O Herdeiro do Mundo

153 - Verdade Sobre as Violadoras

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Alexia tinha razão sobre tudo o que dizia. Uma vez que Mara e Natalia tivessem seus poderes aumentados tão facilmente por aquela pequena menina, elas saberiam que Alexia não era pouca coisa.

― ‘Vamos dizer a elas que você é um dragão? Tem mesmo certeza sobre isso?’ ― perguntou Rael, dessa vez usando o pensamento.

― ‘Meu último plano de criar novas amigas foi insatisfatório, espero ter resultados melhores com suas esposas. Se no futuro dividirei você com elas, não custa tentar dizer a verdade e confiar nas mesmas. Agora não sou mais um dragão completo, sou uma Humana Soberana’ ― explicou Alexia.

― ‘Tem certeza sobre isso? Você vai mesmo arriscar o seu segredo por causa de um pouco de confiança?’ ― perguntou Rael, surpreso.

― ‘Eu vejo como você gosta das duas. Elas não ousariam me trair, e se ainda assim o fizessem, nada nesse mundo poderia protegê-las.’ ― disse Alexia, em um tom de satisfação.

― ‘Isso não vai rolar. Eu não aceito que você as ameace, mesmo que elas cheguem a contar o seu segredo a alguém. Se você tem esse pensamento, então devemos formular outro plano.’ ― disse Rael.

― ‘Eu não vou machucar suas esposas, fique tranquilo, foi apenas uma maneira de expressão. Eu não vou machucar pessoas importantes para você, mesmo que eu fique irritada com elas. Se eu não puder ajudá-las, ferir eu também não vou’ ― garantiu Alexia.

― ‘Então, o que faremos?’ ― perguntou Rael aliviado com a garantia de Alexia. Os dois ainda estavam parados próximos a praça, um olhando para o outro.

― ‘A verdade no final ainda é a melhor opção: Diremos que estou tendo o mesmo problema que a raça Celestial e que você se comprometeu em me ajudar também.’ ― disse ela. Rael engoliu uma saliva presa garganta, pensando em Mara furiosa.

― ‘Será que não podemos dizer que você é apenas minha amiga e está lá para ajudar? Elas vão acreditar porque, afinal, você nem corpo adulto tem, e isso também manterá elas como amigas suas sem nenhum problema aparente.’ ― propôs Rael.

― ‘Negativo. Cedo ou tarde elas terão que saber a verdade, então quanto antes melhor.’

― ‘Me diga, porque você foi tomar forma justamente de uma criança? Você não poderia ter virado uma adulta como Rika? Isso me daria muito menos constrangimento.’ ― disse Rael.

― ‘Quem é você para reclamar disso? Você transa feito um animal com uma garota de catorze anos e vem reclamar de mim? Você só pode estar tirando com a minha cara. Tenho cara de criança, mas não sou uma!’ ― disse Alexia.

― ‘Hey! Não se compare a Natalia. Ela já tem corpo para me aguentar.’ ― disse Rael.

― ‘Tem, é? Como? Quando vocês transam, você não pode colocar tudo porque pode machucar a garota. Como isso é aguentar?’ ― perguntou Alexia.

― ‘Pare de entrar nas minhas memórias, isto é constrangedor.’ ― disse Rael sem jeito.

― ‘Se não quiser ouvir algumas verdades, não pague de santo para mim.’ ― disse ela com um tom um pouco mau humorado.

― ‘Ainda assim você poderia ter escolhido uma forma um pouco mais desenvolvida, mesmo que fosse na mesma proporção que Natalia, já estaria bom’

― ‘Minhas escolhas não estavam muito boas no dia, então pare com essas reclamações. Eu não planejo transar com você agora, então fique calmo.’ ― concluiu ela.

― ‘E nem poderia planejar isso agora.’ ― disse Rael. Alexia avançou com a pequena mão e tocou no peito de Rael. Ela lançou suas energias e Rael ficou aguardando, porque imaginou que ela tinha observado os problemas atuais dele, sobre a corrente e a mancha escura.

― ‘Rael, você não anda cuidando bem do seu corpo. Se eu soubesse que você iria fazer tanta burrada, eu não teria aumentado o seu poder.’ ― disse ela.

― ‘O que você quer dizer?’

― ‘Primeiro, passe um bom tempo sem usar sua Essência Demoníaca. Aquela transformação teve um preço muito alto em seu corpo. Seu corpo está sobrecarregado e, se você continuar usando esse poder, você pode até mesmo morrer.’ ― disse ela.

― ‘Mas eu nunca tive problemas antes…’

― ‘Essa transformação que você fez pra superar seus inimigos forçou o seu corpo ao limite. Ela só poderia ser usada quando você alcançasse no mínimoo nono reino, pois assim teria uma bagagem de energia extra. Usá-la no sétimo reino foi um tremendo erro, ainda por cima tendo pouquíssimo tempo que eu aumentei seu reino.’ ― reclamou ela.

― ‘Você sabe que eu não tive escolha.’ ― disse Rael.

― ‘Esse não é o problema maior, isso tudo que eu mencionei é só dessa mancha escura no ombro. O maior problema mesmo é essa corrente em seu peito.’ ― disse ela que continuava lançando energias em Rael que obviamente não lutava contra.

― ‘Eu não consegui me curar, mesmo com o meu poder. Alexia, você pode me ajudar?’ ― perguntou Rael tendo esperanças.

― ‘Sim, eu posso fazer algo. Ainda não tenho total certeza, mas vamos trabalhar para corrigir esse problema. Na verdade, isso é um bloqueio causado pelo seu próprio poder para proteger a sua vida. Você passou por uma situação bastante difícil e o seu poder bloqueou a habilidade ou o uso desse poder que te deixou em risco.’ ― disse ela.

― ‘Foi quando tentei usar o Espaço Ilusório, que é a minha habilidade de acessar mundos ou esquivar de algum ataque.’ ― explicou Rael.

― ‘Estou ciente. Acho que tem relação com aquele monstro que você viu e pensa ter sido um sonho. Aquilo não foi somente um sonho.’

― ‘Mas o quê?’ ― perguntou Rael chocado.

― ‘Vamos para sua casa e lá verificamos  com mais calma. Eu vou ter que preparar algumas coisas e não poderá ser feito aqui na rua’ ― disse ela, afastando a mão do peito de Rael.

― ‘… E as meninas?’

― ‘Vamos mesmo contar a verdade, elas vão entender.’

― ‘Se você tem certeza sobre isso, tudo bem…’

― ‘Nesse mundo pequeno, só quem poderia ser um problema para mim seriam as violadoras, mas eu já me acertei com elas.’ ― disse Alexia. E antes que Rael se virasse pra caminhar, ele voltou a olhar para Alexia:

― ‘Se acertou com elas? Eu não compreendo…’

― ‘Então você não está sabendo? Que rude da parte de Violeta e Emilia não terem ainda te contado. As duas estavam me caçando para me exterminar, caso eu não fosse mesmo leal a você. Me fizeram ingerir a Erva Nascente do Sol e responder as perguntas delas’ ― disse Alexia, em um tom um pouco ofendido.

― ‘Alexia, me desculpe. Eu disse para ela não ir atrás de você.’ ― disse Rael no mesmo instante.

― ‘Não estou culpando você. Sei que acreditou em mim, mesmo tendo feito suas pesquisas sobre minha espécie. O fato é que eu realmente não menti, nós dois estamos sendo caçados por inimigos além de sua imaginação e sozinha eu não poderei viver muito tempo. Por isso eu me preparei para dar tudo de mim em ajudar você. Se você crescer, nós cresceremos juntos e poderemos um dia enfrentar todos eles.’

― ‘Fico feliz em saber sobre isso. Para ser franco, eu estava sim um pouco temeroso pelo o que Violeta tinha dito a respeito dos dragões. Mas aí eu pensei em você naquele lugar sozinha por tantos anos e imaginei que você estava muito solitária, depois me lembrei dos meus anos aqui nesse clã quando mais novo…Foram os piores anos da minha vida, e se não fosse por Natalia eu não teria aguentado tanto… Pensando nisso, eu imaginei que você tinha falado sério mesmo sobre a uma aliança.’ ― disse Rael.

― ‘Quero muito mais que uma aliança com você… Enfim, você deve perdoar Violeta e Emilia. As duas não fizeram isso por maldade.’

― ‘Perdoar? Quando eu as encontrar eu vou dizer umas poucas e boas porque elas nunca me escutam e eu deixei bem claro que elas não deveriam te procurar. Violeta até mesmo disse que não faria.’ ― disse Rael um pouco chateado, porque ele acreditou em Violeta.

― ‘Não precisa reclamar, elas fazem isso por causa da maldição. Elas não conseguem evitar se preocupar com você. Elas duas o amam e são obrigadas a amar porque você as despertou. Essa é a maldição carregada por uma violadora, é por isso que dizem que elas são de extrema confiança para aqueles que a despertam.’ ― disse Alexia como se não fosse nada demais, mas aquilo fez a orelha de Rael levantar.

― ‘Espere, do que você está falando?’ ― perguntou Rael surpreso.

― ‘Violeta te contou a história, não foi? Ela só esqueceu de mencionar o pequeno detalhe, que é sobre a servidão eterna. Por elas terem traído o deus demônio, ele não só as amaldiçoou para que elas caíssem em um tipo de sono, como também que fossem leais aos homens que a despertassem, resumindo, que fossem escravas dos mesmos. Uma vez que elas são acordadas por um homem, elas se apaixonam pelo mesmo, criando um eterno vinculo de lealdade até que esse homem morra e ela volte a dormir, para mais uma vez ser acordada e servir a um novo homem. Essa maldição foi colocada nelas como uma forma do deus demônio se vingar por ter sido traído por elas. Assim, elas nunca mais poderiam trair seu homem e a vida delas passariam a ser uma roda eterna de servidão.’ ― explicou Alexia.

                Rael olhou para os próprios pés de boca meio aberta pensando em tudo. Desde o começo, Violeta dormia com ele, o tratava bem, o beijou sem nenhum nojo… Todas as coisas a mais. Quando ele despertou Emilia, a mesma já parecia se derreter por ele. Tudo o que Alexia contava estava fazendo bastante sentido.

― ‘Violeta só me ama por causa dessa maldição… Assim como Emilia…’ ― Rael rapidamente ligou os pontos.

― ‘Exatamente, as duas são obrigadas a adorar você. Elas são suas escravas, Rael. Oh, eu me esqueci que você não gosta disso. Mas deixe-me te ensinar uma forma de comandá-las, É muito simples e você nunca soube: Chegue em qualquer uma das duas e diga: Violeta eu Ordeno, faça isso! Diga o nome delas e acrescente a palavra ordeno, depois induza uma tarefa e veja com seus próprios olhos se eu não tenho razão.’ ― disse Alexia. E já deu um sorriso frio por dentro. Essa era a sua vingança por Violeta e Emilia não terem aceitado sua amizade.

                Rael estava ainda chocado, se lembrando em tudo que ocorreu e digerindo as informações. Ele na mesma hora se encheu de desgosto. Ele pensou que o amor delas era algo verdadeiro e natural, ele nunca imaginou que fosse tudo parte de uma maldição onde as duas eram obrigadas a gostar dele.

― Alexia, não pode ser verdade tudo isso… Não pode… ― disse Rael com um tom triste, ele até esqueceu de manter o pensamento.

― ‘É verdade sim. Eu dei a forma de comando e você mesmo pode confirmar quando as encontrar, se não for verdade então simplesmente não irá funcionar.’ ― disse Alexia com o mesmo tom natural de pensamento. Ela estava calma e se sentindo ótima por estragar o lance de Rael com as violadoras. Elas estavam tão perto de conseguir saborear Rael e agora ficariam tão longe. Alexia sabia que Rael abominava a escravidão e, descobrindo aquilo, ele evitaria as duas.

―Emilia tudo bem, mas Violeta não… ― disse Rael ainda pensando.

― ‘Rael, você esqueceu de que está falando e não pensando. Desculpe ter dito a verdade a você, eu achei que ia gostar de saber disso.’ ― disse Alexia fingindo de boazinha, mas ela continuava sorrindo por dentro, ao lembrar de como foi tratada pelas duas. Agora elas entenderiam o significado de não serem amigas de Alexia.

                Rael até lutou pensando que isso não seria verdade, mas Alexia não mentiria para ele, e até deu uma prova que funcionaria. Aquilo o fez se sentir extremamente deprimido. Ele gostava tanto de Violeta mas ela não sentia o mesmo de verdade, os sentimentos dela e de Emilia eram forçados.

― ‘Vamos logo para sua casa, tenho que preparar suas esposas e depois verificar esse seu problema de bloqueio.’ ― disse Alexia depois de alguns segundos vendo Rael chateado.

― ‘Sim, claro, vamos.’ ― disse Rael ainda meio atrapalhado com a notícia. Ele se virou e saiu caminhando pensando constantemente em Violeta. Ele continuava não querendo acreditar naquilo pois tinha Violeta em seu coração como a mulher que ele mais desejava e mais amava, ela foi basicamente tudo na vida dele. Agora ele tinha acabado de descobrir que tudo que ela foi e fez por ele, era devido uma maldição.

― ‘Você ficou mesmo aborrecido com essa notícia, pelo visto. Eu tenho que me desculpar por ter contado? Se eu soubesse, não teria dito nada.’ ― disse Alexia, seguindo Rael. As pessoas na rua paravam e ficavam olhando, imaginando quem seria aquela pequena menina seguindo o jovem mestre Samuel, que agora era muito conhecido por todo o clã.

― ‘Fez bem em me contar. Obrigado, Alexia.’ ― agradeceu Rael.

                Depois de implantar a marca nas costas de Alexia, Rael entrou, deixou Alexia na sala e subiu pra reunir as esposas que estavam cultivando, com a explicação de que tinha algo importante para lhes contar.

                As moças desceram as escadas e se depararam com aquela pequena e linda menina de pele branca com tons rosados. Ela tinha longos cabelos lisos, vermelhos como fogo e olhos de cores diferenciadas: um na coloração verde e o outro, azul. O que chamou mais atenção eram suas íris, que apesar de estarem mais normais do que antes, ainda estavam levemente apertadas como as de um felino, mas isso não deixava a garota estranha, a deixava ainda mais bonita.

― Marido, quem é ela? ― perguntou Natalia, achando a menina extremamente fofa. Só em vê-la, Natalia já tinha vontade de correr e abraçar. Ela até esqueceu momentaneamente do pensamento constante sobre seus pais.

― Ela, é… ― Rael tentou falar mas se perdeu no começo porque não tinha ideia de como iria dizer o que precisava ser dito.

― Qual é o seu nome? Posso te dar um abraço? ― perguntou Natalia, já de frente para Alexia.

― Meu nome é Alexia, se vamos ser amigas isso não é nenhum problema. ― disse Alexia sorrindo e abriu os braços. Natalia sorriu de volta e abraçou a garota animada. Mas teve o cuidado pra não apertá-la com força. Mara não estava muito a vontade como Natalia, tinha cruzado os braços enquanto olhava as duas do lado de Rael.

― Marido, pode me responder uma coisa? ― perguntou Mara.

― O que, esposa?

― Eu fui mesmo sua primeira esposa? ― perguntou ela, começando a pensar que aquela menina poderia ser filha de Rael. Tom de cabelo, tom de pele, tudo era levemente parecido.

― É claro que foi, esposa. Mas que ideia é essa agora?

― Essa menina não é sua filha? ― perguntou Mara de novo. Nesse momento Natalia e Alexia se soltaram.

― Não, ela não é. Antes de contar o que ela é de verdade, peço para as duas se sentarem. ― disse Rael criando mais coragem.

                Depois que as duas se sentaram no mesmo sofá e Rael sentou na frente delas em outro sofá com Alexia do lado, ele tossiu algumas vezes, procurando as melhores palavras.

― Esta é Alexia, ela está aqui porque… ― Rael ficou nervoso com o olhar de Natalia e Mara e acabou se perdendo, parando a apresentação. Ele continuava sem saber como explicar tudo aquilo.

― Meu nome é Alexia Zariel Quinze. Atualmente eu sou uma Humana Soberana agora. Para ser mais direta com vocês duas, eu era uma dragão fêmea, e sou a última de minha espécie. ― disse Alexia, sem o mínimorodeio. Mara deu uma leve careta de quem não ouviu bem e Natalia arregalou um pouco mais olhos, voltando a olhar Alexia com mais calma, como se antes não tivesse prestado muita atenção. Rael do lado virou o rosto, fugindo do olhar das esposas e suspirou.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Vinicius Alves Maia




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