O Herdeiro do Mundo

102 - Acordos

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Eles caminharam por alguns segundos e Emilia foi diminuindo o passo. Rael se virou olhando a mulher e parou.

― O que foi? ― perguntou ele esperando. Emilia estava com um ar parecendo de cansada enquanto encarava Rael de volta.

― Eu acabei de despertar, estou ainda fraca e gastei tanta energia agora. Você poderia me levar nos braços? ― perguntou ela e se escorou no ombro de Rael. Rael não estava a fim de continuar nesse lugar. Ele rapidamente se agachou e tomou a mulher nos braços. Ela ficou agarrada com os dois braços em volta do pescoço dele. O rosto dela era tão tentador que Rael não ousava ficar olhando muito tempo.

                Voltando a caminhar carregando Emilia, Rael voltou para o salão de pilares e já se dirigiu a escada acima. Chegando na saída do templo, Rael ativou o Espaço Ilusório e correu o olhar em volta. Ele facilmente encontrou uma fenda branca no ar como se estivesse puxando uma energia azulada em volta. Com a habilidade ativa eles estavam vendo partes da caverna e do templo simultaneamente.

― Isso é incrível! ― disse Emilia toda a vontade no colo de Rael. Como ele estava carregando ela e usando a habilidade ela podia ver tudo que ele via.

                Rael não demorou e se aproximou da fenda com Emilia no colo. Os dois foram sugados pela energia da fenda, quando se deram conta já estavam na caverna normalizada. A habilidade de Rael foi cancelada automaticamente assim que mudou de mundo.

― O que é você? ― perguntou Emilia encarando Rael com outros olhos. Se antes ela estava com vontade de ter Rael, agora seu desejo tinha dobrado em várias vezes depois de conhecer tal poder.

― Sou o Herdeiro do Mundo Completo ― disse Rael.

― Então é por isso que você pode atravessar mundos paralelos, pelo visto eu tirei a sorte grande. ― disse ela animada e quase beijou Rael mas foi atrapalhada por um vulto vermelho que chegou e parou na frente dos dois.

                Violeta e Emilia se encararam por breves segundos uma fazendo o reconhecimento da outra. Emilia apertou os lábios com um pouco de irritação, ela esperava ter sido a única Violadora despertada por Rael, porém, se enganou.

― Logo você, Emilia? Que surpresa hein! ― disse Violeta com um ar sarcástico.

― Que droga. ― reclamou Emilia se virando de volta pro peito de Rael e pousando a cabeça nele como se pudesse assim acordar de algum pesadelo que estava prestes a começar.

― Por que está com ela nos braços, Rael? ― perguntou Violeta.

― Ela disse que estava fraca, tonta ou algo assim, por acabar de despertar. ― disse Rael.

― Largue essa preguiçosa no chão, ela está te usando. Essa mulher é a pessoas mais folgada que já conheci na minha vida. ― reclamou Violeta.

― Rael? Você não faria isso comigo não é? Eu salvei você. ― disse ela olhando Rael e se fazendo de sensual para ele. Rael até engoliu um bocado de saliva porque Emilia conseguia mesmo ser atraente.

― Rael! ― rugiu Violeta e forçou os dois a se soltarem.

― Venha comigo! Vamos ter uma conversa e esclarecer umas pequenas coisas antes de continuarmos nossa viagem. ― disse Violeta puxando o braço de Emilia que, mesmo com uma careta, seguiu ela.

                Rael ficou parado esperando. Agora de volta ao mundo não havia mais aqueles tais devoradores e tudo seria muito mais tranquilo.

                Violeta e Emilia voltaram cerca de quinze minutos depois, as duas pareciam ter conversado o suficiente.

― Então, já podemos ir? ― perguntou Rael que não via a hora de voltar para ver sua esposa e sua irmã.

― Ela tá querendo fazer você sofrer um pouco. ― disse Emilia do lado que parecia não ter concordado com algo.

― Eu falei pra você não falar, sua preguiçosa. ― reclamou Violeta.

― Você quer dar a ele a opção mais dolorosa! Porque não diz pra ele as duas maneiras de passarmos e recebermos a herança? Vamos deixar que ele escolha! Isso é a coisa certa a se fazer.― reclamou Emilia, ela certamente não estava de acordo com algo.

― Do que estão falando?

― Antes de eu deixar você de volta na cidade, nós decidimos que você deve receber a herança de Emilia, assim como ela a sua. ― explicou Violeta.

― Isso é maravilhoso, vamos logo com isso! ― disse Rael olhando Emilia.

― Existe duas formas de passar. Uma é você transar comigo e a outra é eu mordendo você. ― disse Emilia, deixando Violeta irritada. Rael na mesma hora se lembrou da dor que sentiu anos atrás quando recebeu o braço. É claro que depois ele entendeu o que era. E quem nesse mundo trocaria uma transa por uma mordida?

― Rael, você não pode ter relações sexuais com nenhuma de nós duas antes. Como eu disse uma vez, você ainda precisa de mais experiência. Até o momento você teve duas, tenha mais duas e isso não será problema.

― Que ótimo Violeta, você podia me deixar escolher, eu sei que não deve ser tudo isso. ― disse Rael um pouco chateado.

― Você não vai escolher. Diferente dessa mulher, eu penso no seu futuro. ― reclamou Violeta, olhando irritada para Emilia.

― Você sabe que não pode controlar ele, Violeta. No fim, ele decide: Rael, você quer receber a herança transando ou sendo mordido? ― perguntou novamente Emilia se virando para Rael e fazendo aquela mesma expressão sensual, algo que envolvia lábios e olhos.

― Você não vai fazer isso! ― disse Violeta e sua aura explodiu do lado de Emilia. Rael que já ia responder parou.

― Eu posso ser preguiçosa, mas não tenho medo nenhum de você. ― disse Emilia e sacou o cetro escuro de pedra branca. Dessa vez ela sacou instantaneamente por ele já estar no bracelete. O nível de poder daquelas duas era semelhantes e por isso Rael ficou um pouco nervoso. As duas se encaravam como se estivessem se peitando. Eram como duas grandes belezas ameaçadoras. Emilia que até a pouco parecia uma mulher meia zombie agora estava bem desperta diante de uma Violeta não muito amigável também.

― Você não são quase irmãs? Por que não se controlam? ― perguntou Rael e por um segundo as duas se viraram para Rael.

― Emilia me passe isso através da mordida mesmo. Se Violeta diz que isso é melhor pra mim, eu acredito nela. ― disse Rael baixando o rosto. Ele não queria passar por aquele sofrimento outra vez, mas então Violeta iria acabar brigando com Emilia e no fim não ia dar muito certo.

― Você é uma estraga prazeres, Violeta. ― reclamou Emilia fazendo o cetro sumir.

― Apenas faça sua parte e cale a boca. ― reclamou Violeta indo para o lado e olhando céu.

― A onde você vai morder? ― perguntou Rael tirando as roupas do peito.

                Quando Rael mostrou o peitoral dele para Emilia, ela não resistiu. Ela baixou o rosto e esfregou a língua pela pele dele. Rael ficou em silêncio sentindo aquela maravilhosa língua quente escorregando pelo seu peito, ela chegou a beirar o medalhão.

― Como um rapaz como você ainda não teve quatro experiências amorosas? Isso não é normal, acho que as mulheres desse mundo já não sabem mais o que é bom. ― reclamou Emilia e se aproximou do ombro esquerdo de Rael.

― Se você fechar os olhos é melhor. Nós não ficamos com a aparência boa quando fazemos isso. Por isso eu preferia um milhão de vezes passar na forma sexual. ― Emilia continuava imutável na ideia.

― Faça logo! ― disse Rael fechando os olhos com força. Ele já imaginava o que estava por vim.

                Emilia suspirou e se concentrou fechando os olhos. Seu rosto começou a ficar feio e ela abriu a boca, vários dentes afiados como os de uma besta surgiram. Os olhos dela ficaram completamente escurecidos e a boca aumentou de tamanho. Era algo realmente horroroso, ainda mais transformado de uma mulher tão linda.

                Violadoras estavam dividas entre duas categorias: ou eram muito lindas em suas formas normais, ou eram verdadeiros monstros quando se transformavam, para muito além dos olhos.

                Rael sentiu sua pele ser facilmente rasgada pelos longos dentes dela. Ele apertou os próprios dentes, mas dessa vez não gritou de dor. Ele fechou os punhos e suportou aquela dor miseravelmente em silêncio. Ele sentiu seu sangue sendo drenado por ela e em troca parecia que ácido estava sendo depositado no lugar. A dor era muito intensa.

                Emilia manteve o controle mesmo sentindo o saboroso sabor da carne de Rael. O sangue dele descendo pela garganta dela era como a mais saborosa bebida que ela já provou em vida. Mas ela jamais perderia o controle para o homem que a despertou e Violeta ali próximo sabia, por isso ela nem estava olhando para eles.

                Rael continuou acordado durante todo o processo, o que deixou Emilia e Violeta chocadas. Porque alguém com um cultivo tão fraco não poderia aguentar uma mordida daquelas.

                Lenta e cuidadosamente, Emilia foi removendo os dentes da pele de Rael. Ele permaneceu parado de olhos fechados.

― Você é mesmo forte, aguentou tudo isso sem desmaiar. ― admirou-se Emilia depois de seu rosto voltar ao normal.

― De bobo. ―disse Violeta se aproximando. Rael mal abriu os olhos encarando agora uma Emilia normal e caiu para frente nos braços dela. Mesmo que ele agüentasse a dor, o processo do recebimento da herança ainda levaria algum tempo.

― Por que eu não sinto mais a minha casa? ― perguntou Emilia segurando Rael.

― Porque não vamos precisar dela. O seu mundo está um desastre. ― disse Violeta e tomou Rael de Emilia. ― Faça uma coisa pra mim: Crie uma barreira impenetrável nessa caverna, as vezes coisas podem atravessar desse outro lado e não queremos problemas desnecessários. ― explicou Violeta.

                Mesmo sem entender Emilia obedeceu criando uma barreira naquela caverna. A barreira dela era diferente da de Rael. Porque Emilia podia trabalha com simbologias, suas barreiras não dependiam do poder do Herdeiro, eram a própria herança dela.

                Ela era capaz de criar uma barreira que até Violeta teria dificuldade em atravessar. Feito a barreira as duas levantaram voo e Violeta continuou levando Rael.

― Me diga: Como o Herdeiro acabou ficando tão fraco? ― perguntou Emilia que queria se atualizar.

― Será uma longa história. Vamos aproveitar que a viagem também será ― disse Violeta e já se preparou para passar os detalhes para Emilia.

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                Rael só acordou no dia seguinte. Ele estava deitado confortavelmente em uma cama macia ainda com o peito nu. Por cima do peito dele estava Rose, deitada, cochilando suavemente com seu costumeiro vestido que ela tanto gostava de usar. Seu peito subia e descia harmoniosamente.

Não havia mais marcas de dentes na pele de Rael e também não teve sonho com a biblioteca naquela noite. Ele vendo aquela bela garota da qual tinha saudade logo levantou a mão e acariciou os cabelos da moça. Ela se acordou gradualmente olhando Rael.

― Oi Rael. ― disse ela com uma voz angelical. Agora ela já estava falando.

― Rose, você consegue falar normal agora? ― perguntou Rael animado.

― Minha mãe me treinou. ― disse ela de volta.

― Quanto tempo eu dormi? ― perguntou Rael se levantando e Rose foi saindo de cima dele.

― Bom, o almoço já passou faz tempo. Já são mais de quatro da tarde. ― disse ela. Rael na mesma hora ficou pálido. Seu casamento estava marcado para as cinco horas.

― Isso não pode acontecer! ― Rael saiu desesperado do quarto, já lançou os sentidos a procura de Violeta ou Emilia. Emilia estava deitada em um quarto e Violeta na cozinha conversando algo com Rika.

― Violeta! ― Rael praticamente entrou gritando e Rose veio seguindo com um ar curioso observando Rael. Mesmo que Ralf tivesse evoluído, estivesse mais forte e mais rápido que antes, ele ainda não ia conseguir fazer o percurso até a cidade em menos de uma hora.

― Que bom que acordou. ― disse Violeta.

― Me leve para a capital. Está na hora do meu casamento! ― Rael tinha urgência. Ele não tinha como ser muito educado agora.

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                No território do clã Torres. Havia uma grande multidão de gente aguardando o casamento. Carruagens de vários tipos estavam paradas pelas ruas do território e até próximo aos portões do clã pelo lado de fora.

                Mesmo Rael não tendo aparecido ainda naquele dia. Neide e Mara ajudaram a vestir Natalia. Natalia estava linda sobre um brilhante vestido branco com listas prateadas circulando a garota, nas listas tinha conjuntos de flores douradas. Ela estava de frente ao altar com um véu sobre a cabeça. Esse altar improvisado tinha um tapete de vinho no chão de frente a uma pequena mesa vermelha escura. Atrás da mesa estava o mestre de cerimônia, um senhor vestido de trajes escuros. Geralmente os noivos chegam mais cedo para circularem a cidade sobre uma carruagem, mas como Rael estava atrasado já acabaram indo direto para o altar montando no grande salão do casarão de Rayger.

Apesar de Natalia não ser ainda uma garota alta e não ter muito corpo, sobre o vestido volumoso ela estava parecendo uma incrível mulher. Sua beleza era sem duvida muito respeitável. Os mestres de outras famílias tinham vontade de chorar quando vinham o que estariam prestes a perder.

                É claro que em todas as famílias sempre haviam suas beldades. Assim como no clã Torres as duas eram Natalia e Mara, exatamente nessa ordem. A tristeza de muitos ali era pensar que Rael estava tomando logo as duas para ele. Isso não seria muito egoísmo?

                Podiam até dizer que a garota ainda tinha apenas catorze anos, mas quando uma mulher desenvolve sua beleza ela já pode começar desde criança e em Natalia isso com certeza não faltava.

                Mara estava próximo a escada em pé ao lado de seu irmão Robert. Ela estava um usando um brilhante vestido vinho. Ela não sabia como estava se sentindo, se queria que Rael faltasse aquele casamento ou não. O ciúme era afinal algo difícil de controlar, mesmo Natalia sendo sua prima, pensar em dividir Rael com ela não era tão fácil, nunca era. Sem mencionar que ainda haveria Rose e talvez Isabela. Quando ela pensava isso ela se sentia furiosa. Porque será que não estava bom Rael ter apenas ela? Quando foi que ela negou fogo pra ele? Nunca! Mesmo que ela engravidasse ainda não iria deixar ele na vontade. Como mulher ela nunca deixaria Rael insatisfeito, então ele não teria motivos para procurar outras esposas. No fim ela não era compreendida.

                Rayger também estava presente hoje cumprimentando vários convidados ao lado de sua esposa Neide, eles faziam o trabalho que o patriarca e Elisa não estavam dispostos a fazer. Ele havia cessado as caças da besta Demônio Noturno de Garras apenas para comparecer a esse evento em respeito a seu genro.

                E é claro. Elisa e Romeo estavam também em um dos cantos da parede conversando com outras pessoas. Elisa quase não tirava os olhos do Marcador Temporal em suas mãos. Se Rael não chegasse a tempo, ela ia adorar tomar sua filha de volta.

 


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