O Herdeiro do Mundo

120 - Chegada ao Clã Sarbaros

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Enquanto Rael saia da caverna, ele percebeu as mudanças em seu poder. Agora ele conseguia sentir energia fluindo do solo, e não só isso, seus sentidos estavam mais aguçados. Ele podia sentir até pequenas formas de vidas, como insetos próximos, até mesmo algumas bestas mais distantes que antes ele não podia sentir.

                Depois de chamar Ralf, Rael partiu deixando a área para trás, pensando em quando Alexia viria cobrar o preço por sua ajuda.

― ‘Espero que ela não apareça tão cedo!’ ― Rael não conseguia parar de pensar no fato. Principalmente quando ele imaginava em que tipo de mulher um dragão chifrudo daqueles poderia virar. Ele fazia caretas no ar enquanto lembrava da voz rouca que ela tinha também.

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Já era de tarde quando Rael chegou voando por cima da cidade Elunia sobre Ralf. Agora que ele podia voar e chamar Ralf de volta ainda no ar, não era um problema se aproximar tanto e assim. Contanto que as pessoas não se aproximassem, tudo era tranquilo. E essa cidade não tinha nenhuma grande potência que poderia chegar voando para checar Ralf e Rael rapidamente.

                Um minuto depois, ele estava fazendo um pouso suave próximo em uma das ruas da casa de sua querida Rita. É claro que pessoas próximas ficaram olhando, mas Rael simplesmente meteu um dane-se e saiu da área rapidamente, como se nada tivesse acontecido.

                Chegando em frente a casa, Rael estranhou por não encontrar Adam e sua barraca. Não tinha ninguém, nem nenhuma barraca na porta.

― Rita! ― Rael chamou assim que chegou perto da porta. Não houve respostas. Rael rapidamente lançou seus sentidos e percebeu que não havia ninguém. Mas para onde eles teriam ido? Aquilo deixou Rael confuso.

― Com licença, jovem mestre. ― um jovem branco, mal vestido e com algumas manchas vermelhas pelo rosto chegou perto de Rael, ele não tinha mais do que dezesseis anos: ― O senhor por acaso se chama Samuel? ― perguntou ele com expectativa.

                Rael analisou rapidamente, o garoto estava apenas no reino dois nível dois. Ele tinha no pescoço as correntes tatuadas da escravização e tinha o nome “Sarbaros”. No mesmo instante, o coração de Rael disparou e ele ficou mais sério.

― Sou. O que você quer? ―perguntou Rael rapidamente.

― Meu mestre manda um recado: “Samuel, você que matou meu filho Heitor. Quero que venha sozinho ao meu clã, pois estou com sua família. Se eu sentir qualquer presença a mais além da sua, matarei todos imediatamente. ― disse o jovem.

― Mas o quê? ― Rael arregalou os olhos surpreso.

― Você entendeu o recado, jovem mestre? ― perguntou o escravo. Rael estava tão nervoso que mal conseguia pensar em uma resposta.

― Quando isso aconteceu? Me diga agora! ― rugiu Rael e levou as mãos, segurando a gola da camiseta do jovem, que foi levemente balançado por Rael.

― O senhor entendeu. Agora posso morrer em paz. ― disse o jovem e se concentrou fechando os olhos. Rael sentiu que ele estava focando sua própria energia.

― Espere, o que você está fazendo? ― Rael soltou a gola e apertou os ombros dele, mas foi incapaz de impedir. O jovem a frente destruiu a própria cultivação usando algum tipo de técnica suicida. De cada pedaço de sua pele vazou uma quantidade significativa de sangue. Antes de morrer completamente, ele ainda abriu os olhos mais uma vez e sorriu, enquanto seu corpo mergulhou sem vida caindo de costas. O corpo caído formou uma imensa poça de sangue que chamou atenção de algumas pessoas que passavam próximas no momento. Rael estava com um olhar abismado.

                Rael entendeu que mandaram ele se suicidar depois que passasse o recado. Escravos não tinham quase nenhum valor, além do mais, eles não queriam que Rael tivesse a chance de conseguir qualquer informação extra.

― Esses malditos! Eles ousaram fazer tal coisa, realmente perderam a vontade de viver! ― rugiu Rael concentrando seu poder e flutuando no ar. Ele foi completamente consumido pelo ódio enquanto parte dos seus olhos eram consumidos pela escuridão.

                As pessoas que haviam se aproximado chegaram a ver Rael partir voando, e algumas delas ainda sentiram seus corações tremularem com a fria aura que Rael liberou no ar. Alguns ficaram se perguntando se Rael era mesmo um mero quinto reino (Nível que eles podiam sentir).

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Rael conjurou Ralf somente seguro lá em cima nos céus e já partiram, ele estava com tanto ódio que não pensou qualquer coisa além de ir pessoalmente para o clã Sarbaros. Ele só ficou imaginando quem deu ao clã essas informações. Ele também pensou em Ana, que talvez ela tenha sido pega tentando passar informações a ele, porque a mesma não retornava nenhum contato.

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Mesmo com pressa, Rael só sabia levemente a localização do clã e por isso teve que descer em algumas cidades próximas para terminar de colher as informações necessárias. Depois voltou para Ralf e continuaram seguindo caminho.

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No clã Sangnos, o elder Ariel chegou caminhando apressado e parou ao lado do patriarca Arthur, que estava tomando um ar no quintal enquanto encarava a montanha a frente.

― Senhor, tenho péssimas noticias para informar. ― disse Ariel.

 ― Não me diga que fomos atacados por aqueles malditos ladrões outra vez? Eu já não mandei que exterminasse todos eles? ― perguntou o patriarca se virando, demonstrando um pouco de irritação.

― Não é sobre isso, senhor. Nosso assassino contratado foi encontrado morto, Samuel conseguiu de alguma forma matá-lo e depois fugiu. ― explicou Ariel. O patriarca ficou chocado, de todos os problemas que poderiam surgir, aquele era o mais inusitado.

― Como? Ele é a merda de um quinto reino, apenas. Como um oitavo reino não conseguiu eliminar um lixo desses? ― o patriarca perguntou irado.

― Não sei, senhor. Talvez ele tenha obtido ajuda fora da cidade antes de partir ― disse Ariel, que realmente não fazia a menor ideia de como poderia ter acontecido tal fato. Se eles soubessem que algo assim pudesse falhar, teriam mandando alguém assistir de longe, mas o resultado era completamente inesperado.

― Pelo menos ele não tinha ligação com nosso clã e não podemos ser acusados de qualquer coisa. ― disse o patriarca em um tom um pouco aliviado, ainda que continuasse um pouco nervoso.

― Eu tenho uma notícia interessante que pode agradar o senhor. ― disse Ariel, depois de alguns segundos em silêncio.

― Então diga. ― o patriarca se virou novamente.

― Recebemos uma carta hoje do clã Torres mandada por Romeo. O conteúdo da carta é um pedido de ajuda e foi enviado para todos os clãs, grandes e pequenos. A carta pede ajuda para encontrar uma mulher com vitalidade acima de duzentos, e a recompensa por tal feito é monstruosa, como o senhor pode imaginar. ― disse o elder. No mesmo instante o patriarca abriu um sorriso, se lembrando de sua filha desertora.

― Aquela vadia da minha filha tinha uma vitalidade de trezentos. Mande imediatamente as informações para ele, não será difícil encontrar aquele traste. Também mande as explicações do porque mandamos cancelar o pedido de morte pela traição dela, e peça que eles acabem com o mestre dela, Verom, como uma parte da recompensa. É um pedido simples para um clã poderoso como o deles.

― Como o senhor desejar. ― disse Ariel, que cumprimentou o patriarca e saiu.

                O patriarca suspirou aliviado. Ele tinha o problema de Samuel ainda em vista, mas só o fato de saber que seu maior desafiador seria morto, ele já se sentiu extremamente aliviado. Ele sabia que sua filha desertora seria apenas uma barriga de aluguel para o patriarca Romeo, era um destino perfeito para uma filha traidora…

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Isabela e seu grupo voltavam de uma caça bem sucedida por uma floresta. Eles estavam despreocupados, conversando entre si.

                Depois que Isabela atingiu misteriosamente o oitavo reino tudo ficou mais fácil. As bestas não estavam tendo a menor chance contra eles. Todos ainda se ajudavam em batalha para se fortalecerem, mas era sempre Isabela a dar o golpe final.

                Isabela seguia na frente enquanto Luana falava sobre comprar novas armas. Parecia ser só mais um dos dias normais deles, até que a palma da mão direita de Isabela começou a esquentar um pouco. Ela seguiu caminhando normalmente acompanhando Luana, mas levantou a mão olhando sua palma. O símbolo em forma de (8) estava pulsando.

― Esperem um pouco. ― disse Isabela parando repentinamente. Luana e os outros dois atrás pararam.

― Isabela, algum problema? ― perguntou Luana preocupada.

― Eu não sei… Minha mão está quente. ― respondeu Isabela parecendo não ser nada demais enquanto continuava olhando o símbolo.

                Todos eles se viraram para uma poderosa energia que surgiu no céu como um raio. Um velho homem com idade de uns sessenta anos pousou suavemente em frente a eles. Sua barba rala e seus cabelos longos já eram brancos. Ele usava uma vestimenta de cores azul e vermelho, talvez para esconder um pouco seu corpo bem magro.

― Mestre Verom! ― disse Luana com um sorriso animado. Esse homem à frente era o mestre de Isabela. Mesmo sendo mestre dela, todos os chamavam assim como uma forma de respeito.

― Mestre, o que faz aqui? ― perguntou Isabela ignorando um pouco a mão.

― Quando pretendia me dizer que tinha alcançado o oitavo reino? Como sempre, você continua sem se preocupar em me dizer coisas importantes como essas. ― reclamou ele, caminhando na direção de sua discípula. Isabela na mesma hora lançou um olhar duro para Luana, sempre era ela a passar essas informações ao seu mestre.

                Não é que Isabela não gostasse do mestre, ela apenas o respeitava muito e não gostava de viver importunando-o com coisas pacatas. Na maioria das vezes, era Luana quem enviava as mensagens de algum problema.

― Eu ia te contar quando fosse até a cidade, o senhor não precisava vir atrás de mim. ― disse Isabela de volta, se virando para o homem a frente que havia parado a menos de um metro. Mestre e discípula se olhavam.

― Eu ouvi também que você finalmente tomou juízo e começou um namoro. Estava preocupado que minha discípula não pretendesse mais se relacionar depois do problema que teve em família. ― disse Verom com um tom mais alegre.

― Não é nada disso que o senhor está pensando! ― defendeu-se Isabela imediatamente. O velho homem riu alto.

― Hahahahaha! Tenho certeza que minhas fontes são extremamente confiáveis. ― disse o velho olhando Luana. Não foi só ele quem riu, os outros também acabaram rindo.

― Já não bastava eles para pegar no meu pé, agora o senhor também? ― reclamou Isabela um pouco irritada. Todos apenas continuaram rindo.

Quem entre eles não conheciam a personalidade de Isabela, a Indomável? Isabela nunca aceitava sair com ninguém, não tinha interesse em nenhum homem e ninguém a atraía. Ela frequentemente recusava presentes e propostas de jovens mestres.

Booooom!

                Eles ainda estavam rindo quando o poder de Isabela explodiu. Quase todos foram arremessado por vários metros para trás. O mestre dela deu um salto para trás ficando em uma distância de uns cinco metros, os outros foram parar muito mais longe, caídos pelo chão.

                O espetáculo foi assistido por todos, o mesmo processo de antes: Uma energia vermelha cercou Isabela e o corpo dela foi suspenso no ar.

                Quando ela caiu no chão seu reino já não era mais o oitavo. Ela subiu mais um reino inteiro sem qualquer explicação, enquanto sua mão direita, que queimava, finalmente começou a se acalmar.

― Isso é incrível! ― disse o mestre dela. O homem estava com os olhos bem abertos. Aquele tipo de aumento não era algo normal.

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                O clã Sarbaros estava localizado em uma cidade chamada Pico Azul, por trás de um conjunto de montanhas ao extremo Sul do continente. O clã ficava no fundo da cidade e tinha seus muros medianos em um pequeno território. Não chegava a ser tão curto, mas comparado com os territórios das grandes potências, aquilo não era nada.

Rael tinha acabado de chegar próximo e se ocultava pela floresta do lado de fora da lateral do muro. Agora era noite e ele estava com fome, tinha passado um grande tempo viajando sobre Ralf para chegar aqui. O anel de comunicação tinha chamado, mas ele não atendeu porque não era Laís, eram Mara ou os pais dela. Por isso, Rael ignorou.

                Violeta sempre o ensinou que uma pessoa com fome treina mais devagar ou luta pior, por isso, antes de avançar ele parou e fez uma rápida refeição com algumas bolachas e pães que ele tinha no bracelete, ele mais engoliu do que comeu, mas em todo caso serviria.

                Rael ocultou completamente sua aura e se esgueirou pelo muro enquanto os guardas não estavam vendo.

                Passar pelo muro foi moleza. Ele conseguia ocultar completamente sua aura sem nenhum problema daqueles guardas de sétimo e oitavo reino. Rael poderia fazer uma festa mas ele estava um pouco preocupado com o que eles fariam a Rita e seus falsos pais.

                A primeira meta de Rael era encontrá-los, depois ele pensaria no resto.

                Rael continuou cruzando pelos cantos e paredes das casas. Quando via alguém se aproximando, ele permanecia escondido atrás de uma parede ou de alguma carruagem estacionada. Ele já tinha lançado seus sentidos várias vezes, mas por alguma razão não conseguia encontrar a aura de Rita.

― ‘Se esses malditos tiverem feito alguma coisa com qualquer um deles…Eles me pagam!’ ― Rael não conseguia evitar pensar no pior, porque ele constantemente enviava seus sentidos e não achava qualquer sinal.

                Rael não teve outra opção a não ser se dirigir para o centro, mantendo sua aura oculta enquanto cruzava a cidade. O centro geralmente era onde ficava a residência do patriarca e era o local mais provável que estaria sua falsa família.

                Rael continuou se esgueirando até que sentiu como se tivesse cruzado uma fina teia de aranha. Essa sensação ele só teve no rosto. Isso o fez ficar alerta e olhar em volta apressado.

                Do céu, três cultivadores desceram voando sobre a cabeça de Rael. Eles acharam Rael instantaneamente.

― Jovem insolente, achou mesmo que ia conseguir cruzar todo nosso clã sem ser detectado? ― perguntou um dos três elders. Os três pousaram em frente a Rael.

                Várias energias se aproximaram. Sétimos, oitavos e nonos reinos cercaram Rael rapidamente e todos com armas em mãos. Lanças, espadas, machados, adagas, chakrams…

― Fico feliz em saber que sou tão bem recebido. ― disse Rael depois de ver que não tinha mais jeito. Ele estava cercado por cerca de uma centena de cultivadores. Todos tinham expressões bem feias.

― Não se preocupe sobre o nosso tratamento, porque ele será o melhor possível. ― disse o mesmo homem dos três. Eles estavam por trás da roda que cercavam Rael.

― Oh, sério? Se for o caso eu agradeço vocês, pois estou sentido saudade desde a última vez que arranquei um coração com a mão. ― disse Rael abrindo um sorriso. Seus olhos escureceram enquanto ele conjurava uma aura dourada pelo corpo.

                Vários cultivadores que o cercavam com olhares de ódio arregalaram os olhos, vacilando. Alguns deram passos para trás depois de sentir a forte intenção assassina de Rael. A energia era tão fria que deixava todos inquietos.

― Parem de ser covardes! Ele é um mero quinto reino nível dez! ― disse outro dos três que desceram voando. Esse era mais velho que o outro e estava no meio, entre os três.

― O grande elder Sauro tem razão! Vamos acabar com ele! ― rugiu um oitavo reino e isso animou os outros.

                As palavras do elder foi ouvida por todos ali. Aqueles que anteriormente estavam vacilantes, se controlaram e voltaram com o olhar de ódio para Rael perdendo o medo.

                Rael sorriu friamente com os olhos negros e seu braço direito foi tomado por uma cachoeira de raios.

― Vocês podem vir, mas saibam agora que não pouparei ninguém que ousar me atacar. Uma vez que o fizeram, vocês terão sua pena de morte determinada! Quem estiver pronto para morrer, venha! ― rugiu Rael, mostrando o braço direito levantado que rugia com o som de raios.

Zumzumzumzum!

― Vão agora e o aleijem! Quebrem as penas e braços dele como o patriarca pediu! ― disse o mesmo elder que a pouco tinha falado.

― Aaaaaaaaah! ― A multidão de cultivadores gritou enquanto partiam na direção de Rael.
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Capitulo liberado por doação à Agradeçam a: Marcos Vinicius Mota Kliemann