O Herdeiro do Mundo

151 - A Chegada de Alexia

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Apesar de Rael acreditar que Rika iria soltar uma série de reclamações por ele ter contado sobre ela para as meninas, ela não ficou brigando muito além da reclamação inicial. Ela podia ver pela mente de Rael que as duas eram de confiança, e que não sairiam contando os segredos dele para qualquer pessoa.

― ‘Vou apenas passar as informações que você precisa.’ ― disse Rika, se acalmando por se lembrar que Rael tinha raiva dela devido a ela viver brigando com ele. Talvez se ela agisse um pouco mais natural, sem ficar pegando no seu pé, ele começasse a pensar mais sobre elas. E Rika sempre se arrumava bem quando ia ver Rael, mesmo que ela não precisasse. Rose tinha feito uma tempestade em casa querendo ver Rael, mas a mãe sabia que poderia ter problemas, então não quis trazer a moça, ainda mais depois de saber o que ocorreu com a família de Rael.

                Rael recebeu todas as informações, ficando em silêncio encarando Rika e ela encarando Rael de volta. Os guardas não compreendiam por que estavam tanto tempo parados sem dizer nada. Só mesmo as meninas, que sabiam sobre o que estava rolando.

― ‘Se você quiser, peço para Violeta fazer uma visita e destruir o resto dessa guilda. O que você acha?’ ― perguntou Rika.

― ‘Eu não quero pôr elas em risco, Rika. Você mesma não pode fazer isso? Você não tem a fraqueza delas, e desde que descobri sobre isso estou preocupado delas serem pegas.’ ― disse Rael, se lembrando que Emilia desmaiou facilmente. Ele nunca iria se perdoar se algo ruim ocorresse com Violeta ou Emilia. Como Rael as despertou daquele sono, ele se sentia responsável pelas duas, além de claro, se sentia extremamente atraído por elas.

― ‘Desde que eu os pegue aos poucos, eu posso destruí-los. Mas ainda será um problema para mim, porque eles tem alguns cultivadores no décimo segundo reino. Esse favor é muito além de apenas proteger você Rael, você não terá como me pagar.’ ― disse Rika, mas não era um tom de recusa.

― ‘Você e Rose vão se tornar minhas esposas, então é natural que você me ajude. Não estou certo?’ ― perguntou Rael sendo um pouco ousado. Rika rapidamente analisou Rael e percebeu que ele estava mesmo pensando em dar o que elas queriam, ainda que tivesse uma relutância. Rael tinha planos futuros de realmente ajudar a elas.

― ‘Eu vou destruí-los, mas você sabe que a pessoa que os pagou não vai parar e vai procurar novos meios. Essa guilda de assassinos não é a mais poderosa também. Pelas memórias deles eu descobri que tem algumas mais perigosas.’ ― observou Rika.

― ‘Rika, não se arrisque muito. Se for difícil para você, então não precisa destruí-los. Você pode deixar que eu mesmo farei isso quando puder. Eu só preciso evoluir um pouco mais e cuidarei desse meu novo problema.’

― ‘Eu vou pegá-los aos poucos. Você não tem que ter medo, eu jamais me colocaria em uma situação de risco.’ ― disse a celestial confortando Rael.

― ‘Eu também passei mal, e não sei se o sujeito invisível voltou. Acredito que ele não tenha chegado perto e pode ser que tenha ficado de longe assistido a tudo.’ ― disse Rael se lembrando dele.

― ‘Eu não senti nenhuma presença a mais enquanto você estava passando mal.’ ― disse Rika.

― ‘Depois de hoje, ele pensará dez vezes antes de aparecer novamente.’ ― disse Rael com um pensamento de alívio.

― ‘Mas se ele viu o que ocorreu, o que preocupa você, Rael?’

― ‘O que me preocupa? É que ele pode correr e contar tudo para Elisa, e numa próxima vez eles virem mais preparados.’

― ‘Poucas pessoas desse mundo me assustam. Deixe que eles venham!’

                Todos continuavam ali esperando.

― ‘Vamos voltar. Vou acompanhar vocês até o território e depois vou te levar para casa. Minha filha quer te ver e você precisa falar com Violeta sobre esse problema que teve hoje. Isso pode piorar.’ ― disse Rika.

― ‘Não precisa se preocupar. Nos acompanhe só até o território, eu mesmo vou cuidar disso ativando meus próprios poderes. Depois farei uma visita para Rose… Isso é, se você não ficar com frescura. Se for pra mim ver Rose e você ficar nos afastando, eu nem vou…’ ― disse Rael. Rika tinha conversado com Emilia e a violadora havia explicado que aquela história delas praticarem com Rael era verdade. Violeta não estava mentindo, então mesmo com Rael usando as pílulas elas ainda teriam que praticar.

― ‘Se você disse que seremos esposas, então te darei um voto de confiança: Deixarei minha filha se deitar com você.’ ― disse Rika, fingindo não ser nada demais.

― Você tá falando sério?! ― Rael arregalou os olhos e ficou tão animado que esqueceu até que estavam conversando em pensamentos. Os guardas que já estavam confusos ficaram ainda mais intrigados, Rael e Rika estavam se olhando a vários minutos, e não soltaram um pio se quer. De repente, Rael pergunta aquilo daquela maneira. eles realmente não podiam entender.

                Mara e Natalia também estranharam o comportamento de Rael, além da mudança na expressão sua expressão, de preocupado para feliz.

                Mas, como Rael não se animaria com aquela noticia? Rose era muito linda e fofa, ela era parecida com Natalia em formato corporal, sendo apenas um pouco mais desenvolvida. Ele e Rose já tinham uma grande intimidade e agora ele podia se deitar com ela devido a sua resistência. Rose era inegavelmente linda, e pelo que foi conversado, Violeta havia mencionado em uma conversa que os corpos dessas duas eram mais avançados, sendo ainda mais prazeroso que o habitual. Rael só podia imaginar que se sentiria muito bem com aquela garota. Sem esquecer o fato que eles praticaram tantas vezes, mas nunca consumaram o ato.

― ‘Claro que estou. Eu sou uma mulher de palavra. E não fale em voz alta!’ ― disse ela. Todos os guardas ficaram esperando uma resposta que não veio e Rael voltou a ficar em silêncio novamente.

― ‘Isso é maravilhoso! Espero que você não venha mudar de ideia quando eu aparecer na caverna, senão eu vou ficar muito chateado.’ ― disse Rael.

― ‘Não vou mudar de ideia, mas espero que você tenha consideração por esse meu voto de confiança e no futuro pense sobre o meu pedido. Não vamos ficar dando para você como essas duas aí, sem ter nada em troca.’ ― disse Rika.

― ‘Desde que você comece a se tornar uma mulher mais aceitável, eu pensarei.’ ― disse Rael falando sério. Rika pegou o pensamento sincero dele.

                Desde que Rael sabia que seria forçado por Alexia, ele começou a pensar nas opções, sendo que o crescimento dele também já estava bem mais avançado. Rael estava ficando cada vez mais forte e conseguindo mais aliados, não iria demorar para ele se vingar e fazer tudo que ele queria conseguir. Então, ter alguns filhos não seria um problema no futuro, desde que ele tivesse o poder para protegê-los e cuidar de todos.

                Rika podia ficar brava e reclamar por Rael demorar a concordar, mas ela também se enchia de felicidade lendo a mente do rapaz, porque esses filhos que ele poderia ter com ela e sua filha seriam tratados com amor e respeito, como se fosse mesmo o desejo dele tê-los, ainda que ela nunca o obrigasse a ser pai.

― ‘Certo, então vamos indo. Eu tenho coisas pra fazer mais tarde agora, graças a você.’ ― disse Rika e saiu flutuando. Ela se cobriu em raios e desapareceu diante dos olhos de todos. Rika podia se esconder em uma pequena dimensão enquanto os seguia escondida, esse era um poder semelhante a realidade criada por Alexia “Aquele Castelo”, mas em uma menor escala. Além disso, Alexia não podia mover aquele mundo como Rika movia o dela.

― Marido, o que ficou decidido? ― perguntou Mara.

― Ela descobriu muitas coisas, como o valor pago, o pedido e outras coisas a mais que contarei na carruagem. Por enquanto, vamos apenas voltar para casa. Avise sua mãe que tudo ocorreu como o esperado, mas que infelizmente esses homens não serviam como provas. ― disse Rael pensando sobre isso, Rika já tinha os eliminado de qualquer forma e eles não conseguiriam entregar Elisa porque eles não tinham essa informação.

― Vou avisar agora mesmo! ― disse Mara já levantando o anel.

― ‘Desde que você vai atacar a base deles, tente descobri quem sabe sobre o pedido de Elisa, e se você conseguir pegar tal pessoa, não o mate, leve-o para a caverna e mantenha-o preso até eu aparecer.’ ― disse Rael para Rika.

― ‘Eu já estava pensando em fazer isso.’ ― disse Rika de volta.

                Os guardas ficavam mais confusos a cada momento, mas eles não precisavam entender nada do que rolava ali, nem Rael e nem as meninas tinham qualquer plano de explicar aos mesmos.

― Ra… Marido, a dor passou? ― perguntou Natalia.

― Sim, passou. Eu estou completamente bem. Obrigado por se preocupar. ― disse Rael.

                Logo eles voltaram para as carruagens e seguiram caminho.

                Rael ficou olhando pela janela enquanto sentia uma leve sensação do sujeito invisível. Ele estava por perto, mas em uma distância segura, então ele tinha visto tudo que ocorreu, como Rael desconfiou. Isso incomodou Rael, se não fosse por ele ter passado mal, ele poderia ter até perseguido o sujeito.
O restante da viagem ocorreu sem maiores problemas. Quando chegaram ao território, Rika se despediu mentalmente de Rael e foi embora.

                Ele e as meninas encontraram Neide os esperando na porta de sua residência. A mulher estava muito preocupada, não tinha sido fácil ela aceitar o plano de Rael e confiar a segurança de sua filha em outra mulher.

                Mas ali na porta eles não conversaram. Apenas se olharam e entraram, fechando a porta atrás deles.

― Genro, você já deve imaginar que esse não será o único ataque que você receberá. Ela continuará criando atentados contra você. Você exterminou a família de Helks, que era o único que estava atrás de sua cabeça. Agora que não tem mais ninguém e ela sabe, ela vai agir muito mais vezes. ― disse Neide preocupada.

― Deixe ela tentar, Neide. Eu sempre vou estar pronto. Só quero que você cuide essas duas. ― disse Rael olhando de Mara para Natalia.

                Natalia sempre fazia uma expressão triste quando se lembrava que era sua mãe por trás daquele atentado. Ela não precisava de provas, se Rael disse que era ela, é porque era. Rael não mentiria para ela “pelo menos, não sobre isso”.

― O cuidado é muito simples. Ficarão o máximo possível dentro dessa casa e mais nada de passeios fora do território. Ficaremos assim até conseguimos provar de algum modo as traições dela. ― disse Neide.

― O que pode acontecer se provarmos? ― perguntou Rael.

― Ela será presa por se rebelar contra o próprio clã. Mesmo sendo mulher do patriarca, ela ainda será punida pelas leis que temos. Pelo menos é o que espero. ― disse Neide. Rael iria dizer outra coisa sobre o destino dela, mas Natalia estava do lado e isso iria gerar um conflito. Ele preferiu ficar quieto.

― Mãe, não podemos fazer nada sobre isso? ― perguntou Mara.

― Não, filha. Enquanto não conseguimos provas nada pode ser feito. ― respondeu Neide e acrescentou. ― Eu fiquei sabendo que a mãe da Rose protegeu a todos. Genro, diga a ela que sou muito agradecida e que se um dia a filha dela ou ela precisar da minha ajuda, ela pode contar comigo. ― Neide já sabia sobre a história da raça delas. Entre ela e Mara não havia segredos por parte de Mara. E os segredos que Neide escondia da filha, eram apenas os segredos que poderiam complicar a vida dela com Rael “como Janete”.

― Eu avisarei, pode deixar. ― disse Rael. ― E onde está Rayger?

― Ele está ocupado ainda na reunião. Vieram com uma história de querê-lo de volta no conselho e teve uma votação, ao qual ele não foi escolhido. Genro, aquela mulher manipuladora já deve ter comprado muitas pessoas nesse clã.

― E a tal mulher com vitalidade acima de trezentos, ainda não foi achada?

― Não, genro. Ninguém fala sobre isso, se ele já a encontrou está escondendo, porque simplesmente ninguém diz nada. Eu já tentei usar minha rede de informantes, mas continuei de olhos vendados sobre o assunto. ― disse Neide.

                Rael ficou em silêncio por alguns segundos.

― Eu preciso ir, tomem cuidado. ― disse Neide e já se virou saindo.

                Rael olhou para as esposas enquanto a porta era fechada.

― Vocês ouviram, nada de passeios e o máximo de tempo possível dentro dessa casa. Aqui é o lugar mais seguro e ninguém vai conseguir mexer com vocês. ― disse Rael para as duas. Natalia fez um sim e continuava com um olhar distante um tanto quanto triste. Era inevitável quando ela pensava no que estava acontecendo. Ou ela perdia os pais ou perderia Rael.

                Rael não sabia como lidar com esse sentimento de Natalia e por isso ele preferiu ignorar. Ele precisava pensar sobre o que dizer a ela ou o que fazer. Era duro ver Natalia assim, mas ele não podia garantir que não mataria os pais dela, isso era impossível para Rael.

― Marido, e você? O que vai fazer? Vai continuar saindo por ai descuidadamente? ― perguntou Mara.

― Minha vida segue, e eu sei me virar, esposa. ― disse Rael com o olhar vago para a mesma: ― No momento eu preciso verificar meu corpo por causa daquela dor que tive, vou me curar daquele problema e pensar no resto depois. ― disse Rael e já se virou subindo as escadas.

                Mara ficou olhando a prima em silêncio no canto. Natalia estava mesmo deprimida e Rael ignorou isso.

― Prima, vem cá… ― disse Mara puxando a garota e abraçando ela. ― Eu sei que não ta fácil pra você, é difícil pensar sobre os seus pais e não posso dizer nada pra confortar seu coração. Só posso dizer que Rael também está sofrendo muito por ver você assim. ― disse Mara.

― Prima, o que eu faço? Eu não quero machucar Rael, mas também… Não quero que meus pais morram. ― disse a moça.

― Sobre isso eu realmente não sei o que dizer, mas pense no que ele disse antes. Se tiver de escolher, quem você escolheria? Ele ou seus pais? É inevitável pensar que sua mãe desista de tentar matar Rael. Você já pensou se caso ela conseguir? Você suportaria perdê-lo? Ou preferiria perder seus pais? Pense nisso, prima.

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No quarto, Rael se concentrou e os símbolos surgiram como de costume, dançando sobre ele em uma circulação harmoniosa. Conforme Rael se mantinha concentrado, os símbolos o cercaram enviando poder e ele iniciava a análise do próprio corpo. De olhos fechados, Rael conseguia ver seus próprios pontos de poder e suas veias. Mas agora havia algo de errado. Havia uma corrente mágica espalhada em seu corpo, próximo ao peito e também uma mancha muito escura perto do ombro direito.

― ‘Mas que merda é essa?!’ ― perguntou Rael confuso e conjurou o símbolo da árvore. Só lhe restava a tentativa de cura.

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No portão principal do clã tudo estava muito calmo, como de costume. Até um dos guardas ter sua atenção tomada por uma linda menina de vestido vermelho, que parou em frente a ele. A jovenzinha não tinha mais do que dez anos. E mesmo com aquele pequeno corpo já era muito bonitinha.

― Olá, pequena senhorita! Por acaso você está perdida? ― perguntou o guarda com um sorriso amigável e um tom calmo de quem sabia lidar com crianças.

― Não estou perdida. Quero que me chame Samuel Raymonde. ― disse a menina em um tom sério, surpreendendo o guarda. A garotinha à sua frente não sorriu nem vacilou no seu olhar. Ela permaneceu séria, até parecia uma adulta, e isso realmente surpreendeu o guarda.

― Não me diga que a pequena senhorita conhece esse nosso jovem mestre? ― perguntou o guarda, que não a levou a sério.

― Conheço sim. O senhor poderia chamá-lo, por favor? ― insistiu a criança, novamente sendo educada.

― Conhece mesmo? Então me diga o que a pequena senhorita seria do nosso jovem mestre Samuel? ― perguntou o guarda sempre no mesmo tom de brincadeira. Aquilo irritou Alexia, que começou a se encher de ódio, perdendo totalmente a paciência.

― Samuel Raymonde é meu futuro marido! Agora, seu ser inferior, me escute bem! ― disse a menina com as sobrancelhas já baixadas de raiva: ― Pare de me tratar como criança e vá chamá-lo imediatamente! Você não irá querer me ver nervosa.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Vinicius Alves Maia