O Herdeiro do Mundo

136 - Em Busca de Janete

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Aquele homem nojento continuava retirando as roupas enquanto exibia um maldito sorriso. Ele nem ligava para Janete, que chorava em silêncio, deixando lágrimas correrem por seus olhos.

Janete era uma mulher sofrida que só conhecia a desgraça, como descrito antes sobre a história dessa família. Seu destino atual era tão doloroso que ela desejava ardentemente a morte. Se ela não podia ser de alguém como Rael, que foi o único homem sem ser da família a fazer algo por eles, então ela preferia morrer. Infelizmente não existe um botão que faça uma pessoa ser desligada. E era triste demais viver em um mundo como esse.

Rael, mesmo deixando ela naquela noite e partindo sem dar muitas explicações, ainda a salvou, salvou a família dela, deu uma nova esperança e nova chance de futuro. Infelizmente novas coisas ruins se repetiram. Janete já não suportava mais sofrer tanto. Ela estava arrasada e cansada de ver e rever coisas ruins ocorrerem sempre.

― Sua pele é tão macia e seu cheiro é uma delicia. ― disse o homem engatinhando por cima dela. Ele já estava nu e mal via a hora de tocar aquele corpo.

                Janete podia sentir aquele corpo imundo correr por cima do seu, com aquela coisa nojenta e dura roçando em suas pernas. Mas o que ela poderia fazer? Absolutamente nada. Como uma nova escrava ela não poderia lutar, nem se matar, se ela fosse fazer isso, teria que ter sido antes do ritual, mas se fizesse, sua família teria sido morta. Seu pai e seus irmãos haviam prometido que conseguiriam ajuda.

― ‘Quem nesse mundo pode me salvar agora? Eu estou sozinha!’ ― Janete pensou fechando os olhos enquanto novas lágrimas desciam.

                Everaldo era como um porco nojento tocando um pedaço do paraíso. Ele esticou sua língua imunda e deslizou pelo peito de Janete. Ele chegava a babar de ansiedade. Janete revirava a cara formando uma careta de nojo. A língua daquele homem passando pela pele dela parecia com fogo queimando-a, de tão repulsiva que era.

― Valeu a pena tudo que eu fiz, só essa sua pele cremosa já me deixa maluco. ― disse o homem avançando e subindo ainda mais.

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Do lado de fora da mansão, tudo parecia continuar quieto e a paz reinava. Alguns homens sentados nos bancos do jardim que conheciam a história comentavam sobre a sorte de seu patrão estar se deitando com tal beldade. Até que eles notaram uma figura descendo dos céus e se levantaram. A figura parecia de um jovem, e o mesmo parou diante dos portões.

― Mas quem será? Um décimo reino nos visitando? ― supôs um dos homens.

― Deve ser alguém do império. ― disse um outro olhando de lado.

― Vestido de preto? Não parece ser não. ― disse outro.

― Apenas vamos até lá conferir. ― disse o primeiro novamente. Ninguém sabia, por isso os três juntos seguiram avançando pela estrada. Eles foram parando porque sentiram Rael juntar poder enquanto levantava o braço direito.

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!

Os portões, placas e cercas próximas foram lançados pelos ares e alguns para o chão por um soco de Rael. Uma energia dourada se espalhou em volta, criando uma onda que sumiu pouco a pouco. Os homens ficaram todos perplexos vendo o poder daquele ataque.

                O grupo que seguia para encontrá-lo pararam na metade do caminho ansiosos, outros grupos se juntaram, parando no mesmo local. Rael chegou voando, mostrando a força de um décimo reino, e já veio de cara derrubando os portões. Se ele fosse inimigo do chefe, então todos eles estariam ferrados.

― Porra, o que está acontecendo? Um décimo reino está nos atacando? ― perguntou um dos homens em tom de choque.

― Ele parece jovem demais pra ser um décimo reino. ― disse outro. Estavam tão chocados que até tinham esquecido de usarem seus instintos.

― Não se assustem! Ele é apenas um quinto reino! ― disse um dos homens que estava no oitavo reino. Esse foi o primeiro a examinar com calma o poder de Rael. Aquilo causou um alivio em muitos, mas ainda continuavam surpresos.

                Rael se aproximou em passos largos e apressados na direção daquela dezena de cultivadores que tinham se juntado no mesmo ponto, esperando Rael.

― Jovem, como você ousa invadir a propriedade…

Zuuuuuuup! Booooooom!

O homem que tinha acabado de falar que Rael era apenas um quinto reino, e ainda estava falando com ele, foi acertado em cheio no peito. Com o impacto, voou vários metros para trás, passando por cima das várias rosas e foi bater em muro de pedra vinte metros depois, quebrou o muro e parou mais alguns metros adiante, completamente ensanguentando e desacordado. Se ele não estivesse morto, com certeza estaria beirando a morte. Os outros em volta de Rael ficaram chocados, ninguém viu Rael chegar, nem tão pouco esperavam por isso. Rael estava no centro deles parado e acabava de abaixar a mão direita:

― Quem se mexer, ou falar qualquer coisa sem minha permissão, morre. Eu não vou repetir isso. ― disse Rael olhando em volta cada um daqueles homens. O instinto assassino liberado agora por Rael era tão forte que fazia as pernas de todos ali tremerem. Mesmo que eles estivessem vendo a força de Rael como a de um quinto reino, eles ainda estavam sentindo um terror extremo. Rael tinha acabado de matar ou quase matar um oitavo reino com um só golpe.

Zuuuuuuuuum… Plack!

                Os homens em volta de Rael não reagiram nem se mexeram, mas uma flecha carregada de aura cortou o ar de uma distância de uns duzentos metros e seguiu contra o rosto de Rael. A mesma foi pega no ar facilmente e partida ao meio pela mão direita de Rael. Rael apenas se virou e localizou o atirador, enquanto deixava os pedaços da flecha caírem por entre seus dedos.

Zuuuup!

Rael desapareceu diante dos homens que continuaram parados.

Booooom!

Quando todos foram perceber Rael estava do outro lado a vários metros. Tinha acabado de afundar a cabeça do cultivador que atirou a flecha com um soco. O pescoço do mesmo ficou afundado no chão, esmagado. Os ossos e pele do rosto viraram papa. Rael levantou a mão e sacudiu em seguida como se não fosse nada, tirando os pedaços que ficaram na luva e uma parte do sangue.

Zuuuuup!

Rael sumiu daquele local e reapareceu diante dos homens voltando para seu lugar original. Todos até saltaram levemente quando perceberam Rael de volta.

― Mais alguém vai querer me desobedecer? ― perguntou Rael, olhando em volta. O homem morto agora era um sétimo reino, mas ele foi morto tão rápido que ninguém sequer havia visto. Quem depois disso ousaria fazer algo? Era o segundo homem que provavelmente Rael tinha matado com apenas um movimento.

                Como todos ficaram em silêncio e ninguém reagiu nem disse nada, Rael tomou isso como uma situação controlada. É claro, ainda havia outros homens em volta fora da roda que cercava Rael, mas os mesmos tinham visto e ouvido muito bem o que ele disse, também sentiram o forte instinto assassino. Com isso, estavam como os outros, congelados de medo. Ainda mais depois de ver os dois ataques de Rael. Nenhum dos cultivadores ali conseguiam acompanhar a velocidade de Rael, é claro, eles não estavam com seu poder ativado, mas não estavam com coragem de tentar nada também.

― Você ai de cabelo amarrado, Everaldo está aqui? ― perguntou Rael encarando um dos homens a frente.

― E-ele está sim, se-senhor. ― disse o mesmo gaguejando.

― Isso é maravilhoso! E uma mulher chamada Janete, está presente?

― Si-sim se-senhor, os dois es-estão lá dentro. ― disse o mesmo homem.

                Rael ignorou totalmente os homens e avançou na direção da casa. Todos os cultivadores que estavam no caminho se afastavam em passos lentos para trás, saindo do alcance de Rael.

                A porta da casa foi aberta e Everaldo apareceu, ele ainda mantinha uma mão na calça, que provavelmente tinha vestido às pressas depois do estrondo que ouviu quando Rael derrubou os portões.

― Quem ousa causar tamanho alvoroço em minha propriedade?! ― gritou o homem nervoso e já olhou em volta. Ele facilmente detectou Rael que já estava a caminho. Everaldo exibia seu tórax feio, peludo e magro, um pouco deformado.

― Você é o Everaldo? ― disse Rael friamente. Rael detectou que o homem não tinha nenhum cultivo, como descrito por Malcon.

― Foi você quem fez isso? Homens, peguem-no imediatamente! ― Everaldo gritou e olhou em volta. Os homens não se mexiam, eles continuavam estagnados encarando Rael, que agora subia as escadas laterais, já quase chegando no seu alvo.

― Eu espero que você não tenha feito nada com Janete. Porque, se você tiver encostado em só fio de cabelo dela, eu nem faço ideia do que farei com você. ― a voz de Rael soava fria como a de um monstro.

― Homens! O que estão esperando? Por que acham que pago vocês? O que vocês tem na cabeça?! ― Everaldo começou a entrar em desespero vendo Rael se aproximando e nenhum de seus homens fazer qualquer coisa.

― Façam alguma coisa agora, seus covardes! Peguem esse jovem ousado e matem-no! Isso é uma ordem! ― gritou Everaldo, angustiado porque nenhum dos seus homens parecia estar disposto a fazer algo.

― Maldição de homens inúteis! ― Everaldo gritou recuando alguns passos de costas quando viu Rael a poucos metros terminando de subir os degraus. Ele se virou para entrar novamente na casa. Seu último plano seria entrar, fechar as portas e se esconder de Rael. Antes que ele pudesse pensar em recuar, ele esbarrou em Rael que, como um vulto, tomou a sua frente.

― Saia da minha frente se não quiser morrer! ― rugiu o homem tentando se levantar.

― Onde está Janete? ― perguntou Rael olhando o homem de cima, ele ignorou o que Everaldo tinha dito a pouco, obviamente. Everaldo tinha caído atrapalhado de lado. Ele parecia uma minhoca atrapalhada no chão, girando para tentar se por de pé.

― Você sabe quem sou? Eu sou Everaldo Solares, sou dono de várias propriedades e sou amigo do imperador Elidas! Se você ousar mexer comigo eu o denunciarei…

Creck! Creck!

― Aaaaaaaaaaaaaaaaai! ― Everaldo gritou porque sua perna foi esmagada por uma pisada de Rael. Rael pisou com força, mas um homem sem cultivo como ele não suportaria nada. A parte pisada da perna dele virou um tapete sob a bota de Rael, sangue se espalhou no chão enquanto o homem miseravelmente gemia e reclamava de dor.

― Eu fiz uma pergunta. Onde está Janete? Se você me disser qualquer coisa que não seja a sua localização, eu vou partir a outra perna. ― disse Rael em um tom frio, sem se importar com o sofrimento do homem a frente.

― Seu mal…

Creck! Creck!…

― Aaaaaaaai! ― Everaldo teve a outra perna pisada e afundada. Sua pele e seus ossos até grudavam no chão. Os homens em volta estavam horrorizados com o que viam Rael fazer, mas ninguém ousava se meter. Eles quase não respiravam. Seja quem fosse Rael, ninguém ali presente ousaria ofendê-lo ou provocá-lo. Eles só podiam assistir e lamentar por seu chefe ter mexido com tal monstro.

― Onde está Janete? ― perguntou Rael novamente.

                Everaldo era uma pilha de suor agora, seu rosto estava vermelho com várias veias inchadas e ele estava muito nervoso sentindo as fortes dores, ele agora estava deitado no chão sem conseguir se quer se sentar. Ele percebeu que nada do que ele falava adiantava e, por tanto, ele seria morto como um animal por Rael.

― Ela está no quarto… E-eu a ordenei para não sair de lá! ― disse o homem apressadamente, com medo de ser morto.

― Escutem bem! Eu sou Samuel do clã Torres! Não ousem fugir, porque quem tentar, eu matarei! Vocês todos, juntem-se aqui em cima, atrás desse lixo! ― disse Rael apontando com a mão para um espaço vazio. De começo ninguém se moveu.

― Será que vocês não ouviram minhas ordens? ― perguntou Rael. Os homens se tremeram e imediatamente começaram a correr para o local indicado por Rael. Rael, vendo que eles estavam obedecendo, entrou em seguida dando as costas para todos. Mas eles viram um outro Rael surgir do nada, saindo das costas do mesmo que estava indo. Esse novo Rael parou encarando e averiguando cada homem que ia se juntando atrás de Everaldo.

                Everaldo continuava se debatendo e chorando de dor no chão. O clone agora fazia a vigilância como Rael pediu. Os homens não ousaram serem teimosos, e todos continuaram se aproximando e se juntado no lugar pedido. Eles estavam com medo demais para pensar em fugir, principalmente depois de ouvir o nome do clã Torres.

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Janete estava no quarto no canto da cama, ela não podia nem mesmo esconder sua nudez, por isso, estava sentada com as pernas abertas porque ainda estava seguindo a ordem de Everaldo. Ela estava com o corpo completamente exposto, enquanto olhava pela janela aberta. Ela não viu nada do que aconteceu além de alguns barulhos como o portão sendo destruído e, logo em seguida, o muro. Nem passou pela cabeça dela que seria Rael, seu salvador. Ela ficou apenas ali, nua e exposta, esperando seu mestre nojento voltar.

Vruuuum

Quando a porta se abriu, Janete tremeu e se virou pesarosa, imaginando que aquele homem imundo estava retornando. Mas o homem que surgiu agora era alguém muito bem vestido em trajes escuros, alto e de cabelos ruivos. Quando Janete o viu, seu corpo inteiro estremeceu e ela moveu os lábios emocionada, mas as palavras não saíram de sua boca.

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Capitulo liberado por doação, agradeçam a: Gabriel Bonifacio da Silva

E

Leonir N da Silva