O Herdeiro do Mundo

119 - O Dragão Supremo (Parte 2)

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: Nego
O braço de Rael parecia um vulcão em erupção. Ondas quentes emanavam gerando um forte calor em volta. As aranhas que pareciam certas em atacar de inicio agora tinham parado e analisavam se valeria a pena o risco. Só o calor gerado do braço de Rael de longe já deixava elas quentes em um estado de quase queima.
Uma das aranhas mais ousadas decidiu atirar uma teia grossa. Rael ergueu o antebraço em chamas na frente e a teia se desmanchou em chamas facilmente, não só isso, o fogo se espalhou rapidamente pela teia e atingiu a lançadora fazendo ela cair do teto em chamas. A aranha caiu a alguns metros de Rael se debatendo tendo seu corpo coberto por uma bola de fogo, por apenas tentar atirar uma teia. As outras vendo isso já tinham a resposta do que precisavam fazer.
Correr!
― Não sejam tão apressadas, esperem mais um pouco! ― disse Rael, vendo elas se virarem para fugir. Preparou o punho no ar juntando ainda mais energia, tornando as chamas maiores e bateu contra o chão a frente.
Booooom!
Um enorme clarão se formou com o ataque de Rael que criou uma colisão de fogo, um círculo em chamas com exceção da parte do corpo de Rael. Esse círculo se espalhou em volta e enquanto ia enfraquecendo, as chamas chegaram nas aranhas e fizeram elas entrar em combustão. Algumas que estavam mais longe tiveram sorte conseguindo fugir, a outra metade no entanto foi pega e começou a ser devorada pelas chamas enquanto pingavam do teto uma após a outra sendo consumidas pelas fortes chamas.
― Esse poder é incrível!Tem uma força de ataque mais poderosa do que o elemento raio. ― disse Rael animado, enquanto levantava seu braço coberto em chamas. Suas roupas por terem a proteção da própria energia não queimava, o fogo queimava tranquilamente por cima dos tecidos sem qualquer problema. Embora Rael não conseguiu testar diretamente os golpes, apenas essa colisão já foi suficiente para destruir várias bestas do tipo inseto de longe, o que dirá se ele atacasse diretamente?
Satisfeito, Rael sorriu enquanto saía andando depois de apagar o fogo de seu braço, mas em seguida ele se lembrou de sua dívida com o dragão e fez uma careta. Ele ficou pensando se haveriam outras raças que iriam querer se acasalar com ele.
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O dragão tinha fechado os olhos e parecia dormir com tranquilidade em seu canto no castelo de ouro, mas na verdade sua mente estava mergulhada no mundo.
O dragão voava com sua mente pelos céus do verdadeiro mundo de Rael a procura de um corpo. Diferente da raça Celestial, que poderia evoluir do zero, o dragão tinha que fazer um pacto para assim mudar de corpo. Havia uma pequena perda de poder, é claro, mas era um sacrifício necessário para sua existência não ser apagada.
Em uma extensão de mais de dez mil quilômetros, havia poucas opções de corpos naquele dia: o de uma senhora, outro de uma mulher adulta muito doente e o de uma menina de dez anos, esse que chamou a atenção do dragão. A menina tinha acabado de ser golpeada próximo ao coração por tentar defender sua mãe de um ataque de bandidos. A vila dela estava sendo invadida por esses canalhas.
Um corpo jovem e em desenvolvimento seria perfeito para o dragão conseguir formar uma base poderosa e crescer como uma soberana. Era importante ter poder e beleza. O corpo dessa garota poderia fornecer todas essas coisas.
Mas Alexia ainda precisaria da permissão da criança. Mesmo que pudesse controlar corpos, a mente de uma existência viva não podia ser simplesmente tomada. Era uma regra universal, porque se isso fosse possível, o mundo seria uma completa bagunça, com seres trocando de corpos a todo momento. O pacto também só poderia ser feito com seres vivos em estados terminais.
A mente de Alexia se aproximou do corpo da criança deitada no colo da mãe que chorava desesperada. A criança já estava desmaiada e não parava de perder sangue mesmo com a mãe apertando o local com um pano branco. Assim como a mãe, todos estavam sentados, eles tinham sido forçados pelos bandidos.
A menina estava dando seus últimos suspiros antes de perecer definitivamente. Não havia nada que aquelas pessoas pudessem fazer para evitar o destino mortal.
Os bandidos continuavam os prendendo em um círculo, estavam em mais de vinte e todos armados com adagas e espadas. Eles jogavam pessoas para o centro da roda depois de tomarem seus pertences e aplicar socos, tapas e chutes. Eram verdadeiros monstros.
Alexia passou anos para entender a mente humana. Ela inicialmente não entendia porque eles atacavam sua própria raça, mas agora tudo era mais claro: ganância, desejo sexual, inveja, e outros muitos fatores. As vezes atacavam até pessoas do próprio sangue, e isso era completamente inaceitável para Alexia. Para ela, sua raça era sagrada e eles jamais se desentenderiam ao ponto de atacarem a si mesmos.
― Minha filha precisa de um curandeiro! Por favor! ― a mãe gritava tentando insistir para um dos bandidos que ele a deixasse ir com a criança. O mesmo gritava de volta mandando ela ficar quieta ou a próxima seria ela. Era um destino cruel e sem escapatória.
As mulheres mais novas, adolescentes, estavam sendo separadas em uma outra roda. Muitos homens tinham olhares maldosos para as mesmas, mas se controlavam porque o valor que obteriam por moças virgens seria muito mais lucrativo.
― Você aí, venha comigo! ― disse um dos bandidos, puxando um velho homem sem cultivo de aproximadamente sessenta anos do meio da roda. As pessoas nem tentaram ajudar devido a estarem com tanto medo. Apenas uma bela jovem da roda das meninas gritou pelo mesmo:
― Paaaai!
― Henrique e suas brincadeiras hahahaha! ― disse um outro bandido ao lado, rindo ao ver o velho sendo arrastado pelo seu forte comparsa.
― ‘Essas pessoas que você conhece terão uma morte miserável. Todos serão mortas, só ficarão vivas essas mulheres por terem um valor sexual a eles’ ― disse a mulher adulta de cabelos vermelhos em pensamento. Ela tinha um olho azul e outro verde, era uma forma ilusória de uma bela adulta feita por alexia. Ao lado dela estava uma menina em um corpo transparente assistindo a tudo, era a mesma menina que estava morrendo no colo da mãe. Alexia estava usando seu poder para mostrar como seria os momentos finais daquele povo.
― ‘Você pode ajudar? Pode salvar a mamãe e todos?’ ― perguntou a garota movendo a boca, mas só o que saiu foram seus pensamento lidos por Alexia em forma ilusória de mulher.
― ‘Se você me aceitar, salvarei sua mãe, junto com todos os que ainda estão vivos, assim como também destruirei todos esses bandidos cruéis.’ ― disse a mulher para a menina, sempre mantendo um rosto sereno. A menina continuava com um olhar assustado.
― ‘Eu aceito! Por favor, salve-os rápido! Não deixe nada acontecer com minha mãezinha!’ ― disse a menina se virando para a mulher.
― ‘Você aceita entregar seu corpo e sua existência a mim? Aceita que os meus desejos se tornem os seus desejos? Você só poderá ver seu próprio corpo tomando as decisões escolhidas por mim e só terá controle sobre ele quando eu permitir. Você aceita esses termos?’ ― perguntou a mulher olhando fundo nos olhos da menina.
― ‘Aceito! Aceito!!!’ ― a menina gritou em pensamentos movendo os pequenos lábios.
A menina de pele morena não tinha mais do que um metro e trinta cinco de altura, ela era magra, então deveria ter uns trinta quilos. Seus olhos eram castanhos claros, seus cabelos eram claros e lisos, chegando apenas na altura dos ombros. Era uma garota simplesmente comum no geral, mas quando Alexia tomasse seu corpo ela iria sofrer uma transformação.
― ‘Eu, Alexia Zariel Quinze, firmo agora um pacto com você, Letícia Ardele!’ ― disse a mulher.
O homem foi sentado em uma cadeira e logo em seguida amarrado com cordas pelo tal Henrique, tendo os seus braços e pernas presas. Alguns outros bandidos em volta se reuniram próximo a uma pequena mesa que colocaram ali do lado:
― Comecem as apostas! ― disse Henrique animado, e lançou uma bolsa com vinte moedas de ouro em cima da mesa: ― Eu aposto que ele aguenta quatro cortes!
― Eu aposto que esse velho só vai aguentar três! ― disse outro, lançando mais uma bolsa com a mesma quantia que Henrique.
― Eu aposto em cinco! ― disse mais um.
Ninguém entendeu o que estava acontecendo, mas os homens estavam jogando cada vez mais bolsas de moedas em cima da mesa e dizendo alguns números. A menina continuava gritando pelo seu pai, impedida de sair da roda. Toda vez que ela tentava se levantar para ajudá-lo, era empurrada de volta para o chão por outros bandidos que a cercavam.
Letícia, que estava até o momento desacordada, arregalou os olhos de repente. Um brilho branco corria por dentro dos seus olhos e sua expressão era completamente neutra. Não havia dor, não havia nada.
― Filha? Filha?! Minha fofinha, você está bem? ― a mãe chamava desesperadamente e olhava em volta como se procurasse apoio. Os olhos da menina pararam de brilhar, mas não estavam castanhos como era, agora tinha a coloração verde em um olho e outro possuía a cor azul, assim como os olhos de Alexia.Isso sem mencionar que a íris de ambos pareciam as de um animal, de um gato para ser mais exato.
A segunda transformação ocorreu no cabelo, que foi ficando avermelhado junto com a pele, que ia ganhando tons brancos mais rosados. A mãe tinha parado de falar e assistia as mudanças de boca aberta. Ainda estava preocupada, mas confusa demais para não deixar de olhar.
Os cabelos não cresceram, apenas mudaram de cor e a pele da garota ficou em um tipo de branco mais avermelhado, era um tom muito mais vivo.
― Letícia, você está bem filha? ― perguntou a mãe olhando a menina que agora olhava a mãe de volta. Alexia estava tendo dificuldades em se acostumar com aquele pequeno corpo frágil, ela movia as mãos e os pés lentamente sentindo fracos tatos.
A mãe retirou o pano da ferida lentamente para descobri que sua filha não sangrava mais, agora a pele da garota estava completamente curada, dava para ver por baixo do rasgão da blusa de onde a lâmina tinha furado. Era um milagre, que deixou o coração da mãe disparado. Alguns outros em volta também viram e estavam muito surpresos.
Não foi apenas os outros em volta, o bandido que estava aborrecido pelos constantes pedidos da mãe também percebeu e se aproximava olhando cauteloso, enquanto mantinha na mão uma adaga.
― Filha? Minha fofinha? ― perguntou a mãe. Os outros em volta vendo o bandido se aproximando tomaram distância da mulher o que fez ela perceber o bandido e se encolheu com a filha na tentativa de esconder.
― Chefe, venha ver isso! Uma criança aqui acabou de mudar o tom de pele e cor de cabelos! ― gritou o bandido próximo a mulher, olhando para o lado.
― Aaaaaaaaah! ― o velho gritava. Henrique era como um demônio perfurando o corpo do velho homem, com o uso de uma adaga. Ele rasgava impiedosamente uma parte do braço agora, mas já tinha lhe rasgado uma perna. Muito sangue escorria dos ferimentos, que eram profundos e extensos. Os companheiros de Henrique aguardavam ansiosos pelo resultado daquele jogo sinistro:
― Muito bem, velho! Continue assim pro papai aqui vencer hahahaha! ― Henrique riu e partiu para a outra coxa do pobre homem, enfiando a adaga sem piedade na pele do velho, causando um outro longo e grave ferimento.
― Aaaaaaaaah! ― mais um grito do velho homem. A menina continuava gritando e chorando, implorando para que eles parassem de torturar o seu humilde e bondoso pai. O homem sentiu tanta dor que acabou urinando em sua própria roupa. Os bandidos ao perceberem caíram na gargalhada:
― Eu ganhei, seus merdas! Eu disse que não passaria de três hahaha! ― disse um deles e pegou todas as bolsas da mesa extremamente animado. Os outros bandidos só ficaram rindo conformados.
― Seu velho babaca! ― disse Henrique um pouco irritado, se dirigindo para as costas do homem preso a cadeira, levantando a cabeça dele com uma mão e, com a outra, correu lentamente a lâmina da adaga no pescoço do mesmo, causando-lhe um ferimento fatal. O velho se engasgou no próprio sangue, morrendo nas mãos de Henrique enquanto sangue escorria por todas as partes.
― Nãaaaao! Paaai! ― a jovem moça gritou desesperada vendo a dolorosa e cruel morte de seu pai, ela desistiu de lutar e caiu sentada no chão, chorando copiosamente. Henrique, ainda irritado, avançou sobre as meninas e puxou a filha do homem, levantando-a a força:
― Já que o miserável do seu pai não contribuiu para o meu bolso, você vai contribuir para meu prazer! ― Ele jogou a moça para fora da roda, se agachou, prendendo-a no chão e começou a arrancar o vestido da mesma. Não estava difícil porque a menina não resistia a ele, somente chorava inconsolavelmente
O chefe deles – um homem alto, forte branquelo com um chapéu escuro na cabeça – se aproximou rapidamente do seu parceiro e os dois juntos olhavam a menina agora. A mãe continuava encolhida sentada sem poder fazer nada, olhando da filha para os dois que estava a menos de um metro dela.
― Mulher, me ponha de pé no chão. ― disse a menina. Sua voz soava fina como a de uma criança e ao mesmo tempo parecia está misturada com uma voz adulta, era algo bem estranho. A mãe dela até se assustou. O chefe e o bandido deram um passo para trás de surpresa.
― Filha? ― perguntou a mãe preocupada.
― Apenas me ponha no chão como eu pedi. ― repetiu a menina impaciente. A mãe, mesmo confusa, virou a menina ajudando e segurando ela para ficar de pé. A menina se segurou no joelho da mãe e encarou os dois homens a frente. Ela girou o rosto em volta pegando todos ali presente com sua visão. Ela passou seus olhos calmamente sobre cada bandido.
A menina segurava no joelho da mãe, suas mãos e suas pernas ainda tremiam sem ter costume sobre aquele frágil corpo, mas de resto havia sido suficiente.
Entre os bandidos haviam homens do quinto reino e até mesmo um no nono, como o chefe deles, mas nenhum era páreo para Alexia mesmo em um corpo tão frágil.
― Apenas se matem! ― ordenou a menina com a voz mista de adulta e criança. Seus olhos irradiaram um constante e leve brilho branco.
― Chefe! O que está acontecendo?! ― perguntou um dos homens. Suas mãos se tremiam e ele girava a espada nas mãos, deixando a lâmina apontada para o próprio peito enquanto a segurava com as duas mãos no punho.
Henrique, que já tinha despido a moça e estava tirando o cinto para por sua coisa nojenta para fora, estava convicto de que iria se saciar naquela garota, quando parou de uma maneira brusca, involuntariamente. Em seguida, se levantou, pegou novamente a adaga que havia utilizado para matar o velho pai da jovem e a levou para o próprio pescoço. Ele, assim como todos os outros homens que estavam fazendo atrocidades semelhantes, estavam completamente desesperados e confusos.
― Eu não sei! Que droga você fez, menina?! O que você fez?! ― rugiu o chefe encarando a garotinha. As mãos dele se tremiam segurando o punhal escuro de sua adaga.
― Chefe! Me ajuda aqui! Alguém me ajude! Aaaaah! ― gritou um dos bandidos. Ele mesmo estava enfiando uma lâmina lentamente contra seu próprio peito.
― Socorro! Aaaaaah! ― outro começou a gritar.
― Chefe! Aaaaaaah!
― Meu corpo não obedece! Aaaaah!
― Meu pescoço socorro! ― gritou Henrique enquanto ele mesmo começava a se cortar.
Os bandidos estavam se matando e gritando. As pessoas estavam chocadas ao ponto de mal ousarem respirar. Mas boa parte viu que foi coisa de Letícia, muitos ouviram a voz mista dela e as mudanças do seu corpo.
Os bandidos gritaram miseravelmente enquanto se matavam. Alexia fez questão de fazê-los sentir a morte lentamente. Ela continuava de pé com os olhos brilhando e olhando em volta, irradiando aquele brilho branco.




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