O Herdeiro do Mundo

098 - A Cura de Mara

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

                Os símbolos foram surgindo após a aura colorida de Rael começar a se soltar no ar. Os símbolos giravam em volta do corpo de Rael e os olhos dele foram tomados por energia ficando brancos.

                Rael concentrou os símbolos fazendo eles circularem em volta do corpo de Mara, eles chegavam a quase arrastar no chão de tão baixo que ficaram. O corpo de Mara começou a receber varias correntes elétricas dos símbolos que passavam soltando ondas de energia.

                Agora Rael podia ver toda a formação corporal de Mara. Todos os Pontos de Poder dela estavam escurecidos, destruídos. Rael passou a olhar as condições da veia e encontrou o mesmo estado. Era por essa razão que o corpo dela não circulava mais energia, ela estava com todos os Pontos de Poder e as veias espirituais danificadas. Todo o corpo dela estava escuro e ela já estava quase morrendo. Rael ainda ficou admirado que ela tenha ficado viva por mais de um ano naquele estado.

                Rael concentrou no seu símbolo da vida. Era um símbolo verde que tinha a aparência de um tronco de uma arvore, mas sem as folhas. Esse símbolo se dirigiu e ficou brilhando por cima do corpo de Mara e os outros símbolos em volta dela pararam de girar, eles passaram a lançar energia para o símbolo da vida.

                Rael continuou se concentrando e passou a fechar os olhos. O símbolo da vida brilhava, irradiando um imenso brilho sobre o corpo de Mara. Ele ficou bastante carregado e começou a derramar aquela intensa aura esverdeada por cima do corpo de Mara, parecia uma cachoeira caindo por cima do corpo dela, era tanta energia que chegava a se espalhar pelo chão antes de sumir. Enquanto a energia banhava o corpo dela, Mara se movia levemente tanto as mãos como os pés, mas continuava dormindo.

                Rael continuou de olhos fechados por mais ou menos cinco minutos fazendo esse processo repetidamente. Quando voltou a olhar, as veias do corpo dela já estavam todas vermelhas de novo e não havia mais nenhuma falha. Dos vinte sete pontos de poder dela, nove ficaram permanentemente danificados e um Rael não podia liberar, sendo assim, tinha um total de dezessete pontos liberados.

                Até mesmo a pele vermelha de Mara foi curada durante o processo. Diferente de quando ele curou a esposa a primeira vez em casa, ele não tinha liberado as restrições e nem estava com poder total.

                No meio da cura Mara sonolenta começou a abrir os olhos. Ela se sentia muito bem. Quando ela viu sonolenta o símbolo na frente dela ela até achou que estava sonhando. Rael percebeu que a sua cura retirou até mesmo as drogas que estavam no organismo dela fazendo com que ela se acordasse fora do momento.

                Rael se concentrou e tratou de encerrar a sua cura. Os símbolos voltaram circulando Rael e sumiram um pouco após. Mara agora estava sentada no chão com as mãos apoiadas uma de cada lado olhando Rael com um ar curioso. Ela tinha acabado de ver cenas lindas que mexeram com a mente dela e ainda por cima, estava se sentindo maravilhosa, todas aquelas dores horríveis tinham passado completamente.

                Rael ficou em silêncio olhando ela se levantar. Ela analisou as próprias mãos primeiro e depois os braços, olhou a barriga, as pernas e viu que não estava com a pele avermelhada. Ela nem estava se importando de estar de roupas intimas com Rael. Porque ela soube naquele momento que ele era seu salvador.

― Quem é você? ― perguntou ela olhando Rael.

― Me chamo Rael, tenho o mesmo nome do seu marido. ― disse ele de volta com um sorriso. Se virou e abriu a porta. O patriarca quase caiu na hora porque ele estava com a cabeça bem encostada na porta. Ele e a escrava já lançaram os olhos em Mara que estava parada em pé.

― Meu amor! ― rugiu o patriarca e correu passando por Rael. Ele parou ansioso de frente a sensual esposa apenas de roupas intimas e ficou olhando ela nervoso.

― Eu estou bem, estou curada e não sinto mais nenhuma dor. ― disse ela sorrindo. Então o patriarca lançou um abraço forte nela e ela o abraçou de volta sorridente.

                Rael ficou no corredor esperando junto com a escrava. E foi surpreendido por uma bela moça loira de pele branca que surgiu apressada. Ela era um pouco mais baixa que Mara mas tinha o rosto e os mesmos olhos azuis que ela. Os cabelos curtos loiros e lisos ela tinha puxado do patriarca. Ela estava usando roupas comuns, uma saia jeans e uma blusa branca. Ela deu uma boa olhada em Rael antes de cruzar pela porta e ir em direção aos dois.

― Mãe! ― Rael ouviu a voz da garota animada em seguida. Então ele já juntou as peças, essa era Samantha, a filha deles.

_____________________________________________________________________________

                Minutos depois, o patriarca estava muito animado. Estava completamente diferente de antes. Quando ele olhava para Rael agora, parecia está vendo um deus de tão agradecido que estava.

― Jovem mestre Rael, perdoe por toda e qualquer ofensa que eu possa ter cometido antes. Eu agradeço profundamente por ter salvo minha amada mulher! ― disse o patriarca e reverenciou Rael demoradamente.

― Muito obrigada por me curar. ― disse Mara e também reverenciou. Rael ficou meio sem graça mais o pior veio em seguida.

                Quando o patriarca e Mara estavam acabando de se erguer as cabeças, Samantha tinha chegado de frente a Rael, ela apertou o rosto dele com as mãos e o puxou. Ela levantou os pés e deu um selinho apertado em Rael. Foi tão de repente que ele nem se quer imaginou e ainda fez um “Huuum” mudo tentando se soltar da garota.

                Aquilo Deixou o patriarca e Mara de queixos caídos.

― Obrigada por salvar minha mãe! ― disse ela em seguida com um ar animado assim que o soltou. Ela ficou toda vermelha depois enquanto sorria e em seguida saiu correndo dando as costas para os três.

                Rael ficou com aquela cara de quem não sabia exatamente o que dizer, enquanto olhava com um sorriso amarelo de Mara para o patriarca.

― Eu sinto muito, minha filha é… ― Mara tentou se desculpar com Rael, mas estava sem graça. ― Filha, me espera! ― ela acabou correndo atrás da filha.

                O patriarca ficou olhando Rael quando os dois ficaram sozinhos. O olhar dele agora era um pouco mais duro. Afinal sua filha tinha beijado um homem na frente dele e isso deixa qualquer pai sem jeito.

― Você gostou da minha filha? ― perguntou ele. Rael ficou com aquela cara de quem não sabia o que deveria responder. Ele ainda estava tentando sair de uma estranha e complicada situação.

― Ela é bonita. ― disse Rael por fim.

― Eu nunca pensei sobre isso, mas ela parece gostar de você. Você teria o interesse de permanecer conosco? Depois do que fez eu posso oferecer a mão dela em casamento. Ela tem quinze anos e não está longe de completar dezesseis. Pode parecer estranho a forma que ela agiu, mas ela não costuma fazer isso. Eu nem sei como ela teve tanta coragem. ― explicou o patriarca. Rael notou que ele também estava bem sem jeito. Ambos estavam no mesmo barco.

― Eu não posso aceitar, sua filha é linda mas eu tenho uma família me esperando de onde eu venho, até outro casamento marcado. ― disse Rael, se lembrando de Natalia.

― Eu gostaria mesmo de tê-lo conosco em nossa família. Depois do que fez por mim seria uma honra que você se casasse com minha filha. ― insistiu o patriarca.

― Eu agradeço a proposta, mas como eu disse, não posso. ― disse Rael de volta sem pensar duas vezes. Seria muito estranho ter um caso com uma garota que seria filha de sua mulher. Sem mencionar que Mara já tinha reclamado que Rael já tinha muitas mulheres. Então ele não seria mais tão descuidado nem antecipado demais.

― Depois do que vi. Tenho certeza que tudo que disse sobre os devoradores funcionará. ― disse o patriarca depois de pensar um pouco.

― Sim, com toda certeza. ― concordou Rael.

― Qual é o estado da minha esposa agora? Ela ficará bem? Ainda precisará de algum tratamento, algo que devemos começar a fazer? ― perguntou ele com um ar sério.

― Ela ficará bem desde que não volte a fazer a mesma coisa de antes que a deixou assim. Seu poder não sofreu nenhuma baixa e ela poderá voltar a cultivar normalmente. Ela só terá que passar alguns dias descansando e logo estará com força total outra vez.

― Que bom. Não imaginei que encontraria alguém que pudesse mesmo salvá-la. Estou em dívida com você e com a Thais. Eu tinha dito que faria qualquer coisa que estivesse sobre o meu alcance se você salvasse minha esposa. Você pode pedir o que quiser.

― Eu tenho muitos pedidos patriarca. Alguns são perguntas que irão parecer estranhas mas que são importantes pra mim, o senhor estaria disposto a responder? ― perguntou Rael.

― É claro, desde que eu conheça a resposta.

― É sobre seus pais, Romeo e Elisa. Eles trataram o senhor bem na infância? Eles trataram bem sua irmã Natalia? ― perguntou Rael. Se aquela pergunta tivesse sido feita antes de Rael curar Mara ele jamais pensaria em responder e acharia muito, mais muito estranho mesmo. Só que agora ele devia a Rael e por mais que ele não entendesse o motivo da pergunta ele ainda responderia normalmente.

― Meus pais sempre nos trataram bem. Tudo que precisei eles me proveram durante toda minha vida até virar patriarca, com minha irmã foi o mesmo, eles nunca deixaram nada faltar para nenhum de nós dois. Infelizmente ela acabou morrendo antes. Sobre os meus pais eu nunca tive qualquer reclamação. ― disse o patriarca, deixando Rael atordoado.

― Como é possível? ― se perguntou Rael. Ele não entendia como a vida desse outro Rael era tão diferente. Será que toda a culpa na verdade foi dele ter sido aleijado?

― Rael você tem algum problema com meus pais? Ou teve? Se eu puder ajudar eu ajudarei. Eu sei que meus pais foram bons comigo e com Natalia mas com algumas outras pessoas eles não eram tão bonzinhos. Se houve algo que incomodou você, pode falar pra mim. ― disse o patriarca depois de ver que Rael entrou em silêncio.

― Esqueça isso. Agora, segunda pergunta. Eu quero saber como Mara ficou nesse estado? O senhor teria essa resposta pra mim? ― perguntou Rael.

― Você fala dela com tanta afinidade, é muito incomum. ― observou o patriarca.

― Desculpe, é que de onde venho as pessoas se tratam com simplicidade. ― disse Rael inventando uma desculpa.

― Sobre minha mulher, quem sabe da história melhor é meu tio Rayger, pai dela. Eu chamarei ele para que vocês possam conversar e esclarecer o que houve. ― disse ele. No mesmo instante, levantou a mão direita ativando um dos anéis. ― Tio Rayger, aqui é Rael, o senhor poderia vir aqui em casa? O rapaz que te falei antes, ele conseguiu curar sua filha e quer falar com o senhor. ― disse o patriarca. Ele esperou a resposta e disse em seguida.

― Tudo bem eu aviso ele. ― depois de dizer isso ele se virou para Rael, baixando a mão do anel. ― Ele já está vindo, chegará em cerca de uma hora.

― Agradeço. ― disse Rael.

_____________________________________________________________________________

                Rael esperou sobre a presença do patriarca na sala de estar e foi servido a eles frutas, chás e pães. Mara e Samantha surgiram alguns minutos depois se juntando a mesa. Samantha não parava de lançar olhares sensuais para Rael que ficou tão sem graça que não sabia como reagir. Os pais dela perceberam, mas o que iriam fazer? Dizer para filha que era proibido flertar com visitas?

                O clima ficou bem estranho. Rael nunca se sentiu tão pressionado antes por uma garota. Uma moça ainda com menos experiência que ele.

― Pelo que você pode fazer, Rael, eu imagino que tenha grandes pais por trás e também um grande mestre, não? Porque para ter tal conhecimento com tão pouca idade, só tendo uma família muito boa. ― disse o patriarca que não fazia ideia que a vida de Rael tinha sido a dele só que totalmente diferente.

― É, o senhor nem imagina… ― disse Rael com um sorriso tosco sem querer entrar no assunto. Rael continuava incomodado com o insistente olhar de Samantha.

― Quanto tempo você pretende ficar conosco? ― perguntou Mara depois de olhar Samantha. Parecia que mãe e filha estavam se combinando.

― Eu pretendo ir embora ainda hoje. Tenho coisas a fazer. ― disse Rael lembrando do casamento com a irmã. Até ele sabia que se atrasasse teria problemas.

― É uma pena. Será que você não poderia ficar conosco mais alguns dias? ― perguntou Mara.

― Realmente não dar. ― disse Rael de volta. Ele estava ficando cada vez mais ansioso. Samantha era muito bonita, mas não entrava na cabeça dele tal situação. Filha de sua esposa e uma mulher de outro mundo.

― E de onde você é? ― perguntou Mara.

― Vocês por acaso conheceriam uma ilha que tem um vulcão gigante com uma caverna bloqueada ao leste? Não sei se aconteceu algo no último evento que houve nela onde bandidos atacaram alguns guardiões. ― disse Rael.

― Vulcão e caverna bloqueada? Não sei… ― disse o patriarca.

― Meu amor será que ele não está falando da Ilha do Vulcão? Aquela ilha que ocorreu o último evento da cidade de Améria? Aquela que nós ganhamos em primeira colocação ― disse Mara.

― Mas não tem nenhuma caverna o leste e não houve nenhum ataque. Inclusive Thais participou com seu grupo. O que me lembro de ter lá era uma entrada para um templo onde ninguém deveria passar por haver vários selos mortais. ― disse o patriarca.

― É esse lugar! ― disse Rael se levantando da cadeira animado. Ele se lembrou que desse lado não seria uma caverna e sim um tipo de passagem como um castelo ou algo assim, exatamente como citado pelo patriarca, um templo…

― Isso não é problema, podemos pedir para Thais levar você até lá. Mas é ali que você mora? ― perguntou o patriarca.

― Não. É por lá que vou voltar pra onde moro, tem uma passagem naquele lugar que vai me levar para casa. Eu moro muito longe daqui. ― explicou Rael voltando a se sentar.

― Muito longe mesmo? ― perguntou Samantha para a surpresa de todos. Qualquer um percebia que ela não tirava os olhos de Rael, parecia ter se apaixonado a primeira vista.

― Sim, muito longe. ― disse Rael sem graça se virando de lado, porque o olhar da garota era intensamente forte sobre ele. Ela não ligava para o fato de estar com seus pais, ainda mais por saber que Rael poderia estar indo embora a qualquer momento.

― Bom se você tem problemas pra resolver não vamos tomar seu tempo, mas se você puder voltar um dia para nos visitar seremos gratos. Eu apresentaria meus pais mas eles estão em uma viagem juntos. Quem sabe na próxima vez? ― perguntou o patriarca e Rael concordou normalmente. Mas ele nem queria sonhar em ver os pais, mesmo se fosse de outro mundo.

                Quando Samantha estava se preparando para falar alguma coisa Rayger entra na sala apresado. Ele e a esposa Neide seguindo atrás. Quando viram Mara sentada na cadeira os dois se alegraram.

                Rolou abraços, beijos, blábláblá… Rael percebeu que o Rayger dessa época parecia está muito mais velho. A preocupação que ele teve que suportar por conta da filha deve ter rendidos péssimos dias para ele. Neide também não estava muito boa comparada com a outra, mas tinha uma aparência melhor.

― Então foi esse jovem mestre que salvou a vida da minha filha? ― perguntou Rayger, olhando do patriarca para Rael. O patriarca confirmou. Rayger se dirigiu para o lado de Rael, baixou os joelhos no chão e baixou a cabeça se ajoelhando chocando todos ali presentes.

― Do fundo meu coração, eu agradeço esse jovem mestre por ter curado minha preciosa filha! Se precisar pedir qualquer coisa a esse velho homem, eu o farei, seja lá qual for o pedido. Mesmo que seja para tirar minha própria vida! ― disse Rayger.

― Meu querido, se levanta. ― disse Neide sem graça.

― Pai não tem pra que isso. ― disse Mara também anciosa. O patriarca não dizia nada, ele entendeu porque o tio dele agia assim. Rayger permaneceu de cabeça baixa ajoelhado.

― Senhor Rayger, levante sua cabeça, isso não é necessário. ― disse Rael e esperou. O homem finalmente se levantou para o alívio de Mara e Neide.

― Como agradecimento pelo que fiz por Mara eu quero que o senhor e o patriarca façam apenas duas coisas para mim. A primeira é que cuidem de uma mulher chamada Rita da cidade de Elunia. Ela também tem um filho chamado Nicolas. Quero que vocês me prometam que nunca deixará faltar nada para essa mulher porque ela é muito importante pra mim. O segundo pedido é que você me conte tudo que fez com Mara com os mínimos detalhes. ― disse Rael e passou a Rayger um papel com todo o endereço já anotado de onde Rita morava. Rayger segurou o papel enquanto lia como se fosse ouro em suas mãos, depois o entregou ao patriarca pra ele também confirmar.

― Essa mulher terá tudo que ela precisar. Se for do desejo dela traremos ela para morar em nossa própria casa ― disse Rayger rapidamente após entregar o papel e o patriarca concordou no mesmo instante.

― Façam do jeito que ela quiser. Se ela quiser ficar na casa dela peço que enviem tudo que ela precisar e não a deixem recusar. Se ela quiser vir morar com vocês, então que assim seja. Eu só quero que cuidem dela como se fosse eu.

― Será feito com toda certeza. ― garantiu o próprio patriarca antes mesmo de Rayger falar.

― Sobre o que eu fiz, eu contarei tudo que queria saber a respeito, mas não aqui. Poderia me acompanhar?

― Claro, como o senhor quiser. ― disse Rael se levantando.

                Os dois saíram da sala deixando todos os outros. Samantha se virou para a mãe com um ar entristecido.

O patriarca juntou as mãos e escorou o queixo olhando as três mulheres, mas seus pensamentos estavam em outras coisas naquele momento.

 


Não esqueça de curtir Herdeiro do Mundo!