O Herdeiro do Mundo

140 - A Família de Janete

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Mesmo que Rael não cumprisse a palavra de salvar suas irmãs ou sua mãe, Rael já tinha feito o bastante para Janete nunca ter como agradecer o suficiente. Janete estava emocionada de novo, Rael fazia tanto por ela e ela não tinha como fazer nada em troca. Rael não era mais um simples jovem desesperado por um corpo nu, agora ele era mais evoluído na cabeça e em todos os assuntos envolvendo sexo, essa não poderia mais ser uma forma de agradecimento por qualquer ajuda dele. Ter relações com Rael agora era, na verdade, era um desejo da própria Janete. Ela se sentiu deprimida quando pensou sobre isso.

― O que foi, Janete? Não quer que eu salve sua família? ― perguntou Rael, notando a confusão no olhar da mesma.

― Como eu irei te agradecer por qualquer coisa que fizer por mim? Eu não tenho como, eu não tenho nada… ― disse ela.

― E eu estou pedindo seu agradecimento? Bom, nós somos amigos, então acho que já está bom assim. ― disse Rael. Ele poderia tê-la chamado de amante, mas preferiu não fazer isso por causa da promessa que fez ela fazer.

― Amigos… ― disse ela baixinho em um tom deprimido. Rael ouviu mas não disse nada, voltou a olhar para frente.

― Eu vou esperar você salvá-las. ― disse Janete, surpreendendo Rael: ― E se você não salvar também não tem problema. De um modo geral, eu nunca vou conseguir agradecer a tudo que tem feito por mim. Se precisar usar minha vida em qualquer coisa algum dia, você pode me dizer e eu o farei! ― disse ela firmemente. Rael olhou de lado e encarou aquele forte olhar.

― Você já ouviu meu pedido, tome aquele pedido como uma forma de você me agradecer. ― disse Rael. Janete vacilou olhando para o chão enquanto seu coração entrava em desordem. Ela foi sincera quando prometeu a Rael, mas ela não poderia pensar em qualquer outro homem, isso era impossível para ela.

― Acho que já conversamos o suficiente, vou levar você nos braços para a gente chegar mais rápido. Vou avisar que comeremos na residência da minha sogra, e lá te apresento minhas esposas e todo o resto. ― explicou Rael se virando para ela e os dois pararam.

― A partir de agora eu serei somente uma conhecida… ― disse Janete.

― Sim, exatamente. ― confirmou Rael. Janete deu um passo a frente e agarrou Rael de novo. Ela o beijou com força, na tentativa de guardar aquele beijo em seu coração. Os saborosos lábios dela apertaram os de Rael com vontade e mais um beijo quente fora começado. Rael não se importou em se deliciar naquela boca, ainda mais que aquela boca parecia querer devorar a sua. Janete o beijou o mais intensamente que conseguiu e agarrou Rael com tanto desejo que, se eles estivessem em algum lugar privado, Rael não teria resistido. O que segurava Rael para resistir a tentação de ficar com essa mulher ali mesmo era Rita e seus pais, a perda ainda estava ali e enfraquecia o desejo de querer sentir algo maior.

― Janete… ― Rael tentou parar o beijo, abrindo levemente os olhos, mas ela não queria, a mulher apertava Rael com mais intensidade. Ela ficou pensando que depois não poderia mais ter aquilo de Rael e por isso queria ter o maior tempo possível.

― Só mais um pouco… ― pediu ela fazendo uma pausa enquanto abria os olhos, fechou e voltou a beijar. Rael fez o mesmo. No fim, depois de uns três minutos de beijos, ela soltou Rael e ficou abraçada com ele sem querer se mexer. Rael se deixou e ficou parado, ele sentia o coração dela batendo forte.

                Janete estava triste, ela queria tanto Rael e não poderia ficar com ele, pelo menos, não abertamente. As poucas vezes que poderia, teriam que ser bem aproveitadas e guardadas no fundo de suas memórias.

― Janete, precisamos ir… ― disse Rael uns dois minutos depois de abraçados.

― Só mais um pouco…Depois que a gente chegar na cidade não podemos mais fazer isso. ― disse ela, que soltou Rael lentamente e já o beijou novamente. Rael pedia para ir, mas não lutava contra a mulher. Ele sentiu que ela realmente gostava dele.

― Pronto, pode me levar. ― disse ela saindo de lado, soltando Rael de repente.

― Certo… ― disse Rael se aproximando. A mulher se virou de repente, agarrou Rael de novo e deu outro beijo:

 ― Desculpe, agora pode. ― disse ela com um pouco de vergonha.

― Tudo bem então… ― disse Rael e só depois conseguiu pegar a mulher nos braços.

Zuuuuuup!

Como um fleche, Rael cruzou os campos na direção da cidade, levando Janete sobre os braços.

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Na frente do prédio da base dos guardiões imperiais, onde Rael prometeu se encontrar, o pai e todos os irmãos já estavam aguardando. Quando Rael baixou Janete a deixando no chão diante deles, os irmãos a cercaram como se ela fosse uma rainha. Os irmãos choraram emocionados abraçando a irmã, que chorou junto. Eles não estavam se importando de fazer aquilo no meio da rua, mesmo diante de vários curiosos que passavam olhando.

                Malcon Alencar estava ao lado de mãos para trás, feliz por ver sua garotinha de volta. Como pai e homem principal daquela família, ele estava triste por não ter podido fazer muito. Ele olhava Rael com admiração e agradecimento.

― Você não é mais escrava, irmã! Você não é mais escrava! ― Eduardo gritava animado na roda. Todos os irmãos gritavam. Um dos guardas imperiais estava se irritando com aquele chamego próximo a entrada, ele pensou em se aproximar e fazer uma reclamação com os mesmos, mas reconheceu Rael e na mesma hora se segurou. O guarda não ousaria levantar qualquer reclamação com pessoas próximas a Rael.

― Samuel, obrigado mais uma vez! ― disse Malcon após alguns segundos. Ele não chegou a ver a marca da escravidão no pescoço da filha, mas, se Eduardo tinha dito, é porque ela já tinha virado, e mesmo assim Rael a salvou.

― Tudo bem, senhor Alencar. Eu tenho um pedido, e vou precisar da ajuda de vocês. ― disse Rael se virando para o homem.

― O que precisar, faremos! Qualquer coisa! ― disse o homem na mesma hora.

― Eu perdi algumas pessoas recentemente e queria alguém para construir alguns túmulos. Você poderia reunir sua família e passar a noite no meu clã hoje? Amanhã eu explicaria os detalhes, e também de outros pedidos que também tenho. ― disse Rael tentando parecer bem casual.

― No seu clã? Samuel, nós não queremos incomodar. ― disse Malcon rapidamente.

― O senhor vai recusar o meu pedido? ― perguntou Rael, fazendo uma expressão surpresa.

― De forma nenhuma, senhor Samuel… Entenda, nós estamos numa pousada, e não queremos incomodar o senhor. Amanhã poderemos nos reunir em frente ao portão e falarmos sobre o seu pedido ― explicou Malcon.

― Não, eu quero que façam exatamente da forma que estou pedindo. Acerte suas contas na pousada e venha comigo, se não fizer isso irei ficar muito ofendido. ― disse Rael ficando bem sério.

― Isso… Isso é… ― o homem não sabia o que responder Rael.

― Pai, faça como ele pede. ― disse Janete se aproximando. Ela ia conversar com o pai e os irmãos a respeito de sua situação com Rael. Eles não podiam deixar ninguém descobrir que teriam algo e tinham que parecer apenas conhecidos.

                Assim ficou combinado. Com a maneira de Rael pedir ninguém pôde recusar. Rael chamou uma carruagem e esperou na frente da pousada, enquanto eles subiam e acertavam os últimos detalhes. Enquanto esperava, Rael pensou em falar com Neide a respeito do que ia fazer, ele iria pedir para ela fazer um jantar e explicaria a situação. Os mesmos passariam uma noite na casa dela. Mas quando tentou entrar em contato o anel tremeu, indicando que a mesma já falava com alguém.

                Após cerca de um minuto, a voz de Mara chama:

― ‘Samuel! Que história é essa de você salvar uma mulher?’ ― perguntou Mara na cabeça de Rael. Rael já se sentiu congelar por dentro enquanto levantava a mão trêmula do anel. Ele e Mara ainda não estavam completamente resolvidos, e Neide provavelmente tinha contado a ela o que aconteceu.

― Esposa, tenha calma. Eu vou explicar tudo direitinho depois. ― disse Rael tentando parecer natural. Mas por dentro o coração já palpitava. Ele nunca pensou que algum dia seria tão difícil falar com alguém, como estava sendo agora:

― ‘Explicar direitinho? Eu quero saber tudo! Você saiu daqui dizendo que ajudaria um amigo que recebeu falsas acusações, e agora minha mãe me conta que você salvou uma mulher? Marido, você ousa me trair?!’ ― bufou Mara do outro lado.

― Esposa, tenha calma. Não faça uma tempestade em vão. Eles foram acusados sim injustamente, e a filha do homem foi feita de escrava. Eu fui salvá-la, e agora estão todos comigo. Eles são pessoas que conheci tempos atrás, são todos apenas conhecidos. ― disse Rael.

― ‘Conhecidos? E porque quando perguntei se a mulher era bonita minha mãe não respondeu? Marido, eu tô falando sério… Se você tiver me traindo eu mato você, e não me interessa a mestra que tenha por trás! Uma coisa é eu ser obrigada a aceitar Rose, violadoras, a outra é qualquer outras por aí… Você não ouse me provocar!’ ― a voz de Mara parecia tão fria que Rael ficou tenso. O coração de Rael disparou no peito, se lembrando dos beijos com Janete.

― Meu amor, você sabe que eu não teria tanta coragem…

― ‘Como assim, “meu amor”? Desde quando você me chama desse modo? Por acaso está me escondendo algo? E,coragem? Quem disse que você não tem? Marido, não tente me fazer de boba…!’

― Esposa, você está muito brava!Vamos conversar melhor quando eu chegar. Não vamos esquecer que eu perdi pessoas nesses dias… ― disse Rael para tentar acalmar um pouco a fera.

― ‘Você perdeu pessoas, mas não o seu pau! Não tente me fazer de boba! Rael, eu estou falando sério… Você não ouse me trair!’ ― Disse Mara. Quando ela falava assim o nome dele, ele ficava até desnorteado.

― Eu preciso falar com sua mãe agora, depois conversamos. Eu vou voltar pra casa e a família que ajudei virá comigo. Eles passarão a noite na casa da sua mãe e amanhã vou ajudá-los a ter um rumo. ― disse Rael.

― ‘Eu espero que esteja somente os ajudando e nada mais! Eu espero mesmo!’ ― disse Mara, e logo em seguida, ela mesma cortou o chamado. Rael ficou com uma expressão pensativa e temerosa. Ele nunca havia pensado que Mara chegar perto de descobrir sobre a relação dele com alguém poderia ser tão complicada.

                Depois disso, Rael ativou um chamado com Neide, que o atendeu normalmente.

― ‘Genro, que surpresa. O que você quer agora?’

― O que você disse para sua filha? Ela me chamou furiosa agora a pouco. ― disse Rael.

― ‘Eu só disse a verdade e nada mais. A propósito, quem são eles? Você não me contou muita coisa.’ ― disse a mesma.

― Eu os conheci assim que Violeta me deixou conhecer o mundo. Eles passaram por coisas horríveis e eu não quero mais deixá-los sofrer. Vou ajudá-los e mandá-los para a cidade Pico Azul. Lá, eu arrumarei trabalho para que eles fiquem bem. ― disse Rael.

― ‘Genro, sobre isso, você precisará de mais guardas, se for ficar mandando pessoas para aquele local. Você dominou a cidade e tomou os direitos, mas você tem certeza que todas as pessoas vão sempre concordar? Tome cuidado sobre isso’ ― disse Neide.

― Você está certa. ― concordou Rael depois de um rápido pensamento: ― Poderia mandar mais alguns homens para mim? ― perguntou Rael.

― ‘Sim, mandarei. Eu mandarei também uma nota pelos valores dos mesmos. Eles irão trabalhar pra aquela cidade, nesse caso, a matriarca deve poder pagar sem problemas’ ― disse Neide.

― Sim, pode fazer isso. Prepare o jantar que eu levarei essa família comigo, eles passarão essa noite na sua casa. ― disse Rael de novo.

― ‘O genro não está mais me pedindo, está mandando. Me diga, quando começará a me chamar de mãe? Se já está me tratando assim, então deve estar bem perto de me chamar de mãe.’ ― observou Neide.

― Não começa… ― disse Rael.

― ‘Genro, sobre aquela mulher, Janete… Você não está mesmo mentindo para mim? Eu sou mulher e conheço muito bem o olhar dela sobre você. Se estiver mentindo e não me disser a verdade eu vou ficar muito chateada sobre isso.’ ― disse Neide.

                Neide e Rael tinham já um tratamento bem próximo. Rael já confiava nessa mulher como uma mãe, por isso era tão difícil querer enganá-la.

― Ela não é apenas uma conhecida Neide, estou tentando mudar isso, mas não estou conseguindo. Nós resolvemos que seríamos apenas conhecidos, e é assim que espero que minhas esposas possam acreditar. ― disse Rael preocupado.

― ‘Genro, você não conhece sua própria esposa. Só posso te desejar boa sorte.’ ― disse Neide e encerrou o chamado antes que Rael pudesse dizer qualquer coisa. Rael ficou ali parado, ainda com a mão do anel levantada, pensando, sem esquecer que Mara já estava brava.

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No quarto da pousada, antes de descerem, Janete mentiu dizendo que ela e Rael não poderiam ter mais nada, então todos pensaram que os dois não estavam mais juntos e ficaram tristes pela irmã, até seu pai acreditou. Rael era agora um importante homem da família Torres e Janete era uma coitada de uma família sem nome, então eles facilmente acreditaram em tudo que ela contou.

Quinze minutos depois, todos estavam deixando a pousada enquanto se dirigiam na carruagem que corria pelas ruas. Dentro da carruagem cada um estava em seu local separado a chegada, obviamente Rael e Janete estavam bem afastados um do outro. Para tudo funcionar melhor, sua família tinha que pensar que eles não tinham mais nada.

                Rael foi explicando o que tinha em mente para eles durante o caminho e todos foram ouvindo. Eles não estavam muitos calmos por estarem indo a um território de uma grande família, mas por estarem com Rael e ser um pedido do mesmo, estavam conseguindo se conter.

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Já no clã, os portões foram abertos e a carruagem entrou. Os cinco irmãos de Janete olhavam empolgados e ao mesmo tempo receosos pelas janelas enquanto a carruagem seguia. Janete apertava as mãos no colo já pensando em como ela ficaria na frente das esposas de Rael. Ela teria que ter um extremo cuidado para não deixá-las perceberem qualquer coisa.

                A carruagem parou em frente a residência Raleon. Neide saiu para receber os convidados que tinham ares de admiração e ao mesmo tempo de medo. Quando viram Neide e souberam quem ela era, eles até se tremiam.

― Genro, eu cuido deles. Vá em casa falar com suas esposas e as traga para conhecê-los, tudo bem? ― perguntou Neide de canto para Rael.

― Estou indo. ― disse Rael respirando com calma.

                Rael explicou para a família de Janete que voltaria rápido e que os mesmo ouvissem Neide. Depois ele saiu apressado na direção de sua casa.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann

E

Isaac Junior

 
 



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