O Herdeiro do Mundo

108 - Dias Normais…

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Naquela tarde, Rael ensinou uma técnica de movimento para a irmã e uma de ativação para lutar com as mãos nuas. Assim como também duas técnicas diferentes de ataques que se encaixavam com o tipo dela. A irmã tinha a liberação da liberdade o vento e tinha a combinação do fogo.

                Rael apenas tocou o dedo na testa dela e passou as informações necessárias enquanto ela mantinha os olhos fechados:

― Com essas técnicas, combinando com a armadura mágica, você será muito poderosa. A armadura mágica além de aumentar sua velocidade de movimento dará a você aumento nos ataques de fogo. Você ficará completamente imune ao fogo enquanto ela estiver ativa. Sem esquecer que nos outros elementos você terá cinquenta por cento de resistência a mais. Ela é, afinal, uma armadura mágica de Rank SS. ― disse Rael depois da garota abrir os olhos.

― Em pensar que você ficou tão poderoso, pode até mesmo criar coisas tão incríveis! ― disse ela sorrindo e olhando novamente a pulseira. Ela estava orgulhosa de Rael, aquele aleijado de cinco anos atrás se tornou o homem mais incrível que ela já conheceu. Mesmo enquanto sorria, uma lágrima correu em seus olhos sem ela querer.

― O que foi? ― perguntou Rael enquanto ela rapidamente limpava a própria lágrima.

― Só estou feliz pensando no quanto você se tornou incrível, Rael. Eu estou muito orgulhosa de você. Estou feliz por ser sua irmã, sua esposa, estou feliz por fazer parte de sua vida e principalmente porque você está bem. ― disse ela.

Quando ela pensava nos últimos dias de sua vida, ela chegava a chorar as vezes, mas era de felicidade, Rael ter voltado, salvado e se casado com ela, a noite que tiveram, os pesadelos que se foram… Heitor? Ela nem sabia mais quem era. Sem esquecer o fato que ela estava ficando muito poderosa. Natalia não podia estar mais feliz diante de tantas coisas transformadas em sua vida desde que Rael voltou.

― Feliz estou eu, por ter uma irmã tão linda, tão gentil e tão deliciosa… ― brincou Rael sorrindo ao beliscar a saia azul da garota. Ela riu fugindo, enquanto cobria suas pernas de Rael.

― Eu estava com medo no começo de machucar você, de que você escolhesse não ficar comigo. Ainda bem que você escolheu ficar. ― admitiu Rael, voltando a ficar sério depois da brincadeira. Natalia pulou sobre ele e o abraçou. Rael na mesma hora fechou os braços sobre ela, a abraçando de volta.

― Eu sempre escolheria você, Rael. Ainda que fosse aquele aleijado de antes, eu te escolheria. Mesmo que fossemos irmãos de sangue, ainda seria você a minha escolha. Eu nunca esqueci aquela promessa que fiz no passado, você mesmo lembrou. Meu medo era que você estivesse fazendo isso para me proteger, depois do que me viu passar. Eu não pretendia me tornar apenas um titulo em sua vida. Mas depois da noite de ontem todos esses medos desapareceram de mim.  ― disse Natalia no ouvido de Rael. Rael sentiu seu coração esquentar por dentro. Quando Natalia falava tão docemente assim ele se sentia nas nuvens.

― Sempre ficaremos juntos. Você não precisa se preocupar. ― garantiu Rael.

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                Antes do almoço, Rael entrou em contato com Ana depois de fechar todas as janelas do quarto. Como sempre, ele teve que esperar um pouco para ela ter tempo de achar um lugar escuro e responder.

― Por onde você andou? Eu tentei falar com você e não conseguia! ― reclamou ela nervosa do outro lado.

― Estava por ai. Me diga se aconteceu alguma coisa importante?

― É claro que aconteceu! Você matou três homens que estavam ai para matar você, o patriarca quase enlouqueceu! Ele botou um grupo do oitavo reino pela cidade que estão apenas esperando você. Ele também abriu uma recompensa por sua cabeça: Vivo por mil moedas de ouro e morto, quinhentas. ― disse ela.

― Oh! Isso é maravilhoso, estou começando a me sentir verdadeiramente valorizado hahahahahaha! ― Rael riu.

― Samuel, isso não é engraçado!Pessoas de fora também vão tentar pegar você, porque alguns papeis foram espalhados na capital. É claro que eles não deixaram explícito de quem seria o pedido, tudo foi feito com o maior cuidado para a notícia não vazar. ― explicou Ana.

― Nunca vi alguém trabalhar tão bem como você. Me diga, como consegue as informações? Você participa da reunião deles? Depois do torneio por acaso você se tornou alguém importante lá dentro?

― Não, isso é impossível para mim. Embora eles não suspeitem de nada, eu também não sou muito importante nem nada que possa favorecer eles em algo.

 Então como você descobre isso? Depois de Heitor morrer eles nem lembraram de punir você por ter me ajudado naquele dia no julgamento. ― lembrou Rael.

― Eles têm muito mais com que se preocupar do que punir alguém, ainda mais de algo que já passou e não representa nenhum valor. E sobre a outra pergunta: eusou solteira, sou bonita e você já deve saber: homens falam qualquer coisa durante o ato.

― Entendi… Bom, continue com o seu bom trabalho. Eu ainda não tenho data de quando vou aparecer mas já estou quase indo. ― disse Rael.

― Aparecer? Samuel, mesmo que você mate alguns sétimos reinos do nosso clã, temos pessoas que estão até no décimo primeiro. Como espera lidar com isso? Você não ouse aparecer aqui sozinho! Eu estou tendo que me esforçar aqui com homens mais feios que bestas e se você morrer eu ficarei sem nenhuma recompensa! Além disso tem essa coisa em mim que eu não sei o que poderia acontecer caso você morra! ― disse Ana. Rael não era burro. Ela não podia traí-lo mas ele jamais confiaria.

― Se eu morrer na mesma hora você morre junto, porque minha morte faz o espírito sombrio te matar no mesmo instante, te culpando por traição. ― mentiu Rael. Na verdade, se ele morresse o espírito nela desapareceria.

― Pior! Você tem que… ― quando Ana estava falando a porta do quarto de Rael foi aberta e Natalia apareceu. A luz que surgiu fez a sombra ao lado de Rael desaparecer e quebrou a comunicação.

― Natalia? ― perguntou Rael.

― Você estava falando com alguém? ― perguntou ela. Rael não tinha contado sobre a Ligação Sombria para Natalia.

― Eu estava só pensando alto. ― disse Rael sem jeito.

― Achei que você estivesse usando os anéis de comunicação. Que medo de ter atrapalhado algo. Estava te procurando para a gente almoçar. ― disse a garota.

― Vamos sim. ― disse Rael se levantando da cama. Ele já tinha falado tudo que precisava com Ana de qualquer jeito.

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Quando a noite estava chegando os dois se grudaram e ficaram até a madrugada. Rael dessa vez utilizou uma série de posições diferentes que tinha aprendido com Rita.

                Natalia que tinha perdido todos os medos também tentou coisas novas e até mesmo chupou o de Rael, isso porque ele sempre a chupava. Rael não tinha nenhum nojo de mulheres, principalmente de Natalia.

                Natalia não era tão experiente quanto Rita adulta, mas por ter um corpo diferenciado e uma coisa muito mais apertada, proporcionava a Rael sensações muito mais intensas, na verdade, para os dois. Isso fazia Natalia ter vários orgasmos e nessas horas durante o ato Rael sentia-se no paraíso, porque se normal era já apertado, quando ela tinha um orgasmo ai é que a coisa apertava mesmo.

                Natalia jamais pensou que sexo fosse ser tão viciante e ela estava se sentindo uma safada. Literalmente. Os dois fizeram tanto ao ponto de ficarem cansados. De madrugada os dois tomaram banho juntos. E depois foram dormir, eles apagaram facilmente.

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No último dia, eles cultivaram até a noite. Rael em um canto do quarto e Natalia em outro. Quanto ao restante da noite fora aproveitado da mesma maneira. Praticamente vinte ou trinta por cento dos três dias que eles tiveram foram na cama.

                Quando Mara voltasse eles teriam que revezar. Mara não ia querer ficar olhando logicamente.

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O dia seguinte veio e logo pela manhã Mara já havia chegado com a empregada. Rael a recebeu com um abraço e um beijo.

                Pelo café da manhã estava mais uma vez um silêncio bem estranho. Ninguém sabia agora como ficariam as coisas. Rael tinha duas esposas sobre o mesmo teto, e as duas eram primas. Natalia tinha perdido boa parte de seus medos e vergonhas com Rael nos últimos dias, mas é claro que a prima ainda fazia ela se sentir acanhada.

― Olha aqui, se ninguém vai tocar no assunto eu vou! ― disse Mara de repente, porque ela mesma ficou irritada: ― A partir de agora temos que criar regras nessa casa. Primeira de todas: vamos decidir os dias que vamos dividir o nosso marido. ― disse Mara, mais olhando para Natalia do que para Rael.

― Eu fico com cinco dias e você com dois. Acho muito justo visando que sou a primeira esposa e aquela que também prepara a comida. ― disse Mara. Ela não teve nenhuma vergonha de dizer aquilo, na verdade ela já estava com raiva por Rael ter se casado de novo.

Natalia não concordou, mas também não tomou qualquer partido. Ela podia ter se casado com Rael e até perdido muitos medos nas noites passadas, mas no geral, Mara era a primeira esposa, a casa era dela e tinha o temperamento mais explosivo. Natalia tinha um pouco de vergonha e medo da prima, por isso ela não ia brigar mesmo que quisesse.

― Esposa, você não acha isso um pouco errado? Mesmo que você seja a primeira e que prepare a comida, você ainda é tão esposa quanto ela. Você não iria gostar que essa divisão fosse reversa, ou iria? ― perguntou Rael para defender Natalia. Ele se importava principalmente porque com Natalia a coisa parecia fluir muito bem, mas ele também gostava de Mara, ela foi a primeira mulher com quem ele experimentou aquilo, não havia como negar que Mara também era muito boa.

― E onde fica a vantagem sobre eu ser a primeira esposa?

― Não existe isso, vamos encerrar esse debate. Basta nós três dormimos juntos a partir de agora ― explicou Rael.

― Nós três juntos? ― perguntou Natalia envergonhada.

― Qual é o problema? Vocês duas são minhas esposas de qualquer modo.

― Isso não parece tão ruim no final. Mas hoje eu quero você só pra mim, você passou três dias com ela, não é justo eu não ter direito a pelo menos uma vez. ― reclamou Mara.

― Bom, tudo bem. Isso não é problema. ― concordou Rael que entendia essa questão. Ele mesmo não podia adivinhar como seria dormir junto com as duas, mas só em pensar que teria aquelas duas nuas no mesmo quarto com ele o coração já disparava no peito.

                Natalia, por outro lado, ficava tensa quando pensava nisso. Ela não conseguia imaginar a situação que seria com eles três no quarto.

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Durante a tarde do dia seguinte, Rael deu uma volta no clã enquanto suas esposas cultivavam na Caverna do Céu. Ele havia pedido para Mara levar Natalia com ela, Rael também pediu que Mara ajudasse Natalia a testar as técnicas que ela aprendeu. Ele confiava em Mara, sabia que ela não iria ferir Natalia. Ele também tinha planos que precisava cumprir naquela tarde. Um deles era ter mais uma conversa com os pais de Mara.

                Rael caminhou sozinho sob o Sol da tarde se expondo a todos. Quando ele teve certeza que não estava sendo seguido, ele partiu para fora das muralhas e caminhou por meio quilômetro. Esperou um pouco para ter certeza que não estava sendo seguido e então começou a flutuar, usando seu elemento vento.

                Já bem alto, Rael invocou Ralf que apareceu no céu já em um mergulho. Ele girou em volta animado e cruzou por Rael várias vezes até Rael montar nele:

― Temos um lugar pra ir, amigão. Vamos embora! ― disse Rael. Ralf deu uma leve rugida e partiu conforme Rael pediu. Ralf agora era uma besta Rank B+, ele já podia enfrentar inimigos até o sétimo reino.

                Ralf levou cerca de dez minutos para chegar onde Rael queria. Ele pousou suavemente no chão ao lado do rio que se estendia à sua frente. Rael desceu e ficou olhando a paisagem em volta, enquanto Ralf se aproximou do rio e começou a beber água.

Havia um conjunto de três grandes árvores enfileiradas ao lado do rio que chegavam a ter vinte metros de altura, sem mencionar suas grossuras.

― Emilia, você está por aqui? ― perguntou Rael olhando em volta. Ralf continuava bebendo água sem se preocupar.

                O ar na frente de Rael ao lado das árvores foi dobrado e Emilia apareceu toda sensual olhando para ele. Ela saiu de uma parede invisível. Até ela sai Rael só podia senti a presença de Ralf.

― Se eu marquei é claro que eu estaria. ― respondeu ela e se aproximou de Rael dando alguns passos a frente. Ela mantinha um sorriso sensual sempre estampado em seu belo rosto.

― Você entendeu certo? Você só vai aparecer caso seja necessário. Essas pessoas não aparentam ser más, por isso eu só pretendo conversar. Mas se algo der errado e eles tentarem acabar comigo, então você vai agir. ― explicou Rael.

― Se você confiasse neles totalmente não estaria me chamando para ficar escondida aqui. ― disse ela: ― Para mim, essa sua vingança é uma frescura. Eu tenho poder de sobra para destruir todos eles. Posso fazer seus pais lamberem seus pés. Posso tornar você um deus em seu clã. Basta você me pedir e eu o farei. ― disse ela.

― Apenas faça como eu pedi, Emilia. ― disse Rael calmamente.

― Faço, é claro. ― disse ela estendendo as mãos e segurando o rosto de Rael. Ela já avançou e o beijou. Rael não recuou, ele aproveitou aqueles lábios saboroso de Emilia junto com a língua dela. Eles se beijaram por cerca de uns trinta segundos.

― Mal vejo a hora de você ficar com mais uma mulher. ― disse ela soltando Rael. Ela lutou um pouco e se afastou para trás.

― Vou chamar eles agora, ele chegarão aqui em menos de um minuto. Se esconda de novo. ― disse Rael.

― Você vai ficar me devendo, viu? ― lembrou ela antes de caminhar de costas e sumir ao lado da arvore. A presença dela desapareceu completamente no ar.

― Ralf, venha.Você precisa voltar também. ― disse Rael. Ralf voltou balançado o rabo e Rael o puxou de volta para dentro.

                Depois Rael chamou Neide e Rayger no anel, e pediu que os dois o encontrassem. Como ele havia imaginado, em menos de um minuto o casal surgiu no céu como dois relâmpagos e pousaram na frente de Rael.

 


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