O Herdeiro do Mundo

101 - Emilia

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Os dois dias de viagem na barca se passaram. Finalmente Rael conseguiu chegar a ilha. O casamento dele e da irmã seria no dia seguinte então o quanto a isso ele estava aliviado. Infelizmente sua chegada na ilha ocorreu à noite, o que tornava as coisas um pouco complicadas.

― Parece que está tudo seguro Rael. ― disse Thais usando o Visor de Devorador enquanto olhava em volta. Eles estavam com a barca parados acima da entrada do templo.

― Eu acho que nos despedimos aqui Thais. ― disse Rael se virando para a mulher. Ela durante todo o tempo que o encontrou até o momento havia o tratado muito bem. Rael não parava de pensar no que havia feito a ela.

― Então vá de uma vez, eu não sou muito chegada em despedidas, foi bom ter encontrado você. ― disse Thais com um sorriso e entregou a Rael um par de espadas de lâminas azuis feitas de Ureno. ― leve isso com você. Tenho certeza de que tudo que você disse é verdade sobre os devoradores. Obrigada por ter salvo a esposa do patriarca ― disse ela sorrindo. Rael aceitou as espadas e guardou no bracelete.

― Então, adeus! ― disse Rael e subiu na parede de proteção de madeira da barca.

― Só não entendi onde você mora, no fim me enrolou e nunca me disse isso. ― observou ela.

― Eu moro muito longe daqui, mas consigo ir para casa desde que eu encontrei essa ilha. Seria complicado tentar explicar tudo. Tchau. ― disse Rael olhando uma ultima vez para Thais e se virou. Depois ele saltou já concentrando seu poder do elemento vento enquanto caia.

                Rael conseguiu pousar suavemente na frente da entrada do tempo sem nenhum problema e desfez seu controle do elemento vento estabilizando a aura. Por fora era possível ver vários pilares cercando os lados e o desenho de uma dragão branco na entrada na parte de cima da parede. Daqui Rael já podia ver o corredor cercado de selos.

Rael sentia o solo se mexendo, como se algo embaixo estivesse batendo continuamente, era muito estranho, mas como não viu e nem sentiu nada ele avançou para dentro.

                Finalmente diante da escada, ele puxou os selos um de cada lado e, como Violeta havia dito, ele não teve mais quaisquer problemas. Todos os selos viraram pó nas mãos de Rael e sumiram. Rael em seguida desceu as escadas sem mais nenhum problema saindo dentro de uma espécie de salão gigante cercado de paredes escuras. Havia vários pilares espalhados com os mesmos desenhos de dragão como na entrada.

Tuuuuuuum!

Tuuuuuuum!

Tuuuuuuum!

Rael escutava esse barulho constante enquanto o lugar parecia da uma leve tremida. Olhando para a parede ao fundo da esquerda, Rael via um pouco de pó caindo. Ele então percebeu uma leve rachadura aparecendo em seguida. Aquele frequente tremor ele sentia desde que tinha chegado na frente do templo.

                Rael se aproximou da parede curioso, ela estava entre dois pilares e tinha a largura da garagem de um carro. Toda a parede estava se rachando agora. E Rael pôde finalmente sentir a energia dos devoradores. Por alguma razão antes tava sendo bloqueada.

Boooooooom!

A parede desmoronou e vários pedaços de pedras e terra caíram. Um grupo de devoradores invadiu o local. Eles estavam todos sujos de areia. Entre eles tinham três quarto reinos, um quinto, quatro sextos reinos, três sétimos e até um oitavo reino. Rael na mesma hora deu vários passos para trás recuando. Eram doze devoradores.

― Droga porque eu fui querer ficar curioso! ― pensou Rael recuando. Todos os olhos vermelhos grudaram em Rael. Ele até sacou uma espada de Ureno, mas o que iria fazer com ela contra tantos devoradores de uma vez?

― É meu! ― rugiu um devorador do sexto reino avançando na direção de Rael. Os outros mostraram os dentes e abriram os braços correndo alucinados em seguida atrás do outro. Rael jogou a espada para frente e saltou de lado mergulhando de um ataque. O devorador passou reto errando Rael e teve seu peito perfurado no coração pela espada do clone de Rael que tinha surgindo na frente onde Rael atirou a espada. Ele tinha pego a espada e já atacado.

                Em seguida Rael já concentrou energia em seu braço direito junto ao clone. Os dois partiram um contra o outro com os braços carregados enquanto os devoradores vinham os cercando.

Booooooom!

Zumzumzumzum!

Rael usou seu próprio clone para criar um impacto circular de raios conforme socou contra o soco do próprio clone. Os raios foram tão fortes que o lugar inteiro tremeu. Três dos doze devoradores foram consumidos completamente no meio do poderoso ataque, pena que eles eram meros dois quartos reinos e um quinto. O devorador que tinha tido o coração perfurado pela espada ainda estava no chão morrendo sem reação mais a frente. Sete dos outros foram arremessados para trás. Alguns bateram em pilares derrubando os mesmos e causando ainda mais danos. Outros foram parar de volta na parede do fundo. Infelizmente o oitavo reino havia escapado da onda de impacto de Rael. Ele veio correndo de lado e saltou para tentar morder Rael por trás.

                O clone de Rael viu e como sua inteligência já não era a mesma de antes empurrou Rael de lado, o devorador passou reto grudando em um pilar enquanto Rael caia no chão do lado. Ele mal bateu no pilar e já se virou para Rael de novo. A velocidade do oitavo reino era algo que Rael não podia enfrentar, sem mencionar que todos os outros devoradores já estavam se recuperando.

― Eu vou morrer aqui. ― Rael pensou no mesmo instante. Ele nunca esteve em uma situação tão complicada quanto essa agora. O clone dele tentou ajudá-lo entrando na frente e foi rasgado em segundos por vários devoradores.

―Aaaaaaah! ― gritou o clone morrendo e virando um monte de sangue entre os devoradores. O oitavo reino girou vindo pelas costas de Rael.

                Mesmo que Rael ativasse o Espaço Ilusório o que adiantaria? Quando o efeito acabasse ele certamente encontraria seu fim. Mas ainda era melhor morrer com o coração explodindo do que virar comida dessas coisas.

                Ativando o Espaço Ilusório o devorador passou transparente por Rael. Nesse momento Rael percebeu que o lugar estava alterando entre o templo e uma caverna, ao seu lado naquele instante estava passando Violeta, ela olhava curiosa em volta enquanto caminhava. É claro que ela nem imaginava que Rael estava do lado dela.

― Violeta! ― rugiu Rael e estendeu a mão direita na direção dela. Rael conseguiu segurar o braço de Violeta, que se virou pra ele.

― Rael?! ― perguntou ela surpresa, agora ela via e sentia Rael em sua frente como uma presença normal. Ela até pensou que ele tinha voltado.

― Estou com problemas Violeta, estou sem tempo! ― disse Rael com pressa.

― O que aconteceu? ― perguntou ela já ficando preocupada. Rael manteve a mão agarrada no braço direito dela.

― Eu estou com Espaço Ilusório ativado. Estou cercado de devoradores e quando o tempo da habilidade acabar meu coração vai explodir. ― disse Rael.

― Isso não pode acontecer! ― disse Violeta tentando pensar rápido.

― Violeta, obrigado por todo o tempo que passamos juntos, você foi uma boa mestra. ― disse Rael e forçou um sorriso, o tempo estava acabando.

― Calma Rael, eu acho que tenho um plano, não sei se vai da certo, mas é melhor tentarmos do que você desistir assim. Quando você cancelar sua habilidade eu vou ativar a minha, então com você me tocando, eu acho que poderei ajudar você. ― propôs Violeta. Rael estava vendo as paisagens mudando aleatoriamente. Os devoradores passavam cruzando de um lado a outro por ele tentando pegá-lo insistentemente, eles pareciam adivinhar que logo poderiam saborear Rael.

― No três Rael. Um, dois e três! ― disse Violeta. Rael cancelou a habilidade apertou forte o braço de Violeta e a visão dele retornou ao normal. Ele mais uma vez estava no salão dos pilares.

Zuuuuuuumf!

Um raio vermelho atingiu vários devoradores circulando os lados de Rael. Os devoradores foram evaporados no ar no mesmo instante. O lugar inteiro tremeu porque o poder de Violeta criou uma série de túneis ao fundo. O ataque dela é claro que não parou em uma distância tão curta, ele ainda saiu destruindo tudo a frente.

― Conseguimos! ― disse Violeta e quase desabou de alivio. Ela nunca pensou que a possibilidade real de perder Rael pudesse doer tanto nela.

― Se você ainda quer minha ajuda, é melhor irmos rápido, eu também não posso ficar muito tempo com essa habilidade ativada ― disse Violeta.

                O único caminho disponível era um corredor a direita. Rael e Violeta correram juntos lado a lado agora de mãos dadas. Chegando na entrada do corredor de metal, piso e paredes de metal. Violeta foi barrada, ela parecia não conseguir passar. Esses corredores de metal eram os mesmo antes de Rael encontrar Violeta, tinha até as mesmas pedras espirituais.

― O que foi? ― perguntou Rael. Os dois ficaram de mãos estendidas, ela na entrada e Rael já pelo lado de dentro.

― Eu não posso passar aqui, não sei porque ― disse ela tentando avançar mas não conseguia.

― Tudo bem Violeta, eu cuido do resto. Você já fez muito, me espere aqui e obrigado. ― disse Rael soltando a mão dela.

― Tome cuidado. ― disse ela mesmo sem ver mais Rael. Mas Rael ainda a viu.

                Violeta sumiu deixando Rael sozinho que avançou correndo. Rael não sabia se haveriam outros devoradores a caminho, pelo menos aqueles atrás Violeta os tinha dizimado.

                Terminando o corredor ao fundo, Rael saiu numa pequena sala, havia ao fundo havia uma câmera no mesmo formato de um caixão. Rael se aproximou e encontrou a bela Violadora adormecida.

                Ela tinha estatura e peso médio de uma mulher adulta normal, pele amarela e cabelos loiros castanhos, lisos e levemente longos passando um pouco dos ombros, seu rosto tinha o formato de coração com lábios delicados e finos, sua boca estava meio aberta mostrando duas fileiras de dentes de cima e de baixo.

                Ela estava vestida com uma calça escura sem nada nos pés, usava também uma blusa de frente única amarela que combinava com os cabelos dela. Em ambos os punhos ela usava três braceletes, nas mãos pelo menos três anéis em cada, dois pares de brincos de pedras azuis brilhantes e até uma corrente de ouro no pescoço. Rael ficou imaginando porque ela teria tantos acessórios. Outra coisa que ele notou é que ela não teria os chifres que Violeta tinha, a cabeça dela era completamente lisa atrás, ele até passou a mão para conferir por cima dos cabelos lisos.

Ele não ficou parado muito tempo olhando essa mulher. Mesmo ela tendo uma beleza que batia com a de Violeta Rael fez o que deveria fazer, se ajeitou, aproximou o rosto curvando o peito e beijou os lábios dela lentamente.

                Durante o beijo Rael não fechou os olhos. Ele se manteve olhando até ver os olhos vermelhos dela se abrirem. Quando ele percebeu que a despertou, ele sentiu também como se uma pequena parte dele fosse sugada para a boca dela, algo como um pedaço de DNA. Mas ele não sentiu qualquer dor ou coisa estranha. Ele se afastou de lado e estendeu a mão esquerda para ela. Ela tinha acabado de sentar e conferiu Rael olhando para ele de lado.

                De olhos abertos ela era muito mais linda, era possível ver as costas dela quase completamente nuas, só tinha as cordinhas da blusa. Os peitos dela não eram exagerados com os de Violeta nem como os de Isabela, eram mais pequenos que o normal mas isso não deixava ela menos bonita que qualquer outra mulher de boa aparência.

― Bem vinda, qual é o seu nome? ― perguntou Rael, ainda com a mão estendida.

― Meu nome é Emilia. ― disse ela aceitando a ajuda de Rael. Quando ela saiu seus cabelos lisos foram se ajustando deixando o rosto dela ainda mais atraente. Rael até parou, olhando sem graça. Havia um poder de atração naqueles olhos vermelhos semelhantes aos de Violeta.

― Você não é nada mal. ― disse ela ainda segurando a mão de Rael, levantou no ar e entrelaçou os dedos. Em seguida ela já estendeu a mão esquerda e tocou com a palma o peito de Rael levantando o rosto. Seus lábios ficaram levemente abertos enquanto ela corria a língua lentamente molhando as beiradas. Rael ficou preso olhando ela fazer isso com o coração trovejando no peito cada vez mais alto. A atração dela parecia está aumentada como se ela mesma estivesse fazendo aquilo de propósito.

                A respiração de Rael acelerou. A um ponto onde ele parecia que ia explodir.

― Faz tanto tempo que eu não sinto um homem, nem sei mais como é. ― disse ela mordendo os lábios. Rael sentiu o desejo dominar seu corpo, tomou as duas mãos dela pelo pulso e como um vulto avançou prendendo ela de costas na parede, ele manteve os dois pulsos empurrados contra a parede.

― Consuma esse desejo antes que você seja destruído por ele. Faça sexo comigo. ― disse ela. Rael aproximou os lábios e tocou nos lábios dela. Ele sentiu como se seu corpo inteiro tremulasse apenas por tocar de leve os lábios dela. Em seguida ele aproximou ainda mais a boca fazendo o beijo ficar mais apertado e isso já envolveu a língua. Os lábios dela eram como néctar dos deuses, deliciosos e doces, nem parecia que ela tinha acabado de acordar de sabe-se lá quantos anos dormindo. Sem mencionar a quentura que emanava do corpo dela que a cada momento parecia ficar mais quente.

                A cada toque dos lábios Rael fazia pequenas paradas sentindo seu corpo pulsando. Seu sangue dentro das veias pareciam está em colapso. O desejo de possuir aquela mulher tinha penetrado duramente em sua cabeça e seu corpo. Rael não percebeu porque estava de olhos fechados, mas de vermelhos os olhos dela já estavam escuros e varias raízes se espalhavam pelo belo rosto dela.

                Rael já estava quase perdendo o resto dos sentidos quando sentiu a aura de devoradores se aproximando. Ele já estava beijando todo o pescoço de Emilia e chupando a pele dela deixando pequenas manchas avermelhadas mas que não a machucavam. Ele recuou no mesmo instante para trás deixando Emilia vendo aviões.

― Eles estão vindo temos que sair daqui agora. ― disse Rael vendo os olhos escuros dela. Nem por isso ela ficava feia ou estranha. Rael já tinha se acostumado com esse detalhe das Violadoras, até mesmo ele passava por isso.

― Eles quem? ― perguntou ela enquanto seus olhos voltavam a sua cor natural, vermelhos, embora ela não parecesse preocupada como Rael.

― Devoradores. ― disse Rael sacando a outra espada de Ureno.

                Naquele instante um grupo com mais de dez devoradores entraram na sala e já foram direto contra Rael e Emilia. Rael avançou para frente pensando em proteger sua nova aliada e deu de cara com uma parede invisível. Ele foi jogado meio metro para trás depois de bater nessa parede e uma onda transparente como água balançou a frente entre eles e os devoradores.

                Percebendo que estavam presos, os devoradores tentaram recuar e barraram em outra barreira. Rael olhou curioso para Emilia porque ela não parecia está fazendo nada, mas aquele poder deveria ser dela, porque antes não havia nenhuma parede.

― Se torne nossa refeição!

― Não adianta vocês tentarem fugir!

― Nós vamos pegá-los! Sejam obedientes e se entreguem logo! ― os Devoradores não paravam de insistir. Eles até batiam os pulsos contra a parede que continuava correndo ondas de água pelo ar.

                Emilia se desencostou preguiçosamente da parede. Com a ponta do dedo indicador da mão direita, ela começou a riscar o ar com sua energia roxa que deixava linhas flutuando. As linhas formaram um símbolo de um quadrado com um grande X no centro, nas beiradas do X tinham cada um tipo de pequenos símbolos diferentes, um total de quatro. O símbolo inteiro começou a brilhar intensamente no ar. Ela avançou com a mão direita que sumiu dentro do símbolo e em seguida foi puxando lentamente de volta, agora ela segurava um cabo de um cedro escuro com uma grande pedra branca na ponta. Esse cedro saiu de dentro do símbolo criado no ar por ela, como se tivesse saído de dentro de um baú ilusório.

                Durante todo o tempo os devoradores continuaram gritando e batendo na barreira que continuava soltando ondas pelo ar que lembravam água.

                Ela abraçou o cedro em seu peito e beijou a ponta da pedra branca com seus deliciosos lábios.

― Sentiu saudade de mim bebê? A mamãe voltou. ― disse ela e abraçou o cedro mais uma vez. Rael ficou parado esperando, olhando os devoradores.

― Vocês estão me irritando, será que não sabem fechar a boca nem por um segundo? Ainda por cima atrapalharam meu momento de prazer. Queimem de uma vez! ― disse ela mirando o cedro na direção deles.

Woooooooom!

A pedra branca redonda se tornou laranja na ponta do cedro. O espaço quadrado onde os devoradores estavam presos começou a esquentar, podia-se notar fumaça saindo do chão. Todos eles pararam de gritar e bater na barreira para olhar os próprios pés. Aos poucos o fogo foi surgindo e queimando os pés deles. A gritaria começou.

― Solta a gente!

― Sua desgraçada!

― Eu vou comer sua carne! Aaaaaaah!

As chamas cresceram cobrindo todo o quadrado, as roupas deles foram queimadas, as peles foram borbulhado junto com a carne, a carnes descia pelos ossos se soltando e tudo foi sendo devorado pelas chamas. Os ossos no chão começaram a virar pó até todo o trabalho estar terminado.

― Pronto, agora eu terei um pouco de paz. ― disse ela respirando aliviada que todo aquela barulheira tinha encerrado. A pedra do cedro agora voltou a ser branca.

― Você é muito forte. ― disse Rael admirado.

― Eu te salvei, em troca eu quero que você transe comigo por uma noite inteira. ― disse ela fazendo o cedro sumir.

― Não temos tempo para isso, eu preciso voltar pro mundo normal, venha comigo. ― disse Rael passando por ela e a puxando pela mão. Ela seguiu Rael sem problemas.

                Agora era hora de Rael voltar para o Mundo normal.


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