O Herdeiro do Mundo

143 - Uma Noite Sem…

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Todos se levantaram para as apresentações. A família inteira de Janete suava frio, porque à pouco eles perderam o controle diante das esposas de Rael. Eles só podiam se sentir extremamente envergonhados. Agora a família de Janete entendia porque Rael não ia querer a irmã deles, Janete não tinha nenhuma chance contra aquelas duas.

Janete se sentia um lixo atirado no canto da parede depois de ver pessoalmente Mara e Natalia. Mara mantinha uma expressão fria, quase mau humorada, enquanto as apresentações seguiam. Natalia era como anjinho sorrindo para todos. Os irmãos de Janete ficaram um pouco nervosos quando foram apresentados a Mara, porque mesmo de mau humor ela ainda era linda, mas eles logo se derretiam em seguida com Natalia. Natalia era com certeza a pessoa mais doce daquele jantar.

― Este é Everton, este é Josias, esse é Eduardo, esse é Diego e esse é Lucas! ― Rael foi apresentando, um a um, todos os irmãos de Janete. Sorte que na carruagem ele tinha conversado e decorado o nome dos mesmos.

― Mara, esta é Janete. E Janete, essa é a Mara, minha primeira esposa. ― disse Rael.

― É um prazer conhecê-la. ― disse Janete, rapidamente a cumprimentando com uma reverência leve em forma de respeito. Mara ficou medindo o olhar de Janete com uma expressão fria, ela ainda não tinha engolido que Rael e ela não teriam mais nada, ainda mais depois de saber que Rael já tinha visto ela nua, se é que era somente isso.

― Prazer. ― disse Mara e teve que se segurar pra não pegar Janete pelos cabelos e arrastá-la por toda aquela sala. Rael estava do lado de Mara para evitar qualquer coisa.

Já Natalia era tão boazinha que nem mesmo os irmãos de Janete tinham medo de conversar com ela. Natalia era quem salvava as pessoas da raiva de Mara, porque quando ficavam tensos com Mara, olhavam para Natalia e tinham seus corações aliviados.

O jantar seguiu sem maiores problemas e, por trás das cortinas, Neide observava cada olhar de Janete sobre Rael. Por causa de Janete, Rael e sua filha quase chegaram a ter uma briga séria. Neide era uma mulher boa e respeitosa com a maior parte das pessoas, mas primeiramente ela cuidava dos seus. E aquela mulher, Janete, mesmo que indiretamente, estava atrapalhando seus planos, incomodando a paz de sua filha e de seu genro. Algo tinha que ser feito, porém, de uma forma bem sutil.

Depois do jantar e muitas conversas bobas, Rael se despediu de todos e saiu com suas esposas, depois de dizer que voltaria na manhã seguinte para fazer alguns pedidos aos convidados.

Mara teve que engolir sua raiva e a incerteza que brotou em seu coração. Janete passou a maior parte do tempo olhando o próprio colo e não ousou olhar para Rael, por isso, ela não sabia mais o que pensar. Mara ficou quase a noite inteira obcecada de olho em Janete, o ciúme estava fazendo-a tremer.

Como Natalia estava curiosa, Rael contou a história deles e como os conheceram, mas não mencionou nada sobre o rolo dele com Janete. Deixando somente essa parte oculta. O problema é que Mara ouviu do lado e bufou indignada. Se fosse só essa parte, ela não teria raiva de Janete. Mas teve um pouco mais, porém Rael não quis contar pra não deixar Natalia tão preocupada quanto Mara.

― Prima o que foi? ― perguntou Natalia chegando em casa.

― Nada, só fico vendo você, que não para de ser ingênua! ― disse Mara e entrou.

― Marido, do que ela está falando? ― perguntou Natalia olhando de lado.

― Ela sempre está brava… ― disse Rael sem jeito.

Rael não via a hora de chegar em casa. Ele mal fechou a porta atrás e já pegou a mais próxima, que era Natalia. Tomou os lábios dela e a beijou, agarrando-a com muito desejo. Natalia se desmanchou com o beijo de Rael porque era outra que estava muito afim daquilo. Ele se abraçaram e esqueceram até que estavam na sala.

― Pode parar por ai! ― disse Mara e cortou o barato deles, puxando Natalia dos braços de Rael.

― Esposa, o que foi? Eu também vou beijar você, só tenha calma, está bem? ― perguntou Rael confuso ainda com a mãos abertas.

― Hoje você não vai ficar com a gente. Vai aprender a nos respeitar, ou não vai ter mais sexo! ― disse Mara duramente e puxou Natalia com ela. Natalia não queria ir com Mara, mas o que ela poderia fazer?

― Esposa, o que significa isso? ― perguntou Rael seguindo as duas que subiram as escadas. Natalia estava sendo empurrada por Mara.

― Significa que hoje você não dorme com a gente. Durma em outro quarto! ― disse Mara e parou na porta do próprio quarto, atirando Natalia para dentro. Rael parou na porta encarando Mara, que o encarava de volta com um olhar de raiva.

― Esposa, você tá brincando, não é? Vocês passaram o tempo inteiro comigo e me deixaram na maior vontade para fazerem isso depois? ― perguntou Rael indignado. Ele estava com muito desejo por aquelas duas, ainda mais depois de passar tempo com elas tão arrumadas e tão cheirosas. Faz dias que Rael não fazia…

― Isso é o que você ganha por nos trair! ― disse Mara e deu um passo para trás se preparando para fechar a porta.

― Você não vai fazer isso comigo, não pode estar falando sério… ― disse Rael.

― Ah, pode apostar que eu estou falando muito sério. Você não nos respeita, só quer se diverti e nos deixar de canto.

― Meu amor, você sabe que eu amo vocês duas, eu não ousaria esquecer vocês assim. ― disse Rael, tentando amansar o tom pra ver se ajudava.

― Vem com essa não, marido. Você não me engana com aquele papo de que não tem mais nada com aquela mulher. Eu não vou cair nessa! ― disse Mara.

― Mas você acreditou em mim. ― disse Rael e tentou avançar para agarrar ela. Mara barrou Rael com a mão empurrando o peito dele.

― Pode parar ai mesmo! Você não vai querer me ver mais irritada do que já estou. Eu não sei como, mas sei que você ainda tem um caso com aquela mulher. Você não me engana! ― disse Mara, que não parecia querer mudar de ideia. Rael olhou de lado, vendo Natalia.

― Natalia, você não está concordando com ela, não é? Você não pode fazer isso comigo. ― disse Rael. Mara ficou irritada porque Rael partiu para o ponto mais fraco. De dentro, Natalia ficou deprimida. Ela se sentou na cama e formou um olhar triste. Ela queria se deitar com Rael de novo e dividir aquelas sensações, mas por causa de Mara… Estava realmente difícil.

― Nem eu e nem ela vamos nos deitar com você hoje! Você é um cara de pau, Rael! Agora procure outro quarto e nos deixe em paz! ― disse Mara irritada e tentou bater a porta. Rael segurou com a mão.

― Mara temos que tentar, lembra? Você não quer filhos? Como vamos ter filhos assim? ― perguntou Rael se apressando para o ponto fraco dela. Natalia lá de dentro ouviu isso e soube no mesmo instante que Rael estava tentando enganar sua prima. Rael contava coisas para uma e ocultava de outra. Ambas sabiam de coisas onde a outra não sabia.

― Não ouse usar nenhuma habilidade para atravessar essa porta! Essa é minha regra e você não vai quebrar. Sexo só se você se comportar daqui para frente! ― disse Mara e fechou a porta na cara de Rael, depois ela girou a chave.

Rael ficou ali parado na porta, achando que tinha perdido alguma coisa. Não era justo, ele estava com tanto desejo e Mara estava fazendo aquilo.

― Tá bom…Vocês vão mesmo fazer isso comigo? Muito bem!Eu vou procurar Beta! Vou dormir no quarto com ela, já que vocês não querem! ― gritou Rael da porta.

Mara ficou do lado de dentro, de costas para a porta, nervosa. Natalia estava sentada na cama vendo a prima. Não era só Natalia que queria, Mara também estava com vontade, mas ela precisava ser forte e mostrar ao seu marido que ele tinha que aprender a dar mais valor a elas.

― Vocês me ouviram, né? Eu não vou ficar sem! Se minhas esposas não querem me satisfazer, vou procurar a Beta! ― ameaçou Rael de novo. Mara e Natalia poderiam até ter acreditado se não conhecessem Rael, que era um defensor dos escravos. Ele jamais se aproveitaria da moça.

No quarto lá embaixo, Beta tinha ouvido o grito de Rael e estava trêmula na cama. Se Rael viesse mesmo cumprir o que ameaçava, ela certamente teria uma noite muito boa. Beta era uma mulher de trinta anos e, como toda escrava, não podia ter filhos. Ela era muito bem tratada naquela casa, e se Rael realmente quisesse se deitar com ela, ela nunca iria recusar, mesmo se tivesse escolha.

― Tá certo, Mara! Eu tô percebendo o quanto você está com vontade de ser traída! ― disse Rael irritado e se afastou da porta. Ele desceu as escadas e se dirigiu ao sofá. Ele poderia invadir o quarto e ficar com as duas à força, mas esse não era o jeito dele e ele queria pelo menos respeitar a vontade de Mara, mesmo que fosse bastante difícil.

Rael se deitou no sofá e ficou ali, emburrado, olhando o teto da sala. Mas ele não culpou Mara totalmente, ele tinha mesmo traído suas esposas. Mas o que ele poderia fazer? Deixar a pobre da Janete se sentindo um nada? Rael não era o tipo que simplesmente abandonava os outros.

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No quarto, Mara e Natalia já tinham retirado seus vestidos e estavam se preparando para dormir.

― Temos mesmo que fazer isso com ele? ― perguntou Natalia.

― Temos sim, Natalia. Ele não vai nos respeitar se nós facilitarmos a vida dele. Homens não aguentam ficar sem sexo. ― disse Mara.

― Acho que não é somente os homens… ― disse Natalia e mordeu os próprios lábios.

― Você vai superar. Ficamos sem agora, e no futuro iremos garantir várias vezes mais. ― disse Mara, sempre em um tom baixinho para Rael não ouvir.

As duas se deitaram de frente uma para a outra e se cobriram.

― Boa noite. ― disse Natalia e fechou os olhos tentando dormir. Ela só podia confiar na prima que estavam fazendo a coisa certa, mesmo que não quisesse.

Mara respondeu e também fechou os olhos.

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Na residência Raleon, a família de Janete ainda não tinha ido se deitar. Por um pedido de Neide, Rayger arrastou pai e filhos para um quarto e começou a dar presentes aos mesmos: roupas, acessórios e mais algumas coisas que ele não usava mais.

Enquanto Rayger distraía os homens da família, Neide passava as mãos no ombro de Janete, a segurando de frente a um espelho.

― Esse vestido ficou bom em você, querida. E eu tenho muitas outras roupas que ficarão perfeitamente bem também. ― disse Neide amigavelmente. Janete estava vestindo um dos vestidos de Neide a pedido da mesma, e conferia de frente a um grande espelho.

― Obrigado, senhora Neide. ― disse Janete de volta. Ela tentou recusar antes, mas Neide disse que se ofenderia se ela tentasse.

― Vamos ver como fica esse outro. ― disse Neide, fazendo outro vestido surgir nas mãos. Janete começou a retirar o atual.

Janete não era boba, ela imaginava que Neide tinha algum tipo de plano ou pedido pelo caminho. Aquela mulher era sogra de Rael e mulheres sempre eram mais atentas. Janete era uma pobre coitada, e mesmo que ela imaginasse o que viria a seguir, ela só podia deixar o fluxo correr.

Não demorou muito tempo para Neide pôr seu plano em ação:

― Querida, o que você tem com meu genro? Será que pode ser franca comigo?

― Nós não temos nada, senhora Neide. ― disse Janete vendo o rosto de Neide através do espelho. Neide estava nas costas de Janete.

― Pelo que vocês são e a forma que vocês agem, eu imagino que passaram por muitas situações ruins… ― disse Neide passando carinhosamente as mãos no belo pescoço de Janete: ― Por isso vamos ter essa conversa, e espero que ela morra aqui. Eu sou uma mulher boa, amo meu marido, meus filhos e meu genro. Como você pôde ver hoje, minha filha Mara não é muito paciente. Minha filha estava se segurando, pode acreditar que ela é cem vezes pior que aquilo.

― Senhora Neide, eu não sei onde quer chegar. Samuel e eu não temos nada. ― disse Janete rapidamente com um ar sem jeito. Neide continuava alisando o pescoço dela.

― Querida, preste atenção: Eu sei o que rolou entre você e meu genro. Eu não sou burra, vou me sentir ofendida se você pensar isso de mim.

― Eu… Nunca… ― Janete teve o coração disparado no peito. Neide falava tão manso, mas ao mesmo tempo as palavras era muito afiadas.

― Calma, querida. Nós ainda nem começamos e você já está nervosa. Eu não vou fazer nada desde que você me ouça hoje. ― disse Neide. Como uma mulher no décimo terceiro reino, até mesmo um coração acelerado poderia ser percebido. Janete era tão facilmente lida por Neide que essa não fazia o mínimo esforço.

― Você é mesmo uma mulher linda para uma família sem nome, eu admito, e odiaria ver isso desaparecer do mundo. Não concorda? ― perguntou Neide.

― Senhora, por favor…Eu não fiz nada. Samuel e eu…Nós não…!

― Você vai continuar negando isso a mim? Mesmo sabendo que posso sentir seu coração acelerado de medo? Olha, eu sou uma mulher justa, e vou dar uma chance a você. Te pagarei um valor em ouro para você esquecer meu genro e seguir a sua vida. Que tal dez mil moedas de ouro? Isso deve ser o suficiente para você e sua família nunca mais passarem qualquer sufoco, não?

Janete não sabia o que responder. Ela não conseguia mais negar porque Neide já tinha certeza sobre tudo. Se ela aceitasse o dinheiro, ela nunca mais poderia ter nada com Rael, mas se ela não aceitasse, Neide poderia matá-la.

― Eu não posso aceitar… ― disse Janete e seu coração bateu mais forte ainda.

―Meu genro não é um homem que você possa ter, querida. Pense melhor sobre isso. Eu estou sendo muito gentil com você, mesmo que você não saiba. ― disse Neide em um tom mais duro.

― Senhora, eu não posso aceitar porque ele é o único homem que eu amei nessa vida. Mesmo que eu nunca possa tê-lo, eu não poderei aceitar esse dinheiro e fazer esta promessa. ― disse Janete e fechou os olhos. Janete se tremia de medo e acreditava que seria morta imediatamente.

Neide chocou-se. Ela nunca tinha visto tamanha coragem numa mulher antes, além de sua filha Mara. Janete praticamente admitiu ser verdade, e ainda aceitou sua morte em seguida. Neide ficou encurralada, mesmo que ela ameaçasse Janete ela não a mataria, ela não era como a mãe de Natalia, que trabalhava pelas sombras ou fazia atos malignos.

― Eu vou deixar uma coisa bem clara para você, querida: Vou deixar que você viva, mas se minha filha descobrir que você e meu genro têm um caso, ela com certeza matará você! ― disse Neide. Janete abriu os olhos e encarou Neide com surpresa através do espelho. Neide tirou as mãos do pescoço dela, aproximou os lábios e deu um beijo no rosto dela. ― Você tem duas qualidades: beleza e coragem. Não é tão ruim quanto eu pensei que fosse. ― disse Neide e se afastou de lado.

― Sobre os vestidos e as joias…!

― Você pode ficar como presente. Eu não uso mais essas coisas. ― disse Neide se afastando de lado.

― Obrigada, senhora! ― disse Janete sem jeito. Janete ainda estava completamente tensa.

― Não esqueça o que eu disse sobre minha filha. Nunca deixe que ela descubra. ― disse Neide. Janete concordou, fazendo um sim com a cabeça.

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Capítulo liberado por doação para combo de Natal, agradeçam a: Isaac Junior