O Herdeiro do Mundo

135 - A Volta de Janete

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

― Foi exatamente por causa de minha filha Janete que eu vim. ― disse o homem olhando desfocado para o lado.

― O que aconteceu com Janete? Sente-se. ― disse Rael direcionando o homem para o sofá. Malcon obedeceu, Rael notou que o homem estava tremendo.

― Samuel, eu não sabia mais quem procurar a não ser você. Minha filha se tornará escrava hoje graças a nossa estupidez. ― explicou o homem com um tom de lamentação.

― Diga onde ela está e quem pretende forçá-la a escravidão? ― perguntou Rael já se levantando do sofá que tinha acabado de se sentar a frente de Malcon.

― Nós fomos acusados de matar a mulher e o controlador da carruagem de uma família importante. Tivemos pena de morte decretada por um dos juízes do império, mas o homem propôs um acordo para nos deixar viver em troca de minha filha Janete, ela deveria virar escrava dele. Depois disso fomos todos liberados. Meus filhos estão desesperados assim como eu. Por mais que a gente peça ajuda, ninguém nos ouve. Nós não matamos aquelas pessoas, Samuel, você sabe que não somos esse tipo de gente. Por favor, você tem que acreditar em nós! ― disse o homem e se ajoelhou aos pés de Rael. Ele segurou nas abas da calça de Rael que agora estava raciocinando tudo que ouviu. Ele ainda nem tinha montado um túmulo para sua família e mais problemas estavam surgindo, tudo por causa dessa maldita escravidão.

― Levante-se, você fez bem em me procurar, eu vou ajudá-los. Janete é importante para mim, assim como o senhor. ― disse Rael com mais calma.

― Muito obrigado, Samuel, muito obrigado mesmo! ― disse o homem, mostrando uma face bem aliviada enquanto se levantava.

― Pode me levar para onde ela está sendo mantida nesse momento? ― perguntou Rael.

― Posso! Claro que posso! ― o homem com animo.

― Ótimo, espere aqui, só me deixe falar com minha esposa antes. ― disse Rael deixando o homem na sala, que ficou parado em pé.

                Mara estava cultivando quando Rael entrou abrindo a porta, fazendo-a parar a cultivação no mesmo instante.

― Esposa, surgiu uma coisa. Eu só queria avisar que vou sair para resolver. ― explicou Rael sem parecer ser nada demais.

― É algo perigoso? Se for, eu vou com você. ― disse ela se levantando já preocupada.

― Não é perigoso, eu só… queria avisar para você não ficar preocupada. É que um amigo recebeu algumas falsas acusações e eu vou ajudar a inocentar.

― E por que não posso ir?

― Se eu fosse levar você eu teria que levar Natalia também, não seria uma boa ideia, visto que vocês precisam cultivar. E acredite quando eu digo, não será nada perigoso, estou falando a verdade. ― disse Rael bem sério.

                Mara encarou Rael por alguns segundos como se procurasse por uma mentira, mas ela não era nenhuma Thais da vida, então não tinha como saber. Ela gostou de ver que Rael pelo menos estava avisando ela antes.

― Você promete voltar hoje, não importa o que aconteça?

― Prometo! ― confirmou Rael.

― Eu quero dormir com você hoje, marido, não demore. ― disse Mara e voltou a se sentar. Rael ficou um tempo olhando ela e depois saiu fechando a porta.

                Mara sorriu satisfeita enquanto recomeçava a cultivar. Ela não estava preocupada ainda, se fosse algo complicado Rael não prometeria voltar hoje. Parecia que dessa vez ele não ficaria muito tempo fora.

― Então, vamos indo? ― perguntou Rael descendo as escadas apressado.

― Agora mesmo! ― disse o homem se apressando e seguindo Rael para a porta.

― Ela está aqui perto, nessa cidade mesmo? ― perguntou Rael já abrindo a porta.

― Sim, está! E não fica muito longe daqui. ― confirmou o homem.

                Rael saiu acompanhando o apressado Malcon e saíram para fora do território do clã. Os guardas que já estavam se acostumando com Rael, nem ligaram por ver ele sair sem qualquer proteção.

― O que aconteceu desde a última vez que estive com vocês? ― perguntou Rael, que queria saber como é que eles foram se meter em outro problema.

A família Alencar (eles) já tinha perdido uma casa, um tipo de fazenda e uma mina para a família Sangnos, tendo inclusive esposas e filhas transformadas em escravas na época. Agora, estavam sendo acusados de um crime que possivelmente não tinham cometido. Eles eram um bando de coitados e não tinham cara para fazer aquilo. Rael só poderia pensar que aquela pobre família era muito azarada.

― Depois que você nos ajudou, nós começamos a procurar uma casa em alguma cidade para voltar a viver. Começamos ao leste numa cidade calma chama Ulada, mas os preços não estavam muito acessíveis. Soubemos que rolaria um evento na cidade de Améria e que o prefeito Hagnos estava fazendo um bom desconto nas novas propriedades disponíveis. Corremos todos para lá e conseguimos assim comprar uma casa dentro de um valor justo e acessível. Até acompanhamos você pela multidão, e te vimos tanto fazer o teste como também vencer o evento, mas você não havia nos visto. Minha filha queria ter falado com você, mas não pôde por medo.

― E depois? ― perguntou Rael, porque o homem tinha feito uma pausa.

― Depois que o prefeito foi detido, acusado de traição, todos os seus últimos negócios foram cancelados e perdermos o direito da casa. O documento entregue pelo mesmo ficou inválido e assim fomos jogados na rua, não tivemos nem sequer o dinheiro devolvido. Foi um caos, muitas famílias pobres como nós tiveram aquele mesmo fim, Prejuízo total.

― Ainda tínhamos um bom dinheiro que você nos deixou, então viemos para a capital porque minha filha queria ter a chance de pelo menos ver você, sabendo que você estaria por perto. Alugamos uma casa e fomos procurar trabalho na guilda por alguma coisa que pudéssemos fazer. foi ai que conhecemos o homem que agora é nosso acusador: o senhor Everaldo. O homem estava acompanhado de um escravo e foi muito gentil com todos nós, perguntou o que sabíamos fazer e no que poderíamos trabalhar. Nós falamos que sabíamos lidar com plantio de ervas, de mineração e até de caças mais simples. Quando explicamos isso, ele achou perfeito e que poderíamos cuidar de uma fazenda dele.

― Janete estava junto com vocês na hora? ― perguntou Rael.

― Sim, estava, e esse homem mostrou um grande interesse nela, perguntando se ela era casada. Respondemos que ela era noiva. ― disse Malcon.

                Mesmo Janete sendo de uma família pobre e tendo mais de trinta anos, ela ainda era uma mulher chamativa. Apesar de seus trinta, sua aparência era de uma adulta de vinte e tinha não só um bom formato corporal como um belo rosto também. Ela era considerada uma bela mulher em um todo, mesmo não carregando sequer algum nome ou proeza importante.

― Continue a história. ― disse Rael. Os dois caminhavam apressados pelas ruas de Toravan, a caminho do encontro de onde Janete estaria.

― Como esse homem parecia bom e os ganhos também, nós aceitamos e fomos enviados para a fazenda. Nós iríamos cuidar e dormir nesse local. Assinamos alguns documentos trabalhistas com o carimbo da guilda e começamos.

― Tudo estava ótimo nos primeiros dias. No quinto dia, os guardiões imperiais invadiram a fazenda e nos renderam. Eles encontraram o corpo da mulher de Everaldo e o controlador da carruagem no celeiro da fazenda.

― Mas como isso aconteceu? ― perguntou Rael surpreso.

―Nós não sabemos, nem sequer vimos eles chegarem. Everaldo, nosso antigo chefe, disse que a esposa foi nos visitar e desde então sumiu. Com uma busca, os guardiões encontraram os corpos no celeiro e assim as acusações começaram. Samuel, nós não faríamos isso, foi alguma outra pessoa.

― Senhor Malcon, foi o próprio Everaldo que armou para vocês. Ele fez isso já com interesse em Janete, mas matar a própria esposa para tal ato foi um pouco frio demais. Essa esposa dele não era bonita?

― Era uma mulher normal, sem qualquer cultivação, de quase quarenta anos. Não sei dizer se ela era bonita, mas minha filha com certeza é muito mais. ― explicou Malcon.

― Esse maldito, se ele não cancelar as acusações eu vou mostrar o que vou fazer com ele. ― disse Rael com um tom frio. Rael não era mais um jovem qualquer como no começo, onde ele sequer tinha nome. Com um só pedido, a família desse tal Everaldo teria mais problemas do que eles mesmos poderiam ter em toda vida, mas Rael sempre preferia resolver as coisas no pessoal. Embora ele não tenha tido um bom resultado da última vez.

― Samuel, eu agradeço sua ajuda. Se você está nisso, eu tenho certeza que tudo irá se resolver. Minha filha durante todo esse tempo se manteve pura e esperando você. Ela nunca ousaria nem pensar em traí-lo.

― Sério? ― perguntou Rael engolindo saliva, porque se lembrava de ter dito a Mara que não se casaria com ela.

― Ela nunca esqueceu o que você disse. Disse que se resolveria e depois ela poderia te procurar. Ela pretendia fazer isso em mais ou menos um ano, ou quando as coisas no seu clã esfriassem. Nós tivemos as notícias chocantes de tudo o que ocorreu. ― disse Malcon.

― Sim, eu disse isso a ela. ― confirmou Rael se lembrando de toda a conversa com ela antes de Rose aparecer naquela noite e fazê-lo se afastar. Se não fosse por Rose, naquela noite, Rael teria conhecido o prazer de um corpo feminino com Janete e não com Mara, como ocorreu um tempo depois.

― Jovem mestre, por tudo o que é mais sagrado, salve minha filha desse homem e a torne sua concubina como você queria. Se você fizer só isso eu já ficarei muito satisfeito, minha filha nunca conheceu qualquer outro homem descente além de você e dos irmãos. ― disse o homem.

― Nós conversaremos sobre isso depois, senhor Malcon. ― disse Rael pensando sobre o que ia fazer com essa mulher e com essa família.

                Eles continuaram caminhando por uns dez minutos até chegarem diante de um prédio de controle dos guardiões do império. Era como uma das muitas bases que eles tinham espalhadas por várias cidades.

― Pai! ― um dos filhos de Malcon correu ao ver o homem se aproximando com Rael, ele estava em frente ao prédio.

― Eduardo, o que aconteceu? ― perguntou Malcon já preocupado.

― Everaldo apareceu com uma carruagem e os homens já a tornaram escrava e a levaram embora. ― disse o mesmo agitado.

― Mas isso era pra ser feito apenas a noite! ― disse Malcon, levando as mãos a cabeça.

― Eles não esperaram, como já tinham a carta do juiz mostrando os direitos, fizeram e partiram. Eu fiquei aqui porque não poderia segui-los. Também precisava dizer aos outros. Nenhum dos irmãos voltaram ainda. ― disse Eduardo.

― Isso não pode estar acontecendo! ― disse Rael irritado e cada parte do seu poder explodiu por dentro. Os olhos de Rael ficaram escuros como os de um demônio. Eduardo e Malcon se afastaram um passo de lado com medo de Rael.

― Esse mundo está podre! Eu estou cansado de pessoas que pisam assim nos outros, ainda mais envolvendo pessoas que eu conheço! ― disse Rael se lembrando de Rita, Adam e Barbara.

― Meu filho, em que direção eles foram e a quanto tempo já partiram? ― perguntou Malcon tentando disfarçar o choque do poder de Rael. Várias pessoas que passavam na rua naquele momento olharam assustadas para Rael, que estava controlando seu poder ao máximo. Só em pensar em perder mais um conhecido ele se encheu de ódio, e sua essência demoníaca estava explodindo.

― Eles partiram a cerca de uma hora, foram na direção norte. ― explicou Eduardo mas isso não seria suficiente para encontrá-los.

― Sabe onde fica a residência principal deste homem? ― perguntou Rael depois de controlar seus olhos que voltaram ao normal.

― Nos documentos que assinamos deve ter algo. ― lembrou Malcon sacando alguns papeis.

                O homem morava em uma outra fazenda fora da cidade. Depois que descobriram isso com ajuda de outras pessoas, Rael pediu que eles esperassem.

― Vocês fiquem aqui, eu trago ela de volta. ― Rael subiu voando e partiu para a direção indicada, deixando pai e filho boquiabertos,devido ao nível apresentado por Rael, que era impossível para ele poder voar.

_____________________________________________________________________________
Não muito longe dali, em uma calma e grande fazenda, vários cultivadores do sétimo e oitavo reino faziam a vigilância local caminhando pelos arredores. O local era muito bem cuidado por escravos, que a todo momento estavam limpando ou fazendo algo.

                Ao fundo se seguia um jardim cercado por grades pontudas, havia uma estrada de terra com uns cem metros que dava no primeiro portão de acesso a propriedade. Em frente ao portão estava a placa grande escrita: “Propriedade da família Solares”. Solares era o sobrenome de Everaldo e Rael já sabia sobre isso.

                Dentro da mansão estava Everaldo, alisando as mãos uma na outra de frente a Janete. Janete estava sentada na cama assustada, só com as roupas íntimas.

                Everaldo era um homem com aparência de cinquenta anos, ele deveria ter aproximadamente essa idade porque nem cultivo ele tinha.

― Janete, agora eu lhe ordeno, tire o resto das roupas. ― disse ele.

― Não! ― Janete gritou enquanto a nova tatuagem no seu pescoço queimou. Ela chorava em desespero se lembrando de Rael. Ela se prometeu a ele e agora não iria conseguir cumprir essa promessa. Ela lutou se contorcendo na cama, uma ordem dada de um mestre para seu escravo tinha que ser cumprida de qualquer forma. A dor por não obedecer a ordem era constante e parecia rasgar a cabeça por dentro. A cada instante a dor aumentava, enquanto a ordem não fosse cumprida a dor só pioraria até o ponto onde ninguém, nem mesmo a mente mais poderosa poderia resistir. No final sempre obedeceriam.

                Janete não aguentou muito tempo, os escravos nunca aguentavam. Ela obedeceu o homem enquanto chorava. Ficando agora completamente nua para ele, mas ela ainda escondeu o corpo com as pernas e os braços.

― Eu ordeno, Janete, pare de esconder e me deixe ver seu corpo. ― outra ordem.

― Aaaaah! ― Janete gritou ainda apertando o corpo e gemendo de dor. Por fim ela não aguentou e abriu as pernas, tirou as mãos dos seios e ficou deitada cansada sentindo tontura por tentar desobedecer as ordens impostas.

― Nossa, você é muito linda, Janete. Eu estava cansado daquela mulher nojenta e fedida que não me dava mais nenhum prazer. Com você, meus dias com certeza serão muito melhores. ― disse o homem e já baixou as mãos, começando a retirar o cinto da calça.

_____________________________________________________________________________
Capitulo liberado por doação. Agradeçam a: Vinicius Ferreira Xavier
e

Igor Rocha Xavier

____

OBS: Teve + 1 de 10,00 eu peguei pela ordem a primeira a cair. No momento faltam 20,00 pra mais um capitulo. Vocês tão querendo me deixar sem reserva?

Esses dias to escrevendo que nem um burro de carga pra manter alguma reserva, pergunte para o meu revisor que ele responderá essa.
Mas sério de coração muito obrigado. A novel está indo no maior gás por causa de vocês ^^




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.