O Herdeiro do Mundo

145 - Rael, Natalia e Mara

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Natalia sentia alguém em suas costas tentando conter seus pulsos, mas não via a pessoa nem sentia a sua presença. Natalia não era mais aquela frágil garotinha do inicio, depois de receber todas as ajudas de Rael ela estava muito mais poderosa. Assim que ela se acalmou do susto explodiu todo seu poder, e isso fez o sujeito invisível a soltar, sendo arremessado para trás. Natalia sabia que não poderia lutar contra alguém invisível, ela conjurou sua armadura da fênix saltou para o alto e saiu voando para mais alto ainda. A armadura de Natalia permitia que ela voasse, mesmo não sendo um décimo reino.

Natalia não sabia se o sujeito poderia voar. Ela apostou que não, pois se ele fosse forte não estaria fazendo as coisas escondido. No ar ela estaria segura, e por isso ela não fugiu de imediato.

Flutuando a cem metros de altura, Natalia correu os olhos em volta, procurando por qualquer sinal do inimigo invisível. O guarda que tinha ficado a cargo da defesa de Natalia estava desmaiado, provavelmente drogado ou envenenado.

Não demorou muito para Rael aparecer. Ele chegou em poucos instantes e Mara chegou junto em seguida, com a espada nas mãos.

― Natalia, você está bem?! ― perguntou Rael olhando para o alto aliviado, vendo-a flutuando.

― Estou sim! ― respondeu ela e desceu um pouco ficando a uns vinte metros deles: ― Marido, tome cuidado. Aquele sujeito invisível que atacou nossa casa está por perto .

Atrás de Rael e Mara chegou mais oito guardas, que rapidamente cercaram todo o perímetro, procurando sinais do inimigo. Alguns estavam até mesmo voando próximo a Natalia.

― Está tudo bem, Natalia, ele já se foi. ― disse Rael de baixo.

― Marido… Como Natalia pode estar voando? ― perguntou Mara chocada.

― É por causa da armadura que dá essa habilidade para ela. Quando ela puder voar sozinha, o voo dela será muito maior do que qualquer um de nós. ― disse Rael. Mara ficou surpresa.

Natalia pousou na frente de Rael e Mara trajando sua armadura vermelha com linhas laranja. Logo em seguida ela desfez a armadura, dando o comando mentalmente de desativar.

Os guardas continuavam cercando o perímetro e Rael foi ver o guarda caído. As meninas o acompanharam e esperaram em pé.

― Foi apenas drogado, o sujeito acertou uma veia não fatal próximo ao coração, apenas para o efeito da droga ser instantâneo. ― explicou Rael e se levantou sem qualquer expressão. Ele tinha, de certo modo, perdoado o clã. Mas não quer dizer que ele estava totalmente mole, porém ele também não deixaria aquele homem morrer se fosse algo mais sério. Aquele homem era alguém que trabalhava para Neide.

― Por que nos atacaram? ― perguntou Mara. Rael pensou um pouco antes de falar.

― Acho que ele queria me levar. Ele tentou me segurar por trás, depois de machucar este homem. ― explicou Natalia.

― Da primeira vez eles tentaram me matar, agora eles tentaram sequestrar Natalia. Eu acho que o propósito ainda é o mesmo: eu. Só que como não consegue agir diretamente, ele está armando a mesma coisa que o clã Sarbaros fez. ― disse Rael com um tom não muito bom. Só em pensar que aquilo poderia se repetir, e ainda por cima com Natalia, já fez o coração de Rael ferver.

― Ele teve muitas chances na cidade… ― disse Mara. Mas ela pensou de novo. Ela e Natalia quase não saíam de casa, e ficaram cultivando por vários dias seguidos.

― Eu acho que ele não teve não, prima. A gente quase não saiu de casa. ― disse Natalia, que assim como sua prima, se lembrava desse fato.

― Na verdade, no território do clã ele não tentaria. ― disse Rael: ― Uma vez que ele pode ficar invisível e ocultar sua presença o ajuda bastante, mas levar um refém fazendo isso não é a mesma coisa: ele não poderia ocultar a presença da refém. As pessoas perceberiam e tentariam ajudar. Diferente desse lugar que só tem gente fraca, no clã Torres os guardas mais fracos já são nonos reinos. ― o raciocínio de Rael era rápido.

― Mas ele falhou. ― disse Mara.

― Falhou agora porque não sabia que Natalia era tão forte, nem que podia voar. O anel de bloqueio esconde o avanço de vocês, mas tem o porém de que o anel também limita o uso de seus poderes. ― lembrou Rael.

― Se ele não pode voar, ele não é alguém muito forte. Está entre o sétimo e nono reino? ― supôs Mara.

― Do oitavo ao nono. ― confirmou Rael sem pensar muito.

― E o que faremos agora? ― perguntou Mara.

― Vocês duas ficarão coladas em mim o tempo todo. Ele não vai tentar nada se vocês ficarem perto de mim. ― disse Rael.

― Por que tem tanta certeza? ― perguntou Mara.

― Porque eu posso vê-lo. ― disse Rael: ― De qualquer forma, ele não vai voltar por um tempo. A forma dele agir é extremamente imprevisível. Ele agiu agora porque foi completamente inesperado, já estávamos quase nos esquecendo dele.

― Marido, você desconfia de alguém por trás disso? ― perguntou Natalia.

― Sim, desconfio. Mas não tenho clara certeza. ― disse Rael, pensando na mãe de Natalia. Se ele falasse, a filha com certeza iria tentar conversar com a mãe, podendo piorar a situação. Rael não queria que Natalia se envolvesse.

― Nos conte. ― pediu Mara.

― É melhor não, posso estar errado. Vamos indo. ― disse Rael saindo de lado. Mara mordeu os lábios levemente irritada, Rael continuava escondendo coisa delas. Mas aquilo não era tão irritante porque não envolvia traição.

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O guarda foi levado e tratado com curativos normais feito pelos próprios companheiros. A droga sairia do organismo do mesmo sozinha, então não precisava de nenhum tratamento. Mara avisou a mãe sobre o ocorrido, que quase quis vir voando para perto deles.

― Mãe, quanto tempo você e o papai não cultivam? Eu apenas quis avisar já estamos todos seguros de novo. Ficaremos perto do meu marido, então você não precisa se preocupar. Ele disse que também não vai demorar. Amanhã mesmo já estaremos voltando. ― disse Mara.

― ‘Então se cuide, filha, e faça como ele pediu. E filha, não seja tão dura com ele, homens sempre vão ser assim, não importa onde. Ele ama você, isso não dá pra negar, mas ele pode estar chegando no limite. Se vocês brigarem, ele pode realmente querer se separar de você.’ ― disse Neide do outro lado. Mara ficou apertando os dentes pensando nisso, porque antes do jantar Rael realmente tinha falado daquela maneira com ela, e na noite passada ela tinha forçado Rael a dormir sem ela e sem Natalia.

― O que eu faço, mãe? Eu só queria que ele não me traísse e passasse mais tempo comigo. Só isso não é pedir muito. O papai não vive com você e não é só seu? Porque o meu marido tem que ter um mar de mulheres?

― ‘Filha, seu marido não é um homem simples. Depois de tudo que vi, eu acho que ele está numa classificação de deuses: Homens que nasceram com o cultivo muito além do entendimento, que sinceramente, só havia visto em livros. Se o seu marido é tal ser, ele será desejado por muitas mulheres, e isso é inevitável. Você pode brigar e lutar contra isso, mas não vai conseguir impedir a roda do destino. Esses homens não nasceram para ser simples, e por isso que estão sempre cercado de grandes pessoas.’ ― disse Neide.

― Classificação de deuses? Isso é mesmo sério? ― perguntou Mara chocada. Ela se lembrava de Rael ser um pobre coitado sem braço, antes de todas as coisas a mais.

― ‘Sim, filha. Aqueles símbolos que ele invoca já é de um poder misterioso que nem eu nem seu pai encontramos em lugar nenhum. O aumento de poder, as coisas que ele pode fazer, como a barreira, a transformação, os artefatos mágicos… Todas essas informações juntas indicam que ele não é alguém simples. Por isso, trate-o bem porque ele terá muitas opções melhores que você a Natalia. Brigue, mostre seu ciúme, porque homens gostam disso. Mas não exagere muito, existem limites que ele pode não tolerar.’

Mara desabou se sentando na cama depois de ouvir sua mãe, e ficou com o anel próximo aos lábios. A expressão de Mara não era muito boa. Violadoras, raça Celestial… Tudo que Neide dizia fazia bastante sentido. Só Violeta por si só já era muito melhor que ela. Rose também, era tão linda que parecia menina mágica.

― Mas, se eu reclamando e estando em cima ele já fica pulando o muro, imagina se não faço nada. ― disse Mara angustiada.

― ‘Vamos concordar que você tirou a sorte grande e ao mesmo tempo o azar também, filha. E quem disse que seu pai nunca me traiu? Você se lembra da Irene, do grupo de caça deles? Porque você acha que ela desapareceu?’

― Mãe, você…! ― Mara ficou surpresa.

― ‘Sim, eu descobri que seu pai me traiu através de fontes confiáveis. Eu fui pessoalmente conversar com a mesma e propor um acordo: Ou ela desapareceria do mapa ou eu destruiria ela e toda a família dela. Depois, eu fui falar com seu pai se ele queria se separar de mim. Ele implorou meu perdão e me deu a palavra que isso nunca mais se repetiria. Nós passamos um ano brigados e não deixei ele nem chegar perto de mim, só depois de confirmar que ele estava mesmo mantendo a palavra foi que voltamos ao normal.’ ― disse Neide.

― Eu nunca pensei que o papai faria isso… ― disse Mara surpresa.

― ‘Aquela mulher possivelmente o drogou com alguma bebida, mas ainda assim por ele não resistir foi muita vergonha. De todo modo, ela não está mais por perto. Eu deixei bem claro que se ouvisse falar do nome dela, ela iria desaparecer.’

― Você não é muito diferente de mim, mãe. ― disse Mara com um pouco de alívio.

― ‘A nossa diferença é que eu escolhi um homem mais normal…’

― Eu gosto dele mãe, ele sempre me tratou diferente de todos. Ele nunca mostrou medo de mim, como todos os outros mostravam. Quando ele me tocava, eu podia sentir que ele não estava pegando leve. Eu nunca encontraria outro homem assim. ― disse Mara.

― ‘Se você gosta, você precisa cuidar melhor, filha. Não deixe seu ciúme te dominar, e seja mais cuidadosa.’

― Obrigada pelo conselho, mãe… ― disse Mara um pouco desanimada.

― ‘Filha, você está bem? Desculpe se te preocupei, só queria que você soubesse. Ele fez muito por nós, e você deve ser compreensiva. Mas ele te ama muito, ao contrário, ele nunca teria te perdoado. Ele ainda consegue tolerar todo seu temperamento, então o amor que ele sente por você não é coisa pequena. Eu só não quero que você se perca.’

― Mesmo assim, não posso tolerar que ele me traia com simples mulheres, como essa tal de Janete, mãe. Isso já é demais…

― ‘Compreendo, filha. Mas não faça nada contra ela, não importa o motivo. Ele não iria perdoar você se machucasse essa mulher.’

― Eu sei, mãe… Não farei se eles não tiverem nada.

― ‘Filha, se cuide e obedeça seu marido. Beijos!’

― Se cuida você também, mãe. ― disse Mara e encerrou o chamado.

Mara olhou de lado e viu Rael conversando na sala do lado com Natalia. Natalia estava sentada no colo dele em um sofá e os dois conversavam e namoravam.

Ana tinha ajeitado uma residência espaçosa para Rael e suas esposas. Os guardas estavam em todas as possíveis entradas, que incluíam portas e janelas, e todas permaneceriam o tempo inteiro fechadas.

Rael não estava preocupado. Sentado no sofá com aquela beldade em seu colo, ele chupava os lábios dela e beijava aquela pele macia. Rael estava pra lá de vontade de fazer aquilo. Ele nem demorou muito a começar a tira as roupas de Natalia. Mara ficou um tempo vendo os dois se esquentarem do quarto ao lado.

― Rael, vamos fazer aqui? ― perguntou Natalia surpresa. Eles estavam na sala. Quem estava no quarto era Mara, que tinha saído para falar com a mãe.

― E o que tem? Ninguém vai entrar aqui de qualquer modo. ― disse Rael, em seguida, puxou a garota para beijar o seu pescoço. Natalia sorria se derretendo inteira. Agora Mara podia saber que os dois realmente tinham aquela intimidade. Era estranho vê-los assim, não muitos anos atrás eles eram como irmãos.

Mara ficou um tempo observando, e seu corpo obviamente começou a esquentar. Não eram só eles que estavam com vontade de fazer.

― Rael, vamos pro quarto. Eu não quero fazer aqui, tenho medo de alguém entrar de repente. ― disse Natalia, que já tinha tido sua blusa retirada.Ela estava somente com sutiã e saia.

― Tudo bem, vamos. ― disse Rael, agarrando a garota nos braços e se levantando. Natalia riu por ser pega de imediato, e foi levada para o quarto onde Mara estava. Rael entrou e fechou a porta atrás dele com os pés.

― Esposa, fecha a porta na chave, tá bom? ― Pediu Rael, vendo Mara em pé. Mara e Natalia se olharam. Seria a primeira vez que eles fariam à três, e ninguém tinha certeza se aquilo daria certo de alguma maneira.

Natalia foi colocada carinhosamente na cama. Mara obedeceu e trancou a porta como Rael tinha acabado de pedir. Depois, Mara se virou e olhou Natalia, a mesma olhou de volta para sua prima. As duas estavam se dando bem depois desse tempo, mas ainda assim aquela era uma situação inusitada. Rael era só um, como isso poderia dar certo? Elas não podiam deixar de se perguntar.

― Mara, o que está fazendo? Não vai tirar suas roupas também? ― perguntou Rael já se despindo. Na cama, Natalia começou a se mover, arriando sua saia e calcinha. Em seguida, ela já foi retirando o sutiã.

Quando Rael viu aquele corpo nu na cama, ficou eufórico e esqueceu levemente de Mara. Ele nem tinha tirado toda a roupa, se jogou por cima de Natalia, ainda com a calça meio arriada.

― Marido… rs ― Natalia riu graciosamente enquanto Rael beijava os seios dela com vontade. Mara suspirou e começou a retirar suas próprias roupas. Não tinham como saber se aquilo daria certo até,de fato, fazerem.

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Capitulo liberado por doação para combo de Natal, agradeçam a: Murillo Batista de Oliveira