O Herdeiro do Mundo

152 - O Registro de Alexia

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

O guarda ficou até sem jeito diante das palavras da menina, e por um instante, ele realmente teve medo porque as palavras dela pareciam bastante sérias. Mas o resto não condizia, a menina era do primeiro reino e era só uma criança.

― A pequena senhorita não deve falar assim com os mais velhos. Você precisa aprender a ter mais modos, senão quando crescer vai se tornar uma mulher bonita, porém rabugenta. ― o guarda não deu atenção as ameaças, e ainda por cima fez uma piada com ela.

                Alexia estava quase machucando os próprios punhos enquanto se tremia olhando o guarda à frente. Ela estava furiosa. O guarda a frente não a tratava assim por maldade, ele a tratava assim por achar que ela era mesmo uma criança. O que, de certo modo não estava errado, ela estava realmente em um corpo de criança.

― Porque a pequena senhorita não volta aqui acompanhado dos seus pais? Assim, eu posso pensar em chamar o jovem mestre. E a senhorita nessa idade não pode ficar pensando em nenhum casamento ainda. ― disse o guarda no mesmo tom suave.

                Alexia poderia demonstrar seu poder e fazer centenas de coisas rolarem por todo o clã Torres, inclusive forçar a sua entrada, ou até mesmo fazer com que o guarda se mate. Mas ela percebeu que o homem à frente não tinha maldades com ela e estava mesmo a tratando assim por ela ser uma criança. Ele não levava ela a sério e ainda a achava fofa. E quem não achava? Pra uma garota de dez anos ter uma aparência tão boa, os outros só poderiam achá-la fofa mesmo. Igual como a mãe dela, que costumava chamar “minha fofinha”.

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Rael tentou pela terceira vez remover a marca escura no ombro e falhou. Seu próprio poder não conseguia curá-lo. Nem a marca escura, nem a corrente em seu peito. Rael acabou desistindo e ficou com uma expressão não muito boa de quem perdeu algo importante.

― ‘Rael, você consegue me ouvir? Sou eu, Alexia! Venha aqui fora imediatamente me receber, antes que eu resolva balançar esse clã inteiro!’ ― disse uma voz infantil em sua cabeça. Rael até ficou surpreso.

― ‘Alexia, é você?…! Mas já?’ ― perguntou Rael de volta, lançando seus pensamentos enquanto se dirigia para a porta.

― ‘Que bom que você me ouviu. Nossa conexão é maior do que eu imaginei. Agora, venha me receber. Estou aqui na frente do portão, quase matando esse guarda idiota que está me irritando’

― ‘Calma, Alexia. Estou indo, não faça nada de estranho.’ ― disse Rael saindo do quarto e já desceu as escadas apressado. Rael já começou a suar frio, pensando em como Alexia seria. Pelo menos a voz não era mais rouca. Parecia estranhamente a voz de uma criança.

― Marido, onde vai com tanta pressa? ― perguntou Mara que surgiu do corredor.

― Eu! ― Rael parou de repente e fez uma expressão comum sem nada demais: ― Eu vou apenas da uma volta no território, tomar um ar.

― Posso ir com você? ― perguntou Mara.

― Esposa, eu nem vou sair. Você não tem que se preocupar. Só vou mesmo dar uma volta.

― Você conseguiu se curar usando aquele seu poder? ― perguntou ela.

― Na verdade, não. Por alguma razão, ele não funciona em mim. ― admitiu Rael.

― Então é melhor eu ir junto. Você não deve ficar sozinho enquanto não melhorar. ― disse ela apreensiva. Dessa vez, Rael percebeu que ela estava fazendo aquilo por medo de deixar Rael só e ele passar mal como antes.

― Esposa, eu não vou usar habilidades que me façam ficar daquele jeito. Depois eu pretendo fazer uma visita a minha mestra e ver se ela pode me ajudar. Você pode ficar tranquila que eu vou somente dar uma volta, e antes mesmo de você sentir minha falta, eu já estarei de volta. Mesmo que aquela mulher queira muito a minha cabeça, ela não vai atacar abertamente dentro do próprio território. ― disse Rael.

― É que estou sem nada pra fazer agora…!

― Cultive, eu quero ver você ficando mais e mais forte! Pra quando eu precisar, você estará lá por mim, como estava hoje. ― disse Rael e sorriu…

― ‘Rael, você está esquecendo de mim? Quanto tempo vai me deixar aqui esperando?’ ― perguntou a voz irritada de Alexia.

― Tudo bem, farei isso. Mas não demore senão eu vou atrás de você. ― disse ela e passou pelas costas de Rael se dirigindo a escada.

― ‘Eu já vou!’ ― disse Rael de volta e saiu em seguida.

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No portão, o guarda continuava olhando Alexia:

― Pequena senhorita, faça como eu falei. Volte pra casa, reúna seus pais e venha, que ai eu irei chamar o jovem mestre para você. ― disse o mesmo.

― Não preciso mais da sua ajuda. Eu já o chamei e ele estará aqui logo. Mandarei ele te dar uma bronca por não ter me ouvido. ― disse Alexia com cara de poucos amigos.

― A pequena senhorita o chamou mesmo? Oh, que falta de atenção a minha por não ter percebido! ― disse o guarda brincando: ― Espero que ele venha rápido. ― disse o guarda no mesmo tom, pensando que Alexia tinha uma imaginação bem fértil.

― Você tem muita sorte por eu estar calma e entender que você não me trata assim por maldade. ― disse Alexia sempre numa expressão furiosa.

                O guarda continuava achando engraçado o jeito da menina.

― Que tal eu dar a você uma moeda de ouro para você comprar quantos doces quiser? Aí você volta para casa e divide com a sua família. ― disse o homem e fez surgi um moeda de ouro na mão. Ele realmente queria dar para a menina, porque apesar de tudo, gostou mesmo dela. Alexia tinha um jeito fofo, mesmo parecendo uma pequena fera.

― Você querendo se desculpar comigo tentando me dar uma moeda de ouro? Se esforce mais, homem. Não preciso dessas migalhas. ― disse Alexia e olhou para o portão animada. Naquele instante, os guardas estavam o empurrando, e em seguida surgiu um jovem ruivo alto preocupado, olhando em todas em direções. Ele passou os olhos por Alexia, mas ignorou pela mesma ser uma pequena menina.

― Eu estou aqui, Samuel! ― disse Alexia acenando com a mão. Ela não ficou irritada por Rael não ter notado antes, afinal ele não esperava que ela fosse aparecer em um corpo infantil.

― Alexia? ― perguntou Rael se aproximando. O guarda que ainda segurava a moeda olhou de Rael para Alexia com um ar de espanto.

― Por fim você apareceu! ― disse ela satisfeita e olhou séria: ― Agora, diga a esse guarda estúpido que eu sou sua noiva, e da próxima vez que eu vier eu devo ser muito bem recebida. ― disse a garota toda séria e levou as duas pequenas mãos para a cintura.

                Rael mediu aquela pequena garota ainda com um ar de choque. Não havia como negar que ela era fofa, muito fofa mesmo, e possivelmente uma futura grande beldade, mas ela ainda era só uma menina… uma pequena menina.

― Jovem mestre, o senhor conhece essa pequena senhorita? ― perguntou o guarda surpreso.

― Eu… ― Rael ainda estava tão atrapalhado quanto o guarda: ― Eu a conheço sim. ― confirmou.

― Você não escutou o que eu falei, seu guarda de quinta! Este é meu noivo Samuel, e é claro que ele me conhece! Vamos lá, noivo, diga a ele o que eu sou! ― Alexia insistiu. Alexia sabia que estava agindo daquela forma devido a ligação dela com a mente da menina. A garota, apesar de ceder todo o controle do corpo dela para Alexia, ainda ficava de canto carregando as emoções, que por vezes fluíam se misturando com as de Alexia. Se Alexia tivesse perdido completamente o controle, ela já teria matado esse guarda e destruído mais da metade do clã.

― Da próxima vez que ela vier, você pode deixar ela entrar. ― disse Rael em seguida, sem confirmar nenhum noivado. Alexia não gostou porque ela sentia que deveria pelo menos fazer esse guarda entender.

― Se o jovem mestre diz, eu obedecerei e passarei a mesma informação aos outros. Quando a pequena senhorita vier novamente ela não será mais barrada. ― disse o homem gentilmente.

― ‘Você ousa me desobedecer, Rael?’ ― perguntou a garota de expressão fechada.

― ‘Eu não vou dizer por aí que sou noivo de uma menina de oito anos.’ ― disse Rael de volta.

― ‘Não é oito, é dez! E se eu mandei você dizer, você vai dizer sim!’ ― disse Alexia irritada.

― ‘Alexia, vamos entrar…’ ― quando Rael pensou que tudo estava resolvido, ele sentiu todo seu corpo ser tomado. Ele se virou para o guarda e disse bem sério em seguida:

― E eu também queria que você soubesse que está linda futura mulher será minha esposa e que você deve respeitá-la e tratá-la com respeito a partir de agora. Eu não irei tolerar que você fique levando ela na brincadeira. Fui claro? ― perguntou Rael, tentando tomar o controle de seu corpo volta. Os olhos de Alexia estavam brilhando enquanto ela manipulava as ações de Rael.

― Muito claro, senhor! Me desculpe, eu realmente não sabia que o senhor estaria noivo dela. Eu peço mil desculpas se ofendi o senhor ou a pequena senhorita! ― disse o guarda rapidamente.

― E eu não quero que chame ela de pequena senhorita! Ela tem nome e você pode tratá-la como senhorita Alexia. ― disse Rael.

― Claro, jovem mestre, pode deixar. Mil perdões, senhorita Alexia.

― ‘Alexia, me solta!’ ― disse Rael, tentando forçar o controle.

― Ótimo! E é melhor você deixar todos avisados para que ela nunca mais seja barrada, ou eu mesmo cuidarei para que essa pessoa nunca mais consiga qualquer trabalho no clã! E vamos, meu amor… ― disse Rael para Alexia e já estendeu a mão para a menina. Alexia sorriu ainda com os olhos brilhando de leve e saiu de mãos dadas com ele.

                O guarda ficou olhando as costas dos dois, como se tivesse perdido alguma coisa. Ele tinha uma expressão muito chocada, ele nunca imaginou que um jovem mestre como Rael gostava de meninas que ainda nem peito tinha, a garotinha não tinha nem tamanho. Aquilo foi uma tremenda surpresa. Logo, o portão foi fechado nas costas deles.

― ‘Alexia me solta…!’ ― Rael disse. Tentando lutar contra o controle, até que finalmente Alexia o soltou. Rael na mesma hora parou cansado e soltou a mão da menina:

― Por que você fez isso, Alexia… Qual a necessidade de tudo isso?! ― perguntou Rael um pouco irritado.

― Oras, você não quis concordar comigo, então eu me empolguei. Não me culpe por ser rude se você sequer escuta um pedido simples desses. ― disse a menina, ficando com uma expressão entediada enquanto corria os olhos em volta fazendo uma rápida pesquisa no clã.

― Alexia, você não tem nem tem um corpo de adolescente para me fazer sair por ai dizendo que você é minha noiva, e outra coisa, porque agora isso é importante? Eu achei que você só queria filhos comigo. Agora você quer mesmo casamento, ou isso foi só porque ficou irritada com o guarda? ― perguntou Rael, já recuperado. Ele não tinha ficado muito irritado com isso, até porque não foi grande coisa o que Alexia fez, mas ele ainda tinha um nome no clã e não gostaria de sujá-lo ao ser espalhado que agora ele namorava uma criança.

― Isso não era importante antes, mas quanto mais tempo passo nesse corpo mais possibilidades eu vejo. Você se casará comigo, Rael. Igual você se casou com as outras duas esposas. E será um lindo casamento! ― disse a menina animada.

                Rael abriu um sorriso amarelo sem saber o que dizer. Aquilo não podia estar acontecendo.

― Alexia, você sabe que tenho duas esposas, e uma delas é bem feroz. Então, por favor, vamos apenas dizer que você é discípula de Violeta e que veio conhecê-las. Não vamos dizer nada sobre essa coisa de noivado, eu estou te pedindo. ― disse Rael.

― O Herdeiro está mesmo sendo forçado a ter mais controle por causa de uma simples mulher como ela? Isso é vergonhoso! ― disse Alexia.

― Alexia, eu estou pedindo, ela é importante pra mim… ― disse Rael.

― Eu notei. Mas não quero ser colocada como discípula de Violeta. ― disse Alexia, que não queria se imaginar sendo inferior a Violeta.

― Então o que eu direi?

― Você já contou a elas sobre a raça celestial e elas entenderam. Então acho que podemos contar que sou um tipo de raça divina com as mesmas intenções, e que você não pode negar ou eu te mataria. Isso faria elas aceitarem sem problemas.

― Não! Eu não quero que elas vejam você como alguma inimiga ou que fiquem com medo. Se você vai entrar na minha vida, então pareça uma garota comum. ― propôs Rael.

― Eu não sou uma garota comum, Rael. ― disse a menina.

― Pare de me chamar assim. Esqueceu que aqui eles me conhecem como Samuel? ― disse Rael e olhou em volta, preocupado caso alguém estivesse ouvindo. As pessoas estavam olhando, mas obviamente por acharem estranho um jovem mestre como Rael, famoso e conhecido, conversando com uma simples pequena menina do reino um.

― Erro meu, desculpe. Se não vou ser discípula de Violeta nem uma misteriosa raça divina, então o que você sugere?

― Afinal, você veio atrás de mim agora por quê?

― Eu vim cumprir as coisas que prometi a você. Vim fortalecer o poder de sua irmã da parte do fogo e, se você quiser, posso fortalecer também o de Mara. Mas só farei isso se você deixar bem claro minha situação com você.

― Me diga uma coisa… Esse fortalecimento que você diz, envolve somente poder ou alguma coisa ligada a você? Eu descobri que meu poder de fogo herdado pela pedra tinha a cara de um dragão em um dos ataques. Isso foi coisa sua? ― perguntou Rael.

― Sim, esse é meu registro. Eu posso ligar pessoas ao meu poder. É uma espécie de pacto que crio entre pessoas que eu confio.

― Pacto? No que isso ajuda, e qual o preço? ― perguntou Rael.

― Não existe um preço por parte de vocês com o registro. Eu apenas libero, escolhendo pessoas que possam usar uma pequena parcela do poder ancestral da minha espécie. Você gostou desse poder?

― Sim, me ajudou muito. ― admitiu Rael ― Mas, voltando ao ponto, você pode mesmo deixar as duas mais fortes? Eu nunca pensei que elas fossem precisar lutar, mas passei por uma situação ruim mais cedo e me preocupei. ― disse Rael.

― Posso e farei isso. Posso até mesmo aumentar mais ainda o reino delas, mas você terá que dizer a verdade sobre mim. De qualquer modo o que vou fazer por elas não será algo simples, e elas perceberão. O que você me diz? ― perguntou Alexia, esperando uma resposta.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Vinicius Alves Maia




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