O Herdeiro do Mundo

141 - Uma Esposa Furiosa

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Mara andava na sala de um lado a outro com os braços cruzados aguardando Rael chegar. Ela não parava de pensar na possibilidade dessa mulher ser bonita e Rael ter algo com ela. Na mente dela, Rael era como um rei brilhante em uma montanha rodeada de mulheres, que ficavam lançando suas presas na direção dele.

                Natalia também soube do que ocorreu e estava sentada no sofá vendo Mara de um lado a outro. Natalia tinha ciúmes, qual mulher não teria? Mas ela não era tão estressada quanto Mara, e por isso estava bem mais calma conseguindo permanecer quieta e sentada.

― Você não ouse pegar leve, prima! Nosso marido não é alguém comum, ele não merece tratamento especial e você vai me ajudar! Já chega de tolerar essas dezenas de mulheres! ― disse Mara olhando firme para Natalia.

― Prima, tenha calma, ele pode nem ter nada com essa mulher. Você está se precipitando. ― disse Natalia na sua inocência. Mesmo com ciúmes, ela acreditava em Rael e não pensava que poderia ser traída por ele. Pelo menos não com qualquer uma.

― Você é muito ingênua para acreditar nisso. Só porque teve toda aquela história com ele agora você vai se deixar ser feita de boba. ― disse Mara irritada com o jeito fraco de Natalia. Mara continuava não tolerando aquele jeito manso da prima.

― Ele me salvou de tudo, ele é especial para mim. Mesmo que ele tenha me traído, eu ainda não vou consegui ficar com raiva. ― disse Natalia enfrentando Mara.

― Você não o ama? Ou só está com ele por achar que é sua obrigação? ― perguntou Mara que estava quase cuspindo fogo. Ela agora estava parada enfrentando o olhar de Natalia.

― Eu o amo sim! Eu o amo muito! Mas vou entender se ele também se interessar por outras mulheres. ― disse Natalia de volta.

― E aquela conversa que tivemos de números, você já esqueceu? Um dia conosco, os outros vinte nove com outras esposas. É isso o que você quer? ― perguntou Mara quase friamente. Mara odiava o jeito mole de Natalia, ela nunca se conformava com isso.

― Eu sei, mas não posso fazer nada sobre isso. ― disse Natalia.

― Não pode? Como não? Lute! Diga que você precisa dele! Diga que você o quer em casa! Diga que você quer seu amor! Droga, Natalia! ― Mara xingou se virando.

― Mas ele sabe disso… ― disse Natalia.

                Natalia nunca esqueceu aqueles três dias com Rael. Ela tinha pavor de sexo assim como qualquer coisa do tipo anteriormente, mas depois daqueles dias ela agora adorava e só em pensar em Rael ela já ficava toda quente e molhada (literalmente). Nesse ponto, Mara tinha razão.

― O ponto aqui é que parece que só eu luto pelos nossos interesses, sendo que ele sempre ouve você muito mais do que a mim. Quando ele voltou depois de quase morrer, você não fez nada. O aceitou de braços abertos, e provavelmente vai fazer o mesmo agora. ― reclamou Mara.

―Mas eu não posso ter raiva dele prima, eu não consigo. ― disse Natalia.

― Se não tem, finja que tem! Chega de bancar a boazinha, você não é mais uma criança! Uma hora nosso marido morre por fazer as merdas dele sem pensar, e quem pagará seremos nós, que ficaremos aqui sozinhas. Tudo porque você não lutou comigo. ― disse Mara. Isso Natalia conseguiu entender. Nesse ponto de perder Rael as duas pensavam parecidas.

― Isso não pode acontecer! ― disse Natalia.

― Então me ajude! ― disse Mara parando do lado dela. ― Seja no ciúme ou nas coisas que ele faz sem nos avisar. Me ajude, porque juntas iremos deixá-lo sem saída.

                Quando Natalia ia responder, a porta se abriu, com a imagem de Rael:

― Olá, Mara! Olá, Natalia! ― disse Rael entrando com um sorriso estampado na cara, tentando fazer parecer que estava tudo certo.

                Mara não disse nada. Ela descruzou os braços e avançou alguns passos de encontro a Rael com uma expressão fechada. Rael nem teve tempo de se defender quando Mara chegou avançando com o nariz sobre ele, cheirando suas roupas. Para Rael que nunca passou por tal situação, ele jamais esperou que Mara tomasse essa atitude.

― Seu cafajeste! ― Mara rugiu e empurrou Rael contra a porta, que quase caiu atrapalhado.

― Esposa, qual é o seu problema…? ― defendeu-se Rael, que ainda não fazia ideia do porquê Mara estar tão furiosa.

― O cheiro dessa sua conhecida está todo na sua roupa e no seu rosto! ― disse Mara friamente. Ela estava furiosa e os olhos dela brilhavam como chamas.

― Ah! Sobre isso… ― quando a ficha caiu, Rael se sentiu gelado. Ele nunca pensou que Mara descobriria sua traição através do cheiro, que vacilo! ― Eu a trouxe nos braços até a cidade, e por isso estou com o cheiro dela. ― se explicou Rael.

                Natalia tinha se levantado para cumprimentar Rael, mas agora estava em silêncio, olhando sua prima tomar a frente e, ao mesmo tempo, pensando que talvez seria bom ela aprender algo também com tudo aquilo:

― Como assim, nos braços? Então você admite que nos traiu? ― perguntou Mara.

― Espera, não! Eu só a trouxe nos braços até a cidade pra ser mais rápido. Mara, ela ainda é uma simples cultivadora no terceiro reino.

― E porque não deixou os guardas trazerem-na? Eles não estavam lá com a mamãe na hora?

― Eles vieram na frente com sua mãe. ― explicou Rael ficando roxo.

― Então, você ficou sozinho com ela e a segurou nos braços. Me diga se isso não foi traição, porque se não for, eu não sei mais o que é! ― disse Mara.

― Foi apenas para conversar, Mara. Eu só queria conversar com ela, nada mais. Quando conversamos, eu a peguei no colo e a levei até a cidade, onde nos encontramos com o resto da família dela. Pouco depois, você entrou em contato comigo…

― Só conversar?! Você não tem vergonha na cara de ter minha prima e eu como esposas e nos trair descaradamente? Essa mulher é mais bonita do que eu? Ou por acaso, mais bonita que ela? ― Mara abriu espaço para Rael ver Natalia em pé por alguns instantes e depois fechou o espaço de novo.

― É claro que ela não é mais bonita que vocês duas. Você está exagerando, Mara, ela e eu não temos nada. ― repetiu Rael.

― Nada? E porque o cheiro dela está até no teu rosto? A conversa entre vocês envolveu abraços e beijos também? ― perguntou Mara.

― Ela me deu um beijo no rosto, agradecendo por eu tê-la salv…

― Um beijo de agradecimento? Sei muito bem que beijo foi esse. Admita que me traiu que fica mais bonito do que essas suas desculpinhas de merda! ― disse Mara firme, cruzou os braços de novo e começou a bater o pé.

― Porque você não pode ser um pouco parecida com Natalia, que está ali quietinha? Tenho certeza que tudo seria bem melhor! ― disse Rael.

― Rael, fale a verdade: Você nos traiu mesmo? ― perguntou Natalia em um tom mais calmo. Diferente de Mara que exalava ódio e fúria, Natalia ainda tinha aquela paz na voz, e isso era um consolo para Rael, que não sabia mais para onde correr.

― É claro que eu não trairia vocês duas, como eu poderia? ― Rael mentiu enquanto se fazia de vítima. Ele nunca pensou que mentiria tão rapidamente para Natalia. Mas como ele poderia dizer a verdade? Ele não queria correr o risco de perder Mara. Ela era chata, violenta, ciumenta, exigente dentre muitas outras coisas, mas Rael a amava desse jeito.

― Está mentindo! ― disse Mara ainda batendo o pé.

― Vamos dar uma chance para ele, prima. Talvez ele não esteja mentindo. ― disse Natalia com mais calma. Mara bufou olhando ela de lado. Ela desprezava Natalia, ainda mais agora com ela tentando aliviar o lado de Rael, sendo que as duas tinham acabado de conversar sobre isso.

― Que bom que vocês acreditam em mim. Como marido, já estava preocupado que minhas esposas não estariam me ouvindo mais. ― disse Rael tentando se recompor.

― Marido, eu ainda não perguntei: Qual é mesmo o nome dessa mulher? ― perguntou Mara se lembrando que de todos os detalhes, aquele ela ainda não tinha perguntado.

― Ah, o nome dela é Janete… ― disse Rael na maior inocência. Os olhos de Mara ficaram mais frios do que poderia ser possível. Ela se lembrou que Rael teve um caso com ela, e Rael só foi lembrar desse detalhe de ter contado a Mara agora, vendo a fera quase explodir.

― … Oh, não…! ― Rael pensou muito rápido. Ele partiu para cima de Mara como um fleche e abraçou-a, empurrando contra a parede com toda a força que tinha, porque, pela expressão dela, o vulcão estava prestes a explodir:

― Me solta! Me solta, marido! Me solta, seu traidor descarado! Você não tem vergonha na cara! Me solta agora!Eu tô mandando, me solta!!! ― Mara rugia tentando empurrar Rael. Eram dois sétimos reinos se enfrentando. Rael apertava os braços dela e a forçava contra seu próprio peito. Ele sabia que se não fizesse aquilo imediatamente, ela com certeza iria espancá-lo.

                Os móveis próximos se tremiam enquanto Mara liberava aura tentando se soltar de Rael. Rael também liberava sua aura dourada para conter Mara, porque só sua força bruta não seria suficiente. Mara e Natalia não paravam de avançar rapidamente de níveis.

                O chão, as paredes, a casa inteira tremia pelo poder dos dois. Se a casa não estivesse protegida pelo poder especial da barreira, as paredes com certeza teriam voado agora por causa de Rael e Mara:

― Eu vou matar você e esta mulher! Eu vou matar vocês dois! Você não tem o direito de me trair dessa maneira! Me solta agora! ― Mara rugia em um estado quase fora de si. Rael continuava firme, a apertando contra o peito e a pressionando contra a parede. Ele podia sentir o coração dela disparado contra seu peito. Ela realmente não estava fingindo, ela estava muito zangada, muito mesmo.

                Natalia ficou parada boquiaberta, porque ela não entendeu o que ocorreu. A história de Janete não tinha sido passada a Natalia, só mesmo a Mara.

― Mara, já chega. Eu não fiquei com essa mulher, eu juro! ― Rael dizia no ouvido dela.

― Se não tem nada a temer me solta! Eu não vou perdoá-lo nunca! ― Mara gritava em um estado furioso.

                Os vizinhos já estavam todos de janelas abertas, olhando a residência Raymonde. Pessoas que passavam na hora estavam parados próximos as ruas e conversando sobre isso. O grito histérico de Mara podia ser ouvido a vários metros de distância.

                Rael se arrependeu de ter dito a verdade sobre Janete a Mara, mas agora não era hora de pensar nisso. Ele não tinha como acalmar Mara tão facilmente. E ele se sentiu angustiado por ver sua esposa daquela forma. Até ele sentiu seu próprio coração apertado. E não era só ele. Natalia, que a pouco tinha defendido Rael, agora estava dividida depois de ver essa cena. Ela também gostava de Mara, as duas agora estavam se dando muito bem, mesmo que não se concordassem em tudo.

― Esposa, eu juro, eu não pretendo ter nada com ela, nem me casarei, nem a terei com concubina. eu estou dando minha palavra a você. ― disse Rael.

                Mara tinha desistido de tentar se libertar de Rael e estava cansada respirando com dificuldade. Toda vez era assim. Rael sempre fazia essas coisas.

― Apenas me solta. ― pediu ela.

― Você já está calma? ― perguntou Rael. Para que fazer essa pergunta, logo agora:

― Calma! Como posso me acalmar se não consigo nem te dar a surra que você merece! Seu cachorro! ― Mara rugiu de novo, mas não tentou lutar. Rael era muito mais forte que ela: ― Natalia, me ajude aqui! ― Mara, não vendo outro jeito, recorreu a prima.

― Vocês dois estão me deixando envergonhada. Todas as pessoas tão olhando para esse lado. ― disse Natalia sem jeito perto deles. Ela tinha ido e olhado pela brecha da porta, ela viu várias pessoas olhando na direção da casa.

― Tá vendo, meu amor. Isso é culpa sua. ― disse Rael se fazendo de vitima.

― Minha…!Você é muito cara de pau! ― disse Mara indignada.

― Você não consegue controlar essa raiva, parece que vive cuspindo ódio contra mim. ― defendeu-se Rael.

― Você faz por merecer! Se fosse um homem justo e direito, eu não levantaria a voz pra você! ― disse Mara cada vez mais indignada. Rael pensou um pouco antes de voltar a falar.

― Quer saber porque eu fiquei sozinho com ela? Foi para conversar e fazê-la entender que não podemos ficar juntos. Eu disse a ela que tinha duas lindas esposas, e que meu lance com ela foi apenas por curiosidade. Mara, meu amor, você sabe que eu não tenho olhos para outras mulheres, só pra você e Natalia. Eu não poderia ficar com ela, e você sabe disso. Não se lembra o que aconteceu com a última família minha? Eu não posso mais envolver essas pessoas inocentes em meus meios. ― Rael tentou achar uma saída que, de certa maneira, era verdade. Isso funcionou um pouco, porque o coração de Mara deu uma desacelerada, que foi percebido por Rael.

― Por isso eu pedi para eles viessem na frente. Eu conversei com ela e concordamos que não podíamos ficar juntos. Ela mesma entendeu, disse que não tinha nome, não tinha status e que não poderia ficar comigo. Mara, eu juro que foi apenas isso. O cheiro dela está em mim pelo beijo no rosto e por eu trazê-la no colo.

― Você jura por sua vida que isso é verdade? Me dá sua palavra como homem que não está mentindo? ― perguntou Mara sem lutar. Após ela ouvir isso, ela pensou mesmo na possibilidade de ser verdade, porque isso se encaixou com os fatos da conversa.

― É claro que eu juro. ― disse Rael sem pensar nem meia vez. Ele preferia mentir do que perder essa mulher.

― Agora me solta. ― pediu ela mais calma.

                Rael lentamente foi removendo os braços dela. Mara ficou parada encarando Rael:

― Você me deu a sua palavra que não me traiu com ela. Eu vou acreditar em você. ― disse ela olhando bem no fundo dos olhos de Rael. Mara era uma mulher forte e de palavra, se Rael deu a sua palavra, ela acreditaria. Mas Rael sabia que se ela descobrisse seria o fim. Aquilo encheu Rael de medo, porque mesmo que Mara o amasse, ela tinha seu próprio jeito duro e ele não duvidou nem um pouco que ela poderia mesmo se separar dele.

― Pode acreditar. ― disse Rael com um sorriso amarelo. Mas por dentro ele se tremia. Ele quase desejou voltar no tempo e desfazer todas as suas conversas com Janete.

― E onde está essa família que você ajudou?

― Eu ia dizer para vocês duas virem comigo. Eles estão na casa de sua mãe e vão passar a noite lá. Eu queria que nós jantássemos lá com todos, apenas para conversar mesmo. Amanhã vou mandar todos eles para a cidade Pico Azul. ― explicou Rael.

― Então, essa Janete está na casa da minha mãe? ― perguntou Mara formando um sorriso frio que foi pego por Rael.

― Mara, eu disse que nós não temos nada, só iremos lá jantar e nada mais. Você não vai brigar com essa mulher. ― acrescentou Rael com um certo medo.

― Brigar com ela? Por um acaso eu disse isso? Bom, vou me arrumar. ― disse Mara saindo de lado.

― Se arrumar? Mara, você está ótima, vocês duas estão! ― disse Rael olhando dela para Natalia, que estava ao lado dele.

― Natalia, vamos nos vestir melhor! Venha! ― Mara parou e chamou a prima que, mesmo um pouco confusa, a seguiu.

― Meninas, é só um jantar na casa de Neide… ― disse Rael enquanto via as duas subindo as escadas. Rael não entendeu porque Mara e Natalia teriam que se arrumar melhor.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Douglas Parreira

E

Isaac Junior




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