O Herdeiro do Mundo

089 - Sexto Reino

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Yan Fonseca

Depois de uma boa briga com Neide. Rael conseguiu fazer ela desistir da idéia de manter três seguranças na cola dele. Ele obviamente não queria sair por aí sendo seguido a todo momento.

Depois, Rael seguiu em segurança para a casa de Neide e de lá para a Caverna no Céu. Rael queria cultivar o mais rápido possível para iniciar seus planos e descobrir quem estava por trás da tentativa de assassinato.


Natalia chegou duas horas depois junto com Neide e pegaram Rael de surpresa cultivando com toda aquela poderosa energia colorida. Neide ficou muito boba, mas Natalia não, ela já tinha visto a energia de Rael assim antes.

― E como foi? ― perguntou Rael olhando as duas e se levantou. Ele cessou o cultivo no mesmo instante em que as duas chegaram.

― Escolhemos um bom vestido, como noivo você não tem direito de saber genro ― disse Neide com um olhar sério.

― Tô sabendo que não ― disse Rael de volta. Ele já sabia pelo primeiro casamento que teve.

― Vou deixar vocês a vontade agora ― disse Neide e já se virou de volta pro cristal de teleporte. ― Deixo ela em suas mãos ― dizendo isso Neide sumiu tocando o cristal.

― Escolheu um vestido bonito? ― perguntou Rael calorosamente pra sua irmã que tinha no rosto um olhar meigo e envergonhado ao mesmo tempo.

― Acho que sim, não posso dizer ― disse a garota de volta.

― Se você está feliz, então está bom ― disse Rael e sorriu de volta.

Natalia parecia se derreter inteira quando olhava Rael. Seu casamento estava a cada momento mais próximo e a garota ficava cada vez mais animada.

― Já que está aqui, o que estamos esperando? Vamos cultivar, eu não quero ver você apenas no quarto reino. Até o dia do nosso casamento, se nos esforçarmos, ambos poderemos alcançar facilmente o sexto reino ― disse Rael.

― Sexto reino? ― perguntou Natalia surpresa se aproximando dele.

― Você chegará antes de mim. Sua velocidade de cultivo é muito maior que a minha devido a pílula que pode fazer efeito em você. A… Já ia me esquecendo ― disse Rael e retirou uma pílula vermelha com partes escuras do bracelete, era bem parecida com a última que Natalia havia tomado. ― Eu fiz essa Pílula do Domínio Maior pra você, ela vai te ajudar nos próximos reinos até o sétimo. Aumentará sua velocidade de cultivo em dez vezes de novo. Aquela outra não está fazendo mais efeito em você ― disse Rael.

Natalia aproximou a mão sem frescura e recebeu a nova pílula. Ela ficou olhando enquanto sentia a forte vibração da pílula, como a outra, essa também soltava pequenos raios. Isso a fez se lembrar de algo…

― Então minhas roupas serão destruídas de novo? ― perguntou ela olhando preocupada da pílula para Rael, algumas vezes.

― É bem provável que sim ― admitiu Rael.

― Por que isso fica acontecendo? ― perguntou a garota um pouco angustiada.

― É por causa dos seus Pontos de Poder liberados, das veias curadas e da pílula criada por mim. É muito poder para seu corpo aguentar normalmente ― explicou Rael.

― Você não vai olha, né? ― perguntou a garota já se antecipando, visto que não tinha outro jeito, ela teria que passar por tudo aquilo novamente.

―Não. Você pode se afastar de mim e tomar ela em alguma das entradas afastadas ― propôs Rael, como esse lugar tinha muitas curvas e saídas não visíveis do centro.

― Longe de você não! ― disse Natalia no mesmo instante. Ela não pensou nem meia vez.

― Então você pretende me deixar ver? ― perguntou Rael para provocar a irmã e esquecendo do recente medo que começou a brotar nos olhos dela.

― Prefiro ficar perto e correr esse risco do que ficar longe ― disse a garota de volta.

― Então tome a pílula nas minhas costas. Eu não vou me virar ― disse Rael em tom sério que deixou Natalia mais segura.

Assim eles fizeram. Natalia ficou uns cinco metros nas costas de Rael e tomou. Como Rael previu. As roupas dela foram todas destruídas novamente. Rael não se virou e Natalia se manteve o tempo todo virada pra ele preocupada e mandando ele não se virar.

― Eu vou me sentar de costas atrás de você. É melhor você nem pensar em se virar ― disse a garota, porque queria cultivar de mãos dadas com Rael de novo.

― Tudo bem, eu não vou olhar, não se preocupe ― disse Rael esperando.

Rael e Natalia ficaram como da primeira vez, encostados de costas um no outro e de mãos dadas. Os dois ficaram cultivando por cerca de uma hora quando Rael percebeu que as energias da irmã já estavam mais controladas.

Ele a despertou do cultivo e pediu para vestir novas roupas. A garota obedeceu e voltou a cultivar depois.

No almoço, Mara veio e os fez companhia novamente…


Se passaram um total de cinco dias até Rael finalmente alcançar o sexto reino. Dentro do mesmo período Natalia alcançou o quinto reino nível sete. Só quem sabia disso eram eles dois e Mara.

Mara não contava isso nem mesmo para a mãe. Neide nem fazia ideia do poder que Natalia estava ganhando, mas desconfiava da garota usar o anel de bloqueio.

Rael também não foi mais atacado. Seja lá quem tinha tentado antes, estava com receio de tentar novamente por enquanto. Além disso a barreira criada por Rael impedia do assassino consegui entrar.

A passagem do sexto reino não foi tão dolorosa quanto do quarto para o quinto. A única coisa incomodando foi algumas fisgadas dolorosas na cabeça durante o momento. Depois, Rael ficou com dor de cabeça por quase trinta minutos até melhorar.

No sexto reino, o Domínio da Mente, Rael sentiu como se sua mente tivesse ficado mais afiada, todas as técnicas que ele conhecia pareciam serem muito mais fáceis e rápidas de serem lançadas e ativadas.

Durante os vários dias, Rael não deixou de aproveitar os conhecimentos de sua biblioteca e aprendeu o máximo que conseguiu. Ele tinha planos com urgência de enfrentar o clã Sarbaros e testar seus limites, mas Violeta por outro lado, aconselhou que ele procurasse outras Violadoras antes.

― Por que isso é tão importante pra você? ― Rael perguntou dentro da biblioteca.

― Foi o conselho de Seimon, não foi? Além do mais, cada Violadora tem uma habilidade especial que dividirá com você. Quanto mais de nós você tiver, mais forte você ficará ― lembrou Violeta fazendo Rael pensar melhor a respeito.

― Se esse é o caso, tem um lugar que eu preciso ir, porque é lá que está a outra Violadora de acordo com Seimon. Só que eu não sei ir lá sozinho ― admitiu Rael.

― Eu levo você, sei onde é ― disse Violeta.

― E você sabe ir?

― Através de Rose eu aprendi ― mentiu Violeta.

― Bom, se esse é o caso, então você pode vir me pegar amanhã aqui em casa. Ultimamente está difícil sair por causa da droga dos meus atuais problemas.

― Eu não vou entrar no território. Você pode me encontrar na entrada da cidade do outro lado ― explicou Violeta.

― Não entendo porque você evita tanto aparecer ― disse Rael.

― Eu já expliquei meus motivos. Não quero me envolver em sua vingança.

― Que seja. Então nos vemos amanhã ― disse Rael.


Atualmente ficavam seis protetores pela noite vigiando a casa deles e outros seis pela manhã. Isso era inevitável, mesmo com a barreira eles precisavam de segurança. Afinal eles precisavam sair ou voltar e nem todos eram como Rael.

Naquela noite, depois de jantar Rael esperou um pouco antes de sair. Ele falou com Mara e disse que voltaria mais tarde.

Ele já tinha confirmado com Ana naquele dia que os homens do clã Sarbaros estavam ainda o vigiando e isso deixava Rael louco. Porque durante todo esse tempo ele teve que ficar trancado no clã por receio de por um radar em Isabela ou até mesmo em Rita, ele estava querendo visitar as duas, mas não podia. Tinha medo de colocá-las em risco.

― Hoje vou testar minhas novas capacidades antes de encontrar Violeta ― pensou Rael com um sorriso frio enquanto saia de casa naquela noite.

Enquanto caminhava pelo clã, Rael ficou com seus sentidos ativos, para o caso dele ter mais problemas do que deveria.

Saindo do território, Rael não se importou de se deixar ser visto pelos guardas que mesmo estranhando a falta de proteção dele ainda abriram o portão sem dizerem nada. Rael passou caminhando sem nenhum problema avançando pelas ruas cidade adentro.

Enquanto caminhava sem nenhum cuidado. Rael percebeu que estava sendo seguido por três indivíduos do sétimo reino, como Ana havia passado antes. Todos eles estavam em níveis medianos para baixo. Nível dois, nível três e nível quatro.

― Esses imbecis sempre estão me subestimando ― pensou Rael enquanto acompanhava toda a cena silenciosamente, seguindo seus perseguidores.

Por já ser tarde havia poucas pessoas pelas ruas e Rael, ainda por cima, escolheu rotas com pouca gente presente. Passando pelas ruas mais desertas, aqueles três viram a chance de agir e se aproximaram acelerando os passos. Eles tinham mantido uma distância de cem metros de Rael a todo momento enquanto andavam.

― Em pensar que esse idiota realmente saiu sem protetores ― disse um deles tirando uma espada sutilmente do bracelete.

― Bem que o patriarca havia dito que ele era desleixado ― concordou o outro e tirou uma adaga.

― Mas é melhor vocês tomarem cuidado, mesmo sendo idiota ele ainda matou o Heitor. Não o subestimem ― disse o do quarto nível também tirando uma espada.

― Que idiota, ele está parando, vamos terminar isso bem rápido ― disse o nível três preparando a espada. Rael tinha parado a cerca de vinte metros deles e estava de costas.

De repente Rael desapareceu completamente, sem deixar nenhum rastro no ar. Era como se ele do nada tivesse ficado invisível. Os três imediatamente ficaram confusos, Rael estava bem na frente deles e do nada havia sumido, o pior, eles não sentiam nenhuma presença de Rael por perto. Eles até mesmo ouviram antes de acontecer, um estranho barulho de raios vindo por trás deles, e se viraram juntos

Boooom!

O homem do terceiro nível foi acertado no peito pela palma aberta do braço direito de Rael que estava coberto em raios, não só a mão como todo o braço. Como Rael vinha correndo, ele basicamente empurrou, levando o homem, e o fazendo flutuar no ar, enquanto era levado para longe de seus companheiros recebendo o ataque.

Aaaaah!

O homem gritou miseravelmente, pois seu peito se partiu no impacto, sem aguentar, enquanto era levado por Rael.

As ondas de raio rasgaram e queimaram a pele dele criando um buraco. Os dois que sobraram tinham se virado surpresos com a cena e não viram um vulto deixado por Rael ao lado deles.

Quando o nível dois foi perceber, já estava tendo a cabeça perfurada por uma espada de terra do braço esquerdo de Rael. Ele caiu no chão de lado ainda olhando o outro Rael levando o corpo do amigo no ar, ele nem viu como morreu.

― Mas o que! ― o quarto nível percebeu que havia dois Raels.

Um deles estava soltando o nível três morto lá na frente, que ainda voou vários metros depois do outro Rael parar, e esse que estava parado do seu lado, que tinha acabado de matar o seu colega.

― Parece que minhas habilidades melhoraram muito. Eu já posso matar sétimos reinos como se estivesse brincando ― disse o Rael do lado do quarto nível.

― Como? ― perguntou o quarto nível se tremendo enquanto segurava sua espada nas duas mãos. Ele não estava entendendo nada.

― Isso até que não é ruim, parece que eu acabei de subir um nível, embora tenha matado dois miseráveis ― disse Rael sentindo seu poder aumentando.

O outro Rael lá na frente estava se virando ainda com o braço direito tomado de raios. O corpo do nível três tinha voado uns cinco metros e depois rolado mais uns dois pelo chão.

Como poderia ter dois Rael? O que afinal estava acontecendo? O quarto nível não conseguia entender. Ainda por cima, ele viu muito bem que cada um deles matou um companheiro seu e cada com um só ataque.

― Olha, eu não tenho a noite toda, então sinto muito ― disse o Rael do lado dele e já se aproximou desfazendo a espada de terra da mão esquerda.

O quarto nível viu sua chance e saltou sobre Rael ativando sua técnica especial.

― Ataque Tremular dos Raios! ― rugiu ele e sua espada fez uma série de curvas no ar indo em várias direções do corpo de Rael. Rael ativou o Espaço Ilusório e seu inimigo passou errando tudo.

― Impacto Invisível ― Rael nem precisou se esforçar.

Sua mão tocou facilmente as costas do quarto nível. O quarto nível recebeu aquele fraco tapa e foi levemente empurrado para frente depois de cruzar por Rael. Ele se virou olhando o outro Rael, preocupado, e viu o mesmo sumindo se desmanchando no ar como uma sombra.

― Quando encontrar Heitor do outro lado, diga que eu mandei lembranças ― disse o Rael que tinha acabado de dar o tapa. Depois se virou e saiu correndo deixando ele parado lá.

― Ué? ― o quarto nível não entendeu.

Rael tinha matado dois companheiros dele e estava fugindo? Ele não sabia se fugia ou se o perseguia, até que ele descobriu que não ia mais fazer nenhum dos dois, suas costas ficaram quente de repente, e ele sentiu uma dor absurda queimando todos os seus nervos e pele atrás.

Ele caiu no chão se desfazendo em sangue. Tinha surgido um buraco nas suas costas que não parava de sangrar, vários órgãos destruídos tinham virado garapa de sangue pelo chão. O homem no sétimo reino dentro do quarto nível morreu rapidamente sem poder fazer nada.


Depois de ter entrado no sexto reino, o clone de Rael teve um grande avanço. Além de ser mais esperto e seguir melhor suas ordens, agora ele podia ser controlado de longe ouvindo os comandos como se fosse Rose. Além disso, o clone tinha a capacidade de usar 70% do poder total de Rael no momento.

Não havia mais fraqueza quando Rael o ativava e o tempo não era mais tão curto. O clone tinha matado o sétimo reino nível dois sozinho, com a habilidade do braço direito. A habilidade herdada de Violeta, agora sim, estava fazendo uma enorme diferença.

O sexto reino, o Domínio da Mente, tinha abrangido todas as técnicas de Rael de uma forma nunca vista antes. Além disso, com sua liberação de seu verdadeiro poder e suas restrições tiradas, Rael não se comparava nem de longe com o cara que lutou no torneio e matou Heitor, isso sem mencionar que ele nem utilizou a adrenalina demoníaca que aumentava ainda mais seu poder, quando os olhos ficavam negros.

O poder de Rael não aumentou com a morte do quarto nível. Ele não se preocupou, nem estava mais contando muito com aquilo, seu foco agora no momento era outro.

Rael chegou a pousada onde Isabela deveria está e foi a procura dela. O atendente disse que a mesma e seu grupo já tinham deixado o local a cinco dias e não tinham dito para onde iriam. Rael saiu de lá bem chateado, ele estava mesmo com saudades de sua Isabela.


Chegando aos portões, Rael encontrou os mesmos dois da última vez. Mendes e Gustavo. Os dois estavam quase dormindo encostados à parede quando Rael chegou.

― Hora. se não são meus adoráveis conhecidos Mendes e Gustavo! ― Rael chegou tirando onda com um grande sorriso enquanto parava na frente dos dois.

Na hora que os dois despertaram completamente percebendo que era Rael, já gelaram em seguida. Eles obviamente prefeririam que Rael nem se lembra-se deles. Por que será que as pessoas sempre tinham que lembrar quando não era bom?

― O que podemos fazer pelo jovem mestre? Fico muito feliz que o jovem mestre lembrou nossos nomes ― disse Mendes forçando um sorriso, mas ele já tinha começado a suar frio.

― Sim! Estamos muito felizes ― concordou Gustavo no mesmo estado.

― Vou dar uma saída, podem abrir pra mim ― falou Rael olhando o portão fechado.

No mesmo instante, os dois pularam para cumprir o pedido e até se trombaram na pressa. Eles se recuperaram e Mendes pediu que deixasse com ele.

― Agora mesmo! ― disse Mendes e abriu a parte do portão pequeno onde passava apenas pessoas.

Gustavo ficou parado encarando Rael como se esperasse uma nova ordem. Os dois estavam se tremendo com medo que Rael pudesse ainda querer se vingar deles.

― Obrigado, eu ficaria um pouco mais com os senhores, mas tenho algo a fazer agora ― disse Rael se virando.

Os dois ficaram aliviados vendo Rael partir. Rael nem precisava falar com eles, fez apenas pra assustar mesmo. Rael sempre gostava de provocar pessoas que já tinham provocado ele. Como aqueles dois já tinham pagado por aquilo, então ele só estava mesmo os assustando um pouco.

― Tenha uma boa viagem! ― disse os dois juntos puxando o saco de Rael.

E em seguida se olharam suspirando aliviados. Rael já era muito mais importante agora, ele tinha até vencido o torneio familiar do clã Torres, embora tivesse passado o prêmio para Romeo.

Rael não demorou para encontrar Violeta que desceu dos céus na sua frente a cerca de cem metros de distância dos portões da cidade.

Hoje ela estava usando uma blusa cor vinho e uma calça vermelha folgada. Isso surpreendeu Rael porque ela geralmente gostava de vestidos.

― Você demorou ―reclamou Violeta, embora ela não estivesse brava.

― Estava testando meus limites ― disse Rael.

― Sei. Vamos? ― perguntou Violeta.

Vuuuum!

Os dois partiram como uma bala para o céu jogando um monte de poeira em volta do lugar que estavam antes. Violeta estava levando Rael com o braço direito passado em seu peito.

A velocidade de Violeta era absurda e ela nem estava usando todo seu poder. Rael sentia o vento quase rasgando sua cara, mesmo estando agora no sexto reino.

― Estaremos lá em cerca de uma hora nessa velocidade ― disse Violeta.

Os céus e paisagens cruzaram tão rápidos que deixava até Rael meio zonzo. Ele ficou pensando quando teria um poder como aquele. Mesmo que estivesse sendo um pouco doloroso para Rael, ser levado naquela velocidade rápida, por outro lado estava sendo gratificante por estar apertado ao corpo quente de sua linda mestra. Rael suspirou pensando em quando ele poderia tocá-la.


Não esqueça de curtir Herdeiro do Mundo!




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.