O Herdeiro do Mundo

122 - Luta Contra os Elders (Parte 2)

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

As ondas de raio estavam muito maiores no braço de Rael. A armadura aumentava o atributo raio em +30%, o deixando ainda mais poderoso.

― Técnica Impulso do Trovão! ― rugiu Rael de dentro da armadura, ativando a mesma habilidade que Heitor usou contra ele. Essa técnica aumenta em +75% a velocidade de movimento e +15% o poder do elemento Raio. Somando o aumento da armadura com a habilidade Rael tinha +45% mais poder com o elemento Raio. Os raios ficaram ainda mais amplificados nas mãos de Rael. Sem mencionar as várias auras que corriam pelo seu corpo.

Embora Rael pudesse curar e usar várias técnicas simultâneas, isso tinha um sim um gasto de energia. Mesmo que não fosse muito grande, ficar fazendo aquilo constantemente poderia deixá-lo fraco ao longo da luta.

ZuuuuP!

Rael se moveu tão rápido que os dois elders não tiveram muito tempo para similar o que tinha acontecido. O punho de Rael rasgou o ar carregado de ondas de raios que rugiam enquanto se dirigiam para o rosto de Carlos.

Zumzumzum… Booooooom!… Zuuuup!

O ataque explodiu no rosto de Carlos, que foi lançado violentamente para trás, girando várias vezes no ar antes de cair rolando dezenas de metros depois pela rua.

Apesar de serem pegos de surpresa, a reação de Treves foi bem rápida. Ele sacou uma espada de porte médio e a cobriu de energia roxa. Ele já estava atacando contra Rael enquanto pronunciava o nome de sua técnica.

Zumzumzumzum!

Booooooom! Braft!

Treves foi esmagado um metro no chão pelo clone que tinha sido criado enquanto Rael avançava para atacar Carlos, e em vez de seguir correndo atrás, ele saltou por cima, atingindo Treves em cheio no peito, que cuspiu uma quantidade significativa de sangue.

Carlos e Treves foram atacados quase ao mesmo tempo, e agora haviam dois Raels. Sauro ficou de olhos esbugalhados e confuso.

O clone de Rael não esperou Treves se recuperar do impacto. Ele concentrou formando a espada de terra e a estocou contra sua cabeça. Rael tinha que eliminar rapidamente aqueles elders ou poderia se complicar em tentar lutar contra eles simultaneamente.

Sauro fez seu movimento. Foi tão sutil quanto uma pena. Ele passou como uma sombra pelo verdadeiro Rael, que mesmo ativado com três técnicas de movimento teve dificuldade em acompanhá-lo.

Boooom!

O clone de Rael sofreu um ataque nas costas. O clone voou sem rumo contra uma casa derrubando a parede e atravessando a segunda saindo do outro lado. O impacto foi estrondoso.

Rael ativou o Espaço Ilusório imediatamente quando viu Sauro se movendo para suas costas. O soco que deveria ter varrido Rael para longe passou transparentemente atravessando as costas e saindo no peito de Rael. Rael pôde ver o punho fechado dele surgindo em seu peito. Durante o uso da habilidade, a visão em volta se mesclava com uma realidade alternativa de uma remota cidade destruída e deserta.

Rael saltou para cima de uma casa ainda com o espaço ativado, desativando só quando pousou na laje, percebendo que Sauro continuava no mesmo lugar.

― Interessante, você tem muitas técnicas, algumas delas eu já vi durante o torneio. ― elogiou Sauro, parado ao lado do companheiro.

Treves travou os dentes, se levantando lentamente cheio de dores. Ele já tinha tomado vários ataques diretos, estando totalmente de guarda aberta.

Rael mordeu os lábios irritado. Ele tinha falhado em tirar a vida de pelo menos um deles e aquilo poderia complicar a sua situação.

O clone de Rael voltou caminhando com um pouco de dificuldade, a armadura estava inteira na parte da frente, no entanto nas costas estava um pouco destruída. O golpe de Sauro tinha sido para matar. Se não fosse pela armadura, o clone de Rael não tinha se levantado novamente.

Embora o clone pudesse usar as habilidade de Rael e copiá-las de igual. Havia um custo para isso e quanto mais aquela batalha se prolongasse pior seria.

― ‘Teremos que ir com tudo! Não pegue leve!’ ― disse Rael ordenando ao clone para não economizar forças. Aqueles três pareciam ser os mais fortes do clã, se Rael pudesse lidar com eles então seria provável que ele conseguiria vencer o restante.

O clone de Rael se concentrou curando os próprios ferimentos. Em seguida concentrou novamente a energia no braço direito e saiu correndo na direção de Sauro. Treves tinha acabado de se levantar e os dois juntos olhavam o clone vindo correndo na direção deles. O clone era uma mera distração para o que Rael estava prestes a fazer.

Rael concentrou sua energia na habilidade especial da armadura. Puxando a energia e levando a boca, a armadura era capaz de atirar uma bola de raios com uma habilidade chamada Cuspe do Trovão. Rael nunca tinha usado ela antes, mas sabia como funcionava por ter a armadura sob seu controle, embora não conhecesse exatamente sua força de ataque e o quanto de energia ela usaria.

Enquanto Rael continuava juntando energia que começou a se formar em frente ao rosto, o clone atacou os dois. Sauro se moveu como uma sombra para o lado e Treves saltou fugindo. O clone correu na direção do mais fácil que era Treves. Sauro ficou indeciso se atacaria o clone ou Rael, mas vendo a movimentação do companheiro ele achou mais sensato esperar.

Carlos apareceu de surpresa por trás já com uma lâmina procurando cortar a garganta de Rael. A lâmina vinha brilhando com uma técnica misteriosa ativada e o corpo dele estava coberto por uma majestosa aura cinza. Seu rosto não estava muito bom, estava com os olhos inchados e sangue escorrendo, mesmo assim ele tinha visão suficiente para dar aquele golpe em Rael que poderia acabar com tudo.

Eles tinham ordens para aleijar Rael porque deveria ser uma tarefa fácil, mas aquilo estava se mostrando extremamente difícil, então eles teriam que eliminar Rael antes que situação ficasse ainda mais difícil.

Zuuuuup! Vuuuuup!

Carlos rasgou o ar passando direto por Rael e quando se virou viu a formação de energia na boca de Rael. Rael não estava com planos de atacar esse, mas ele não apareceu exatamente em uma má hora.

Durante a luta, Rael não baixou a guarda por nenhum segundo. Ele manteve seus sentidos focados nas três auras dos elders que eram as maiores do local. Por isso ele não foi pego de surpresa.

― Carlos, fuja! ― Sauro gritou para o companheiro, mas era impossível porque o mesmo ainda estava no ar e tinha acabado de passar por Rael.

Uma bola de raios com cerca de meio metro de circunferência tinha se formado na frente da boca de Rael. Ela não parecia ser grande coisa em tamanho, mas em relação a poder era majestosa. O poder era tão forte que parte da laje embaixo dos pés de Rael estava virando pó e sendo puxada pelas intensas linhas de raios.

Rael não teve o que fazer a não ser aproveitar a chance e cuspir contra as costas de Carlos que estava virado de lado olhando Rael prestes a aterrissar no chão.

Vraaaaaap! Zuuuuuum! Caaaaaabo!

A explosão criou uma imensa onda de raios e vento jogando Rael três metros para trás mesmo tendo sido atirada a uns cinco metros a frente. A beirada da parede que Rael estava antes foi derrubada e destruída em vários pedaços junto a uma boa parte da casa.

A forte onda de vento correu pela cidade e até mesmo moveu algumas carruagens paradas. Alguns dos cultivadores mais fracos que assistiam a luta de longe chegaram até a cair no chão. Aquilo não foi uma simples explosão. Parte do chão criou rachões que se espalharam em volta.

O ataque de Rael criou um buraco de mais de três metros de profundidade no meio da rua, com cerca de uns seis metros de diâmetro e ainda espalhando alguns rachões. Sauro, que tinha tentado se aproximar para proteger seu parceiro, teve o braço esquerdo quebrado no processo e foi lançado vários metros para trás, caindo longe rolando pela rua.

Carlos foi espedaçado junto ao ataque e não sobrou nem mesmo seus ossos para contarem a historia. Um décimo reino nível quatro morreu miseravelmente na mão de Rael.

Treves não tinha tentado fazer nada e ainda assim foi jogado alguns metros para trás sofrendo algumas queimações no rosto e no peito devido as ondas que se espalharam. O clone de Rael tinha desistido dele assim que Rael atirou a bola e correu para se afastar.

Rael ficou impressionado com o poder de ataque do Cuspe do Trovão. Ele mesmo arregalou os olhos surpreso porque não esperava tudo aquilo. Mas aquilo teve um alto preço. Rael sentiu uma dor no peito e uma falta de ar.

O clone de Rael estava prestes a tentar novas medidas contra Treves e desapareceu no ar devido a falta de poder de Rael para mantê-lo ativo. Aquela situação estava se tornando um grande pesadelo.

― ‘Droga! Eu não imaginei que isso fosse consumir tanta energia!’ ― rugiu Rael mentalmente respirando com dificuldade. O Cuspe do Trovão tinha sugado uma quantidade de energia significativa de Rael e ele com certeza não esperou por aquilo. Se ele tivesse testado a habilidade antes de usar, não teria ficado naquela situação.

Rael ocultou sua aura e tentou se esconder entre uma casa e uma carruagem. Ele engoliu duas pílulas de recuperação depois de desfazer a armadura. Agora ele precisava economizar energia.

Booooom!

Rael nem sentiu a presença de Sauro chegando por trás. Com um único golpe nas costas e Rael voou para frente se chocando e quebrando a parede de uma casa. Rael foi parar aos pés dos proprietários da casa que gritaram assustados. Um homem adulto e uma mulher. Eles pularam para trás e ficaram no canto da parede.

Rael até tentou se levantar, mas estava muito fraco e sentiu que tinha quebrado três costelas.

― ‘Maldição!’ ― Rael nunca tinha sido tão descuidado antes. Tudo isso tinha acontecido devido a pressa para salvar seus conhecidos. Seus falsos familiares.

Sauro entrou na casa e com o braço direito bom ele puxou Rael pelos cabelos o arrastando para fora como se fosse um grande saco de lixo.

― Você nos deu um grande trabalho, tudo o que fez hoje é imperdoável e eu devo acabar com sua vida agora mesmo! ― disse ele jogando Rael na rua. Rael rolou duas vezes pelo chão sem qualquer força restante. As poucas forças que tinha a pouco terminaram de serem consumidas com aquele ultimo golpe recebido de Sauro e foram usados para proteger sua vida.

― É inacreditável que você tenha sido capaz de mostrar tamanho poder e pôde até mesmo matar Carlos sem dar a ele a menor chance, sem esquecer o fato que você matou outros cultivadores. Esse desastre termina aqui! ― disse Sauro juntando poder em sua mão direita. A aura de Sauro era azul como a água. Ele não deveria ser um cultivador especialista em batalhas como a maior parte, mas o seu nível de cultivo o colocava como o segundo elder mais forte em todo clã, perdendo apenas para o patriarca Helks.

― O que está acontecendo aqui, Sauro? O que acha que está fazendo? ― o patriarca Helks havia acabado de chegar junto com mais quatro elders mais novos. Ele apareceu caminhando enquanto ia absorvendo toda a situação em volta.

― Senhor patriarca! ― disse Sauro com um tom de respeito de volta, mas não escondeu sua mão prestes a atacar contra Rael: ― Esse jovem cultivador acabou de matar o nosso elder Carlos e ainda matou vários outros cultivadores mais fracos, ele é um rapaz perigoso e deve ser morto imediatamente! ― disse Sauro com a mão tremendo.

― E ele terá uma morte assim, tão fácil? Já esqueceu o que esse monte de lixo fez com meu filho? Dar uma morte assim para ele sem deixá-lo sentir o desespero seria muita gentileza de sua parte. ― disse Helks fazendo um tipo de coleira prateada aparecer na mão.

― Mas senhor, esse jovem é perigoso. Eu já vi ele se recuperar totalmente de ferimentos quase fatais. O senhor também já o viu fazer isso na arena. ― indagou Sauro ainda com a mão tremendo. Ele queria dar o ultimo golpe em Rael de qualquer forma.

― Besteira! Temos em nosso poder vários décimos reinos e até você no décimo primeiro. Como espera que não podemos lidar com um lixo desses? Ainda mais ferido como está. Prenda isso no pescoço dele e irá ajudar a mantê-lo desconcentrado. ― disse Helks e atirou a Coleira de Controle.

Coleira de controle era usada em pessoas que estavam prestes a virar escravos. Ela descontrolava a concentração de uma pessoa evitando assim que a pessoa pudesse usar seu poder ou suas forças. Assim o cultivador não poderia lutar contra nada, se tornando uma presa fácil para qualquer manipulação.

Sauro não estava com as duas mãos boas porque um braço estava quebrado, mas fraco como Rael estava não seria um problema colocar aquilo, mesmo com uma mão só. Ele só precisou se agachar e facilmente passou o objeto pelo pescoço de Rael, apertando a trava com a mão boa.

Rael tentou lutar contra o poder da Coleira de Controle usando suas últimas energias restantes, porque ele sabia que depois essa coisa seria um grande problema. Fraco como estava, ele não conseguiu e a coleira o fez sentir como se o próprio corpo estivesse dormente, fazendo ele perder o controle de todo o seu poder. Se é que restava algum sobrando.

― Pronto, está vendo? Ele agora é como um simples animal preso. ― disse Helks satisfeito depois de ver a Coleira de Controle exibir um brilho verde, dando sinal de que tudo tinha dado certo.

― Amarrem as mãos e tragam-no. É hora de fazer ele passar pelo desespero que eu passei naquela maldita arena. ― disse Helks se virando. Os outros elders se aproximaram de Rael para cumprir as ordens.

Sauro saiu de perto e começou a concentrar sua energia do tipo água no braço quebrado usando a outra mão. Ele não poderia se curar como Rael instantaneamente, mas em alguns minutos ele poderia recuperar completamente o braço, desde que se mantivesse curando. O elemento Água era o mais próximo do elemento Vida, por isso havia algumas habilidades de regeneração para esse elemento.

Rael foi amarrado com as mãos para trás e arrastado para o fundo da cidade em um espaço mais longe das casas. Havia um grande incinerador que deveria ser usado para fins relacionados à mineração. Quase todos os clãs que mexiam com mineração tinham um desses.

Rael estava tonto e fraco, mas plenamente consciente. Ele tinha sido forçado a caminhar mesmo aos trancos e barrancos. Ele havia visto que a alguns metros do incinerador tinha algumas pessoas, dentre elas três cultivadores de pé, eram mais três elders. A frente de cada um deles, estava sua falsa família, ajoelhados e amarrados com as mãos para trás. Rita estava com outra Coleira de Controle.

― Samuel! ― gritou Rita assim que o viu e tentou se levantar mas a mão do elder atrás dela segurava sua cabeça.

― Filho! ― o segundo a gritar foi Adam. Ele também tentou lutar, mas foi facilmente contido pela mão do elder em seu ombro. Ao lado de Adam estava a esposa de rosto baixo, ela estava com os olhos tão vermelhos que parecia estar chorando por dias.

― Rita! ― gritou Rael de volta, tentando se mover mais depressa na direção dela. O elder que segurava Rael por trás o chutou fazendo ele cair com a cara no chão de terra.

― Ela é sua irmã e esses dois são seus pais. Imagino como será pra você assistir a morte deles sem poder fazer nada. ― disse Helks passando a frente de Rael com as mãos para trás. Ele se virou para Rael e um sorriso frio apareceu em seus olhos brilhantes. Rael levantou a visão e encarou Helks a frente sentindo um ódio profundo em seu coração mas sem poder fazer nada.

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Capitulo liberado por doação. Agradeçam a: Iuri Muniz Barreto Souza

E

Gabriel Bonifacio da Silva




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