O Herdeiro do Mundo

148 - Pedido de Ajuda

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Naquela noite Rael dormiu muito bem com suas esposas, mesmo estando em uma casa e em uma cama diferente. O que tinha ocorrido mais cedo confortou o coração dos três, que praticamente entraram na mesma sintonia.

Cada uma das duas estavam dormindo abraçadas a Rael de lado e ambas apenas com roupas íntimas. Enquanto o rosto de Rael parecia sorrir dormindo confortado por suas duas beldades, sua mente estava no Mundo Completo.

Rael encontrou Violeta como sempre no seu lugar de costume e fez um pedido inusitado:

― Violeta, preciso de ajuda. ― disse Rael.

― O que aconteceu? Você teve outro problema? ― Violeta saltou da cadeira, pronta para ouvir qualquer pedido de Rael.

― Algo perigoso pode ou não ocorrer amanhã. Mas, se eu estiver certo, eles podem ter a ervas que enfraquece vocês… Preciso que fale com Rika, ela deve me encontrar amanhã no clã onde estou agora, e me seguir até voltar para o território do clã Torres. Mas em nenhum momento ela deve se deixar ser percebida. ― explicou Rael. Ele não deu sua localização porque sabia que Rika iria encontrá-lo facilmente pela essência.

― Eu aviso a ela sim, mas você acha que ela irá mesmo ouvir você, depois de tudo que andou fazendo? ― perguntou Violeta.

― Se ela não ouvir o meu pedido eu posso morrer, isso ela não vai deixar acontecer.

― Se você quiser eu posso ir. ― disse Violeta.

― Você não, Violeta, nem Emilia. Eles podem estar com aquela erva, como eu disse. Se Rika não me ajudar, pode dizer a ela que esqueça para sempre qualquer filho comigo. Eu não vou ajudar uma pessoa que só pensa nela mesma. ― reclamou Rael.

― Ela não é diferente de você. ― observou Violeta.

― Sim, pode ser. Mas se eu fosse querer um filho com ela, seria por muito mais do que apenas para manter a espécie dela viva. Se ela quiser isso comigo, ela começará a fazer por merecer. De outro modo, eu nunca vou ajudá-las. ― disse Rael firmemente.

― Nossa. Rael, você ficou mesmo mais sério.

― Violeta, eu tô cheio de todos quererem mandar em mim e me dizerem o que devo ou não fazer. Eu vou tomar minhas próprias decisões a partir de agora. ― disse Rael.

― Ainda com raiva de mim?

― Não, você sabe que eu não estou. Mas não vou deixar você criar situações complicadas para mim, como aquela família ou colocar Rose nas minhas costas, de novo.

― Tudo bem, Rael. Eu já entendi. ― disse Violeta de volta.

― Bom, é isso. Não esqueça de avisar para Rika, e eu estou contando mesmo com ela e não com vocês, como já disse antes ― depois de dizer isso, Rael se afastou.

Emilia tinha visto a conversa de uma certa distância e se aproximou de Violeta:

― Ele voltou a falar com você normalmente? ― perguntou a violadora, que tinha visto a conversa anterior entre eles. Aquela em que Rael e ela brigaram.

― Está falando mais ou menos…

― Eu vi ele dizer que ficaria em perigo. Ele não quer nossa ajuda porque acha que o inimigo pode conhecer nossa fraqueza. ― observou Emilia.

― Ele está nos protegendo, Emilia. Rael sempre cuida dos seus. Se ele pediu ajuda de Rika é porque acredita que ela pode protegê-lo.

― Ela não é tão poderosa quanto a nós. ― observou Emilia.

― Ela não é mesmo, mas nesse mundo ela tem um poder de um décimo terceiro reino, ou até de um reino maior. Desde que ela não enfrente alguém como nós ou Alexia, ela não terá problemas.

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Pela manhã, os três se reuniram na mesa e tomaram café juntos. Rael estava muito bem depois da noite anterior, e para ele tudo estava quase perfeito. Se retirasse o fato da morte da família de Rita, aí sim poderia dizer perfeito. A noite passada foi tão maravilhosa que Rael passou a olhar para Mara e Natalia com muito mais desejo, e até os beijos que costumavam ser apenas selinhos, as vezes virava um leve beijo de língua.

Por outro lado, as meninas estavam envergonhadas. Mara e Natalia, agora em seu estado natural, pensavam sobre as coisas que fizeram. Tomadas pelo prazer sexual, as duas trocaram beijos e chupadas intensas, mas elas ainda eram da mesma família, as duas eram primas e se conheciam desde crianças. Não havia como negar que uma achava a outra linda, mas não é por pensarem nisso, que se tornariam amantes.

Elas quase não trocavam olhares, porque isso as fazia se lembrarem do que fizeram na noite anterior. Naquelas horas que elas passaram juntas fazendo com seu marido, as duas trocaram tantas caricias entre elas mesmo quanto com Rael, e o pior, elas gostaram tanto que por isso agora estavam tão envergonhadas.

― Meninas, está um lindo dia lá fora hoje! Eu acho que vou dar uma volta enquanto mando preparar as coisas. Só vou ter uma última palavra com a família de Janete e com Ana antes e depois partiremos, tudo bem? Não saiam da casa até eu voltar. ― disse Rael despreocupado e saiu.

As duas finalmente ficaram sozinhas. Uma olhava firmemente para um canto e a outra para o outro. Enquanto Rael estava por perto estava mais fácil elas se manterem quietas, mas agora que ele tinha saído, o clima ficou ainda mais tenso.

― Acho que temos que conversar sobre ontem, prima. ― disse Mara, se sentando de volta na cadeira.

― Concordo. ― disse Natalia fazendo o mesmo, e sentou-se na cadeira a frente da de Mara. As duas estavam divididas apenas pela mesa no meio delas.

― Fizemos coisas estranhas ontem, e não paro de pensar sobre isso. Mas somos esposas de Rael e acho que não tem problema… ― disse Mara.

― Eu me sinto estranha lembrando disso, prima. Eu acho você linda, mais nunca tive esse tipo de pensamento com você.

― Eu também acho você linda e também nunca pensei nisso. Nós estávamos dominadas por toda aquela coisa e não pensamos muito na hora. ― disse Mara em seguida.

― Eu, com certeza, jamais vou contar isso a ninguém. ― disse Natalia logo em seguida.

― E nem deve! Eu também não contarei. ― disse Mara do lado. Ambas estavam coradas, porque para piorar a situação, elas queriam admitir que tinham gostado da experiência, mas não sabia como a outra reagiria.

― Mas sabe, foi bom…Foi estranho, mas foi bom. ― Natalia foi a primeira a admitir, depois de alguns segundos. Isso surpreendeu Mara.

― Você achou? Sério, eu também achei! Beijar você e ser tocada daquela maneira não foi tão ruim. Desde que nosso marido goste, eu faria de novo. ― disse Mara em seguida.

― Você e Rael são as pessoas em que eu mais confio nesse mundo. Eu não senti nojo nem repulsa de ser tocada por você também, prima. Eu gostei! ― disse Natalia.

― Ambas gostamos… ― disse Mara e olhou de lado: ― Não precisamos ficar falando sobre isso. Vamos apenas deixar acontecer quando tivermos outra chance, certo? Desde que a gente não abra a nossa boca, ninguém mais saberá!

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Rael agora conversava com Ana, que mostrava os últimos documentos.

― Nossa, Samuel! Você parece tão feliz hoje. O que aconteceu? ― perguntou Ana. Rael quando se lembrava da noite passada, sorria sozinho para o nada.

― Tive a melhor noite da minha vida com minhas duas esposas… Nós fizemos a três. Ana, foi tão bom que eu nem consigo tirar da cabeça. ― disse Rael, se encostando na grade de segurança da varanda.Os dois observavam o território na varanda da residência de Ana.

― A três, é? ― perguntou Ana, abrindo um sorriso curiosa: ― Mara, brava daquele jeito, e aquela santinha da Natalia fizeram mesmo isso com você?

― Fizeram, e…Nossa! Eu não sabia qual era a melhor: quando elas se beijavam ou se chupavam .Dava tanto tesão… ― disse Rael se lembrando.

― Aquelas duas… Eu não posso acreditar, e elas são primas… ― Ana ficou até sem palavras, porque ela sabia um pouco sobre as duas, principalmente de Mara.

― Você nunca teve essa experiência, Ana? ― perguntou Rael curioso, se virando pra ela.

― Ah, é claro que já tive. Muitas vezes. ― disse Ana sorrindo de volta.

― Você e outra amiga com algum cara? ― perguntou Rael interessado.

― Eu e outra? Não, Samuel. Eu e dois caras. ― disse ela.

― É? ― perguntou Rael, fazendo uma expressão confusa.

― Sim, e olha, foi maravilhoso. A gente trabalha dobrado, mas tem duas vezes mais prazer.

― Então você faz assim pelo prazer?

― Eu fui bem paga todas as vezes em que me chamaram. Antes de namorar Fredy, eu levava uma vida meio louca. ― disse ela.

― Ana, como você nunca engravidou? Porque pelo que posso imaginar, você fez tantas vezes…

― Eu passei com um médico cultivador e operei, não posso ter filhos. Pela maneira que levava a vida, nunca poderia cuidar de crianças. ― disse Ana, ficando um pouco mais séria.

― Isso é um ponto positivo em você, porque quase todas as mulheres que conheço querem ter um filho. ― disse Rael um tanto que desanimado.

― Mulheres querem ter filhos com grandes homens, e você já provou que é um cara bem poderoso. ― disse Ana de uma maneira positiva.

― Então, você vai ficar bem? ― perguntou Rael já se preparando para sair. Ele estava satisfeito, tinha acabado de sentir uma essência já conhecida se aproximando. Rika tinha ouvido o pedido de Rael e foi atendê-lo. Ela havia acabado de chegar e se ocultou nas sombras para não ser percebida. Apenas Rael, que tinha uma pequena porção da essência delas, podia sentir Rika ou Rose quando estavam por perto.

― Não se preocupe, eu irei. Tem aqueles guardas enviados por sua sogra, tenho também os que eu separei. Ninguém vai tentar nenhuma gracinha, e pelo que ando escutando, a maior parte está é aliviado de poderem continuar vivos.

― Espero não me arrepender de ter poupado essas pessoas. ― disse Rael se lembrando das palavras de Neide.

― Você não vai. Eu cuidarei para que isso não ocorra.

― Então, se cuide, Ana! ― disse Rael e saiu caminhando.

Ana se virou e ficou vendo Rael partir. Ela nunca pensou que algum dia estaria livre da sombra, e ainda se sentiria tão a vontade com Rael. Sem esquecer que ele também se sentia a vontade com ela, chegando até a dividir segredos íntimos. Ana se virou de volta para a vista da cidade e agradeceu pela primeira vez na vida por ter conhecido Rael. Se não fosse por Rael, ela nunca iria virar matriarca de nada. Ela sofreu, teve medo, fez muitas coisas contra sua vontade mas, no fim, foi extremamente recompensada.

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Depois de se despedir da família de Janete, Rael foi buscar as esposas para partirem, pois as carruagens já estavam prontas os aguardando.

Da varanda, Ana assistiu a partida de Rael em silêncio, vendo as três carruagens indo embora. Do segundo andar de uma janela, Janete também ficou olhando. Por causa de Mara, ela e Rael não tiveram a chance nem de pensar em ficarem juntos. A mulher só podia se lamentar e esperar que Rael voltasse em algum momento sozinho. Malcon, o pai dela, viu a filha na janela e ficou com pena. Mas ele não podia fazer nada por ela, só podia se lamentar de nunca ter conseguido dar um nome para aquela família.

― Vamos cultivar, irmã. Se Samuel descobrir que estamos enrolando, ele não vai gostar. ― disse Eduardo e puxou Janete pelo braço. Desde que ela tinha voltado, os irmãos a cercavam com freqüência, eles estavam preocupados com ela.

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Mara e Natalia estavam cada uma de um lado de Rael. Pela janela aberta eles viam a cidade ficando para trás. As pessoas ainda olhavam temerosas para as carruagens, se sentindo aliviadas pelos mesmos estarem indo embora.

O atentado contra Natalia tinha sido visto por alguns, e as pessoas tinham ficado gélidas achando que Rael desconfiaria que pudesse ter sido eles. E quem entre eles ousaria tal ato?

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A cidade ficou para trás e as carruagens passavam agora pelo corredor entre as montanhas. As sombras se estendiam tomando todo o trecho do caminho rochoso. Não era possível ver muita coisa além de terra, rochas e paredes montanhosas enquanto continuavam subindo a ladeira quase interminável.

― É provável de sermos atacados a qualquer momento. ― disse Rael sério olhando as meninas. Ele podia sentir Rika voando sutilmente por cima das carruagens.

Rika continuava oculta e espiando a mente de Rael. Rika era muito mais gentil quando o espiava, e Rael não percebia. Rika ficou furiosa com a noite de Rael e pensou que se ele estava tão satisfeito com aquelas duas, Rose e ela seriam sequer notadas, mas havia algo mais que ela captou: Rael estava pensando em ajudá-las, mesmo não sendo forçado por ela. Rael só queria ficar mais forte e completar sua vingança antes, depois ele pensaria em fazer isso com Rose. Isso deu a ela alguma esperança, e não foi nenhum truque de Rael para amenizar a raiva da celestial. Depois de pensar sobre Alexia o forçando no futuro e ele ainda não ter feito nada por Rose e Rika, ele mesmo ficou com uma certa pena.

― Ra… Marido, o quê?! ― perguntou Natalia surpresa.

― Como assim, marido?! ― perguntou Mara em seguida.

― Eu estou fazendo um teste simples para descobrir se a pessoa que está por trás do ataque é mesmo quem eu penso que seja. Se for ela, então seremos atacados. Se não for, eu apenas me enganei, mas no fim nada muda. ― disse Rael olhando Natalia.

― Por que tá olhando para mim? ― perguntou a menina.

― Você me ama, certo? Muito mais do que a qualquer um, não é?

― Claro que sim, Ra… Você sabe que eu te amo.

― Então se eu estiver certo, você irá me ouvir e não vai discutir sobre isso. Se você me prometer que obedecerá, eu contarei quem está por trás de tudo. ― disse Rael. Ele não queria ficar escondendo isso delas, ainda mais porque Natalia poderia vazar informações sem querer.

― Marido, quem nos atacaria? Eu não estou me aguentando de curiosidade. ― disse Mara, fazendo Rael se virar pra ela.

― Eu só vou contar se estiver certo, e se Natalia concordar comigo ― disse Rael.

― Você sabe que eu concordo e ouvirei tudo que me pedir. ― disse a garota rapidamente.

Rael olhou de lado e sentiu a leve presença se aproximando.

― É como eu pensei. Vai acontecer mesmo. Fiquem caladas agora e não digam nada até que eu fale. Aquele sujeito invisível estará por perto para confirmar que estamos apenas com esses poucos guardas. Não esqueçam de disfarçar e parecerem normais. ― acrescentou Rael.

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Capitulo liberado por doação para combo de Natal, agradeçam a: Murillo Batista de Oliveira