O Herdeiro do Mundo

107 - Artefatos Mágicos

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Um silêncio correu na sala. Rayger e Neide calcularam rapidamente aquela informação. Matar um patriarca era um dos piores atos que se podia cometer dentro de um clã, mas a verdade é que desde o torneio eles não estavam mesmo se dando muito bem. Rayger nem sequer tinha sido chamado de volta para o conselho.

― O que vem além das sete vidas? ― perguntou Neide. Ela tinha ficado surpresa. Traição era um fato pesado em uma família, mas ainda seria melhor do que perder a filha. Isso sem mencionar que eles já deviam muito a Rael. Rael também tinha prometido fazer Mara ficar ainda mais forte, então como aquilo poderia ser recusado?

― Vocês acham mesmo que vou contar tudo agora? Eu não vou. Só posso adiantar que não estou fazendo isso por ter qualquer envolvimento com outros clãs, isso é algo pessoal que em breve eu explicarei melhor. No momento, tudo que vocês têm que saber é que eu mesmo farei todo o trabalho. Eu só quero o apoio de vocês para possíveis eventualidades, não são vocês que vão molhar as mãos de sangue, vocês serão mais como porta vozes. Quando eu derrubar o poder deles, será vocês que eu irei querer que assumam sobre as minhas novas regras. ― disse Rael em um tom bastante sério.

                Neide e Rayger não duvidavam do que Rael poderia fazer. Ele tinha um grande poder e capacidades que iam além do entendimento humano sem mencionar a mestra por trás dele.

― Se você não está com planos em derrubar todo o clã ou tentando passar o poder para outra família você tem nosso apoio. ― disse Rayger. A filha deles era mil vezes mais importante do que meras vidas familiares e de pessoas sem valor. Depois do torneio, Rayger e Romeo não estavam mais se tratando bem.

― Genro, não sei bem o que virá no futuro e nem o que espera de nós, mas tem nosso apoio. ― disse Neide concordando.

― Eu também preciso concordar, marido? ― perguntou Mara preocupada porque o ar estava bem sério.

― Você não, nossa conversa será depois, daqui a alguns dias. ― disse Rael. Mara então fez um sim e permaneceu quieta.

                Rayger e Neide se levantaram e baixaram a cabeça com respeito na direção de Rael, mostrando que apoiavam as futuras ações dele. Depois se sentaram de volta esperando para o caso de haver mais algo que ele quisesse falar.

― Neide, trouxe as coisas que eu pedi? ― perguntou Rael.

― Está tudo aqui. ― disse ela rapidamente passando um bracelete do infinito para Rael.

― Oh isso é maravilhoso, vocês conseguiram isso em menos de um dia. ― admirou-se Rael. Os itens pedidos por Rael eram realmente difíceis, mas os dois não sabiam como Rael iria curar Mara, eles achavam que Rael poderia precisar daquilo.

― Esposa, levante-se. ― disse Rael e esperou. Mara se levantou e foi guiada pela mão de Rael. Ele a guiou até a frente da escada em um espaço vazio.

― Tire toda sua roupa e fique apenas de calcinha e sutiã. Depois se deite no chão. ― ordenou Rael. Mara não hesitou em obedecer, ela confiava nele.

                Os pais de Mara tinham se levantando e estavam inquietos. Rael não pretendia expulsá-los dessa vez, ele queria que eles vissem as capacidades de Rael para no futuro jamais pensarem em traí-lo.

                Com Mara deitada e com os braços e pernas estiradas, Rael liberou sua energia colorida. Aquilo nem surpreendeu Rayger e Neide. Mas quando eles viram as explosões de energia no ar formando símbolos, ambos ficaram chocados. Seus queixos faltavam pouco despencar de suas bocas. Eles nunca tinham visto tal poder antes. Nem eles e nem a chocada esposa que era outra que estava de boca aberta deitada olhando de lado.

                O mesmo processo foi feito com a Mara do mundo alternativo. Mas dessa vez ela não estava com todo o corpo escuro, embora fosse possível ver as várias veias já danificadas e alguns pontos de poder escurecidos também. Rael ficou bastante aliviado porque os danos dela ainda não eram permanentes como os da outra.

                O símbolo da vida começou a banhar o corpo de Mara. Ela via toda aquela energia esverdeada banhar seu corpo e se sentia extremamente confortável. Ela sentia seu corpo quente por dentro e seus músculos bem relaxados. Uma quentura agradável corria por dentro de seu corpo, ela chegou a fechar os olhos quase querendo dormir de tão leve que se sentiu.

                Rael a curou e depois já liberou o resto das restrições. Como a irmã, ele conseguiu liberar vinte seis Pontos de Poder. Todas as veias dela foram curadas. Ela estava novinha em folha.

                Rayger e Neide quase desmoronaram. Eles perceberam o que Rael fez. O poder que fluía da filha deles agora era coisa de outro nível. O corpo de Mara transbordava em energia. Não era atoa que Natalia estava evoluindo tão rápido. Rael podia curar as veias e ainda liberar os Pontos de Poder. Aquilo era mesmo normal?

                Quando Mara se levantou ela ficou olhando o próprio corpo em estado de choque. Seu corpo estava muito mais leve e ela não sentia mais nenhum desconforto estranho nos músculos como antes, é claro que ela nunca tinha mencionado, ela achava que era devido os treinos de técnicas.

― Vocês viram o que posso fazer, eu deixei que vissem. ― disse Rael se virando para os pais dela: ― Vão embora agora e mantenham as bocas fechadas.  Estejam prontos para ouvir qualquer pedido meu daqui em diante. O resto eu vou contar em uma hora mais propícia. ― disse Rael.

― Obrigada genro! ― disse Neide pálida e saiu na frente.

― Obrigado Samuel por ajudar minha filha! ― disse Rayger e seguiu a esposa no mesmo estado.

― Então eu vou indo. ― disse Mara que já ia se despedir e Rael segurou o pulso dela.

― Você fica, eu ainda não terminei com você.

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                Rael juntou sua testa na testa de Mara e passou a cultivação correta de acordo com as veias dela. Mara fechou os olhos e recebeu todas as coisas que precisava. Quando Rael se afastou ela já estava com tudo em mente.

― Suas veias tem uma formação entrelaçada, por isso te passei a cultivação d’A Serpente Gigante da Terra. ― explicou Rael. Mara fez um sim.

― A partir de agora você passará a cultivar normalmente como qualquer pessoa. Eu ainda vou preparar alguns artefatos mágicos para você, Natalia e pra mim com as coisas que sua mãe conseguiu, ― explicou Rael: ― por enquanto você pode esperar aí do lado.

                Mara ficou em pé enquanto Rael se sentou. Ele soltou no chão uma pequena parte da lista de objetos conseguidos por Neide. Que iam desde pedras espirituais de besta Rank A até pequenos artefatos mágicos, como anéis, pulseiras e outras coisas mais. Cada uma delas tinha um efeito especial ou algum uso, como aumentar o poder de algum elemento, como aumentar a defesa para algum outro, como melhorar a criação de alquimias. Eram coisas caras que somente famílias do mais alto escalão conseguiriam tão facilmente.

                Rael juntou vários artigos e deixou ali pronto. Virou-se e iniciou a preparação de novas pílulas. Ele separou três fornalhas de metal de uma vez e trabalhou com as três ao mesmo tempo. Mara se sentou na frente dele e ficou apreciando enquanto Rael trabalhava. Ela queria conversa, mas achou que atrapalharia ele, por isso optou pelo silêncio. Ela certamente estava curiosa para saber se ele e Natalia estavam se entendendo.

― Esposa, antes de você ir poderia preparar um almoço para mim e Natalia? Isso pode levar alguns minutos e você pode me quebrar esse galho. ― disse Rael.

― Preparo sim, mas aconselho você a cobrar isso da sua nova esposa, eu não sou sua escrava. ― disse Mara, mesmo depois de tudo que Rael fez por ela. Rael engoliu calado porque mesmo ela reclamando ainda se levantou e foi fazer.

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                Com as pílulas prontas, Rael se virou para o outro lado e conjurou a barreira de criação herdada por Emilia. Era uma barreira de energia vermelha transparente que ficava circulando em volta dos objetos, esperando por Rael.

                Rael herdou de Emilia a habilidade chamada Mundo da Simbologia: Ela permite que seu usuário crie, altere ou destrua artefatos mágicos. Os artefatos mágicos são criados somente pelos maiores cultivadores utilizando a Simbologia; eles podem dar diferentes poderes a determinados equipamentos.

A barreira era como uma fornalha mágica: Rael com as mãos dentro, sem luvas, usava o dedo e ia criando pequenos símbolos no ar eincrustando-os magicamente no anel. Conforme ele fazia os símbolos, ele os fazia passearem pelos objetos e depois seguiam para o anel. O anel brilhava e tremulava, depois ele puxava o objeto para si. Havia uma explosão de poder e depois o objeto sumia permanecendo o anel. O anel devorou até as dez Pílulas do Lendário Poder Maior criadas por Rael. Depois de quinze minutos, seguindo esse processo, ele segurou na mão um anel vermelho virgem de apoio rank SS. Era um anel capaz de dobrar a velocidade de cultivo de uma pessoa.

Rael se levantou e foi até a irmã. Já no quarto, ele pediu que ela parasse de cultivar e colocasse o anel no dedo médio da mão direita. O anel virgem não tinha qualquer efeito nela, mas Rael concentrou sua energia e quebrou a barreira do anel fazendo ele ler a energia de Natalia e armazenar a informação. Feito isso o anel só serviria em Natalia e em mais ninguém. Era como um eterno registro da alma.

― Esse anel vai dobrar sua velocidade de cultivo. Você vai ficar mais forte ainda mais rápido. ― disse Rael para Natalia. Ela já não ficava mais tão surpresa com o que Rael podia fazer. Ainda sim ela disse obrigada e deu um forte abraço nele. A garota tinha um cheiro muito agradável e Rael se segurou para não beijá-la novamente.

― Continue cultivando. Eu ainda vou preparar mais dois desses anéis. Um para mim e outro para Mara.

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                Passando-se meia hora, Rael tinha terminado os outros dois anéis com perfeição.

                Ele encontrou Mara ainda cozinhando e passou o anel virgem para ela, depois fez o registro e explicou o que o anel faria. Quando Mara ouviu aquilo quase passou mal: O máximo que pessoas normais conseguiam criar eram anéis de apoio rank S de 50% e Rael fez um de 100%.

                Rael, em seguida,a entregou uma Pílula do Domínio Maior.

― Quando você avançar para o nível sete eu farei as novas pílulas, tanto pra você quanto para Natalia. Você só precisará dessa para chegar ao sétimo reino e não demorará nem uma semana. No entanto você terá de esperar Natalia. Eu quero vocês duas dentro da mesma cultivação. ― explicou Rael.

― Devo cultivar escondido, não é? ― perguntou ela.

― Isso você já deve saber. Use a Caverna dos Céus. ― disse Rael.

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                Rael não podia usar os anéis de apoio de outros, mas uma criação dele era diferente, esse ele podia usar. Colocou no dedo e fez o próprio registro.

                Rael não parou por ai. Ele sentou-se e se pôs a criar Armaduras Mágicas. Ele precisava fazer uma para a irmã e outra para ele por enquanto.

                Neide e Rayger tinham se esforçado, isso porque dos itens mais difíceis que Rael pediu foi as partes das bestas. Rael pediu o coração de uma besta rank A, Fênix das Brasas. Era um dos itens mais caros do mundo e eles conseguiram. Rael também pediu o coração de uma outra besta de rank A, Lagarto do Mar de Raios. Era a besta mais próxima de um dragão e Rael tinha planos para isso.

                Durante o preparo, a parte mais difícil foi utilizar o sangue do dragão ganho por Rayger no mundo alternativo. Rael teve que usar um pote inteiro, ficando apenas com a metade do outro. Ele banhou o coração da besta Lagarto do Mar de Raios com o sangue de dragão transformando-o em um coração de dragão. Não seria tão poderoso quanto o original mais serviria melhor do que muitas bestas por ai.

                Em uma hora, Rael tinha terminado os dois braceletes. O que ele fez para a irmã era um bracelete vermelho com lindas linhas laranjas: ele era brilhante, mesmo sem a luz do sol. Já o bracelete de Rael era azul claro, com um pequeno símbolo de um raio branco na parte circular de dentro.

― Está tudo pronto, fiz comida suficiente para vocês comerem. Até amanhã! ― disse Mara voltando da cozinha.

― Obrigado esposa. ― disse Rael depois de guardar tudo. Ele segurava na mão os dois braceletes de Armaduras mágicas. Mara percebeu mas não disse nada. Só o fato dele ter dado aquele anel para ela já pagava em dobro todas as coisas que os pais dela conseguiram para Rael. Embora ela percebeu que aqueles braceletes eram de poderosas armaduras mágicas.

― Sua mestra que ensinou você a criar artefatos mágicos? ― perguntou Mara que não estava mais aguentando de curiosidade.

― Isso é uma herança de uma vida passada, não pode ser simplesmente ensinado. ― explicou Rael dizendo a verdade. Mara ficou em silêncio, admirada. Ela tinha se casado com um homem absolutamente incrível. Pena que não se contentava apenas com ela…

― Você já pode ir cultivar. Vá atrás do seu sétimo reino. ― disse Rael, se aproximando da moça e dando um beijo de leve em seus lábios: ― Nos veremos de novo depois de amanhã.

                Com isso ela sorriu e saiu deixando Rael. Rael trancou todas as travas da porta depois de Mara sair. Em seguida ele subiu para entregar o presente a irmã.

                Quando a irmã segurou o bracelete na mão ela sentiu a energia estrondosa que fluía do artefato mágico.

― Fiz especialmente pra você. Com esse cultivo que você tem agora e essa armadura mágica, mesmo que apareça alguém um reino inteiro mais forte que você, você será capaz de derrotar facilmente. Eu também estarei ensinando técnicas pra você durante hoje e amanhã. Você será muito poderosa, e eu só estou começando. ― disse Rael.

― Obrigada marido! ― disse ela abrindo a trava do bracelete e passou ele para o braço direito. No mesmo instante a energia correu do bracelete no corpo dela formando o registro e armazenando aquela informação.

                Depois da última noite, Natalia já era completamente de Rael e sua vida seria dedicada a estar com ele, portanto, qualquer presente de Rael, qualquer coisa que ele fizesse por ela de agora em diante, ela jamais relutaria em aceitar. Porque ela já se sentia sendo dele, assim como ele era dela. Bastou uma noite para eles terem certeza sobre o que queriam um do outro, e definitivamente eles não queriam continuar sendo apenas irmãos.

Quando eles se olhavam e se lembravam da noite passada já ficavam tensos no desejo de repetirem a mesma coisa. Mas eles também precisavam comer, beber, viver, treinar. Não iriam passar a vida agarrados um ao outro transando como dois monstros.

― Pode testar se quiser. ― disse Rael abrindo espaço.

Natalia apertou o bracelete e convocou as palavras que agora tinham em sua mente: ― Armadura Fênix das Brasas, Ativar! ― O bracelete brilhou e espalhou uma rápida energia no corpo dela, essa energia se transformou em uma armadura de corpo inteiro. Era uma armadura metálica, vermelha escurecida e com listras laranja no peito, tinha as mesmas listras nos braços e pernas. Seu elmo tinha o formato de um bico na parte da boca. Nas orelhas, um par de pequenas asas brancas para trás, enquanto nos olhos um espaço de visão afiada como os de uma águia, coberta por uma camada de vidro vermelho.

― É tão incrível! ― disse ela de dentro do elmo se olhando de um lado a outro. Depois levantou as mãos vermelhas com pedras cristalizadas em laranjas pelos dedos: ― Eu sinto como se meu corpo estivesse ainda mais leve e mais forte! ― disse ela. Ela fez um movimento de soco para o lado e uma rajada de vento foi formada. As roupas de Rael até balançaram.

― Agora só faltou eu conseguir uma arma para você. ― observou Rael satisfeito. A armadura tinha ficado linda na irmã. Rael ainda podia ver todo o formato do corpo da irmã por baixo daquela poderosa defesa de metais.

― Eu nunca gostei muito de armas. Não sei se vou me dar bem. ― disse a garota.

― A gente vai pensar sobre isso com calma depois. ― disse Rael.

― Está bem! ― concordou ela e desativou a armadura que foi sugada para o bracelete.

― Eu não estarei sempre com você. Mas quando eu não estiver, você terá poder para se defender e nunca mais será forçada a nada. ― disse Rael e abraçou a irmã. ― Eu vou fazer do mundo um lugar melhor, não só para você como para todas as pessoas. ― disse ele. A irmã apenas fechou os olhos.

 


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