O Herdeiro do Mundo

117 - A Energia Distinta

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Apesar dele ser veloz como um vulto, Rael conseguiu ler seus movimentos com facilidade. Eric tentou acertar o peito de Rael e esse se esquivou facilmente, saindo de sua linha de ataque com um passo para o lado.

Eric parou uns dez metros a frente. Ele não acreditou que Rael tinha sido capaz de esquivar tão facilmente dele. Ele ainda se virou para trás com um ar um pouco surpreso.

― Com certeza isso não foi apenas sorte, não é? ― perguntou o homem depois de se virar.

― Não. Se essa é a força de um oitavo reino, eu estou decepcionado. ― disse Rael com uma expressão desanimada, olhando o homem de volta.

― Então você consegue sentir o nível em que estou? Isso é surpreendente. ― elogiou o homem e se concentrou, ativando sua técnica de velocidade de Terra. Ele ainda não pretendia ir com tudo contra Rael, preferia testá-lo pouco a pouco.

― Agora você virá um pouco mais sério? ― perguntou Rael observando o mesmo.

― Tente escapar disso agora. ― disse o homem e mais uma vez correu como um vulto contra Rael, que se esquivou outra vez sem problemas. O homem tinha ficado mais rápido, mas estava longe de ser o suficiente. Depois que Rael tinha chegado ao sexto reino, seu poder tinha aumentado muito. Uma pessoa normal não se comparava com um devorador do mesmo reino que era muito mais forte.

O homem ficou parado de costas com uma expressão não muito boa. Dessa vez ele usou uma técnica que aumentou sua velocidade em 50%, e mesmo assim não foi capaz de pegar Rael. Rael definitivamente não era um jovem mestre comum. Ele andava sem nenhuma proteção mas parecia poder se proteger por si mesmo. O homem ficou tentando imaginar como um quinto reino poderia ter aquele poder.

― Isso já está perdendo a graça, não esperava encontrar um oitavo reino tão fraco quanto você. Sem esquecer o fato que disse que iria me matar ― observou Rael.

― Ora, eu nunca pensei que teria que usar minha verdadeira força contra um mero quinto reino. Eu me sinto até meio sem graça por conta disso. ― disse o homem se virando para Rael. Os dois se encaram. O homem agora levava Rael um pouco mais sério. No começo suas palavras soavam como um desprezo, embora não parecesse muito.

― Me mostre esse poder. ― disse Rael provocando.

― Eu queria te matar sem te fazer sentir dor, mas visto que você não é um jovem mestre comum, eu terei que fazê-lo sofrer um pouco. ― disse o homem e concentrou sua energia amarelada em volta do corpo. O chão em volta começou a se rachar, enquanto ele juntava energia da terra de um cultivador do sétimo reino. Seu corpo tremulava enquanto a própria energia aumentava de limite.

― Isto é só o começo, jovem mestre. Agora, observe mais! ― disse ele se concentrando mais ainda. Era possível ver veias aparecendo em seu rosto. O ar em volta parecia está sendo chupado por ele, tudo ficou turvo enquanto o poder dele continuava aumentando. Uma aura amarela crescia majestosa em volta dele. Os músculos dele começaram a inchar. De um homem de porte médio ele passou a virar quase um gigante de músculos.

Rael nem ficou surpreso depois de medir o novo poder dele, aquilo estava muito abaixo do que poderia ser um problema para ele.

― Aqui está o meu poder! ― rugiu Eric e saltou do chão com um punho mirando o peito de Rael. O chão atrás dele explodiu deixando uma cratera. Ele já tinha desistido da adaga. Rael concentrou sua energia rapidamente e levantou o punho direito contra o punho dele. Ninguém pensou muito a respeito, apenas deixaram seus punhos se chocarem um contra o outro.

Booooooom!

Uma explosão foi gerada entre os dois e os punhos ficaram travados. A mão de Eric tremia, mas a de Rael estava completamente pausada e calma. Eric ficou com uma cara feia porque ele percebeu que Rael não estava nem fazendo esforço. Aquilo era normal? Ele nunca tinha presenciado um quinto reino tão forte quanto Rael. (que na verdade era um sexto).

― Isso é tudo? ― perguntou Rael com uma cara desapontada. Eric estava de olhos arregalados porque aquele era quase todo o seu poder ativado, e mesmo assim contra Rael não parecia estar fazendo qualquer efeito. O que afinal era Rael?

Depois que Rael liberou seu verdadeiro poder, entrou no sexto reino e criou sua armadura mágica, ele avançou para outro nível de poder. Um nível que estava muito longe dos padrões normais que esse mundo poderia conhecer.

― Você disse que me daria uma morte rápida, então em troca, farei o mesmo por você. ― disse Rael e concentrou sua energia elétrica pelo braço azul. Do braço, a energia também foi concentrada até chegar ao punho. Como os punhos ainda estavam travados os raios de Rael se espalharam ferozes contra o punho de Eric.

― Aaaaaah! ― Eric gritou miseravelmente, porque seu punho foi despedaçado facilmente diante do poder de Rael. Quando ele recuou saltando para trás tentando fugir da energia de Rael, seu punho já tinha virado uma poça de sangue queimada em meio a ossos. Ele voltou a olhar na direção de Rael, e a última coisa que viu foi o punho carregado de ondas de raio em amarelo se aproximando de seu rosto.

Booooom!

O corpo de Eric voou inerte para trás, com a cabeça explodida soltando fumaça pelo ar, seu rosto ficou irreconhecível, estava mais para uma caveira quebrada do que para um rosto, sobrando apenas um pouco de pele queimada de trás da nuca.

Rael encarou a poça de sangue que tinha se formado na mão evaporando logo em seguida, virando nada devido os raios da mão de Rael que continuavam rugindo.

― Mesmo um oitavo reino diante de mim não vale mais qualquer coisa. ― disse Rael olhando a mão e se concentrou, controlando seu poder. Ele se aproximou do cadáver, tomou o bracelete e conferiu os ganhos. Encontrou dez mil moedas de ouro, algumas ervas, algumas adagas inúteis e alguns venenos, que de cara não os reconheceu, mas também não iria ficar parado analisando.

O poder de Rael subiu dois níveis após a luta, indo para o sexto reino nível cinco.

― Depois tenho que agradecer ao clã Sangnos por esse aumento de poder, e por esse dinheiro, que tenho quase certeza que era deles. ― disse Rael.

Com tudo agora calmo, Rael deixou o cadáver para trás e partiu com Ralf. Ele já tinha ficado tempo demais, e seria ruim deixar o clã Sangnos perceber rapidamente que seu assassino mandado tinha falhado na missão. Quando isso ocorresse não era bom Rael estar por perto, embora ele estivesse muito mais forte, ainda não poderia enfrentar um clã tão poderoso como o clã Sangnos.

Rael tinha testado seu limite contra um oitavo reino e, apesar de ter achado a luta extremamente fácil, ele ainda não sabia se com o nono ou décimo reino teria tanta facilidade. A diferença de um nono reino já era muito alta para um oitavo, mas a diferença de um décimo reino era imensa porque abrangia muitos outros conhecimentos. Rael não tinha certeza se mesmo usando todas as cartas seria capaz de enfrentar alguém desse reino, e embora ele quisesse acelerar as coisas para destruir o clã Sarbaros, ele não estava certo se essa seria a melhor hora ou se deveria avançar para o sétimo reino antes.

Enquanto voava com Ralf, Rael sentiu uma estranha energia. Ela era tão distinta que deixou Rael completamente arrepiado, era uma energia pura e vibrante que ecoava pelo ar quase formando o som de uma música. Por alguma razão ele teve sensações de medo e curiosidade simultaneamente. Ralf, por outro lado, não sentiu nada. Os dois estavam voando para longe do território do clã Sangnos a apenas uma hora depois da luta contra Eric.

― Ralf, siga ao leste.Tem uma coisa que eu preciso checar. ― disse Rael. Ralf não fazia ideia do que seria e obedeceu sem problemas. Os dois mudaram o percurso seguindo para o leste, e em menos de um minuto chegaram a um conjunto de montanhas. Havia várias cavernas na parte de baixo e Rael sentia a energia vibrando, vindo de dentro de uma delas.

― Ralf, vamos descer, eu quero da uma olhada mais de perto. ― Ralf obedeceu e pousou suavemente em frente as cavernas. A primeira vista estava tudo bem e Rael analisou as entradas que continham teias de aranha enormes. Certamente ali deveria ter algumas bestas do tipo aranha.

― Ralf, volte para mim. Não sei se vou demorar. ― disse Rael antes de prosseguir. Ralf obedeceu e voltou para Rael, sumindo.

Rael andou por mais de dois minutos onde tudo já deveria estar escuro para qualquer um, isso porque ele fez várias curvas seguido o corredor, então a luz já deveria ser escassa. Pelo teto à frente, uma dupla de aranhas gigantes rank B avistaram Rael e acharam que seria uma boa refeição.

As duas aranhas, que tinham cerca de três metros de estatura, avançaram para Rael andando de cabeça para baixo no teto, e é claro que Rael as viu facilmente. Como Aranhas peludas do tipo natureza, elas eram fracas para o elemento fogo. Rael teria que usar alguma coisa nesse sentido.

― Garras de fogo! ― disse Rael, conjurando a habilidade na mão esquerda ensinada para Natalia. Um trio de garras de fogo se formou na mão de Rael por cima de suas luvas.

A primeira aranha cuspiu uma teia de sua boca e Rael se esquivou de lado. A grossa teia grudou como cimento no chão e foi pregada do teto para o chão como um pilar em lateral caindo. Rael teve que esquivar de mais rajadas de teias, que formaram novos pilares. As aranhas não estavam só atacando aleatoriamente, elas estavam cercando as rotas de fuga de Rael pouco a pouco.

Quando as aranhas notaram que as rotas de fuga de Rael estavam curtas, elas saltaram correndo por cima de suas teias em laterais se aproximando correndo e descendo para perto de Rael. Rael lançou um soco com a garra de fogo no pilar de teia que uma das aranhas vinha descendo. As chamas se propagaram com facilidade, obrigando a aranha a saltar contra Rael.

― Linha Flamejante! ― Rael apontou a mão esquerda da garra de fogo e uma linha laser em chamas foi criada em frente ao punho com cerca de três metros apontando contra a aranha que caiu praticamente em cima da ponta. Rael riscou o ar com o punho enquanto a linha seguia despedaçando completamente a aranha, que foi picotada no ar enquanto pegava fogo. Vários pedaços da aranha caíram no ar pegando fogo enquanto ainda se tremiam. Essa era também uma habilidade ensinada a Natalia.

A linha laser criada na mão de Rael desapareceu em poucos segundos. Era uma habilidade muito poderosa, mas que não tinha duração alta, além de consumir uma alta quantidade de energia.

A última aranha viu uma chance chegando por trás de Rael e cuspiu sua teia enquanto se aproximava. A teia grudou nas costas de Rael e expandiu para o corpo. A aranha pretendia envolver Rael em suas teias como um casulo.

Vendo Rael preso, ela se aproximou de guarda aberta com suas presas preparada para um bom ataque.

Vraaaaap!

O que ela atacou foi um monte de teias enroladas, Rael já não estava mais lá.

― Impacto Invisível! Impacto Invisível! Impacto Invisível! ― Rael tinha passado correndo do lado dela e aplicou três golpes seguidos. Um na cabeça, outro no pescoço e outro na bunda dela. A aranha girou em volta tentando acompanhar Rael, mas ele foi mais rápido atravessando os pilares de teia enquanto ativava o Espaço Ilusório.

Quando Rael saiu do outro lado, ele se virou para ver a aranha correndo agora pelo teto tentando alcançá-lo novamente. Ela parou de repente, recebendo varias explosões pelo corpo. A cabeça dela explodiu soltando pelos, olhos, ferrões e um líquido preto asqueroso. Depois o pescoço, e isso fez a cabeça cair, e logo em seguida, a bunda. O corpo da aranha despencou do teto, batendo em um pilar de teia e saiu rolando sobre ele se tremendo até chegar no chão, enquanto terminava de morrer.

Rael se virou e seguiu caminho para a fonte da energia que ele tinha sentido antes.

Não demorou muito para ele chegar em um espaço mais aberto. A iluminação continuava falha nesse lugar completamente escuro. Se não fosse pela visão passiva de Rael, ele não estaria vendo nem onde pisava.

A presença da energia parecia vir do fundo desse salão quase oval. Isso fez Rael se aproximar cauteloso e curioso, isso porque ele não estava vendo nada fisicamente e nem conseguia distinguir qual seria o nível dessa energia.

Quando Rael já tinha se aproximado para mais da metade do caminho, ele parou de repente: Uma formação de energia cresceu em frente a ele.

Plooof! Plooof! Plooof! Plooof! Plooof! Plooof! Plooof! Plooof!

Várias e várias bolas de fogo explodiram, aparecendo do nada em volta de Rael, flutuando no ar e o cercando em uma distância de quase uns vinte metros. Isso formou uma iluminação que se espalhou em volta. Rael arregalou os olhos, porque no fundo da parede de onde vinha a energia, era possível ver uma enorme sombra agora. Tinha dois pares de asas enormes, um corpo como o de um lagarto gigante e vários chifres na cabeça. Rael soube no mesmo instante o que era aquilo:

― Dragão! ― Exclamou Rael surpreso, dando um passo para trás e seu coração disparou no peito. Dragões deveriam estar extintos em todo o universo.

Dragões eram bestas classificadas como a raça Suprema, eles eram as únicas acima da raça Celestial, a raça de Rika e Rose. Dragões eram reis definitivos em toda a classificação da existência no mundo das bestas, os dragões estavam no pico da classificação.

Dragões tiveram seu tempo de glória. O erro deles foi tentar dominar os deuses depois de dominar os homens. Isso gerou uma guerra que exterminou quase todos os dragões, como Rael poderia observar, ainda restava esse.

― O Herdeiro do Mundo… Nunca pensei que teria tanta sorte em encontrar você enfraquecido nesse mundo pequeno. Acho que no fim nossos destinos tiveram fins parecidos, e estamos agora no mesmo barco. ― disse uma voz grossa que ecoou por toda a caverna. Isso fez os pelos de Rael se arrepiar completamente.

Rael encarava a sombra, mas não estava vendo nada além. Então, ele imaginou que se ativasse o Espaço Ilusório ele poderia ver melhor. Ele se concentrou e ativou sua habilidade, fazendo a caverna inteira se transformar em um salão real brilhante e bem cuidado. Ao fundo na mesma direção, agora era possível ver o dragão fisicamente. Rael arregalou os olhos de surpresa.

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Nota Autor: Devido ao novo site que não aceitará conversações em (itálico), os pensamentos agora estarão sendo incluídos entre apóstrofos. Segue abaixo os exemplos:

― Você estava lá, eu vi! ― (fala normal)

― ‘Eu o vi lá’ ― (pensamento)

― ‘pensou’ ― agora os pensamentos seguirão esse exemplo.

Esse capitulo é o liberado esporadicamente dentro da semana, que no caso, seria lançado no sábado.

Boa leitura a todos.


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