O Herdeiro do Mundo

142 - Mara X Janete

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Mara ajudava Natalia com as roupas. As duas estavam se vestindo com belíssimos vestidos.

― Prima, porque estamos nos vestindo assim? ― perguntou Natalia que não entendia as ações de Mara. Se iam apenas a um jantar na casa dos tios, porque se vestir tão bem?

― Você não percebe? Vamos mostrar para essazinha que não somos qualquer uma. Se uma mulher querer pensar em ter nosso marido, ela tem que ser, no mínimo, melhor que nós. Então vamos mostrar o porquê somos as maiores beldades desse clã, e que Rael não vai ficar com qualquer uma. ― explicou Mara em tom duro.

                Natalia, que não seguia a mesma dinâmica da prima, entendeu um pouco a ideia, mas não aprovou:

― Mara você está exagerando. A família dela nem mesmo deve ter dinheiro para comprar um vestido desses, não acho que deveríamos fazer isso. ― disse Natalia.

― Você não está comigo, prima? ― perguntou Mara.

― Eu estou sim, mas você é muito dura. Nós nem a conhecemos, e ela é amiga dele. Acho que ela merece uma chance de ser tratada normalmente. Ele jurou não ter nada com ela e você acreditou. ― lembrou Natalia.

― Acreditei? Você é quem acha. Nosso marido é mais liso que sabão. Você que pensa que eu acreditei totalmente nele. ― disse Mara baixinho.

― Seremos as únicas no jantar com um monte de gente simples parecendo duas rainhas. Eu não acho que isso seja certo. ― disse Natalia.

― Como esposa de Rael, você deveria era se orgulhar disso e mostrar tudo o que tem. Como mulheres dele, devemos mostrar que não somos qualquer coisa. ― disse Mara.

― Tem certeza disso? ― perguntou Natalia mais uma vez. Ela tinha a maneira dela pensar, mas ela sabia que Mara era mais experiente.

― Você ainda pergunta? ― perguntou Mara e já virou Natalia para o espelho enquanto ajudava a pentear o cabelo dela. ― Nós vamos ficar tão lindas que ninguém ousará pensar que pode chegar aos nossos pés.

                Lá embaixo, Rael esperou por quase uma hora inteira, impaciente. Ele não compreendia a ação de suas esposas. O anel já tinha chamado a alguns minutos e era Neide perguntando deles. Ela disse que já tinha preparado o quarto para eles e que já estava quase montando a mesa. Mandou Rael se apressar. Quando Rael já estava quase subindo para ir ver suas esposas, Natalia e Mara apareceram descendo as escadas.

                Elas estavam tão lindas que Rael até petrificou. Natalia usava um lindo vestido branco de rendas que caía até abaixo do joelho, exibindo suas belas pernas vestidas com meias escuras e, nos pés, um par de sapatos prateados. Ela também usava um lindo colar de ouro, braceletes decorativos nos pulsos, além dos necessários e batom rosa no ponto. Ela era como um perfeito anjo descendo as escadas. Rael ficou até parado sem jeito, contemplando Natalia com um olhar de pura admiração.

                Mara seguia atrás de Natalia usando um belo vestido escuro e justo que descia até suas coxas. Deixando belos pares de pernas amostra. Diferente de Natalia, ela não usava meias longas, ela usava botas de salto que davam a ela um charme mais feroz. As duas estavam muito bem penteadas e tão cheirosas que deixou Rael até parecendo um mendigo, mesmo que no geral Rael sempre parecesse estiloso.

― Nós estamos indo apenas a um jantar? ― perguntou Rael em um estado de confusão. Aquelas duas já eram lindas sem se arrumarem. Arrumadas então eram como duas luzes que ofuscavam todas as direções. Rael se encheu de conforto em seu coração, sabendo que as duas eram dele e que ele já tinha se deitado com ambas, sem esquecer que depois que voltasse, ele com certeza as teria novamente. Nessa hora ele quase esqueceu de respirar, tamanha era sua contemplação. Aquelas duas garotas de sua infância tinham virado suas esposas.

― Você não trocou nem suas roupas? ― perguntou Mara um pouco irritada. Rael era muito descuidado.

― Troquei só a parte que sujei, como as luvas e o sobretudo. ― disse Rael rapidamente mostrando um sorriso natural. Mara fez uma careta mostrando um pouco de irritação com o desleixo de Rael. Rael não ligava para os tapas indiretos de Mara, por isso ele continuou sorrindo de volta despreocupado. Pelo menos momentaneamente.

― Você está lindo de qualquer forma, marido. ― disse Natalia sorrindo. Rael se encheu de felicidade diante daquele sorriso puro e caloroso como o sol. Quem dera se Mara pudesse ser tão calma como sua Natalia…

― Lindo, mas relaxado. Poderia ter, pelo menos, tomado um banho para se livrar do cheiro dessa tal de Janete. ― bufou Mara passando por Rael. Mara usava nos lábios um batom vermelho forte, diferente de Natalia que usava um rosa mais leve.

                Rael teve vontade de beijar pelo menos Natalia que agora tinha parado ao seu lado, já que Mara ele tinha certeza que não iria conseguir, mas ele estragaria o batom dela, então se conteve, mesmo sendo bem difícil, e ele não sabia se ia consegui só beijar aquela boca.

― A gente não vai mais? ― perguntou Mara impaciente, parando perto da porta. Rael e Natalia se olhavam com carinho e a vontade de beijar não era só de Rael. Desde que ele chegou, não tinham feito nada além de brigar, e já fazia dias que eles não…

― É, vamos. ― disse Rael sem graça e se contentou em pelo menos segurar a mão de Natalia, a puxando. Natalia apertou a mão de Rael de volta mesmo sob o olhar duro de Mara. Natalia não tinha tanto ciúme e não tinha a mesma força para resistir a Rael como Mara fazia.

                Quando os três saíram na rua, a movimentação praticamente parou. Era Mara segurando uma mão de Rael de um lado e Natalia segurando a do outro. Mara não ia ficar para trás depois de ver sua prima fazer aquilo, então tomou aquela decisão de fazer o mesmo.

                Os homens que passavam só podiam olhar para as costas daquelas duas e se deprimirem de tristeza por não ser eles ali no lugar de Rael. Ninguém tinha coragem de olhar mais de uma vez de frente, os comentários sobre o que ocorreu no clã Sarbaros já tinham sido espalhados. Não com a mesma força das outras informações, mas tinham. Muitos ouviram muito bem que Rael exterminou alguns elders sozinho, e mesmo que fosse um exagero, eles não ousavam duvidar. Rael tinha vencido o torneio familiar, o evento na cidade de Améria entre muitas outras informações.

                Na residência Raleon, o jantar já estava armado na espaçosa sala. Rayger tinha chegado um tempo depois e pego os detalhes com sua esposa, que passou a situação. Como as visitas eram conhecidos de Rael, ele obviamente tratou com respeito. O problema é que a família de Janete inteira, e até mesmo ela, estavam nervosos demais com tudo, eles não falavam muito e se mantinham mais ouvindo do que tentando conversar. Eles tinham medo de ofender qualquer um ali e entrarem em outra situação complicada. Eles só vieram porque foi um pedido de Rael, mas eles não confiavam em clãs grandes como esse, nem mesmo com o pedido de Rael.

                Rael chegou na residência com as esposas e foi recebido por Neide:

― Genro, Natalia, filha… Até que em fim vocês chegaram! Eu pensei que íamos jantar sem vocês. ― disse ela e correu os olhos desconfiada por Natalia e sua filha.

― Mãe, onde você está linda? ― disse Mara por dizer, porque sua mãe estava vestida normalmente. ― Onde está essa tal de Janete? ― Mara foi direto ao ponto, falando em um tom sério logo em seguida.

― Esposa, você não vai fazer um show. Essa mulher é uma simples pessoa e a família dela também. Eu não admito que você crie qualquer tipo de desentendimento com eles. ― disse Rael dessa vez em um tom sério e duro. Ele podia deixar Mara gritar com ele em casa, mas não fora na frente dos outros.

― Eu vou fazer o que eu quiser fazer, e você não vai me segurar. ― ameaçou Mara. Rael partiu com a mão e segurou o braço direito de Mara com força. Rael sabia que ela agüentava.

― Você não vai fazer nada que me faça passar vergonha, e nem assustá-los. Mara, eles são gente simples e qualquer coisa que você disser vai deixá-los apavorados. ― disse Rael sem soltar Mara.

― Marido, você não manda em mim e é melhor você soltar o meu braço. Você sabe que eu não estou muito bem hoje. ― ameaçou Mara, que estava se preparando para fazer um show. Rael gostava dela mas tudo tinha um limite e ele estava mesmo tentando resolver aquilo numa boa, mas Mara estava dificultando muito a vida dele.

― Esposa, você quer mesmo me deixar chateado com você? ― perguntou Rael ficando sério. Era um tom natural e firme sem qualquer ameaça. Mara ia se preparar para rebater aquilo mas percebeu que Rael tinha falado diferente, ela sentiu as palavras dele balançarem o coração dela. E a expressão de Rael naquele instante carregava um olhar fixo e analisador, como se ele estivesse pensando se a relação entre eles estava mesmo valendo a pena.

                Mara que à pouco sentia a raiva subir, vacilou. Seu coração ficou quente novamente e ela se perdeu um pouco em seus planos. Ela amava Rael e fazia um show por ele, mas ela nunca falava sério sobre separação ou coisa do tipo. Era mais para assustar. Ela poderia viver cem anos, mas não encontraria nenhum homem com coragem como Rael.

― Filha, ele tem razão. ― disse Neide, que interveio assim que percebeu que a situação ficaria pior. Neide também observou a inquietude de Rael e ficou preocupada: ― Essa família tem tanto medo que mal ousam nos olhar diretamente. Eles já estão assustados o suficiente e nós nem fizemos nada, imagine se você fizer. ― Neide tentou pôr juízo em Mara e ao mesmo tempo abrir uma rota de fuga para a filha. Rael ficou extremamente agradecido por aquilo. Ele mesmo soltou o braço de Mara em seguida porque acreditou que com a própria mãe pedindo ela agiria com mais calma.

                Mara olhou da mãe para Rael e depois se virou de lado um pouco emburrada, ela queria mesmo jogar essa mulher contra a parede e perguntar diretamente se ela não tinha mesmo nada com Rael. Ela com certeza teria feito isso na primeira chance. Mesmo tendo dito que acreditava em Rael.

― Está bem, eu entendi. Não serei grosseira. ― disse Mara.

― Obrigado, esposa. ― disse Rael se sentindo extremamente aliviado. Natalia foi a única a ficar quieta na dela. Natalia não criava problemas para Rael.

― Vocês duas estão lindas, mas não precisavam terem vindo vestidas assim. ― disse Neide.

― Mãe, você sempre me ensinou que uma mulher tem que saber muito bem a hora de se esconder ou de parecer. ― disse Mara e se virou de lado. ― Vamos, prima, e vamos, marido! ― Mara estendeu a mão voltando a antiga formação.

                Rael ainda olhou mais uma vez para Mara para saber se ela pretendia mesmo se comportar, até perceber que não tinha como saber, ela estava aparentemente normal.

― Ela vai se comportar sim, pode ficar em paz. ― disse Neide notando a inquietude no olhar de Rael. Mara não achou muito bom a mãe ter dito isso, mas ela não podia fazer nem dizer nada, a não ser seguir em frente. Ela não esquecia as palavras de Rael à pouco e ficou pensando se estava sendo muito dura com ele. Mas no fim ela imaginou que não estava, se mesmo depois de tudo o que conversaram Rael ainda aprontava por trás dela, era porque ela estava sendo era mole demais com ele.

                Os guardas da residência Raleon quando viram Mara ficavam até sem jeito. Muitos deles viram aquela menina crescendo desde pequena, agora ela tinha virado uma mulher tão linda que era impossível não fazer os olhos sorrirem. Rael era tido ali como o cara mais afortunado do clã. Ter logo as duas maiores beldades como suas esposas era definitivamente invejável e admirável.

                Rael entrou na sala de jantar com as duas, uma de cada lado, como Mara queria. Os irmãos de Janete ficaram estagnados diante da beleza delas quando as viram e esqueceram até do medo que estavam tendo. Era impossível não ter a visão ofuscada por aquelas duas, ou mesmo não esquecer coisas importantes.

                Janete e o pai dela também ficaram quase no mesmo patamar. E quem não ficaria? As duas eram como duas deusas, lindas e soberanas.

                Mara ficou satisfeita pelas reações e olhos petrificados sobre ela e Natalia. Enquanto estavam sobre esse efeito, Mara parou calmamente e lançou sua visão em volta até encontrar a única mulher entre eles. Mara ficou atordoada porque mesmo a mulher sendo de uma família sem nome e usando roupas de quinta, ela ainda era bonita e atraente como um todo. Mara e Janete se encaravam, ambas surpresas. Mara irritada por Janete não ser um completo lixo, e Janete admirada com Mara.

Janete, como mulher, sabia que aquelas duas à frente eram várias vezes melhor que ela, e até mesmo na beleza, mesmo que ela não fosse feia.

                Pra quem imagina que essa cena durou poucos segundos, se enganaram. A situação durou quase um minuto. Os irmãos de Janete nunca tiveram a chance de ver mulheres tão bonitas. Se beleza pudesse sugar alma, eles teriam perdidos quantas almas pudessem perder naquele momento. Mesmo estando acostumados com a beleza da irmã, Mara e Natalia bem vestidas estavam em outro nível. Elas duas pareciam até de outro mundo para aqueles mal afortunados.

                Natalia tinha um ar gentil e encantador que fisgava até os mais frágeis corações. Enquanto Mara tinha um ar feroz e uma beleza avassaladora que dominava todo o ambiente.

                Natalia também achou Janete bonita e ficou um pouco admirada, mas nem de longe irritada como Mara.

― Genro, você não vai fazer as apresentações? ― perguntou Neide, que chegou quebrando o gelo. Só naquele momento os irmãos de Janete se lembraram que estavam vivos e que precisavam respirar. Eles disfarçaram olhando para os lados, todos muito sem jeito. Até o próprio pai de Janete tinha perdido o rumo de casa naquele momento.

                Janete abaixou a visão se sentindo inferior, ela imaginou sim que Rael teria duas belas esposas, mas nunca pensou que as mesmas pudessem ser tão lindas. Se Janete visse Violeta, ou até mesmo Rose, com certeza se sentiria ainda pior.

                Mara não ficou muito a vontade depois de conferir sua rival. Ela achou que ganharia de dez a zero, mas se surpreendeu. Mesmo Mara sendo mais bonita, na própria cabeça, Mara não pensava assim. As mulheres sempre achavam a outra mais bonita que elas, ainda mais se estivessem com ciúmes.

                Natalia, por outro lado, não ligava para esse fato. Ela manteve um sorriso gentil e se deixou ser bem vista. O que facilmente atraiu mais olhares. Se eram amigos de Rael, então Natalia trataria todos com muito respeito.

                Rael logo começou a fazer as apresentações.

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Capitulo semanal liberado hoje. Aproveitem a leitura.




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