O Herdeiro do Mundo

133 - Capítulo 133 –

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael entregou as novas pílulas para suas esposas voltarem a cultivar. Ele pretendia manter as duas no mesmo nível. Como sempre, Natalia estava receosa sobre suas roupas, mas como ficaria sozinha no quarto, não tinha mais tanto medo. Mara também tinha o mesmo problema, mas ela realmente não ligava desde que ninguém a visse nua além de Rael.

                As duas foram cada uma para um quarto vazio e tomaram as pílulas. Rael ficou com a escrava na sala ouvindo os estrondos no quartos, o chão até tremia.

― Jovem mestre, isso não preocupa o senhor? ― perguntou a escrava com uma expressão preocupada.

― Não, elas estão bem. ― disse Rael de volta em um tom natural. A escrava que ali era mais considerada como empregada, gostava de Rael e das meninas porque era tratada como alguém com direitos, embora Neide e Rayger não fizessem o mesmo, Rael não cobrava isso de todos.

Depois de observar que as duas estavam se controlando e cultivando normalmente, Rael se acalmou de vez, se sentou ali mesmo no chão da sala e começou a espalhar os anéis que usaria. A escrava saiu procurando alguma coisa pra fazer e deixou Rael sozinho, que ativou o Mundo da Simbologia por cima dos anéis.

Quanto mais Rael usava aquela habilidade, melhor ele ficava. Os erros eram menores, e os anéis muito mais facilmente criados. Antes, Rael demorava muito tempo para criar um simples anel, agora, ele demorava cerca de cinco minutos.

Em uma hora de fabricação Rael conseguiu fazer dez anéis perfeitos, quebrando apenas dois no processo. Isso o deixou muito satisfeito, pois além disso os anéis foram feito do zero. Se Rael não tivesse Neide para fornecer tudo que ele precisava, ele certamente poderia lucrar muito com a venda de anéis de comunicação.

Rael aproveitou e começou a iniciar a criação de anéis de apoio do zero. Como era um tipo mais avançado de simbologia, ele teria mais trabalho, porém se conseguisse, os recursos usados seriam bem menores.

Em uma hora inteira, Rael quebrou dez anéis tentando incrustar os símbolos e nunca conseguia, até que no fim obteve um resultado positivo. Rael ficou todo suado mas feliz por fazer um anel de apoio perfeito rank SS do zero.

Depois, ele conseguiu criar mais alguns do mesmo com menos falhas, e já satisfeito, ele passou a tentar criar os anéis de bloqueio, também do zero. Eram os itens que ele mais usava no momento além das pílulas quando precisava ajudar alguém. Por isso era bom ele ter uma determinada reserva.

As meninas pararam de cultivar para almoçar e os três almoçaram juntos. As meninas estavam mais animadas por poderem comer com Rael. Após isso já voltaram a cultivar.

Neide chegou depois com o pedido de Rael e mesmo diante de Neide, ele espalhou os itens fornecidos pela mesma para criar a armadura mágica de Mara. Neide sentou-se perto e ficou olhando em silêncio Rael trabalhar. Ela com certeza nunca tinha visto o uso de tal habilidade misteriosa.

Em quinze minutos, Rael terminou com sucesso de montar a armadura mágica de Mara. Ele segurou na mão um bracelete dourado com manchas escuras.

― Esse bracelete ficou lindo! ― elogiou Neide estendendo a mão. Rael passou a ela em seguida enquanto se levantavam.

― Está ficando mais fácil fazer esses artefatos. ― disse Rael e puxou do bracelete um dos anéis de comunicação. ― Antes que eu me esqueça, deixe-me entregar um a você.

― Genro é incrível! Mais uma armadura mágica perfeita, o poder é tão forte que até eu fico chocada. ― disse Neide e estendeu os dedos a pedido de Rael que queria colocar o anel de comunicação na mesma.

                Rael colocou o anel nela e fez a ativação. O anel só funcionaria na mão de Neide. Em seguida, ele já passou as explicações sobre o mesmo. Neide ficou surpresa, mas acreditou em tudo facilmente. Rael não era uma pessoa comum.

― Agora eu vou subir e passar para as meninas. ― disse Rael e pegou de volta o bracelete das mãos de Neide.

― Vou ficar um tempo por aqui, esperando a visita do império. ― disse Neide e se dirigiu ao sofá.

Neide ficou bastante feliz por ver que Rael estava se preocupando com Mara. Tudo bem que ela viu Rael ajudá-la antes, a curou e fez todas as coisas para o crescimento da mesma, mas Natalia tinha uma armadura daquelas e sua filha ainda não. Vendo agora Rael criar a da sua filha, ela se encheu de conforto. Ela podia sentir que Rael estava tratando as duas quase no mesmo nível.

                Rael foi primeiro em Natalia, a fazendo parar a cultivação e passou o anel, fez a liberação e explicou o funcionamento do mesmo. Agora Natalia também poderia entrar em contato com Rael quando quisesse. Ela ficou muito feliz em receber seu anel de comunicação.

― Agora quando você estiver longe poderei falar com você. ― disse ela sorrindo.

― Sim, e eu também. ― disse Rael de volta.

                Depois ele deixou ela voltar a cultivar e foi falar com Mara, passando outro anel de comunicação, fez a mesma explicação e depois entregou o bracelete com a armadura mágica.

― Essa é uma armadura mágica, que eu chamei de Tigresa Sombria Demoníaca. Fiz especialmente para você. ― disse Rael. Mara ficou um pouco contente, mas disfarçou para não fazer parecer que ela iria ficar mole de novo com Rael.

                Mara colocou o bracelete e Rael fez a liberação. Um poder correu por todo o corpo dela fazendo toda a leitura e encerrando o processo de reconhecimento.

― Você já pode ativar. ― disse Rael se afastando um passo para trás.

― ‘Armadura Tigresa Sombria Demoníaca: Ativar!’ ― pensou Mara e uma energia dourada foi espalhada pelo corpo. Em poucos instantes, a armadura foi formada em todo o corpo de Mara. A armadura metálica de cor dourada tinha algumas manchas escuras espalhadas, no peito havia uma pedra cristalizada, com uma coloração azul clara. Nos ombros e nas pernas, uma proteção extra que lembrava as ondas do mar. Nas mãos, garras vermelhas afiadas de cinco centímetros. O elmo tinha o formato do rosto de um tigre, tendo até mesmo um focinho como formação da boca, e os olhos eram um pouco puxados, como os de um animal selvagem.

― Marido, isso…Ela é incrivelmente forte! ― disse Mara de dentro do elmo enquanto se olhava. No corpo de Mara a armadura ficava linda, a única parte incomum era o elmo com o formato de animal, mas isso não a deixava feia, deixava Mara com uma aparência mais dominante e perigosa.

― Você gostou? ― perguntou Rael.

― Eu… Um pouco! ― disse Mara que continuava não dando o braço a torcer.

― Essa armadura tem alguns aumentos que pra você será muito útil. Um grande aumento na própria força física, velocidade de movimento, resistência física e uma habilidade especial que você mesma terá de descobrir depois. ― explicou Rael.

― Eu posso sentir sim tudo o que você disse, e até mesmo essa habilidade. Marido, muito obrigada pelo presente. ― disse Mara e desfez a armadura.

― Está com menos raiva de mim agora? ― perguntou Rael fazendo uma expressão de vitima.

― Continue se esforçando, assim talvez a raiva passe, ou…

― Ou o quê?

― Ou quando me der um filho. ― disse Mara com expectativa. Rael vacilou olhando de lado. Ele não queria de nenhuma forma ter um filho agora.

― Eu queria saber de uma coisa e não tenho certeza se você disse mesmo a verdade. Depois que eu perdi nosso primeiro filho, meu corpo não ficou danificado? Eu ainda sou uma mulher fértil?

― É claro que você é. ― disse Rael em seguida.

― Então, por que depois das nossas tentativas eu ainda não engravidei novamente?

― Eu não sei. Tudo é chance, só não aconteceu ainda. ― disse Rael parecendo normal enquanto disfarçava.

― E você, que é medico e entende dessas coisas, não pode fazer nada para as nossas chances aumentarem? Marido, eu quero tanto ter um filho com você. ― disse Mara em tom calmo, era quase como um pedido.

― Espera eu resolver minha vida, cumprir minhas vinganças, deixar tudo certo sem riscos e a gente conversa melhor sobre isso.Tudo bem? ― perguntou Rael, que não queria ficar lesando Mara. Ele já gostava dela então ele preferia não ficar a enganando.

― Mas em quê um filho vai nos atrapalhar, marido? ― insistiu Mara. Ela sentiu que Rael podia fazer algo a respeito e ele não estava querendo.

― Mara, eu só tenho quinze anos e você sabe a montanha de problemas que eu tenho. O que você acha que aconteceria se descobrissem a verdade sobre mim? O que acha que eles fariam com um filho meu? Você não tem medo de ser envolvida nos meus problemas?

― Eu tenho meus pais que podem me proteger, marido. Você também pode contar com eles, ninguém ousaria mexer com a gente por qualquer motivo.

― Mas eu não conto com o poder dos outros, eu conto com o meu poder. ― disse Rael.

― Então você sabe a razão para eu não engravidar, não é? Me diga a verdade. ― pediu Mara, se mantendo calma para tentar ganhar a confiança de Rael e ver se ele falava por bem.

― Talvez a gente não esteja tentado o suficiente. No começo a gente fazia tantas vezes que nossas chances aumentavam. ― mentiu Rael.

― Tentar mais vezes? Como, se quando você sai demora dias pra voltar pra casa? Eu fico só na vontade pensando quando você não está por perto ― disse Mara cruzando os braços emburrada.

― E quando volto você fica furiosa comigo. Isso não ajuda em nada. ― cutucou Rael de volta.

― Como não ficaria? Você praticamente me abandona! Não vamos esquecer que mesmo que eu tivesse forçado você ontem você não teria feito nada. Tendo perdido aquelas pessoas, você não estaria no clima, então não venha me culpar. ― reclamou Mara cutucando Rael de volta. Mara tinha a língua solta e quando ficava irritada ela acabava falando sem pensar muito, como na época em que entregou os pontos diante dos pais de ter perdido a virgindade.

― Tem razão, ontem eu realmente não estava no clima… ― disse Rael ficando triste e se virou: ― vou deixar você voltar a cultivar agora.

― Marido! ― disse Mara saltando na frente de Rael antes dele chegar na porta: ― Desculpa, eu não fiz de propósito. ― disse ela apreensiva e preocupada.

― Está tudo bem, eu sei. ― disse Rael com calma, sorriu de leve e passou por ela.

― Eu sinto muito pela morte deles. ― disse ela quando Rael já tinha aberto a porta. Ela não disse isso antes, mas Rael sabia que ela tinha ficado triste com a notícia.

― Eu sei, obrigado por dizer. ― Rael sorriu de novo e saiu em seguida. Mara ficou parada com um olhar desfocado, depois fechou a porta e caminhou para o centro do quarto vazio, sentou-se e voltou a cultivar.

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A tarde foi passando enquanto Neide e Rael jogavam conversa fora. Agora que Neide tinha mais intimidade ela procurava saber como era o tratamento de sua mestra com ele ou com Emilia. Ela também estava tentando entender como Rael as conheceu.

― Na verdade, eu as encontrei dormindo, mas não posso falar mais do que isso. ― disse Rael, cortando o barato de Neide.

― Nem depois de salvar sua vida você não confia em mim, genro?

― Eu confio em você, mas elas não. Então não posso desrespeitar isso. ― disse Rael com sinceridade.

― Compreendo… ― disse Neide com um tom de desânimo. Ela e Rayger tinham deixado Emilia bem furiosa na época, demonstrando o seu ponto fraco. ― E sobre o seu verdadeiro poder, você pode falar? Você estava no sétimo reino antes, mas agora parece apenas alguém perto do sexto. ― Neide estava curiosa sobre esse fato.

― Sobre isso, eu tenho uma habilidade que me permite ocultar dois reinos inteiros. Então procuro não mostrar meu verdadeiro poder, a não ser que seja necessário. ― explicou Rael.

― Imaginei isso. ― disse ela satisfeita por Rael ter dito a verdade.

                Ela e Rayger tinham conversado sobre isso. O talento apresentado antes por Rael já era incomparável, saber que ele escondia ainda mais poder era chocante. Mas tudo sobre Rael funcionava assim, por isso eles nem se impressionavam tanto mais como anteriormente.

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Não demorou muito para o próprio imperador Elidas aparecer no clã conforme o pedido mais cedo de Rayger, que já adiantou boa parte dos assuntos. Ele não poderia deixar nenhum assunto do clã Torres na mão de seus filhos, por isso veio pessoalmente na sua carruagem imperial, junto com mais dez guardas pessoais.

                Ele foi escoltado até a porta da casa da residência Raymonde junto com seus guardas, por um guarda do clã Torres.

                Neide e Rael o receberam na porta. O imperador chegou trajado em suas longas vestes veludas e douradas de costume, com um grande símbolo de um grifo no peito. Ele tinha visto a luta de Rael na arena e agora tinha as notícias sobre ele de antemão passadas por Rayger. Por isso ele tratou Rael com extrema educação, assim como também Neide. Neide não era uma mulher qualquer afinal.

― Antes de entrar, ponha isso no dedo, eu tenho uma barreira especial em minha casa. ― disse Rael estendendo um anel ao velho homem.

― Uma barreira? Hahahaha, faz tempo que não vejo uma. Permita-me testá-la antes. ― o imperador tentou forçar sua entrada como uma brincadeira e riu sozinho por não conseguir: ― de fato, é uma poderosa barreira, jovem mestre. Parabéns! ― elogiou ele, aceitando em seguida o anel.

                Elidas era um homem já bem velho com aparência de uns sessenta anos, com certeza era ainda mais velho, tinha um cabelo liso e volumoso não muito longo, e tanto a barba média quanto os cabelos já eram brancos. Ele tinha uma pele branca e era magro, mas ainda tinha no rosto um brilho ardente em seus olhos azuis claros.

― Queira entrar. ― convidou Rael depois que o homem levou o anel ao dedo. O imperador Elidas jamais entraria em um recinto sem seus guardas, mas em frente a ele tinha duas grandes pessoas e ele não queria passar a ilusão que não confiava nos mesmos.

― Esperem aqui fora. ― disse ele se virando para seus homens antes de entrar. Os homens ficaram surpresos mas compreenderam a situação rapidamente.

                Os três se ajeitaram nos sofás confortavelmente e a conversa começou. Rael narrou os fatos de seus problemas com o clã Sarbaros enquanto apresentava os documentos e provas conforme a conversa avançava. Elidas sempre balançava a cabeça e confirmava com seriedade os pontos ouvidos, prestando toda a atenção possível.

― Com tudo isso não há mais erros, você teve toda razão sobre o que fez. Eu vou passar imediatamente os documentos, oficializando você como o novo governante daquela cidade. ― disse o imperador, tirando do bracelete um conjunto de papéis que começou a conferir nas mãos.

                Enquanto o imperador olhava os papéis, Neide olhou para Rael e fez um gesto com os olhos, perguntando se ele ainda queria usar a última prova que mostraria o poder de Rael em ação e todas as coisas mais. Rael fez um sim com a cabeça confirmando.

― Ainda não terminamos, Imperador.Temos uma última prova que gostaríamos que o senhor verificasse. ― disse Neide, estendendo a pedra espiritual de informações: ― Esta é a pedra contendo as últimas memórias de Helks, o antigo patriarca.

                O imperador ia revisar educadamente e dizer que estava tudo certo, mas durante as explicações ele ouviu atentamente tudo e não acreditou que Rael teria mesmo sido capaz de eliminar sozinho o próprio patriarca. Uma chance daquelas de ver uma prova real sobre a verdadeira luta, ele não poderia perder.

― Está tudo certo, mas já que insistem, então vou conferir imediatamente. ― disse o imperador e ativou a pedra que criou as imagens à frente, como uma tela que todos poderiam ver e ouvir. Conforme ele avançou, encontrou a parte da luta e a cada cena que se passava ele ficava ainda mais chocado. Elidas a todo momento se virava e olhava Rael como se nunca o tivesse visto antes, ele várias vezes olhou o braço direito de Rael.

                Elidas ficou tão chocado que começou a suar, principalmente no último golpe, quando viu pela visão de Helks o rosto do dragão no punho de Rael o engolindo. Rael não era um dragão obviamente, e mesmo que fosse, eles não saberiam que dragões poderiam ter forma humana, mas aquilo deixou Elidas tão surpreso que ele quase desabou de seu lugar. Outra a ficar impressionada foi Neide, que não tinha visto essa parte. Os dois olharam para Rael com olhos de pura admiração.

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Capitulo liberador por doação, agradeçam a: Leonardo Medeiros Schmidt