O Herdeiro do Mundo

092 - O Estranho Mundo parte 2

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Nego

Quando Rael explicou que ele era Rael, Rita o olhou mais uma vez, cheia de descrença. O olhou cuidadosamente como se antes não tivesse olhado direito. Ela também se sentia um pouco doida por acreditar tão facilmente em Rael.

― Não sei o que dizer. Tudo que você sabe sobre mim faz sentido, mas isso não quer dizer que eu acredito em tudo que você diz. ― disse ela por fim.

― Acho justo. ― concordou Rael.

― Eu vou fazer papa para o meu filho, você quer comer algo? Está com fome? ― perguntou ela, se levantando e pousando a criança em pé no chão com as mãos.

― Não estou com fome, nem consigo pensar em comida agora. ― disse Rael.

Rael ficou um tempo ali, sentado. Nicolas agora brincava com um boneco sentado ao lado da mesa.

Rita preparou um prato para ela e outro para Rael mesmo assim, depositando um na frente dele. Depois levou o dela para o lado e entregou uma mamadeira para Nicolas, que sozinho começou a tomar. Rita o sentou em uma cadeira ao lado dela.

Essa Rita atual estava no quarto reino, nível um. Rael já tinha visto o nível dela desde que tinha chegado. Ela ainda continuava uma pequena gênio mesmo que estivesse cuidando agora de um bebê e provavelmente sustentando a casa.

― É melhor você comer, não vou gostar de ter colocado comida em vão no seu prato. ― disse Rita. Rael olhou para seu próprio prato sem a menor intenção de comer, ele não estava mesmo com fome.

― Você ainda cultiva? ― perguntou Rael se virando para Rita.

― As vezes quando tenho tempo. Ultimamente não tá fácil. Mas de que adianta cultivar se não somos páreos para o que está lá fora? ― perguntou ela.

― Pegue. ― disse Rael estendendo a palma da mão por cima da mesa com uma Pílula do Domínio maior para Rita. ― Essa pílula vai acelerar em dez vezes sua cultivação.

― Dez vezes? ― Rita aceitou a pílula e conferiu na mão sentindo o estrondoso efeito. Aquela pílula valeria uma fortuna inimaginável. ― Como você tem isso? E porque me daria? ― perguntou ela.

― Não importa o mundo em que você esteja. No meu coração, você sempre será especial. ― disse Rael meigamente. Rita ficou olhando a expressão calorosa no rosto de Rael e ao mesmo tempo escutando aquelas palavras que soaram gentis dentro dela. Seu coração chegou a dar uma leve tremulada, coisa que ela não nunca mais havia sentido por nenhum homem depois que seu marido morreu. Ela ficou até um pouco nervosa.

― Eu não vou aceitar isso ― disse ela se sentindo pressionada e tentou devolver a pulula mas Rael não aceitou a devolução. Ele estendeu a mão e apertou por cima da mão de Rita fazendo ela fecha os dedos.

― Você não precisa fazer nada por mim. Eu não estou fazendo isso porque espero algo em troca, estou fazendo por você, porque você merece. Como você ouviu minha história, não existe nenhuma farsa nela, você é especial pra mim Rita. ― disse Rael. Mais uma vez Rita se sentiu sendo balançada por aquelas palavras, tinha também aquele estranho fascínio que Rael tinha por ela. Ela ficou até desorientada.

― E pensar que você cresceria e ficaria tão bonita. Tem até um lindo filho. ― disse Rael, soltando a mão dela e olhando de lado. Rita ficou ali estagnada, sem saber o que dizer ou fazer. Aquilo foi realmente uma surpresa pra ela. Ela agora não duvidava de nenhuma palavra de Rael. Não havia como duvidar mais. O coração dela batia a cada palavra que saia da boca de Rael, ela não o conhecia, mas seu coração parecia ficar tão suave quando ele falava. Como ela poderia negar aquele estranho fato?

― Eu não sei o que dizer. Mas mesmo que eu aceite isso eu não vou fazer bom uso, seria melhor você dar pra alguém que realmente tenha tempo e queira usar ― disse ela segurando a pílula na mão, mas sem intenção de devolver apressadamente.

― Não se preocupe eu tenho muitas delas e posso fazer mais a qualquer momento ― disse Rael, se voltando pra ela. ― Eu estava aqui pensando em criar uma barreira nessa sua casa, assim aquelas coisas não teriam nenhum risco de invadir esse lugar mesmo que você não esteja usando o cristal. Minha barreira é impenetrável e indestrutível para todos os efeitos, mesmo que eles tentem derrubar as paredes não vão conseguir. Como efeito extra, eu posso curar qualquer parte de suas veias danificadas e abrir a maioria dos seus Pontos de Poder, assim você conseguirá cultivar com força total. ― disse Rael. Aquilo pareceu casual, mas o queixo de Rita desceu lá embaixo, ela com certeza, não fazia ideia de tudo que Rael poderia fazer. Por isso ela chegou a ficar confusa, embora tenha entendido sobre veias e Pontos de Poder.

― Eu não entendi ― disse ela um tanto atrapalhada.

― Me fale mais dessas coisas e como elas costumam atacar. Quando eu for criar a barreira, vou precisar que você e seu filho fiquem fora da casa por alguns instantes. Ao que eu entendi, quando eles vêm atacar as trombetas soam, não é? Me explique isso melhor. ― pediu Rael.

― Eles atacam apenas a noite, não saem de manhã, isso ninguém descobriu ainda. Os guardiões avisam soando as trombetas quando eles se aproximam. Quando eles vêm em bando é fácil de prever porque eles escurecem toda a região com aquela fumaça escura. ― explicou Rita.

― E para dormir? O que faz você pensar que não pode ser acordada a noite com uma invasão? ― perguntou Rael.

― Pó de cristal Ureno ― disse ela, se levantando e seguindo até a porta. Rael se levantou e a acompanhou. Havia um buraco formando um arco em volta da porta, era como uma linha bem rasa com cerca apenas de uns dois centímetros de profundidade e dois de largura, havia um pó azul espalhado por todo o mesmo. ― O cristal de Ureno perde a energia com o tempo e precisamos estar sempre comprando mais. Quando a energia do cristal se esgota nós o transformamos em pó é cercamos portas e janelas. Esse pó, desaparece gradualmente então temos que estar sempre de olho e repondo. ― explicou Rita.

― Então, esse cristal é caro? ― perguntou Rael.

― Ele não era antes, mas depois que descobriram o uso contra essas coisas o preço subiu umas cinco vezes. Atualmente com um bom desconto você consegue encontrar até por cem moedas de ouro. ― explicou Rita.

― Então você deu um cristal que custava mais de cem moedas de ouro para um desconhecido? ― Rael ficou chocado, porque antes dela conhecer e ouvir a historia dele ela o ajudou. Rita era uma boa pessoa e isso era inegável.

― Eu não poderia deixar você sem.

― Como você sobrevive? Como ganha ouro? ― perguntou Rael preocupado.

― Eu continuo com o comércio do meu pai, de manhã eu armo a barraca e inicio as vendas. Os negócios caíram um pouco com esses tempos difíceis, mais ainda dar pra se virar.

― Agora ta explicado o porquê de você não poder cultivar. ― disse Rael sem muita surpresa. Ele mexeu no próprio bracelete separando tudo e depois fez surgir nas mãos uma pesada bolsa escura. Pelo barulho dela, dava para perceber que era ouro.

― Aqui tem mil moedas de ouro. Isso deve te ajudar a se manter, não? ― perguntou Rael. Aquilo travou Rita inteira.

― Por que você me daria esse ouro? ―perguntou ela sem aceitar. Ela nem levantou as mãos.

― Eu tenho que dizer tudo outra vez sobre você ser uma pessoa especial pra mim?

― Mas eu não sou a Rita do seu mundo. Se tudo que você disse é verdade eu não posso aceitar isso de você. ― disse ela.

― Pra mim não importa o mundo, você sempre será minha Rita, a que conheci. Por favor aceite e amanhã quando o Sol sair, eu vou deixar tudo pronto pra você não ter mais que se preocupar. Vou concertar suas veias, criar uma barreira e liberar seus Pontos de Poder.

― Mas eu tenho um filho, com outro homem. ― indagou ela.

― Isso não é um pedido de casamento, nem to obrigando você a ser minha, é apenas minha forma de ajudar uma pessoa que foi importante na minha vida. ― disse Rael de volta. Rita ainda não queria aceitar. Mil moedas de ouro era afinal uma quantia muito generosa.

― Eu não posso aceitar, não posso mesmo― disse ela.

― Se você não aceitar eu vou me sentir ofendido… ― insistiu Rael.

― Mas…

― Rita, apenas aceite em silêncio, você é uma boa pessoa. Você merece ― disse Rael. Rita finalmente estendeu a mão aceitando e olhando no fundo dos olhos de Rael quando puxou a bolsa para ela.

― Obrigada. ― respondeu ela.

― Não há de que… ― disse Rael.

Voltando a mesa, Rita reclamou de Rael não ter comido nada e ele insistiu dizendo que não estava com fome, talvez mais tarde ele pudesse comer.

Rita levou Rael para um quarto com cama de casal. Ele reconheceu que era o quarto de Barbara e Adam. O quarto que deveria ser de Rael estava trancado.

― Você pode dormir aí, era o antigo quarto dos meus pais. ― depois de dizer isso ela saiu levando Nicolas no colo para o quarto dela. Ela já confiava em Rael, por isso nem mesmo se preocupava mais. Era impossível ela não acreditar depois de ter ouvido tudo olhando nos olhos dele. Ainda mais com o modo que ele a tratava.

Era comum pessoas deixarem estranhos entrarem em suas casas para se salvarem em momento de ataques, as pessoas normais só tinham umas as outras. Mas não era normal ajudar mais do que isso em um mundo em decadência. Onde dia após dia ia ficando mais difícil de sobreviver. Rael não tinha como saber disso mas Rita sabia.

Rael retirou a camiseta e o sobretudo, depois se deitou na cama e ficou pensando se conseguiria falar com Violeta dentro do Mundo Completo. Ele torcia para Violeta estar esperando por ele. Ela deveria conhecer uma solução de como ele poderia voltar ao mundo normal.

Rael não se esforçou muito, mesmo um pouco preocupado ele facilmente relaxou os músculos, acalmou os sentidos e pegou no sono. Ele estava em uma casa que já era familiar para ele mesmo estando em outro lugar, então tudo correu bem.


Um pouco antes dos acontecimentos acima, Violeta tinha voltado ao local que deixou Rael mas não o encontrou e ficou muito preocupada. Ela não conseguiu sentir a energia de Rael mesmo há quilômetros. Ela caminhou varias vezes rodeando a caverna e até ativou o Espaço Ilusório, mas diferente de Rael, ela não conseguia tocar nos selos, apenas vê-los. Ela também não podia atravessar os selos porque seria morta, mesmo tendo todo aquele poder.

Ela tinha uma leve noção do que poderia ter ocorrido porque já desconfiava de algumas habilidades do Herdeiro do Mundo. Ela não teve qualquer outra ideia mais a não ser criar uma poderosa barreira vermelha em volta dela e tirar uma cama do bracelete. Ela armou isso dentro da caverna aproveitando as paredes.

― Porque não me esperou Rael? ― se perguntou ela, deitando na cama e tirando de dentro do bracelete um pílula amarela, ela tinha que se drogar porque preocupada como estava não iria conseguir dormir.


Quando Rael surgiu na biblioteca e sentiu a presença de Violeta, ele teve um imenso alivio. Ele praticamente saiu correndo por entre as prateleiras até encontrá-la na parte das mesas. Violeta não estava lendo nada, ela estava andando preocupada de um lado a outro circulando o mesmo lugar.

― Violeta! ― Rael já apareceu a chamando.

― Rael! ― Violeta gritou de volta se virando para ele e, como um vulto, ela correu e abraçou Rael com toda a força que podia usar nele. Os dois giraram de um lado a outro quase caindo e Rael afundou seu rosto no pescoço de Violeta. Os dois não disseram nada um para o outro no primeiro instante. E cada um ficou em silencio para ter certeza que estavam mesmo se encontrando. Violeta estava preocupada por causa do loiro que tinha enfrentado a pouco, ela já desconfiava que pra onde Rael tinha ido houvesse mais deles. Rael estava preocupado que não poderia mais ver Violeta.

― Rael, você deveria ter me esperado! ― retrucou Violeta e se afastou dele, o olhando preocupada. Ele estava na sua frente mas estavam separados por algo que ela não poderia fazer nada.

― Eu não sabia que isso ia acontecer. Eu estou em um tipo de mundo estranho, paralelo não sei direito. ― explicou Rael.

― Me diga com calma: O que aconteceu? ―perguntou Violeta. Ela sempre tinha uma boa visão quando Rael repassava a história.

Rael calmamente repassou os fatos até chegar com calma na parte em que ele agora dormia na cama dos pais de Rita.

― Isso é impressionante. Você está mesmo em mundo alternativo e talvez até dentro de um tipo de futuro. Isso é muito estranho ― disse Violeta.

― Sim, eu pensei a mesma coisa vendo Rita já adulta. ― concordou Rael.

― Sobre os selos foi ativado uma armadilha chamada Teleporte Forçado no momento em que você tocou. É uma armadilha comum que faz o usuário ser lançado sobre um local aleatório, foi muita sorte você ter caído em um lugar conhecido dentro de tantas possibilidades. Eu acho que o armador já esperava que um dia alguém imune iria aparecer e por isso fez isso. Nesse caso é muito simples: Você deve remover um selo de um lado e depois um do outro, vai fazendo isso até remover todos. ― disse Violeta.

― O que me fez vim parar nesse lado? O que ativou isso?

― Você usou o espaço ilusório e atravessou uma brecha. Essas duas coisas devem ter sido o gatilho, o selo em questão só ativou a armadilha mesmo atirando você para longe do lugar que estava antes. ― disse Violeta.

― Como eu volto? ― perguntou Rael.

― Você tem que voltar para o mesmo ponto de antes nessa ilha, só que dentro dessa outra versão do mundo. Acho que quando você ativar o Espaço Ilusório poderá ver a brecha e atravessar normalmente voltando para esse lado. ― explicou Violeta.

― Você não consegue vim me pegar? ― perguntou Rael um pouco preocupado. Ele nem tinha ideia de como chegaria nessa ilha de novo.

― Não posso atravessar, mesmo tendo a mesma habilidade eu não consigo. A brecha não está aparecendo pra mim ― disse Violeta desanimada.

― Violeta, eu estive pensando. Se existe duas Rita, dois Rael, duas Mara, será que existe duas de você? E se eu libertasse a sua outra versão nesse mundo. Seria possível eu conseguir ajuda dela e ela vir junto para o nosso mundo normal? ― perguntou Rael. No mesmo instante Violeta arregalou os olhos.

― É claro que é possível! Nesse outro mundo eu ainda devo estar presa! Você só precisa me encontrar e explicar toda a situação. Desde que ela esteja com você no momento certo, poderá cruzar os mundos e assim existirá duas de mim. ― Violeta disse com um tom bem animado.

― Isso não assusta você? Será que não vai causar algum tipo efeito entre os mundos? ― perguntou Rael preocupado.

― Rael, mesmo que ela seja de outro mundo, ainda sou eu e não, não vai causar nenhum efeito estranho. ― disse ela.

― Então é mais fácil eu ir atrás de você, mesmo se eu soubesse todo o caminho para voltar para a ilha, com meu poder atual eu poderia demorar dias. ― disse Rael.

― Faça isso, mas tome cuidado, não deixe esses devoradores te pegarem. ― disse Violeta, concordando com a ideia de Rael.

― Sabe algo sobre eles? Eu tenho que descobrir se tem fraquezas, se eu acabar tendo que lutar contra essas coisas é melhor eu ter alguma ideia. ― disse Rael.

― Você não deve lutar contra eles! Eles podem contaminar você, isso sem mencionar que eles vão tentar devorar seu corpo! ― Violeta reagiu na mesma hora e segurou os braços de Rael, fazendo ele perceber que ela falava sério. Rael já estava pensando em ativar seu conhecimento e buscar dados sobre essas coisas, sobre o que exatamente eles poderiam ser.

― Violeta eu sei, eu vi que eles tem um poder absurdo. ― disse Rael.

― Não é só o poder, eles também tem uma alta recuperação corporal, mesmo se forem feridos fatalmente ainda irão se recuperar. ― explicou Violeta.

― Então, como eles morrem? ― perguntou Rael.

― Devem ser destruídos com um ataque devastador que destrua todo o corpo de uma só vez. Rael não os enfrente, você não tem capacidade de vencê-los ― repetiu Violeta.

― Sim, eu… ― quando Rael foi falar ele parou porque sentiu alguma coisa subindo pelo seu peito, mas Violeta nem estava encostada nele.

― Sim, eu o que? ― perguntou Violeta.

― Alguma coisa tá me acordando. ― disse Rael arregalando os olhos.

― Rael! ― Violeta gritou e tentou agarrá-lo, mas seus braços agarraram o nada. Rael tinha acabado de desaparecer em seus olhos. Violeta ficou desesperada no mesmo instante sem poder fazer nada. Ela pensou desesperada que Rael poderia está sendo atacado.


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