O Herdeiro do Mundo

110 - Alada Brilhante

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Rael ativou a energia que explodiu cobrindo seu corpo. As energias foram criando metais azuis sobre o corpo de Rael. Rael foi coberto por uma armadura metálica azul com feixes brancos no formato de raios espalhados no corpo inteiro. No peitoral, o rosto de um dragão com olhos brancos e chifres espalhados na cabeça do dragão que terminavam nos ombros de Rael. Na cabeça, um elmo fechado com dois chifres para trás. O rosto tinha um espaço em escuro na boca para respirar e a mesma linha corria em cima deixando o espaço para os olhos, formando um triângulo apertado e escuro, onde não era possível ver os olhos ou a boca de Rael.

                Rayger e Neide ficaram estagnados olhando Rael chocados. Aquela armadura tinha um poder avassalador que lembrava a forma corporal de um dragão. Mas não existia mais dragões. Então como Rael fez uma armadura de dragão?

― Dragão Azul de Raios. ― disse Rayger surpreso.

― Vocês ousaram me trair! Mesmo que eu morra, eu ainda levarei um de vocês comigo! ― rugiu Rael de dentro da armadura e seu braço azul no mesmo instante se cobriu em imensas ondas de raios que varreram o ar em volta. Uma intensa aura amarela gritava no braço direito de Rael, com a armadura ativa, seus poderes de raios aumentavam ainda mais.

Zumlum!

Zumlum!

Zumlum!

― Genro, espere! ― Neide tentou dizer mais Rael saltou contra Rayger.

Boooooom!

O chão atrás de Rael explodiu enquanto ele carregava o braço direito coberto de poder. Neide tinha entrado na frente de Rael e se preparou para a colisão.

Boooooom!

Neide defendeu com os antebraços juntos o ataque poderoso, que fez ela ser arrastada meio metro para trás,mesmo ela sendo uma cultivadora muito acima de Rael. Mas ela viu uma imagem de Rael cruzando ela antes, o que ela defendeu foi o segundo que tinha surgido atrás dele. Agora haviam dois Rael de armadura.

                Rayger que estava atrás da esposa foi surpreendido por Rael que aplicou o golpe contra o Criador de Fumaça. Se Rael destruísse aquela coisa, então Emilia acordaria e ele poderia matar aqueles dois traidores.

                Rayger teve tempo de guardar o Criador de Fumaça no bracelete e defender o golpe de Rael com uma mão. Porém isso não foi sem esforço, mesmo Rayger tendo um cultivo muito elevado sua mão esquerda sofreu vários arranhões pelas intensas ondas de Rael e ele foi empurrado um metro para trás.

― Genro, espere! Nós não estamos traindo você! Apenas nos ouça antes! ― gritou Neide. Rael parou sendo segurado pela mão esquerda de Rayger e o clone de Rael parou no momento que já ia usar o Impacto Invisível em Neide. Rael tinha planos e ele iria conseguir derrubar pelo menos Rayger, mas parou para ouvir o que ela ia dizer.

― Então por que vocês fizeram isso com Emilia? ― perguntou Rael ainda na reta guarda.

― Genro nós jamais iríamos machucar você. Fique calmo. Isso foi apenas uma demonstração de que sua mestra não é invencível. ― explicou Neide.

― O que vocês fizeram com Emilia? ― repetiu Rael ainda na retaguarda. Rayger soltou o punho de Rael e se afastou um passo para trás, mas Rael não tirou os olhos dele.

― É o nome de sua amiga com sangue demoníaco? Não se preocupe, ela já vai acordar. Nós só mostramos a vocês, que carregam esse sangue, a sua fraqueza. ― explicou Neide.

― Se isso era uma demonstração, então me dê o Criador de Fumaça. ― pediu Rael e estendeu a mão para Rayger. Rayger retirou o Criador de Fumaça do bracelete que agora não estava mais soltando fumaça e entregou cuidadosamente a Rael. Rael na mesma hora guardou no bracelete dele e se acalmou. Ele sabia que não podia vencer aqueles dois então era melhor acreditar nessa opção.

― Vocês só precisavam falar da fraqueza da minha mestra, expor dessa maneira me fez pensar que pretendiam me trair. ― reclamou Rael e seu clone desapareceu. Depois ele desativou a armadura e correu para perto de Emilia. Neide e Rayger ficaram em silêncio nos seus cantos.

― Nós estamos com você, genro. ― disse Neide parada. Os dois ainda estavam chocados com o poder apresentado por Rael. A mão de Rayger estava com vários arranhões vermelhos. Normalmente seria impossível mesmo um décimo reino ferir Rayger tal facilmente, mesmo que fosse meros arranhões. O que afinal era Rael?

― Emilia! ― Rael correu voltando para ela. Emilia já estava abrindo os olhos. Quando ela viu Rael por cima dela ficou aliviada. Seus olhos já estavam vermelhos normais.

― Rael? Você ficou bem? Que bom… ― disse Emilia, ainda tonta formando um sorriso.

― Nós pensamos que iríamos encontrar sua mestra, não essa mulher. ― disse Rayger atrás deles. Emilia se levantou ainda atordoada e olhou irritada na direção dos dois.

― Vocês ousaram me drogar? Pelo visto vocês não tem muita vontade de viver! ― disse Emilia furiosa e foi segurada por Rael. Ela não estava cem por cento ainda, estava levemente tonta e sua visão ainda estava turva.

― Tudo bem Emilia, eles não fizeram nada quando você não estava lúcida, eles apenas mostraram que existe uma fraqueza em vocês. ― disse Rael tentando acalmar Emilia. Ela ainda continuava irritada. Neide e Rayger não demonstraram medo, agora os dois estavam lado a lado.

― Como tiveram essa informação? ― perguntou Emilia rispidamente.

― Vimos uma vez Violeta e ela nos deixou ver seus olhos escuros. Não existem cultivadores nesse mundo de olhos escuros. Na nossa biblioteca tínhamos artigos de ataques de uma atraente mulher sob o domínio de um homem com os mesmos olhos e um poder sem limites. Foi ela que quase levou nosso clã à destruição há mais de quinhentos anos atrás, antes de invadirmos a capital e destruir o clã por trás dela: Os Prateados. Depois que o jovem mestre deles foi morto, ela desapareceu e nunca mais foi vista. ― explicou Rayger.

― Era Violeta? ― perguntou Rael.

― Não temos certeza porque eu nasci muito tempo depois disso. Só temos uma pintura dessa mulher e ela não parece com Violeta ou essa sua amiga chamada Emilia. Em todo o caso, eles usaram a mesma erva contra ela, essa que usamos agora: Alada Brilhante ― disse Rayger e sacou em sua mão o que parecia ser um girassol bem branquinho com caule amarelo.

― Aaaaaaah! ― Emilia gritou e saltou varias vezes cerca de cem metros para trás no mesmo instante. Isso assustou Rael que ficou olhando preocupado de Emilia para a erva. Rayger não se moveu apenas continuou segurando a erva.

― Seu maldito! Essa é a segunda vez que você me faz de boba! Não pensem que eu não posso acabar com vocês! ― rugiu Emilia furiosa de longe. Eles ignoraram.

― Deixa eu ver isso. ― pediu Rael e pegou a erva da mão de Rayger.

― Rael destrua essa erva! Ela me causa uma forte dor de cabeça e um grande mal estar! ― gritou Emilia de novo. Mesmo com cem metros de distância ela ainda parecia estar sofrendo.

                Apesar de Rael analisar a erva ele não entendeu porque os componentes dela fariam mal às violadoras, mas percebeu que ela tinha de fato uma energia misteriosa. Era como a energia de algum tipo de divindade.

― Não somos os únicos que conhecem essa história, os outros poderiam ligar facilmente os fatos e pegar vocês desprevenidos. ― disse Rayger.

― Ficarei com essa erva para pesquisar melhor sobre ela. ― disse Rael e já guardou no bracelete. Rayger não se importou.

― Você não tem fraqueza? Não sente nada? ― perguntou Neide que sabia que Rael tinha uma parte daquele poder.

― Não sinto nada, talvez eu não tenha herdado a parte da fraqueza. ― supôs ele.

― Rael, quantas delas estão com você e onde você as encontrou? Fazem parte de algum clã? ― perguntou Rayger.

― Não exatamente um clã. Bom, se vocês não pretendem me trair também não precisam saber disso. Então estão mesmo comigo?

― Como já dissemos antes, estamos. ― disse Rayger. Eles não exigiram informações extras porque sabiam como pará-las. Além daquilo ter servido como garantia para Rael confiar neles, também serviu como um teste para terem certeza de como poderiam vencer a mestra de Rael caso a situação fugisse do controle. O que eles não podiam adivinhar é que em vez de encontrar Violeta acabaram encontrando outra Violadora. Então, sim, podiam existir mais delas e Rael acabou não passando essa informação. Tudo ainda era um jogo entre eles.

― Ótimo, agora chegou a hora de Mara saber a verdade, mas eu contarei do meu jeito e vocês não irão me atrapalhar. Vocês só vão interferir se ela tentar me trair. ― disse Rael.

Neide e Rayger se olharam. Como Mara iria reagir? Mesmo que ela não aceitasse Rael, ele não iria fazer mal a ela porque já havia garantido aquilo e foi por essa razão que eles tiveram o direito de saber primeiro.

― Demorei um pouco pra pensar nisso, mas se você é Rael então você e Natalia são irmãos. Ela já sabe disso? ― perguntou Neide.

― É claro que ela sabe. ― disse Rael.

― Baseado no que vi ouvir falar nesses últimos dias, você se casou com ela para protegê-la então, não é? ― Neide tornou a pergunta. Agora que ela tinha ligado os pontos ela entendeu porque Rael a pediu em casamento.

― Pelos dois motivos. Eu amo ela, agora ela também é minha esposa de verdade. ― disse Rael deixando Rayger e Neide um pouco chocados. Não era tão incomum casamento entre meio irmãos, mas irmãos puros assim de pai e mãe eram.

― Ninguém pode culpar você, Natalia foi a única pessoa na vida que nunca o tratou mal. Mas tome cuidado Rael, Elisa não vai ficar parada enquanto não te ver morto. ― avisou Neide.

― Natalia não é minha irmã de sangue, mas essa conversa fica para outro dia. ― disse Rael sem querer explicar.

― Então não há nenhum problema na relação de vocês. ― disse Neide mais aliviada. Filhos de irmãos puros costumam nascer com problemas.

― Sim. Só não entendo porque Romeo desistiu tão rápido. ― observou Rael.

― Ele está usando os ganhos do clã para tentar curar seu problema de não conseguir ter filhos. Recebi até informações de que ele está também procurando uma mulher com a vitalidade alta. Você sabe, uma mulher com vitalidade alta tem chance de gerar filhos até com um homem que está com ela baixa. ― explicou Rayger.

― É, isso eu sei sim. ― disse Rael que tinha lido alguns livros na biblioteca na época da curiosidade da gravidez. Homens e mulheres teriam uma determinada vitalidade. Homens entre vinte e oitenta, mulheres entre cento e vinte e cento oitenta, mas algumas mulheres conseguem atingir duzentos de vitalidades e elas são extremamente raras. Se Romeo não estava conseguindo ter filhos é porque a vitalidade dele deveria está abaixo dos vinte. Se ele encontrasse uma mulher com duzentos seria sim possível conseguir filhos. O problema é que a probabilidade de gerar meninas também era bem maior. Mas para alguém desesperado, se houvesse qualquer chance ele não deixaria de tentar.

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Rayger e Neide partiram deixando Rael e Emilia, que se aproximou de volta.

― Por que guardou aquela erva com você? Por acaso planeja isso contra mim? ― Emilia continuava nervosa por Rael não ouvi-la.

― Relaxa Emilia, eu não sou tão retardado ao ponto de querer te ferir. Eu não te salvei daquele lugar pra querer te machucar. ― disse Rael aliviando o humor dela. Mesmo assim ela ainda ficou um pouco emburrada.

― Você confia mesmo nesses dois?

― Não confio totalmente, mas vou precisar deles para assumir o poder. ― explicou Rael.

― Eles sabem o segredo das nossas fraquezas. Eles deveriam ser mortos imediatamente antes que isso se espalhe. ― disse Emilia.

― Eles não vão morrer sem nos trair, Emilia. Isso não existe. Eles têm direito a uma chance como qualquer outra pessoa. ― disse Rael.

― Pelo menos aquela mulher tem olhos gentis, ao contrário daquele homem. Ele parecia analisar cada movimento do meu rosto. ― reclamou Emilia, ela podia muito diferenciar um olhar de curioso ou um de atração.

― Você vai fazer mais coisa pra mim. ― disse Rael e se virou para ela. Ele planejava visitar a irmã de Thais no clã Sangnos.

― Não, eu estou fora. Com esse seu último pedido agora você só me expôs, se quiser ajuda peça a Violeta ou a Rika. Melhor, porque você não pede para o casal em que você agora confia? ― perguntou ela ainda emburrada.

― Emilia, eu sinto muito, eu não sabia que isso iria acontecer… ― se explicou Rael. Ela tinha se virado de costas e estava olhando o rio.

― O azar é seu. Eu só ajudo você agora quando me pagar o que já me deve. ― disse ela e sem esperar Rael dizer mais nada, ela subiu voando e sumiu como fleche dentro das nuvens. Rael virou-se irritado. Sem Emilia, ele não ia poder entrar e sair do clã Sangnos rapidamente. Isso significava que ele poderia ter problemas.

                Depois de tudo que ocorreu nos últimos dias, não seria difícil Rael ter problemas em outros territórios, tanto em relação ataques ou até mesmo de outras mulheres tentarem entrar em sua vida. Se ele fosse com Emilia tudo isso seria evitado. Infelizmente Emilia não queria mais ajudar e Violeta também não estava disposta.

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                Rael se sentia estranho quando pensava em Mara sobre ela não saber, principalmente depois de já ter contado para Natalia. Ele não queria continuar adiando aquela situação, então antes de novos planos ele decidiu que a prioridade seria ela saber logo a verdade.

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Voltando a cidade Rael se dirigiu diretamente para a casa de Rayger e seguiu para a Caverna do Céu. Tinha chegado a hora de encarar a última parte.

                Entrando na caverna ele encontrou as suas duas esposas cultivando, cada uma afastada da outra em seu próprio lugar.

                Com os anéis, Pontos de Poder liberados, veias curadas e pílulas. As cultivação delas estava transbordando em velocidade.

                Rael chamou Mara e ela parou a cultivação. Mara já era mais desperta e quando era chamada parava sem precisar ser tocada.

― Marido? ― perguntou ela se levantando e olhando Rael.

― Me siga, vamos conversar um pouco. Chegou a hora de contar toda a verdade. ― disse Rael e se dirigiu a um dos corredores mais altos o da passagem. Mara o seguiu em silêncio, ela não podia imaginar o que Rael estaria prestes a contar.

                Rael apertou a pedra azul liberando a passagem para a parte de cima.

― Que lugar é esse? ― perguntou Mara surpresa. O pai dela nunca tinha a deixado ver, ele já levava ela dormindo desse ponto.

― Esse é o lugar que seu pai te trazia para o ritual. Venha, vamos subir. ― disse Rael seguindo em frente nos corredores. Ela parou por um momento depois seguiu atrás correndo.

                Chegando no topo eles deram de cara com o intenso Sol. As nuvens como sempre ficavam abaixo. A cama de pedra que tinha antes agora não tinha mais, estava destruída, provavelmente Rayger a destruiu quando percebeu que estava adoecendo o corpo de sua filha.

― Esse lugar? ― perguntou Mara olhando em volta curiosa, não tinha mais muito o que se ver porque Rayger tinha até mesmo destruindo as linhas do chão que formavam os símbolos. Agora havia vários buracos espalhados.

― Sim, era aqui que seu pai te trazia. ― disse Rael que tinha caminhado até a beirada e olhou em volta. A paisagem por cima das nuvens era linda, era possível ver outros picos de outras montanhas espalhadas ao longe.

                Mara caminhou olhando em volta até chegar na beirada ao lado de Rael. Ela ficou esperando porque ele havia prometido que contaria algo.

― Quem diria que eu iria mesmo me apaixonar por você… ― disse Rael e se virou para ela. Mara deu um leve sorriso: ― Mas agora já é hora de você saber toda a verdade por trás de mim. ― disse Rael aproximou o rosto e deu um leve beijo nela apenas usando os lábios, ela correspondeu normalmente. Ele não sabia se ela iria surtar, se ela nunca mais falaria com ele, nem como ela iria reagir no fim. Rael tinha um pouco de preocupação porque essa mulher tinha se tornado importante para ele, não no mesmo grau da irmã, mas tinha.

― Falando assim parece até que vamos nos separar. ― disse ela um pouco preocupada.

― Isso depende de você, eu acho. ― disse ele. Mara ficou um pouco mais séria.

― De mim? Marido se depender de mim nós ficaremos juntos pela eternidade, é só você não sair por ai se casando com todas as mulheres do mundo. ― advertiu ela com um tom mais sério.

― Entendo. Espero que quando eu acabar essa seja sua única preocupação. ―disse Rael e sorriu. Depois de ir ao outro mundo e conhecido Thais, ele tinha amolecido um pouco o coração frio que tinha antes.

― Então o que você quer me contar? ― perguntou ela.

― Se lembra de seu primo chamado Rael que desapareceu? Aquela história toda que você me contou do qual eu mostrei interesse? ― perguntou Rael.

― Lembro dele sim, é claro. ― disse ela sem pensar muito.

― Na verdade, meu nome não é Samuel, esse nome é falso inventando pela minha mestra. Meu nome verdade é Rael, eu sou seu primo aleijado que sumiu cinco anos atrás. ― disse Rael. Mara arregalou os olhos surpresa.

 


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