rael! ― uma voz muito animada veio de dentro. A linda garota de cabelos azuis e vestido branco surgiu como um vulto e praticamente mergulhou no peito de Rael. A moça agarrou Rael com tanta vontade e tamanha força que ele foi arremessado para trás. Rael caiu de costas, sentindo aquela beldade cheirosa o apertando no peito, Rose já chegou cheirando o pescoço de Rael e antes mesmo que ele pudesse dizer qualquer coisa, a moça o beijou tomando seus lábios. É claro que a queda não fez qualquer efeito em Rael, uma simples pancada daquela não machucaria um quinto reino, o que dirá de um sétimo.

Rael fechou os olhos apertando a garota de volta e retribuindo o beijo, pelo menos ela não carregava uma maldição que a forçava amar Rael. Ela o amava de verdade, diferente de Rika que só queria filhos. Nos poucos dias que eles ficaram juntos, os dois realmente desenvolveram sentimentos reais um pelo outro.

― Eu estava com tantas saudades! Minha mãe não me deixou ir vê-lo mais cedo. ― explicou a moça assim que parou de beijar Rael. Ela olhava Rael com um ar extremamente animado, como se estivesse prestes a contar algum tipo de segredo.

― Rose, era perigoso, por isso sua mãe não a deixou ir. ― explicou Rael. Ele ainda estava deitado com a beldade por cima dele. Rose continuava fofa, agora as expressões faciais da moça haviam melhorado, por isso Rael a achou ainda mais linda. Ela agora tinha um sorriso muito mais puro e não parecia forçado.

― Minha mãe ainda não voltou, e está bem longe daqui. Mesmo que ela venha o mais rápido que puder, ainda iria demorar algumas horas. A gente tem tempo, nós podemos transar. ― disse a moça com bastante expectativa. Ouvir aquilo de uma garota como a Rose deixaria qualquer homem fora de si, aliás, nem precisava ouvir aquilo, só em ela agarrar Rael como estava fazendo já era suficiente para levantar até a montanha mais fraca ou a mais velha. Mas Rael naquele momento não estava no clima, longe disso, ele tinha algo complicado a tratar.

― Rose, você desobedeceria a sua mãe assim? ― perguntou Rael curioso. A moça fez uma expressão um tanto triste ouvindo isso.

― Estou curiosa demais pra saber como é isso. Depois eu posso convencer mamãe a me perdoar. Ela não vai te machucar porque você é importante demais para a gente. ― explicou a garota. Rael ficou um pouco em silêncio analisando aquelas palavras.

― Você não quer mais fazer comigo? Eu sei que antes você queria. ― disse ela.

― Não se preocupe. Sua mãe nos deu permissão, mas hoje… Hoje não é um bom dia para isso. Quem sabe na próxima vez que nos encontrarmos? É que eu preciso conversar algo importante com as Violadoras. ― explicou Rael.

― Você vai parar de tomar os remédios? ― perguntou a moça, com um ar esperançoso.

― Nada disso. ― disse Rael e se levantou ajudando Rose a se levantar de cima dele: ― Foi meio que uma negociação. ― explicou Rael para a curiosa Rose.

Rael ainda sentado com Rose em seu colo olhou de volta para a entrada, Emilia e Violeta já sabiam que ele estava ali, mas elas não sabiam ainda o que Rael realmente veio fazer naquela noite.

― Você parece preocupado. ― disse Rose observando Rael.

― É, eu estou. Tem um assunto complicado que irei discutirem breve…

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Entrando na sala a frente, que seria uma cozinha, agora era um tipo de sala de lazer. Havia alguns sofás, algumas cadeiras compridas de se deitar e uma mesa cheia de livros.Se não bastasse os da biblioteca, elas ainda tinham mais deles fisicamente. Emilia estava deitada bem a vontade em uma das cadeiras que quase pareciam uma cama.

― Olha só quem resolveu aparecer, veio nos fazer uma visita pessoalmente? ― perguntou Emilia.

― Olá, Emilia. Eu vim ver Violeta, onde ela está? ― perguntou Rael.

― Ela deve estar preparando um chá, como sempre quando recebe visitas. A cozinha agora é do outro lado. ― disse Emilia, apontando para o corredor dos quartos. Rael seguiu por ele e Rose ia seguindo atrás, a moça deu uma olhada de lado antes de entrar no corredor e viu Emilia fazendo um sinal com a boca como se dissesse “pega ele”. Rose continuou séria seguindo Rael, sem pensar em nada de volta.

Ao contrário do que Emilia disse, Violeta não estava preparando chá nenhum, ela estava arrumando algumas coisas no armário:

― Rael, que surpresa! Vejo que você está bem. ― disse Violeta olhando de lado.

― Não vai me perguntar o que aconteceu pela tarde? ― perguntou Rael.

― Porque eu perguntaria? Se fosse importante, você me diria. ― disse Violeta tentando parecer natural.

― Rose, me deixe sozinho com ela.Feche as portas quando sair e fique fazendo companhia a Emilia se quiser, por enquanto. ― pediu Rael. A moça fez um sim e saiu fechando a porta atrás.

― O que foi, Rael? Não me diga que você finalmente conseguiu a quarta mulher e veio me cobrar o prometido? ― perguntou Violeta se virando curiosa.

― Você não perguntou de mim, porque mesmo sob o meu pedido para não se envolver, você ficou de longe observando tudo, não foi? ― perguntou Rael sério.

― É claro que eu fiquei! ― admitiu Violeta sem rodeios: ― Desde o que ocorreu com você antes, eu me preocupo. Eu me sinto mal pelas coisas que você passou, e eu não poderia deixar que aquilo se repetisse. Se Rika não tivesse dado conta, eu teria ajudado. Ainda bem que suas esposas fizeram um bom trabalho, assim não precisei aparecer. ― disse Violeta.

― Então, você deve saber sobre os problemas que eu tive. ― observou Rael.

― Sim, eu já sei. Conforme Rika entrou na sua mente, eu soube de tudo. ― admitiu Violeta, se aproximando de Rael. Ela encostou a mão no peito de Rael e mandou seu poder, fazendo a sua própria análise.

― Eu não vim aqui por esta razão. Alexia já me ajudou a esclarecer os problemas que andei tendo. ― disse Rael. Violeta ficou mais curiosa observando Rael, mas não entrou em detalhes.

― Eu posso sentir que seu corpo está com dois problemas. Você está restringido por alguma coisa no peito, como Rika tinha visto antes, e mais uma coisa que nem ela mesma notou. Seu ombro direito está pesado com a Essência Demoníaca. ― disse Violeta.

― Como eu disse, Alexia me encontrou no clã hoje e tentou me ajudar, nem mesmo ela conseguiu. Ela disse que o problema no peito é um bloqueio causado pelos meus ancestrais e ela confirmou isso com um tipo de viagem nas memórias. O outro problema que você acabou de mencionar é porque eu passei do limite no uso desse poder. ― disse Rael.

― Sim, isso é verdade. Ela conseguiu fazer algo sobre esses assuntos?

― Não, ela disse que eu só deveria ficar sem usar minha Essência Demoníaca por um tempo. Sobre o outro problema, esse vai desaparecer sozinho ou eu teria que invocar meus ancestrais e mandá-los tirar esse bloqueio.

― Eu posso fazer um remédio que vai ajudar a remover a Essência Demoníaca mais rápido do seu corpo, mas sobre os ancestrais eu não tenho muitas informações sobre eles. Você tem que tomar cuidado com o quanto ativa esse poder herdado por mim. Ele é perigoso, eu nunca disse nada antes porque jamais pensei que você iria conseguir fazer uma ativação desse porte. ― disse Violeta em um tom sério.

― Um remédio? Menos mal, quanto mais rápido isso sair de mim, melhor. ― disse Rael.

― Eu vou fazer ele agora mesmo! ― disse Violeta e já se virou para a mesa espaçosa no centro. Ela rapidamente separou a fornalha, a fôrma e todo o resto, enquanto tirava as coisas do seu bracelete.

Rael achou melhor esperar antes de entrar no assunto principal enquanto observava Violeta preparar tudo, mas a cada momento Rael ia se sentindo mais aflito, ele não sabia como Violeta iria reagir e qual seria a real consequência.

― Uma erva de caule doce, uma flor simples de la… ― Violeta ia citando os materiais usados como uma forma de ensinar Rael enquanto fazia as misturas, preparando a fôrma que levaria para a fornalha. Rael ficou ouvindo mas sua cabeça estava em outro ponto.

Momentos depois, Violeta lançou a fôrma para dentro da fornalha e bateu as mãos uma na outra, limpando os últimos resíduos que ficaram.

― Pronto! agora é só esperar. ― disse ela se virando para Rael e pegando aquele olhar preocupado dele. Rael tinha medo de iniciar aquela conversa, porque na verdade ele não queria ficar sem Violeta, mesmo sabendo que ela estava amaldiçoada a amá-lo, ainda era doloroso pensar sobre isso. Rael amava Violeta, mas ele agora sabia da verdade, e por mais difícil que fosse, ele não podia ignorar e fingir que não sabia. Violeta estava sendo forçada a amá-lo e isso mudava tudo.

― Você parece muito preocupado, tinha dito agora a pouco que ela visitou você, não? Ela fez algo de errado com alguém e criou problemas? ― Violeta acabou perguntando.

― Não, ela não fez nada e nem chamou atenção desnecessária. Ela só me contou algumas coisas que me incomodaram bastante. ― disse Rael.

― Se é sobre eu ter ido atrás dela, você não pode reclamar. Eu tinha que fazer isso, não podia arriscar que ela machucasse você no futuro. ― disse Violeta se defendendo.

― Se fosse só isso, eu não estaria tão incomodado como fiquei hoje o dia inteiro. ― disse Rael.

― E o que incomodou você tanto?

― Você nunca pretendia me contar a verdade sobre as Violadoras? Você me contou quase tudo, exceto um pequeno detalhe. ― disse Rael.

Violeta se sentiu fria porque ela imaginou onde iria chegar aquela conversa. Violeta não era burra, ela fez todos os cálculos sobre o que Alexia quis dizer com o termo amiga e, de todos, aquele com certeza foi um dos fatos mais inesperados que ela podia esperar. Vendo a expressão de Rael agora, ela sabia o que realmente estava por vir.

― Ela contou sobre a maldição, não foi? ― perguntou Violeta, se arriscando. Até Rael podia notar o nervosismo em Violeta. Geralmente, Violeta sempre passava uma expressão de mulher calma.

― Sim, ela contou. Ela me disse que Violadoras são amaldiçoadas a amar o homem que a desperta. Isso é verdade, Violeta? ― perguntou Rael sério. Violeta no mesmo instante ficou pálida. Ela conhecia Rael muito bem pra saber o que viria em seguida.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann




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