O Herdeiro do Mundo

097 - O Clã Torres do Outro Mundo

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Thais preparou um quarto para Rael passar a noite. Ele não estava conseguindo dormir porque ficou pensando sobre a morte da outra Thais. As vezes ele saia para tomar um ar, bebia uma água na cozinha e voltava, mas não resolvia. Ele sempre se lembrava dela morrendo sobre a própria poça de sangue. Ele pensou que ela poderia ter pedido clemência, talvez se ela tivesse… Não. Rael entendeu que não importa o que acontecesse, naquele tempo ela teria morrido.

                Rael sentou na cama tentando voltar a dormir, ele não iria conseguir, então o jeito era se drogar. Tomando uma pílula branca que ele sempre mantinha no bracelete para outras finalidade ele finalmente conseguiu relaxar a mente e apagar.

                Na biblioteca ele encontrou com Violeta na parte das mesas, ela já estava lendo o livro vermelho.

― O que descobriu? ― perguntou Rael assustando Violeta que se virou olhando de lado. Ele já chegou se encostando a mesa.

― Eu descobri algo muito interessante. É sobre o cristal de Ureno, como você já tinha citado antes. Eles não ousam chegar perto desse cristal porque seu poder diminuir e sua regeneração é cortada. Pra você matar um deles facilmente, você deve usar armas com lâmina feitas desse minério e atacar o coração deles com essa arma. A arma deve ficar presa ao coração por um minuto inteiro para matá-lo completamente. Dessa forma não é necessário destruir todo o corpo.

― Jura? Isso é maravilhoso! ― disse Rael animado com a noticia.

― Também descobri outra coisa. Se você engolir um pouco de pó de cristal Ureno diariamente, mesmo que seja mordido você não será transformado, mas poderá morrer, é claro, se a intenção deles for matar ou devorar.

― Violeta você é o máximo! Se não fosse por você. ― disse Rael mostrando um pouco de alegria. Violeta percebeu que ele estava forçando pra ocultar o que vinha sentindo.

― Rael, o que aconteceu com você? ― perguntou ela arrumando o marcador do livro na página em que estava lendo, fechou e depositou na mesa voltando toda a atenção sobre Rael.

― Nada, eu só tive um dia difícil, quase morri. ― disse Rael.

― Você já quase morreu várias vezes e nem por isso fez essa cara. O que aconteceu? ― exigiu Violeta se levantando da cadeira preocupada.

― Eu fiz merda Violeta, eu fiz merda. ― disse Rael duas vezes e se sentou na cadeira ao lado porque seu coração turbinou no peito.

― Como assim? Me explica isso direito. ― disse ela parada em pé ao lado de Rael.

―Lembra do evento na ilha que eu fui? Lá eu matei algumas pessoas e dentre elas uma mulher do clã Sangnos. Adivinha o que aconteceu agora? Eu quase morri e fui salva por essa mulher que matei. ― disse Rael.

― E o que tem demais nisso?

― Você não entende, Violeta! Eu conversei com ela! Ela me contou que tudo que fez foi para salvar uma irmã doente. Ela até teria se escravizado pela irmã mais nova. Ai eu apareci naquela ilha e arranquei a vida dela. Eu matei uma inocente, Violeta! Uma pessoa inocente! Ela ainda disse que faz tudo para ajudar os outros depois da morte da irmã, até mesmo saiu do clã Sangnos. Eu sou pior que os lixos do meu clã que tanto quero me vingar ― Rael desabafou e nem esperou Violeta dizer mais nada, ele praticamente agarrou a perna de Violeta chorando. Porque quando Rael pensava no que fez com Thais ele também se lembrava de sua própria vida e aquilo fazia ele ter péssimos sentimentos.

                Violeta se agachou e abraçou Rael carinhosamente como uma mãe faria. E ela ficou um pouco em silêncio buscando as palavras para dizer a ele.

― Rael, eu nunca quis dizer nada a você porque sempre preferi que você descobrisse o mundo por você mesmo. Eu queria que você tivesse as suas próprias experiências para que você crescesse, mas eu sabia que essa sua vingança não estava correta. ― disse Violeta, surpreendendo Rael que no mesmo instante parou de se tremer e levantou o rosto pra ela. Violeta estava o olhando meigamente.

― O que quer dizer? ― perguntou Rael e limpou as próprias lagrimas com as mãos.

―Porque nem todas as pessoas são ruins ou boas, você não pode julgar um grupo de mil por causa de dez que você conhece. Sempre vão existir pessoas ruins e boas em todo o meio. É por isso que sua vingança estava errada. ― disse Violeta.

― Tantas pessoas me humilharam, eu sentia tanta dor Violeta, eu sentia vontade de morrer todos os dias, de sumir… E ninguém nunca fez nada! ― disse Rael.

― Se você era o filho do patriarca e ele não fazia, o que dirá os outros? Sua vingança precisa ter foco, você deve se vingar das pessoas que apertaram seu coração. Seus pais e os cinco guardas. Eles merecem isso e você nunca estará errado em acabar com eles. Sabe porquê? É seu direito cobrar o troco e buscar sua vingança. Os pecados que eles cometeram foi com você. As outras pessoas, o resto do clã não tem nada haver com isso.  ― disse Violeta soltando Rael.

― Essa sempre foi sua opinião? ― perguntou Rael olhando em seus olhos.

― Sempre. Mas eu não me importo. Eu já disse uma vez que não importa sua decisão, eu o apoiarei. ― disse Violeta e Rael olhou de lado.

― Eu não faço ideia do quanto você sofreu nessa vida, mas você vai sofrer muito mais se continuar matando pessoas de grandes famílias apenas por matar como aconteceu agora. Uma pessoa sempre terá alguém esperando por ela. Se você tira a vida de alguém, você estará tirando essa pessoa de alguém. No final, o vilão será você mesmo.

― Acho que você está certa. ― disse Rael.

― Rael, você não precisa se sentir tão mal assim, você não sabia, não tinha como prever. ― disse Violeta.

― Obrigado Violeta. ― disse Rael já se acalmando mais. Ele começou a entender as palavras de Violeta.

― Agora, o que me diz de voltar para o livro? ― perguntou ela.

― Tem outra coisa que não mencionei. Eu fui até a sua caverna e não tinha nenhuma besta divina lá. Estava cheia de devoradores e tinha uma grande pilha de cadáveres pelo lado de fora. Não sei o que está acontecendo mas eles estão usando a sua caverna como base no outro mundo ― explicou Rael.

― Eles não aguentam o Sol, é normal, eu acho. ― disse Violeta sem se importar.

― Por isso não consegui chegar na sua outra versão. Quando eu fui saindo de lá ontem, eu vi você chegando porque tive que ativar o Espaço Ilusório, mas você não me viu. ― lembrou Rael.

― Quando você usar o Espaço Ilusório você vê o mundo normal?

― Acredito que sim, não tem outra explicação, a não ser que tenha dezenas de mundos diferentes ― disse Rael.

― Por volta de que horas você me viu chegar?

― Um pouco depois do almoço. ― disse Rael.

― Sim, eu cheguei nessa hora mesmo. ― admitiu ela, depois de pensar um pouco.

― Eu sei, reconheci por causa das roupas, e como vejo, você ainda está com elas. ― disse Rael.

― Me droguei o dia inteiro para ficar lendo isso, não tive tempo pra ficar pensando em trocas de roupas. ― reclamou Violeta.

― Bom, eu preciso ver outra coisa. Você poderia continuar no livro? ― perguntou Rael se levantando.

― Tudo bem. ― disse Violeta vendo Rael saindo com um ar sério. Ele parecia estar fingindo que estava melhor, mas para Violeta já estava bom. Rael precisava passar por essas lições, se não ele nunca se tornaria o homem que ela desejava que ele se tornasse um dia.

___________________________________________________________________________

                Rael foi acordado por Thais que quase precisou derrubá-lo da cama. Quando ele se levantou, ainda estava lesado de sono por causa dos efeitos da droga. Thais estava em pé do lado.

― Pensei que ia ter que jogar água em você. Que sono pesado, viu! ― reclamou a mulher.

                Rael e Thais saíram. Ainda estava noite, eles foram até a beirada da barca na grade que cercava. O sol estava começando a beirar nas pontas da montanha no horizonte ao fundo. A barca se movia passando por uma imensa cidade e Rael reconheceu ser a capital Toravan.

                A cidade estava com uma cara fantasmagórica, não havia ninguém na rua, mesmo em um horário que no outro mundo as pessoas estivessem correndo para armar suas barracas e suas pequenas vendas.

― Você sabia que metade dessas casas não tem mais dono? Depois dos ataques constantes o número de pessoas caiu para menos da metade em todo o mundo. ― disse ela.

― Thais, ― Rael se virou pra ela, lembrando do que Violeta tinha dito ― eu sei como matar essas coisas. Você precisa forjar a lâmina de uma arma com o cristal de Ureno. A lâmina deve atingir o coração deles e passar um minuto inteiro presa antes de ser removida, feito isso eles morrerão. Outra coisa, se você engolir um pouco do pó de Ureno por dia, você não poderá ser transformada mesmo que seja mordida. ― explicou Rael.

― Como sabe disso agora? ― perguntou ela surpresa.

― Você apenas deve acreditar. Consegue forjar armas? ― perguntou Rael.

― Eu não sei podemos tentar quando chegarmos no clã Torres. ― disse ela.

― Ótimo. ― disse Rael de volta e voltou a olhar as paisagens passando logo a frente a muralha do clã já poderia ser vista.

_____________________________________________________________________________

                Três minutos depois a barca estava pousando no fundo do clã. Dessa vez a barca desceu até embaixo no espaço onde deveria haver casas mas não havia, o espaço tinha sido limpado nesse mundo, ou destruído.

                Thais e Rael desceram em um salto porque não ficava muito alto uma vez que a barca estava no chão. Um homem branco, magro, muito bem vestido se aproximou, Rael reconheceu serem as vestimentas do patriarca, as mesmas vestes de prata que seu pai ocasionalmente usava.

― Espere aqui que vou falar com ele antes, ― disse Thais. E seguiu na frente deixando Rael parado. O patriarca estava cercado de guardas. Ele ficou com um olhar sério esperando Thais há uns quinze metros dela.

                Rael continuou olhando o homem. Ele não parecia nenhum um pouco com Rael, nem o rosto, nem os olhos, nem nariz. Nada, ele era completamente diferente, até na altura ele era um pouco menor. Sem mencionar que mesmo antes de Rael morrer quando criança seus cabelos era escuros e não loiros como os dele. Mas Rael não negou que ele tinha uma boa aparência mesmo não tendo a linhagem de Violeta e parecia ser um homem humilde pela maneira que conversava com Thais. Esse patriarca estava no sexto reino nível dois. Para alguém com cultivo normal ele era um grande gênio.

― Por que ele não se parece nada comigo? É como se fosse outra pessoa. ― pensou Rael.

                Thais e o patriarca pareciam estar se acertando. Depois, Thais acenou para Rael se aproximar. Os guardas começaram a voar e foram subindo a barca.

― Ela estava aqui me falando de algumas proezas suas sobre os elementos e até mesmo uma técnica mistério de clone. Ela me contou também que você entende de veias. Isso é verdade? ― perguntou o patriarca com um ar curioso e rígido. Rael não tinha cara de médico e ainda por cima era bem jovem.

― Sou sim senhor. Eu ouvi sobre sua esposa e gostaria de vê-la, talvez eu possa ajudar. ― disse Rael educadamente. O patriarca olhou bem concentrado em Rael como se tivesse procurando furos em sua expressão. Rael continuou esperando com um olhar sério de volta.

― Eu já procurei por centenas de médicos e nenhum deles pôde ajudar, todos eles eram médicos e você sequer se parece com um. Eu espero que você não esteja tentando me enganar. ― disse o patriarca com um ar pesado. Thais olhou mordendo os lábios levemente para Rael. Se ele quisesse desistir a hora era agora.

― Eu entendo porque não acredita em mim, mas se não me der essa chance você poderá se arrepender mais tarde. Eu posso ser a única pessoa capaz de ajudar minha esposa… ― disse Rael soltando aquilo tão naturalmente que os olhos de Thais e o patriarca se abriram um pouco mais: ― Desculpe, eu quis dizer a senhora Mara, sua esposa ― Rael disse em seguida se corrigindo enquanto o coração tinha acelerado.

― Ela me disse que você tem o mesmo nome que o meu. Não se empolga não rapaz, e nem queira!Vida de patriarca é uma merda. ― disse ele e riu levemente. Ele não se ofendeu com as palavras de Rael, ele acreditou que foi sem querer. ― Me siga, vou levar você até minha mulher. ― disse ele se virando e já saiu caminhando.

― Rael, ― chamou Thais fazendo os dois se virarem. Ela ficou sem graça e acrescentou: ― Rael ruivo. Eu vou esperar você, vou passar um tempo pela cidade e vou tentar forjar as espadas que você pediu, tá bom? Depois você pode me procurar, eu estarei por aqui. ― disse ela. Rael fez um sim e voltou a seguir o patriarca que já estava caminhando adiante.

                O território do clã estava mais pobre do que de costume. Algumas casas estavam destruídas por possíveis invasões, havia sinais de batalhas recentes por várias partes. Rael não parava de correr a cabeça em volta olhando.

― Acho que somos os únicos loucos que enfrentam aquelas coisas. Se você estiver certo sobre o que Thais contou poderá salvar muitas vidas. Pedirei aos meus homens que engulam a partir de agora um pouco de pó de Ureno. Foi isso que você disse que faria efeito, não foi? Como descobriu? ― perguntou ele.

― Através de um livro que está com minha mestra. ― explicou Rael.

― E nesse livro, eles são chamados de Devoradores?

― Não, eles são servos de um deus selado chamado Senhor Cristalandio ― explicou Rael.

― De um deus? ― perguntou o patriarca com um ar de quem não estava acreditando.

― Foi o que estava no livro. ― disse Rael porque não queria dar detalhes.

― Vamos tentar sim, a sobrevivência das pessoas depende de tentativas. ― disse o patriarca.

                Os dois continuaram caminhando em silêncio e chegaram ao casarão vermelho do patriarca. Do outro lado continuava o casarão branco de Rayger, isso não havia mudado.

― Vamos entrando. ― disse o patriarca seguindo na frente. Rael o acompanhou passando por vários guardas que cumprimentaram educadamente o patriarca.

― Essa cidade já viveu tempos de glórias, agora somos sombras do que fomos um dia. Todos os lugares estão assim, tenho certeza que de onde você veio não deve estar fácil. Thais me contou que encontrou você perambulando a noite. ― disse o patriarca.

― É, eu estava perdido. Vim parar no meio desse lugar sem querer, toquei um selo amaldiçoado que me teleportou para longe da minha cidade.

― Sério? Bem, e de onde você é?

― O senhor não acreditaria se eu tentasse explicar. É difícil dizer. ― disse Rael. O patriarca voltou a olhar Rael com desconfiança e acrescentou.

― Só espero que não esteja tentando me enganar.

― Eu não faria uma loucura dessas. ― disse Rael de volta. O patriarca apenas virou o rosto focando o caminho e continuou andando.

                Eles chegaram ao quarto e entraram. Mara estava confortavelmente deitada na cama de peito para cima, estava dormindo, tinha um lençol azul a cobrindo. Havia uma escrava sentada em um banco ao lado da cama dela, ao ver o patriarca ela se levantou e o reverenciou ficando em posição de espera com as mãos juntas próximos ao colo.

― Espere lá fora Beta, eu já te chamo se precisar dos seus serviços. ― ordenou o patriarca. A escrava o reverenciou outra vez e saiu sem dizer mais nada.

                Os dois pararam ao lado da cama de Mara.

― Agora ela não parece sentir nada. Mas quando acorda sente dores horríveis por todo o corpo. Ela toma uma alta quantidade de remédios e pílulas para aliviar as dores, mas não são suficientes. Se você puder salvar minha esposa, tem minha palavra que farei qualquer coisa que esteja ao meu alcance. ― disse o patriarca.

― Eu vou fazer o meu melhor. ― disse Rael chegando ao lado dela e já encostou a palma da mão sobre o rosto de Mara. Rael lançou suas energias e de cara percebeu que ela estava completamente travada. Não havia nada, era como se Rael estivesse tentando ver o corpo de um cadáver. Mas a respiração suave dela não parecia ser tão ruim.

― Vou precisar fazer três coisas para ajudá-la: primeiro despi-la o máximo possível, deixando ela apenas com as roupas íntimas. Segundo, ela deve ser deitada sobre o centro do quarto longe de qualquer móvel e sem excesso de panos, só mesmo com as roupas íntimas, e por último, eu precisarei ficar sozinho com ela durante o processo que pode demorar alguns minutos. ― disse Rael com um ar sério e não vacilou nem por um segundo enquanto olhava de lado para o patriarca.

― O que você está me pedindo é complicado. Deixar minha esposa sozinha com você praticamente nua?

― Essa é a única forma de salvá-la senhor. ― disse Rael, mantendo o ar sério. O patriarca ficou olhando no fundo dos olhos de Rael e não conseguiu dizer se ele estava fingindo ou não. Rael era só um estranho para ele, mas até aquele momento, médico nenhum tinha dito ser capaz de fazer algo por ela depois de tocá-la como Rael acabou de fazer. Os médicos sempre desistiam depois de tocar o rosto ou a testa dela.

―Vou fazer tudo que está me pedindo, mas se você ousar fazer algo que não deveria, eu não vou poupar sua vida. ― disse ele bem sério.

― Não chegaremos a esse ponto senhor, para o que vou fazer não vou chegar perto dela, mas precisarei que tudo esteja da maneira que eu citei. E antes que eu me esqueça, faça ela tomar essa pílula, vai evitar que ela se acorde durante o processo. ― disse Rael entregando uma pílula branca nas mãos dele.

― Está bem. ― disse o patriarca aceitando. Ele analisou a pílula na mão com cuidado e depois se aproximou da esposa. Rael se virou esperou.

― Está feito. ― disse o patriarca, afastando o rosto de Mara: ― Façamos o resto então, ― dizendo isso ele se virou para a porta. ― Beta venha me ajudar aqui! ― a escrava voltou rapidamente e ouviu as ordens.

                O patriarca ajudou Beta e os dois fizeram tudo como Rael tinha pedido. Deitaram Mara no chão frio, Não tinha outro jeito de acordo com Rael.

― Você já sabe. ― disse ele passando por Rael com a empregada do lado. Eles seguiram para fora e fecharam a porta atrás.

                Rael fechou a janela ao fundo antes de começar. Ele olhou para Mara. Ele estava em pé a dois metros dela. Essa Mara estava igualzinha a Mara do seu mundo, a única diferença era algumas manchas vermelhas que estavam aparecendo na pele dela. Rael se concentrou fechando os olhos e invocou seus nove elementos.

 

 

 


Não esqueça de curtir Herdeiro do Mundo!




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.