O Herdeiro do Mundo

138 - Desfechos

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Quando Janete ouviu aquilo ela se encheu de felicidade. Mas ela não queria só voltar para sua família, ela queria ficar com Rael. Por isso, ela fez uma expressão um pouco triste.

― O que foi, Janete? ― perguntou Rael que percebeu facilmente a expressão dela.

― Você vai me deixar de novo? Como da outra vez? Me salvou e vai partir? ― perguntou ela um pouco angustiada.

― Vamos conversar sobre isso depois com mais calma. Por enquanto, eu quero que você se sente na cama. Eu vou fazer uma coisa e você precisa prender a respiração por um tempo.

― O que vai fazer? ― perguntou ela, obedecendo a ordem enquanto se sentava na frente de Rael.

― Vou remover a marca da escravidão. ― disse Rael.

― Pode mesmo fazer isso sozinho? Eles usaram sete senhores para implantar a marca em mim, como você sozinho pode remover? ― perguntou Janete espantada.

― Eu apenas posso. Vamos começar? ― perguntou Rael já se ajeitando em frente a Janete. Ela não duvidava de Rael, só ficou impressionada com o quanto ele cresceu.

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O mesmo processo foi feito em Janete, que tinha o fôlego bem melhor e sofreu muito menos. Ela nem ficou desesperada por ar quando Rael terminou, ele até conseguiu fazer em menos tempo. Quando terminou a tatuagem no pescoço dela sumiu completamente. Ela ficou de pé se olhando no espelho da parede do quarto.

― Eu não sou mais uma escrava…! ― disse Janete lentamente passando os dedos em seu belo pescoço. Janete estava muito aliviada por ter se livrado daquela coisa, e tudo isso graças a Rael. Foi só ele aparecer e o dia dela foi salvo novamente.

― Não, você não é… ― disse Rael chegando por trás dela, a cobrindo com um sobretudo que ele tinha acabado de tirar do bracelete. Janete sorriu e novas lágrimas rolaram em seus olhos já um pouco vermelhos. Ela segurou o sobretudo e terminou de se cobrir emocionada. Isso confirmou que agora ela não estava mais seguindo nenhuma ordem.

― Eu vou sair e esperar você se vestir lá fora, tudo bem? ― perguntou Rael.

― De você eu não tenho vergonha. ― disse ela antes de Rael se virar: ― Na minha cabeça eu ainda sou sua, somente sua. Você não precisa sair. ― disse ela. Rael ficou em silêncio por um tempo, pensando no que seria sensato fazer ou responder. Janete tinha passado por tanta coisa e ainda não estava bem. Ela também demonstrava tanto afeto por ele que era difícil não notar. Rael ficou tocado e não conseguiu fazer nada, a não ser o que veio a seguir:

― Bom, então vista-se porque eu vou terminar de fazer algumas coisas aqui e logo depois vamos partir. ― disse Rael, se sentando na cama e levando a mão esquerda para perto da boca, já acionando o anel de comunicação: ― Ativar: Neide. ― disse Rael e esperou.

― ‘Genro?! Que surpresa ver você me chamando. Precisa de algo?’ ― perguntou a voz de Neide na cabeça de Rael, alguns instantes depois. Rael manteve o anel próximo a boca e prosseguiu.

― Eu tive alguns problemas salvando uma conhecida. Estou com um homem que fez uma armação contra a família dessa pessoa, e preciso de sua ajuda. O homem se diz amigo do imperador, e eu quebrei as duas pernas dele. Estou a um passo de provar tudo de errado que ele fez. Tem como você me orientar para o próximo passo? ― perguntou Rael e esperou.

                Rael sabia que nesse mundo tinha regras, e quando mexia com gente assim, tinha que agir com cautela. Mesmo que ele quisesse matar o desgraçado em dez mil pedaços agora ele tinha que ter calma. Ainda mais com o plano de Neide em ação.

― ‘Você mal conheceu o imperador e já faz isso? Genro, você é muito ousado uhuhuhu’

― Isso é ruim? ― perguntou Rael de volta. Do lado dele, Janete estava se vestindo e ouvindo toda a conversa. Ela ouviu bem que Rael a chamou de conhecida e já estava ficando preocupada de novo. Mas ela sabia que Rael certamente estava falando com alguém importante, é claro, uma pessoa com o nível dela não poderia ser considerada mais do que uma conhecida para Rael. Uma pessoa importante como Rael só poderia ter um círculo de pessoas grandiosas ou mulheres que fossem realmente dignas dele. Aquele pensamento entristeceu Janete, que voltou a ficar deprimida. Ela não conseguia parar de pensar em todo o azar que tinha, e que ainda estava a ter.

                Quando ela conheceu Rael, ele era curioso e tinha um jeito despreocupado. Ele parecia ser uma pessoa simples, assim como ela, e por isso ela se alegrou com a possibilidade de poder ficar com ele. Agora Rael era alguém importante, tinha uma grande influência na família Torres e, ainda por cima, casado com duas mulheres várias vezes mais bela que ela. Janete era muito bonita, mas se sentia inferior a Mara ou Natalia, sem mencionar sua influência familiar, que era horrível. Ela não podia culpar Rael por chamá-la de “conhecida”. Ela só podia continuar se lamentando de seu miserável destino azarado. Ela podia imaginar que depois que Rael terminasse iria se despedir e partir. Rael de fato não ficaria com ela.

― ‘Não, genro, só me passa o endereço que eu vou levar alguém para resolver isso. Você precisará de alguém do império. Vai mesmo conseguir as provas? Se não for, terá que pedir um favor ao imperador e ficará dívida para com ele.’ ― disse Neide.

― Quem você acha que eu sou? Vou agora mesmo atrás das provas! Anote o endereço, é…

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Quando Rael encerrou o chamado, ele ficou parado, pensativo. Janete já tinha se vestido durante o tempo e estava com roupas. Ela estava usando um vestido amarelo comum, que lhe caia até o joelho.

― Eu já estou pronta. ― disse ela. Mas Rael já tinha se virado, olhando. Janete tinha deixando seu cabelo escuro curto crescer um pouco, ele agora passava levemente do ombro.

― Linda, como sempre… ― elogiou Rael com um sorriso. Janete foi a primeira mulher com quem ele teve um longo beijo ardente, essas coisas ele não esquecia.

― Eu ainda quero tomar um banho para me livrar de algumas coisas nojentas, mas não aqui. ― disse ela se lembrando de Everaldo ter passado a língua na pele dela.

― Por que não? Tome um banho aqui enquanto eu resolvo o resto. Você não é mais escrava no final e eu estarei por perto. ― disse Rael. Janete apertou as mãos um pouco ansiosa e depois, por fim, concordou.

― Eu vou tomar um banho então. Onde você estará? ― perguntou ela.

― Eu estarei logo na porta da fazenda, conseguindo algumas provas. ― disse Rael satisfeito e estendeu um lenço vermelho para Janete: ― quando terminar o banho, cubra o pescoço com isso, não vamos deixar ninguém perceber que sua marca foi removida. ― disse Rael. Janete aceitou o lenço e segurou na mão. Rael percebeu que ela estava sem nada, anéis braceletes, tinham retirado tudo dela.

― Pegue um novo bracelete. ― disse Rael em seguida, já entregando também um novo bracelete do infinito.

― Por que ninguém pode ver a marca removida? ― perguntou ela aceitando o bracelete e já encaixando no pulso.

― Porque não quero que ninguém saiba que sou capaz de fazer isso. ― disse Rael.

― Eu não falarei nada. ― disse ela mesmo sem entender porque Rael queria guardar esse segredo, enquanto armazenava o lenço no novo bracelete em seu pulso direito.

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De volta a sala, Rael encontrou o homem que agora não era mais escravo, o mesmo estava parado no lugar que Rael mandou ele ficar. Assim que viu Rael, ele se virou rapidamente esperando o que Rael diria a ele.

                Rael poderia libertar todos os escravos agora, mas não era sensato fazer isso. Como ele fez com Janete, ele deveria também esconder o fato desse homem. Não seria bom deixar os outros saberem que ele podia mesmo remover a marca da escravidão.

― Qual é seu nome? ― perguntou Rael.

― Me chamo Jaime, jovem mestre. ― disse o homem educadamente.

―Tem família? Alguém para voltar?

― Tenho um filho que mora em uma cidade distante, senhor. Nós trabalhávamos construindo casas, não sei como está agora.

― A quanto tempo não o vê?

― Desde três anos, senhor. ― respondeu o homem em um tom natural.

― Então você ainda pode achá-lo. Vocês trabalhavam construindo casas? Bom, faça o seguinte: ― disse Rael tirando um punhado de moedas de ouro em uma bolsa. ― Pegue esse dinheiro e encontre seu filho. Em seguida, vá até o clã Sarbaros e procure pela matriarca Ana Carolina, eu a deixarei avisada. Ela irá conseguir um lugar para o senhor e seu filho morarem, também irá lhe conseguir trabalho. Não espalhe a ninguém que eu retirei a marca da escravidão do senhor e, pegue essas roupas também. ― disse Rael, jogando um conjunto de roupas azuis para o mesmo, calça e camiseta. Embora fossem folgadas, um cinto resolveria, ele não poderia sair por aí apenas com aquelas roupas de escravo.

― Senhor, isso é muito ouro! ― disse o homem contando as moedas na bolsa. Havia umas cinquenta moedas.

― Você arriscou sua vida me ajudando e teve a coragem de querer ser livre, você merece. Agora vá e não deixe ninguém te ver. Saia pela porta dos fundos. ― disse Rael.

― Obrigado, senhor! Farei tudo como me pediu! ― disse ele e partiu correndo para o fundo. Ele passou ao lado do quarto que Janete deveria estar e a viu parada na porta. Janete ficou ali parada ouvindo a conversa de ambos. Jaime apenas ignorou e continuou avançando para os fundos.

― Tome seu banho Janete, eu ainda tenho muito o que fazer. ― disse Rael havia percebido que ela estava ali, depois ele se dirigiu para a porta. Era hora de conseguir as provas.

                Janete ficou satisfeita e viu que Rael realmente era um homem bom. No passado, ela teve medo que ele talvez fosse ficar estranho por causa das coisas que ele fez, como matar um monte de bandidos, mas no fim, ele virou uma pessoa boa que se preocupava com o próximo, como agora.

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Rael saiu da casa e ficou diante dos homens de novo. Com seu clone olhando, ninguém ousou se mexer.

― Muito bem, eu não estou com muita paciência agora. Vou perguntar uma só vez, e se ninguém responder, vou considerar que todos estavam trabalhando com Everaldo. Quem foi culpado e fez algo que Everaldo pediu, então, é a sua chance de se entregar agora e contar toda a verdade. Se contar agora eu irei poupá-los. Se ficarem quieto, eu vou considerar que ninguém quer viver. Agora, me respondam: Quem aqui sabe sobre o que Everaldo fez?

                Quando Rael fez a pergunta, mais da metade dos homens levantaram as mãos. Everaldo, mesmo naquele estado, ainda cuspiu de ódio.

― Isso é maravilhoso. Você, comece a falar. ― disse Rael satisfeito, achando que teria um pouco mais de trabalho para fazê-los falar. Mas depois do que eles viram Rael fazer com Everaldo, sendo que o mesmo ainda se denominou amigo do imperador, eles com certeza não estariam esperando um tratamento melhor.

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Conseguir a prova foi muito fácil. Os homens deram detalhes e explicaram todo o caso, apontaram até o homem que fez o trabalho sujo de matar os dois, que estava no sétimo reino. O próprio homem confirmou, ele era um dos que haviam levantado as mãos anteriormente. Eles apresentaram os pagamentos de seu chefe e esclareceram todas as coisas.

                Everaldo quis se livrar da esposa porque a mesma estava pensando em divórcio. A mulher não aguentava mais as traições do marido com suas escravas. Everaldo armou tudo para tirar a mulher da jogada, e ainda ganhar Janete em troca.

                Documentos, provas pessoais, tudo foi apresentado e entregue a Rael. Depois do que viram Rael fazer, todos eles sabiam que Rael mataria qualquer um que não fizesse o que ele pedia. Eles não paravam de ver o estado das pernas de seu chefe.

                Janete apareceu minutos depois banhada e com o lenço no pescoço. Ela olhou com nojo para Everaldo e ficou colada ao lado de Rael. Ninguém ousava olhar para ela. Rael fez tudo aquilo para proteger aquela mulher. Eles olharam apenas uma vez para gravar bem aquela mulher e nunca mais esquecê-la, nem em seus sonhos.

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Neide chegou uma hora depois, com alguns homens pessoais e um grupo do império. Entre eles, tinha até um juiz. Tanto os homens de Everaldo como o mesmo se animaram com a aparição deles, mas ao verem Neide e alguns homens do clã Torres, eles fizeram caretas. Rael tinha dito que era do clã Torres e, embora Rael fosse um pouco famoso, poucos tinham ligado os fatos, e os que tinham não podiam conversar entre si com medo de Rael reclamar.

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Conforme as provas apresentadas, várias outras coisas que Everaldo fazia de errado além daquilo, o tornaram mais que culpado. Metade dos homens dele foram presos, e Rael pediu que libertassem todos os escravos como recompensa por ajudar o império a prender um lixo desses. O juiz concordou com os termos sem nenhum problema, embora tenha achado o pedido estranho. Rael poderia pedir uma recompensa muito melhor.

                Everaldo fez um show querendo falar com o imperador, mas como culpado, todos os seus direitos acabaram ali. O juiz ainda disse que as chances dele sofrer pena de morte eram altas.

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Já escurecendo, Rael foi liberado. Ele, Neide, Janete e os guardas que vieram com Neide caminharam se afastando da fazenda, já um pouco longe dos portões. Os guardiões do império e o juiz continuaram na fazenda arrumando os últimos detalhes, enquanto reuniam as provas e prendiam os homens envolvidos, ainda liberariam os poucos que não fizeram parte dos esquemas de Everaldo.

― Que conhecida bonita, genro. ― observou Neide, depois de um bom silêncio correndo os olhos por Janete. Se não fosse pelo fraco cultivo dela, Janete teria certamente se destacado melhor.

― Sim, ela é muito bonita. Eu a conheci um tempo atrás. ― disse Rael. Janete estava caminhando ao lado de Rael, mas sem ousar ficar muito perto. Ela até queria, mas pensou não ser uma boa ideia. Neide parecia ser uma importante mulher do clã Torres. E agora percebeu que Neide era a sogra de Rael… Mas sogra de qual esposa?

― Obrigado por tudo, Neide. Eu vou voltar pra cidade e me reunir com a família dela. Em breve, estarei voltando para casa. ― disse Rael, parando de repente.

― Não vai querer uma carona? ― perguntou Neide. Ela mantinha um olhar constante em Rael e em Janete, estava curiosa se aquela mulher era uma simples conhecida ou algo mais de Rael. Como sogra, ela tinha preocupação nos envolvimentos de Rael com pessoas além do necessário. Ainda mais alguém tão simples como Janete, que só era bonita. E beleza nesse mundo, muitas moças tinham.

― Eu me viro. ― disse Rael.

― Está bem, genro. Se cuide e, se precisar, me chame novamente a hora que quiser. ― dizendo isso, Neide partiu em voo.

Vruuuuuum!

Os outros guardas subiram todos em seguida. Neide cruzou os céus como um fleche e desapareceu no horizonte. Os outros guardas fizeram o mesmo, a seguindo em uma menor velocidade.

― Nós vamos voltar a pé? ― perguntou Janete olhando Rael. Eles já tinham se afastado para além dos portões da fazenda e estavam longe de toda a movimentação que ainda ocorria lá bem atrás.

― Na verdade, vamos voltar voando. Eu queria que a gente fosse com calma para conversarmos melhor durante o caminho. ― disse Rael, passando o braço pala cintura da moça: ― Me abrace com as duas mãos. ― disse Rael. Janete ficou um pouco confusa, mas obedeceu abraçando o peito de Rael. Rael começou a concentrar o poder elemental do vento e os dois foram cercados por uma aura transparente. Em seguida, Rael começou a levantar voo levando Janete, que ficou boquiaberta com tamanha evolução.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann




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