O Herdeiro do Mundo

123 - Desespero

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Adam e Rita pareciam ser os únicos que ainda tinham forças para lutar pela situação, embora fosse obvio que nada ali poderia evitar o que estava por vir. Barbara continuava de rosto baixo e sem qualquer esperança em seus olhos vermelhos.

Por mais que Adam e Rita gritassem, nada poderia ser feito. Pela primeira vez Rael se viu em uma situação imutável. Ele que sempre acreditou estar pronto para tudo naquele dia conheceu a face do medo, do desespero como o próprio Helks disse anteriormente.

― Você não tem ideia do quanto doeu em mim ver você matar meu filho. Eu poderia fazer o mesmo com seus pais na sua frente, tirar o coração de cada um e espremer bem diante dos seus olhos. Mas não sou um monstro como você, vou dar a eles uma morte muito mais rápida, embora possa ser um pouco mais dolorosa também. Morrer queimado não deve ser nada agradável, você não concorda? ― perguntou Helks. Nesse momento a esposa de Helks chegou bem arrumada, trajando um vestido escuro e parou a alguns metros, satisfeita. Como o marido, ela também tinha sofrido muito com a perda do filho e queria ver tudo o que Rael passaria hoje.

― Eles não! Eles não têm nada a ver comigo, não são minha família de verdade! ― Disse Rael em um tom de desespero, olhando Helks.

― O que disse?

― Eu não me chamo Samuel, meu verdadeiro nome é Rael, sou o filho de Romeo e Elisa, eles são meus pais. Essa família que você tem de refém não tem nada a ver comigo. ― disse Rael apressadamente, contando toda a verdade.

― Se eles não tem nada a ver com você, porque perdeu o seu tempo vindo até aqui para resgatá-los? Hahahahaha! ― Helks riu enquanto olhava de lado. Ele nem tinha começado a matá-los e Rael já estava começando a se desesperar.

― Eu sou o culpado da morte de seu filho, então é a minha vida que você tem que tirar, e não a deles! Me mate se você tiver coragem! ― rugiu Rael.

Helks ignorou o pedido de Rael e lançou um sorriso para sua esposa, que sorriu de volta aprovando as ações do marido.

― Samuel, não! Por favor, não o machuque! ― gritou Rita de volta. Embora tivesse ouvido o que ele tinha acabado de dizer, ela não acreditou. Ela pensou que Rael estava fazendo aquilo para tentar defendê-los.

― Filho, você tem muito mais futuro que esse velho comerciante. Se essa vida pode ser dada para salvar a sua, que assim seja! ― disse Adam rapidamente em seguida.

― Salvar a vida dele? ― zombou Helks de volta. ― Depois que eu terminar com vocês três ele será o próximo. Vocês todos irão se encontrar do outro lado! ― disse Helks e se aproximou de Adam.

Rael vendo isso apertou os dentes e forçou a se levantar. Apesar de ter conseguido, foi segurado pelo elder de trás, que o apertou tanto na corda como nos cabelos, forçando Rael a assistir o que estava prestes por vim.

― Pai, não!! Nãoooo!!!  ― Rita gritou, vendo o pai ser tirado da mão do elder e ser empurrado por Helks para a incineradora. Ele parou bem em frente.

― Seu desgraçado, solta ele! Ele é inocente! Esse homem não é meu pai de verdade! Ele não tem nada haver comigo! ― rugiu Rael, e mesmo que ele tentasse usar seu poder ele não conseguia, porque a Coleira de Controle parecia querer sufocá-lo sempre que tentava. A Coleira brilhava toda vez que Rael forçava seu poder. E mesmo que ele lutasse para se soltar, sem poder era impossível se livrar das cordas e do elder.

― Paaaaaai! ― Rita gritou de novo era outra que tentava lutar inutilmente.

―Solta ele! Solta ele! Solta ele! ― Rael gritava. Agora Helks já estava com ele de frente para a incineradora. Um elder se aproximou e abriu a porta de aço. O brilho laranja que só poderia ser visto antes pelas curtas fresta de aço, agora foram liberados completamente pela grande porta, mostrando labaredas de fogo intensas sobre um mar de brasas vermelhas.

― Está sentindo o desespero, Samuel? Vê como é estar prestes a perder alguém que você ama? Agora, imagine a dor de perder. ― disse Helks segurando Adam por trás. Era inevitável que Adam não estivesse passando mal. Aquelas fortes ondas de calor emanavam sobre ele, e ele não era um cultivador. Adam não tinha qualquer defesa que pudesse ajudar a prevenir aquelas fortes ondas. Ele virou o rosto de lado na tentativa de evitar os maiores danos.

― Se você fizer isso, eu juro que, mesmo que eu morra cem vezes, eu me vingarei de você! ― rugiu Rael tentando insistentemente se soltar. A Coleira de Controle de Rael não parava de brilhar. Rita era outra que também gritava e de vez em quando sua Coleira brilhava. A única totalmente fora de ar era Barbara, que continuava com uma expressão de defunto, apenas esperando o pior acontecer sem lutar.

A mulher do patriarca estava mais sorridente. Ver o assassino de seu filho tão desesperado era confortante e prazeroso para ela. Ela não dizia uma palavra, mas seu sorriso mostrava a todos que ela era uma das que mais estava gostando daquela situação.

― Não se preocupem! Porque depois cada um de vocês se encontrarão do outro lado e ficarão juntos de novo, como uma perfeita e feliz família! ― disse Helks com um sorriso maligno olhando Rael. Adam não gritava, mas várias partes de sua face já estavam ficando vermelhas e ardendo devido as chamas.

― Desgraçado! Maldito! ― rugiu Rael furioso. Nessa hora a calça de Adam começou a pegar fogo devido o calor.

― Acho que agora não dá para segurar mais. ― disse Helks e empurrou o homem para dentro das chamas escaldantes.

Rael viu como se fosse em câmera lenta e gritou o mais forte que pôde.

― Nãooooo!

― Paaaaaaaaaaai! ― Rita gritou do outro lado.

Adam foi engolido pelas chamas no mesmo instante, gritando miseravelmente de dentro. A porta foi fechada em seguida pelo elder do lado.

― Hahahahahahahahahahahahahaha! ― Helks vendo o estado miserável de Rael não parava de rir: ― Sinta o que senti, seu lixo! Você matou meu filho, agora irá perder cada um dos que ama. Um a um, eu matarei a todos.

A esposa de Helks até suspirava de lado em alegria, a cara do sofrimento de Rael fazia ela se sentir extremamente bem.

― SEU DESGRAÇADO! ― Rael rugiu, concentrando com todas as forças seu poder. A coleira de Controle chegou a tremer no pescoço de Rael, mas foi inútil, ele perdeu as forças caindo de cara no chão novamente depois de se sentir novamente sufocado.

Rita agora estava chorando sem forças para lutar. Ela se tremia e soluçava sem parar. Ela nunca tinha passado por uma situação tão difícil na vida antes.

Rael estava muito pior. Porque ele sabia que a culpa daquilo era dele, mas ao mesmo tempo ele culpava Violeta também, desde o começo era ela quem havia dado a ideia de Rael ter uma falsa família.

― Sabe quem me passou as informações da sua família, Samuel? Foi a mulher que você chama de mãe verdadeira, Elisa. Ela me mandou uma carta com todas as informações precisas, eu nem precisei me esforçar muito para descobrir. ― disse Helks.

Quando Helks disse quem passou as informações, o peito de Rael queimou mais ainda. Aquela maldita mulher estava sempre trabalhando pelas costas de Rael. Rael nunca teve tanto ódio antes por uma pessoa como estava tendo de Elisa. Rael jurou a si mesmo que jamais a perdoaria, se ele conseguisse de alguma forma ficar vivo, ele se vingaria da pior maneira possível.

― Elder Cássio, vá buscar aquela traidora para ela se juntar a festa. Antes que eu me esqueça, quero que todos vejam o que acontece com quem me trai. ― disse Helks. O tal elder Cássio fez um sim com a cabeça e saiu para cumprir a ordem.

Não estavam somente elders nos arredores. Vários cultivadores mais fracos estavam assistindo a tudo de uma distância maior. Alguns tinham lutado contra Rael e outros tinham chegado com a movimentação que tinha se formado. Mais pessoas continuavam chegando.

― Agora, vamos continuar aqui. ― disse Helks chegando até Barbara.

― Minha mãe não, por favor, ela nem sequer está mais consciente… Senhor, por favor, pode me matar, mas minha mãe não! Eu imploro! ― pediu Rita vendo que a próxima seria Barbara. Era de partir o coração ver uma garota que nem era adolescente ainda fazer tal pedido, mas tanto os elders como o patriarca e sua esposa não estavam incomodados com aquilo. A perda deles era muito numerosa para lembrarem o que é ter alguma humanidade.

― Cale boca! Você é a irmã de um monstro e vai ter o mesmo destino! ― disse Helks enquanto tentava empurrar Barbara. A mesma nem se quer respondia a movimentos.

― Maldita cadela! Anda! ― Helks chutou o peito dela a derrubando no chão.

― Mãaaaae! Paraaaa! Por favor, para! ― Rita gritou e tentou se levantar. Helks olhou feio para o elder que segurava Rita e o mesmo deu um tapa de mão aberta no rosto da menina. Rita foi parar no chão escutando o (Zuuuuuuuum) no ouvido. Ela ficou atordoada. Rael assistia a tudo paralisado. Ele começou a delirar consigo mesmo. Talvez aquilo tudo fosse um pesadelo e ele acordaria em breve…

― Cadela inútil! ― Helks chutou a pobre Barbara mais três vezes, quebrando algumas costelas dela no processo, a mulher não era uma cultivadora e seu poder defensivo era zero, qualquer agressão de alguém mais forte a machucaria facilmente. Ela se contorcia e tossia com dificuldade em respirar e mantinha os olhos abertos, mas eles não tinham foco algum. Rita ainda estava zonza e olhava para a mãe enquanto chorava.

Antes deles ficarem naquela situação, foi Barbara quem mais implorou pelas suas vidas. Ela queria pelo menos ter salvado sua filhinha e, mesmo implorando de todas as formas, não obteve êxito. Chegou uma hora depois dela chorar tanto que perdeu a consciência com o terror que estava a caminho, ficando daquele jeito. Adam e Rita a chamaram várias vezes, mas ela já não respondia. Como uma mãe podia suportar ser presa por dias, sabendo que todos seriam mortos? Ela não conseguiu ir muito longe.

― Cadela nojenta! ― Helks não teve outro jeito a não ser se agachar e jogar a mulher no próprio ombro. Assim ele se dirigiu para a incineradora.

― Mãaaaaaaae! ― Rita voltou a gritar e recebeu dessa vez um chute no peito ficando sem ar pelo mesmo elder que a mantinha presa. Não foi tão forte como Helks bateu em sua mãe e por isso não chegou a quebrar nada, mas foi suficiente para deixá-la roxa e sem ar.

― Agora chegou a vez de sua mãe, Samuel.Veja novamente o destino que você trouxe a eles. ― disse Helks parado na frente da incineradora. A porta foi aberta e o fogo rugiu de dentro, tentando sair enquanto emanava para fora as fortes ondas de calor.

― Está sentindo o desespero? Sente como é perder um ente querido? Agora você conhece a dor que eu passei? ― perguntou Helks parado, olhando Rael.

Eles foram interrompidos pelo elder que havia saído a pouco, ele agora estava voltando trazendo Ana amarrada, com a boca amordaçada e a Coleira de Controle no pescoço.

― Humhuuumhumm! ― Ana tentava falar vendo Rael, mas não conseguia. Ela pegou toda a situação instantaneamente.

― Finalmente trouxe ela. ― disse Helks satisfeito.

Ana foi levada para o lado de Rita e continuou amordaçada e segurada pelo elder.

― Eu ainda não sei como vocês se comunicavam. Ela não tinha nenhum anel de comunicação, mas tenho que admitir que você foi esperto. Se não fosse pelos vários relatos dos meus homens se gabando de terem trepado com Ana, eu não teria ligado os pontos tão facilmente. ― disse Helks. Ana não tirava os olhos de Rael, ela estava irritada.

Ana era a única que estava naquela situação forçadamente e não havia maneiras dela não culpar Rael, o problema é que ela não podia falar e mesmo tendo sido torturada todos esses dias, ela não ousou soltar um pio, porque sabia que morreria pela sombra. Por isso, o estado corporal de Ana não era dos melhores, ela tinha manchas vermelhas pelo corpo, marcas de queimaduras e até o rosto marcado dos espancamentos que recebeu.

― Ana, veja o que vai acontecer com você em breve. Esse é o preço por me trair. ― disse Helks e atirou o corpo de Barbara para dentro.

Vrooooooooooft!

As chamas se alastraram, recebendo e engolindo o corpo dentro do fogo ardente. A porta foi fechada logo em seguida, mas dessa vez não houve gritos.

― Mãaaae… ― Rita chorou vendo aquela cena. Seus pais tinham sido mortos e ela odiava não ter podido defendê-los. Ela era a única cultivadora além de seu falso irmão. Ela também se sentia culpada por não ser capaz de enfrentá-los.

Mesmo a morte de Barbara não despertou Rael. Ele estava em um estado ao qual não se importava muito, ele via tudo acontecendo em sua frente mas já tinha meio que desligado os sentimentos. Isso parecia estar ajudando a evitar sentir tanta dor.

Isso decepcionou um pouco Helks e sua esposa, que um pouco antes estavam se deliciando com o estado de Rael, agora ele quase parecia uma Barbara.

― Dói demais, Samuel? Oh, deixe-me ajudar você, chegou a vez da sua irmãzinha. ― disse Helks se dirigindo para Rita.

Rita ouviu bem e sabia que seria a próxima. Ela estava sentindo muita dor no peito por causa da perda e mesmo assim ainda ficou triste por estar prestes a morrer e saber que Rael também morreria depois. Ela não culpava Rael por nada, desde o começo ela jamais pensou em Rael como o culpado, para ele o culpado por tudo aquilo era Helks.

― Você não quer ver seus pais? Deixe-me te mostrar para onde eu os enviei. ― disse Helks se agachando e agarrando Rita a forçando a se levantar. Ela não lutou porque sabia que era inevitável, mas juntou todas as ultimas forças para gritar alto enquanto Helks a levantava.

― Samuel! Eu amo você! ― disse a menina com toda força que conseguiu reunir e olhou para Rael enquanto lágrimas corriam pelos seus pequenos olhos: ― Os poucos dias que passamos juntos foram os mais felizes que já tive! só quero que você saiba disso: Eu te amo! ― disse a garota sendo arrastada para perto da incineradora.

― Que bonitinho, você não terá que se preocupar menina, seu irmão estará bem atrás de você em breve. ― disse Helks rindo.

Ana assistia a tudo de olhos arregalados e assustada, ela sabia que ela logo seria morta também.

Rael pareceu ter sido tocado pelas palavras de Rita e olhou para ela recuperando parte da consciência. Ele continuava sendo segurado pelo elder, tanto nas mãos por trás quanto na cabeça. Não havia nada que ele pudesse fazer…

― Chegou sua vez, irmãzinha amorosa. ― disse Helks no ouvido dela e retirou a Coleira de Controle da mesma. O elder ao lado liberou a porta, deixando o fogo soprar para fora. Rita chegou a virar o rosto de lado com as fortes chamas que sentiu. O coração dela estava disparado no peito diante da morte. Mesmo sem Coleira, ela não poderia fugir da mão de um décimo primeiro reino, por isso ela nem tentou lutar.

Rael não implorou, ele sabia que era inútil e só estaria dando prazer para Helks e sua esposa. Mas ele sentiu dor, uma dor que nunca tinha sentido antes, a não ser quando soube que os mandantes de sua morte eram seus pais.

― Veja sua irmã queimar agora, Samuel! ― gritou Helks e empurrou Rita para as chamas. A menina apertou os olhos com força enquanto era lançada para frente.

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Capitulo liberado por doações. Agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann




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