O Herdeiro do Mundo

118 - O Dragão Supremo (Parte 1)

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael estava diante de um imenso dragão vermelho com chifres brancos. Sua pele era feita deum couro grosso, cheio de pequenos espinhos escurecidos pelo corpo. Seu tamanho deitado e aninhado como agora chegava a mais de dez metros de comprimento. Ele encarava Rael através de seus dois olhos parecidos com os de um gato, um era verde como a natureza e o outro era azul feito o mar. Suas enormes patas amarelas tinham garras escuras e afiadas, como espadas. Os espinhos brancos se estendiam pelas pontas das asas, na cabeça e alguns até saindo das beiradas do rosto. O focinho do dragão estava fechado e ele respirava lentamente enquanto analisava Rael.

O local em volta parecia ser um tipo de salão de algum castelo, e o dragão estaria no lugar do trono. Havia pilares e paredes banhadas a ouro, assim como um gigante tapete vermelho que se estendia por todo o chão. Não havia qualquer outra presença ali,além de Rael e o dragão.

Rael sentiu uma onda quente o invadir, seu corpo ficou um pouco pesado e ele foi empurrado para trás. Rael sentiu que atravessou uma espuma, a mesma sensaçãode quando havia atravessado para o mundo paralelo. Imediatamente sua habilidade foi cancelada e ele estava lá fisicamente, diante do dragão.

― O que você fez, dragão? ― perguntou Rael um pouco irritado. De alguma forma, Rael não estava mais conseguindo controlar suas próprias habilidades, nem mesmo seu corpo.

― ‘Um corpo frágil como o seu eu posso controlar com apenas um pensamento.’ ― disse o dragão em pensamentos dentro da cabeça de Rael, a mesma forma que Rika e Rose falavam com ele. Rael sentiu uma energia invisível o cercando e não pôde fazer nada enquanto a mesma entrava em sua cabeça, o invadindo.

― Aaaaah! ― Rael gritou fechando os olhos e todas suas memórias correram como fleches em sua própria cabeça. O dragão estava analisando toda a vida de Rael, todos os pensamentos e todas as memórias. Rael não podia lutar contra, pois era impossível. Ele mal podia enfrentar a leitura de Rika que era muito mais fraca, o que dirá de uma besta da raça suprema como a de um verdadeiro rei?

Em um minuto de dor constante e imagens correndo sem parar, Rael finalmente foi liberto e caiu de quatro no chão respirando com dificuldade, enquanto o suor descia por todo seu corpo.

― ‘Você renasceu como um mero humano e vem crescendo pouco a pouco, conseguiu alguns aliados poderosos, mas está destinado ao fracasso. No fim, você morrerá novamente na mão dos mesmos homens e deuses que buscam sua cabeça.’ ― disse o dragão.

― Dragão estúpido! Eu não dei permissãopara entrar em minha cabeça! ― rugiu Rael e conseguiu levantar o rosto, encarando o dragão. Rael se sentia tão fraco que mal conseguia se mover.

― ‘Se não pode se proteger sozinho você não tem o direito de reclamar! Agora ouça, faça um trato comigo e eu lhe darei poder, também deixarei que saia vivo do meu lar.’ ― disse o dragão.

― Fazer um trato com você? Nunca! Eu sei bem o tipo de raça que vocês são! Pelo que me lembro, eu achei que vocês estavam extintos. ― bufou Rael.

― ‘Eu sou a última que restou de nossa raça.’ ― disse ele. Na mesma hora, Rael se lembrou de Rika, Rose e do seu DNA que era compatível.

― Nem pense nisso! Eu jamais faria um filho, e muito menos agora. Ainda mais com você! ― bufou Rael de volta o mais rápido que pôde porque ele calculou onde aquilo iria chegar.

― ‘Você não tem qualquer escolha. Além do mais, você se comprometeu em ajudar a raça celestial, então porque não me ajudaria?’

― Eu não prometi ajudar ninguém, elas que pularam na minha vida, se você leu minha cabeça sabe do que estou falando. ― disse Rael se levantando.

― ‘Você não pode recusar. Se eu decidir que você me ajudará, você me ajudará e fim! Eu posso controlar seu corpo e suas habilidades, manter você preso nesse lugar enquanto preparo tudo seria apenas como um pensamento para mim.’ ― disse o dragão e seus olhos piscaram lentamente mostrando uma grossa pele escura de suas pálpebras momentaneamente. Rael ponderou suas próximas palavras. O dragão parecia firme no que falava, mas algo soava errado: Ele não iria fazer um trato com Rael se simplesmente pudesse mesmo controlá-lo, como estava fazendo agora.

Apesar do dragão controlar Rael fisicamente e poder ler os pensamentos, ele não podia pôr controle mental em Rael. Rael ainda tinha a proteção de ser o Herdeiro do Mundo e sua mente não poderia ser tomada.

― Então, por que está propondo um trato? Se você tem tanto poder assim, eu presumo que você não precise da minha permissão. ― disse Rael apostando suas fichas.

― ‘Eu sei os riscos que corro no futuro próximo. Existem muitos me caçando, eu sou a última da minha raça e carrego comigo todas as heranças do outros. Se eu for pega, um novo deus surgirá depois de tomar os meus poderes e eu encontrarei o meu fim. Mas você tem um crescimento ilimitado sendo o Herdeiro do Mundo, o único ser cujo o poder não tem limites. Uma aliança com você resultaria em algo positivo no futuro. Não só eu ganharia como você também. Seus inimigos também são poderosos, mas se unirmos nossas forças, então seremos os maiores poderes que esse universo conhecerá!’ ― disse o dragão.

― Então você deseja me usar para reinar? Não acha que uma falha já não foi suficiente? ― perguntou Rael soando um pouco irônico.

― ‘Não estou planejando esse tipo de coisa. Tudo que quero é sobreviver com segurança, assim como você.’ ― disse o dragão novamente.

― Por que eu acreditaria em você? No que sua ajuda me seria útil? Como eu sei que tudo isso não é apenas um blefe de sua parte? Você já espiou minhas memórias sem eu permitir, e ainda controlou meu corpo. Não acha que esperar confiança depois desses atos não é um pouco exagerado? ― perguntou Rael de volta.

― ‘Você não tem como saber agora. Eu mostrarei aos poucos que terei meu valor ao seu lado. Para começar, eu posso te oferecer a pedra Coração do Vulcão para o seu braço direito, você já tem a Pedra Raios do Mar, com a pedra Coração do Vulcão você terá dois elementos em seu braço direito e será ainda mais forte!’ ― disse o dragão, tocando fundo o desejo de Rael.

Aquelas pedras especiais carregadas de poder elementais eram raríssimas, e Rael não teria outra chance tão fácil de conseguir algo como aquilo. O silêncio de Rael foi a brecha que o dragão teve que estava quase conseguindo um ‘sim’ de Rael.

― ‘Sua irmã, Natalia. Ela segue o Caminho da Liberdade e tem o fogo como uma combinação. Nós dois sabemos que, apesar de ágil, ela nunca será muito forte, mas com minha ajuda, eu poderei deixar a combinação dela no mesmo nível da liberação. Melhor, deixarei a combinação muito mais forte!’ ― disse o dragão tocando ainda mais fundo em Rael, que começou a vacilar. O dragão podia ler Rael facilmente e ele nem percebia.

― ‘E agora mesmo poderei aumentar seu nível para o sétimo reino, deixarei você no sétimo reino nível dez. Só não aumentarei mais o seu poder porque é preciso um tempo para se acostumar. E aumentos assim consecutivos e diretos podem danificar perpetuamente seu corpo.’ ― disse o dragão e fechou os olhos, dando uma de quem não se importava muito.

Eram muitos benefícios para Rael recusar tão facilmente. Além disso, o sétimo reino beirando o oitavo era o suficiente para ele abalar o clã Sarbaros. Mas Rael se lembrou de que o dragão provavelmente viraria uma mulher, e ficaria obcecada por filhos.

― Então diga lá, qual é o meu lado da barganha? Você por acaso vai virar uma mulher e me perseguir por aí, tal como Rika fez? Pra oferecer todos esses benefícios, você deve querer algo muito grande em troca, sendo que eu nem sequer salvei sua vida. ― observou Rael.

― ‘Sim, eu quero filhos como Rika. Você tem o DNA que combina com o meu, uma vez que eu vire uma Humana Dragão Suprema. Mas isso é muito cedo, você ainda não tem uma formação de poder suficiente para me ajudar nesse quesito. No momento, tudo o que quero é ajudar você. Você aceitará minha ajuda, sim ou não? Não se esqueça que no futuro você terá que me proteger, assim como eu protegerei você. Nós seremos como um casal, tal como você é para sua atual irmã e esposa chamada Natalia.’ ― disse o dragão.

― E se eu recusar? ― perguntou Rael apreensivo.

― ‘Se você recusar, eu serei forçada a fazer algo que não queria: Aprisionarei você nesse lugar e me transformarei em uma humana. Forçarei você a aumentar sua força para poder acasalar comigo. Você me dará filhos e depois disso eu te eliminarei. Se você não é um aliado, então será meu inimigo. Eu não pegarei leve. Mesmo se Violeta ou Emilia fossem cinco vezes mais poderosas, elas ainda não seriam capazes de encontrar ou ajudar você. Essa é uma dimensão criada por mim e, portanto, apenas eu ou você que é o Herdeiro tem acesso a esse lugar.’ ― explicou o dragão na mente de Rael. Isso deixou Rael completamente sem opção.

― O que faz você pensar que se eu aceitar seus termos vou cumprir minha parte depois que sair daqui? ― perguntou ele novamente.

― ‘Você perceberá que ser meu aliado será lucrativo em diversas maneiras. Com o tempo, você mesmo estará aceitando isso de bom agrado.’ ― explicou o dragão.

― É, mas você vai virar outra mulher. Por acaso já viu o tanto que tenho ao meu lado? Já notou que eu não estou podendo acrescentar mais? Não sei se você percebeu, mas minha primeira esposa já anda furiosa comigo e eu não quero mais esse tipo de coisa.

― ‘É o primeiro macho que vejo reclamando de suas muitas fêmeas. No meu antigo meio, o macho estaria comemorando em vez de reclamar.’ ― disse ela em um tom de esnobação. Isso deixou Rael ainda mais irritado.

Rael podia reclamar e tentar lutar, mas no fim ele mais uma vez foi amarrado pelo destino. Ou ele a ajudariaou morreria ali, não havia meio termo.

― Droga! Muito bem, façamos esse acordo. Mas por favor, me deixe escolher a hora que eu terei esse filho com você. Eu não quero me multiplicar como um animal sem saber nem os filhos que tenho. Você me dará pelo menos essa opção? ― reclamou Rael.

― ‘Você não terá essa opção. No momento que a hora chegar, eu tomarei você para mim, mesmo que você lute ou chore.’ ― disse o dragão na mente de Rael, o deixando mais uma vez atordoado.

― Droga! Tá, vamos logo com isso! ― disse Rael por fim.

― ‘Você só estava adiando o inevitável, mas é bom ouvir que você fez a escolha sensata. Eu odiaria ter que eliminar um futuro forte aliado como você.’ ― disse o dragão se colocando de pé.

Quando ela se levantou, Rael quase deu um passo para trás. A altura dela dobrou e Rael se sentiu como um inseto perto daquele imenso ser.

― ‘Vamos começar pelo seu nível, prepare-se.’ ― Ela não deixou Rael sequer respirar. Os olhos dela brilharam e o corpo de Rael foi suspenso no ar saindo um metro do chão: ― ‘Isso irá doer um pouco.’ ― disse ela sempre na mente de Rael. Apesar dela se considerar uma dragão do sexo feminino, Rael sempre ouvia o som rouco e grosso como se fosse uma fera masculina.

Rael foi cercado por uma energia invisível que penetrou seu corpo.Sua pele, seus nervos, seus ossos. Ele parecia está sendo marcado por ferro quente por todas as partes de sua existência.

― Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! ― o grito era miserável e constante. A dor era quase pior do que ser mordido por uma violadora.

Aquilo não durou muito, um pouco mais que dez segundos, mas que para Rael pareceu ter sido uma eternidade. Rael caiu no chão ainda se tremendo e sua pele estava soltando fumaça, não era uma fumaça de algo queimando, era a fumaça de sua nova energia:

― ‘Eu estou mesmo no sétimo reino nível dez!’ ― pensou Rael arregalando os olhos de surpresa, enquanto olhava o chão a sua frente, sentindo seu próprio poder. O corpo ainda doía um pouco, mas comparado com a alegria de ter conseguido o novo poder era o de menos.

― ‘Eu tomei a liberdade de melhorar sua habilidade de esconder reinos. Agora você poderá ocultar dois reinos inteiros das outras pessoas.’ ― disse o dragão na mente de Rael.

― Onde está a pedra Coração do Vulcão? ― perguntou Rael, voltando a ficar de pé ainda com o corpo se tremendo. Ele pouco estava ligando para algumas dores bobas.

― ‘Aqui está, como prometido.’ ― Uma pedra semelhante a um ovo surgiu à frente dos olhos de Rael, ela era escura e tinha algumas manchas redondas em vermelho. Ele estendeu a mão e pegou ela rapidamente, analisando perto dos olhos, sentindo toda a poderosa essência do elemento fogo.

Depois de confirmar a pedra, Rael empurrou as mangas para cima e pressionou a pedra contra o antebraço azul. Ele sentiu algumas cócegas enquanto o braço consumia a pedra, que sumia lentamente mergulhando e sumindo na pele de seu braço. O dragão assistia a tudo em silêncio observando Rael e o braço dele.

Terminado de sugar, Rael logo sentiu o poder de fogo explodindo dentro dele, o banhando como ondas quentes. Era uma onda extremamente poderosa. Ela se batia de igual com as ondas de raio.

― ‘E este é o bracelete especial redutivo do tipo fogo. Você já sabe o que fazer com ele.’ ― disse o dragão, fazendo um bracelete surgir flutuando diante de Rael. Rael aceitou e analisou rapidamente.

― Você já deixou ele pronto para mim?

― ‘Preparei ele enquanto você recebia o aumento de nível.’ ― disse o dragão.

― Não sabia que você mexia com simbologia. ― observou Rael.

― ‘Eu tenho muitas heranças passadas pelos outros que já se foram. Funda isso a você e vá. Nós já acabamos por enquanto.’ ― disse o dragão e voltou a se deitar.

Rael obedeceu, colocando o bracelete no pulso e esse também foi sugado, aumentando a resistência de Rael contra o elemento fogo.

― Então você não virá comigo? ― perguntou Rael depois de sugar o bracelete.

― ‘Eu ainda tenho o que fazer, mas encontrarei você em breve. E antes que eu me esqueça: meu nome é Alexia Zariel.’ ― disse o dragão fechando os olhos.

― Alexia? Isso parece um nome humano. Bom, tanto faz. ― disse Rael um pouco desanimado, pensando em quando Alexia iria encontrá-lo no futuro. O dragão percebeu o leve desapontamento, mas ficou em silêncio.

Ele concentrou e ativou o Espaço Ilusório. Olhando em volta diante da caverna que se misturava como castelo, Rael encontrou facilmente a brecha e atravessou. Ele voltou para a antiga caverna, agora já não tinha mais a bolas de fogo flutuante. A caverna parecia completamente solitária, pelo menos foi o que Rael pensou até o teto ser tomado por diversasaranhas, que vinham apressadas em sua direção. Eram dezenas delas.

― Isso é maravilhoso. Já poderei testar meu novo elemento. ― disse Rael formando um sorriso, enquanto seu braço direito se cobria em chamas ardentes…

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