O Herdeiro do Mundo

144 - Um Passeio

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Amanhã seguinte começou com um tempo fechado. Algumas nuvens escuras se reuniram e cobriam os céus. Mesmo assim, o movimento das pessoas e seus afazeres não parava. O vai-e-vem já era constante tanto na capital quanto no território Torres.

Rael se levantou do sofá preguiçosamente. Ele geralmente dormiria mais tempo, porém com o movimento da escrava limpando as coisas próximas ele acabou por despertar. Beta mantinha um olhar de rabo de olho para Rael, depois do que ela ouviu na noite passada, ela ficou pensando se Rael realmente iria querê-la.

― Bom dia. ― disse Rael passando pela mulher, que estava varrendo o corredor da cozinha para a sala.

― Bom dia, jovem mestre. ― disse ela educadamente de volta: ― Precisa de alguma coisa?

― Minhas esposas não levantaram ainda? Me prepare um café. ― disse Rael se sentando na mesa.

― Agora mesmo! ― disse Beta parando tudo o que estava fazendo e indo cumprir a ordem.

Enquanto esperava, Rael ficou pensando no dia de hoje. Ele faria os túmulos e se despediria de sua falsa família. Nem por um momento ele esquecia deles e era doloroso lembrar que ele não pôde protegê-los.

Rael ficava mais triste por Rita. Ela viveu tão pouco, e tudo porque ele foi um estúpido. Por mais que ele quisesse culpar Violeta pelo processo, ele sabia que a culpa real e verdadeira da morte deles era dele mesmo. Ele foi arrogante e pensou que poderia cuidar de tudo sozinho, mas acabou caindo do cavalo.

― Jovem mestre está triste hoje. Algo incomoda o senhor? ― perguntou Beta, vendo a expressão vazia no rosto de Rael.

― Só pensando na vida… ― disse Rael abrindo um leve sorriso. Beta apenas virou-se e continuou preparando tudo enquanto Rael se afundava de volta em seus pensamentos.

_____________________________________________________________________________

No Mundo Completo Rael não conversou com Violeta nem Emilia, ele apenas quis ficar sozinho lendo. Então, não tinha contado nada sobre a transformação para Emilia ou Violeta, como sua sogra pediu que fizesse. Rael não se importava muito, uma vez que era um poder dele.

_____________________________________________________________________________
Um pouco mais tarde, uma garoa leve molhava as terras do clã Torres e a capital, mas era possível no horizonte ver o tempo mais escuro, onde a chuva estaria mais intensa.

A família de Janete preparava os túmulos como pedido por Rael, eles tinham escolhido as pedras, esculpido, adicionado os nomes dos familiares e ajeitando no chão, um ao lado do outro. Agora estavam espalhando as rosas.

Todos estavam lá mostrando os respeitos: Janete, os irmãos, o pai, Rael, Natalia, Mara e seus pais. Todos eles fizeram um minuto de silêncio.

Quando ficou satisfeito, Rael se voltou para a família de Janete e fez o pedido para que virassem discípulos dele. Ele não se importou de falar na frente de suas esposas ou de seu tio. Neide já imaginava que ele iria fazer isso, então não houve surpresa.

Malcon ficou sem graça com o pedido de Rael, mas diante de tudo ele não conseguiu negar. Nenhum dos irmãos de Janete negou.

― Eu levarei vocês até uma cidade que agora eu controlo, lá começaremos os preparos para vocês virarem meus discípulos. ― explicou Rael sem dar muitos detalhes.

_____________________________________________________________________________
Três carruagens foram preparadas: Uma para a família de Janete, outra para Rael, Mara e Natalia e uma última com alguns guardas, enviados pelos pais de Mara.

Rael não queria levar as duas, mas elas reclamaram dizendo que estavam cansadas de viver presas no clã. E que perigo poderiam correr com tantos guardas no décimo reino?

A viagem durou pouco mais que oito horas e Rael teve direito até a um cochilo no colo das meninas.

Logo eles estavam chegando a cidade Pico Azul, que era bem cercada por um conjunto de montanhas. A chuva já tinha passado e estava começando a anoitecer.

Com mais alguns minutos eles chegaram aos portões do clã Sarbaros, agora vigiados por simples cultivadores do sexto e sétimo reino. Ao verem as carruagens do clã Torres, abriram os portões imediatamente.

Rael não parou de pensar no que tinha conversado com Neide sobre as pessoas não o aceitarem totalmente. Depois daquilo, Rael ficou pensando se realmente tinha valido a pena deixar esse clã vivo. Ele acabou com toda a família de Helks expulsando ou matando, mas ainda assim tinha os ramos mais distantes que no futuro poderiam ou não querer causar problemas a Rael.

_____________________________________________________________________________
A matriarca Ana agora andava bem vestida e recebeu todos muito bem. Ela tinha separado um grupo de cultivadores de sua própria confiança que estava entre o oitavo e nono reino. Ela ainda tinha os guardas de Neide, mas preferia ter seu próprio pessoal também. Rael percebeu, mas na hora não disse nada. Desde que as coisas estivessem funcionando não seria nenhum problema.

― Eu vou preparar os quartos para vocês imediatamente. ― disse Ana.

Os cultivadores que seguiam Ana ficaram receosos com a visita de Rael, e quem não ficaria? Rael poderia ter mandado exterminar o clã inteiro.

― Você confia nesses homens, Ana? ― perguntou Rael de canto.

― Sim, confio. Eles não gostavam do patriarca e da família dele, muitas dessas pessoas foram injustiçadas pelo antigo patriarca. ― explicou Ana.

― E por que eles estão me olhando com medo?

― E porque não estariam? Samuel, você quase destruiu este lugar. Estranho seria se eles lançassem olhares desafiadores para você. ― disse Ana.

― Tem mesmo certeza que isso é certo? ― perguntou Rael.

― Sim, tenho. Eu não sou burra, todos eles são boas pessoas. ― explicou Ana.

― Certo, vou confiar no seu julgamento. ― disse Rael.

― Por que você veio aqui, e ainda trazendo suas esposas?

― Elas não queriam ficar sozinhas, e eu quero acertar aquela família aqui. Eles também serão meus novos discípulos. ― disse Rael.

― Acho que estou entendendo. Bom, tem um monte de casas vazias e eu posso facilmente doar uma delas para os mesmos. ― disse Ana.

― Faça isso. Eu também quero que você arrume algo para eles fazerem por metade de um dia, a outra parte quero vê-los cultivando. Eles são pessoas simples e não vão querer viver aqui sem ajudar em nada. ― disse Rael.

― Farei tudo como está me pedindo. ― disse Ana sorrindo. Mara acabava de chegar ao lado de Rael e encarava Ana com uma certa irritação. Ela tinha visto Ana sorrir várias vezes para Rael e não ficou muito satisfeita.

― Senhora Mara, é um prazer grande revê-la. ― disse Ana educadamente a reverenciando.

― Eu não posso dizer o mesmo. ― disse Mara friamente. Ana não ficou preocupada por já conhecer um pouco de Mara. E quem não conhecia a filha do elder Rayger? Todos sabiam que ela tinha pavio curto.

― Esposa, não seja mal educada. ― Rael se virou com um toque de reclamação.

― Quando se diz a verdade não é falta de educação. ― disse Mara sem se importar.

― Perdoe-a, Ana, ela é sempre assim. ― disse Rael se voltando para Ana.

― Eu não fiquei ofendida, não se preocupe. ― disse Ana sorrindo. Mara continuou fria, analisando a intimidade entre ela e seu marido.

― E o resto das coisas, como estão indo? As pessoas estão voltando ao normal? Estão trabalhando e tudo mais?

― Sobre isso, tudo está correndo bem. Estou tomando de conta de todos os ganhos do clã: o plantio de ervas, os negócios com outras famílias, e quanto a mineração, já mandei construir outra incinerad… ― disse Ana e se lembrou que foi numa daquelas que a família de Rael morreu.

― Sem problemas, Ana. Eu sei que precisam de uma nova. ― disse Rael logo em seguida, vendo o olhar preocupado de Ana.

― Sim, obrigada por entender. ― disse a mesma de volta.

― Quanto tempo vamos ficar por aqui, marido? ― interrompeu Mara.

― Até eu deixar tudo pronto por aqui para a família Alencar. ― explicou Rael pacientemente.

― Da próxima vez que nos levar para um passeio, nos leve a um lugar mais bonito. Este lugar é horrível, e me incomoda ficar aqui muito tempo. ― disse Mara, olhando em volta.

― Você quem insistiu em vir. ― lembrou Rael.

― Sim, e dai? Sou sua esposa e onde você for, se eu quiser ir, eu com certeza irei. ― disse Mara. Ana entendia aquilo de outra forma: Mulheres é quem tinham que ouvir seus maridos, e não o contrário. Conhecendo Rael como Ana conhecia, ver Mara falar assim com ele era um milagre.

― Tudo bem, só não fique reclamando por você mesma ter tido a ideia de vir. ― Rael concordou, para o espanto de Ana.

― Samuel, eu irei preparar os quartos para vocês e também pedirei para trazer uma bebida. Senhora Mara, com licença. ― disse Ana e se retirou.

― Porque a maioria das pessoas te chama pelo seu primeiro nome?

― Porque não gosto de senhor, nem tampouco ser chamado de mestre. ― disse Rael se virando e saindo de lado com Mara.

Natalia estava parada ao lado de Janete do outro lado. Ao contrário de Mara, Natalia tinha gostado de Janete e as duas estavam se dando mais ou menos bem. Não tinham ainda muito o que conversar, mas se esforçavam mesmo assim.

_____________________________________________________________________________
Ana mandou servir os visitantes bebidas e pães. Depois, ajeitou os documentos de uma propriedade bem espaçosa de dois andares e presenteou a família de Janete. Eles tentaram recusar, mas Rael os forçou a aceitar.

Em seguida, foram todos ver a casa. Eles simplesmente adoraram, a casa era grande e toda família viveria muito bem ali.

Mara parecia uma escolta batedora, seguindo Rael para cima e para baixo. Ela não confiava em deixar Rael sozinho, ainda mais com Janete por perto. Janete continuava na dela, se lembrando bem do conselho de Neide.

Natalia era muito mais calma e tinha perguntado a Rael se poderia fazer um passeio pela cidade. Rael não viu nenhum problema, desde que ela estaria com um guarda do décimo reino, então deixou. O guarda seguiria Natalia mantendo uma distância de alguns metros, enquanto a mesma caminhava despreocupada.

As pessoas viam e reconheciam aquela jovem dama bem vestida. Quem não iria conhecer a beldade número um do clã Torres, a filha de Romeo? As pessoas quando a viam até gelavam, tinham medo até de chegar a dez metros dela, mesmo que Natalia mantivesse um sorriso inocente enquanto passeava. Natalia era curiosa e gostava de passear. Antes ela não podia fazer isso por estar amarrada na casa dos pais, agora estando casada com Rael ela tinha mais liberdade.

_____________________________________________________________________________
Rael juntou a família de Janete e fez todos os preparos. Curou as veias, liberou os pontos de poder, distribuiu os anéis, os cultivos e as técnicas básicas. Rael passou três horas inteiras trabalhando neles, sempre com Mara do seu lado.

― E aqui estão as pílulas, vocês usarão essas até o sexto reino, e depois quando chegarem no sétimo, passarão a usar essas. ― explicou Rael.

― E não se esqueçam de guardar segredo sobre tudo feito aqui hoje. ― Rael lembrou mais uma vez. Ele parou tudo o que estava fazendo porque sentiu algo incomum se aproximando.

_____________________________________________________________________________
Na cidade, o guarda continuava seguindo Natalia mantendo seus trinta metros de distância. A menina já tinha comprado algumas rosas, e até um pirulito que chupava despreocupada.

Vraaaap!

Quando o guarda percebeu, uma adaga perfurou seu peito. Ele não estava vendo ninguém e essa adaga sequer chegou a ser lançada. Ele sentiu que havia alguém à frente dele e tentou socar, mas não acertou nada.

― Jovem mestra, fuja! Eu fui atacado! ― gritou o guarda e removeu a adaga do peito, percebendo que a mesma estava com algum tipo de veneno.

Natalia se virou surpresa e viu o guarda caindo. Ela olhou em volta mas não entendeu o que tinha acabado de ocorrer porque não viu ninguém. Só quando alguém puxou seus dois pulsos para trás foi que ela percebeu que era alguém invisível. Ela se lembrou que Rael foi atacado em casa por alguém usando os mesmos métodos:

― Não se mexa, jovem mestra, ou eu terei que machucar você. ― disse uma voz rouca no ouvido de Natalia.

_____________________________________________________________________________
Capitulo liberado por doação para combo de Natal, agradeçam a: Isaac Junior




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.