O Herdeiro do Mundo

088 - Uma Conversa com Violeta

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Yan Fonseca

 

Rael suspirou lentamente controlando seu nervosismo que tinha se formado. A mão direita de Natalia ainda estava encostada em seu peito e ela mantinha o rosto levantado olhando Rael esperando ele corresponder ao seu pedido.

Desde a primeira vez que ele havia a beijado, algo dentro dele havia mudado, ele estava começando a desejar a própria irmã de verdade e isso o assustava um pouco. Porque ele não sabia como ela iria reagir depois. Se depois que ela ouvisse a verdade dissesse que estava tudo bem, Rael não se importaria de permanecer com ela. Mas e se ela dissesse que não? Que aquilo era errado o que ele faria? O que ele faria se começasse a se apegar muito a ela da maneira errada? O que ele faria se ela se apegasse muito a ele e sofresse depois?

― É muito estranho eu pedi isso a você? ― perguntou a garota que continuava esperando. Isso porque Rael estava demorando a responder.

Rael estremecia por dentro cada vez mais diante do olhar inquieto da irmã, havia uma mistura estranha de desejo e de carinho no ar. Ele simplesmente não suportava ficar vendo aquele olhar constante da irmã. Ele não aguentou mais, passou o braço direito pela cintura e o esquerdo nas costas a segurando e em seguida, baixou o rosto e lentamente foi tocando a boca nos lábios dela. Os dois foram fechando os olhos juntos.

Rael mais uma vez sentiu o doce sabor daqueles delicados e pequenos lábios. O cheiro de flores da sua irmã e o sabor da boca dela já fizeram Rael se lembrar do primeiro beijo deles. Havia algo entre eles que os faziam se desejar.

Enquanto era beijada por Rael Natalia envolveu a cintura dele com os dois braços como da primeira vez.

Rael deixava sua boca correr nos lábios dela e de vez em quando dava pequenas chupadas nas beirada dos lábios da garota. Isso o assustava porque ele estava começando a perder um pouco o controle as vezes. Rael sentiu que esse segundo beijo deles já estava muito mais intenso que o primeiro. Porque parte da vergonha e medo já não existiam mais.

Quando percebeu Rael e ela já estavam se beijando de língua e sem nenhuma vergonha. Rael chupava a língua da irmã sentindo todo o gosto doce e quente do hálito dela e as vezes mergulhava a língua na boca dela. Os dois constantemente abriam os olhos e trocavam de posição virando os rostos de um lado a outro para ficar melhor.

Rael sentiu a coisa começar a vibrar embaixo e percebeu que estava bem agarrado com a irmã. Ele notou que ela sentiria o instrumento dele e no mesmo instante parou todo o beijo soltando a irmã e deu um passo para trás fugindo dos braços dela.

Os dois ficaram se olhando ainda com a respiração um pouco descontrolada. Natalia chegou sim a senti Rael excitado por ela. Mas ela não teve medo, ela sabia que era normal um homem ficar daquele jeito quando gostava de uma mulher. Ela sabia que Rael jamais a machucaria. Ela confiava plenamente nele. Ela também percebeu que ele se afastou por causa disso, ele achou que aquilo iria assustá-la. Era inegável o fato que Rael sempre colocava Natalia em primeiro plano, ela mesma podia ver isso.

― Desculpe eu não me controlei ― se explicou Rael sem jeito.

― Você não precisa se explicar, eu sei que isso é normal. Amanhã mesmo vou está indo escolher vestido, em breve estaremos casados. Eu terei que me acostumar ― disse Natalia e deu um passo a frente se escorando em Rael de novo. Ela não se importou.

― Eu não quero deixar você com medo― disse Rael sem fugir, só que também não agarrou a irmã, ele ficou com as mãos levantada em volta mas sem encostar nela. Natalia não se importou, mesmo vermelha ela cruzou as mãos de novo na cintura de Rael e deixou seu corpo se encostar completamente nele outra vez.

― Pra falar a verdade quase todas as noites eu tenho sonhos ruins. Eu vejo ele me batendo, eu sinto toda aquela dor e me acordo as vezes desesperada lutando contra alguém que não existe. O dia que eu dormir mais tranquila, foi aquele dia que você me beijou na sala. Eu quero tirar todos os momentos ruins da minha cabeça e só você pode me ajudar ― disse Natalia com o rosto levantado olhando Rael.

― Você já sabe o que eu diria ― respondeu Rael e a coisa embaixo se acalmou mesmo ainda sentindo o corpo da irmã o agarrando. Logicamente depois de ouvir aquilo os sentimentos dele ferveram de outra forma.

― Sei sim. Se for com você eu não terei mais medo ― disse a garota, baixou o rosto e ficou encostada a Rael.

Naquela noite Rael se deitou do lado esquerdo da cama e Natalia do direito. Os dois ficaram se olhando de frente um para o outro sem se encostarem e sem usarem coberta.

― Quer conversa? ― perguntou Rael vendo que a irmã ainda parecia bem ativa.

― Eu estou feliz de saber que eu posso escolher. Estou feliz de ter escolhido está aqui com você hoje. Eu sei que posso parecer chata, só quero dizer que estou realmente feliz de ter encontrado você ― disse a garota.

― Você nunca será chata pra mim. Você pode sempre me dizer o que quiser e a hora que quiser que eu ouvirei sempre com um sorriso ― disse Rael sorrindo pra garota. Ela sorriu de volta.

― Obrigada ― disse Natalia com lindo sorriso. Ela puxou o travesseiro para mais perto de Rael e deitou a cabeça encostando próximo ao pescoço dele, levantou o braço esquerdo e cruzou por cima da cintura de Rael próximo as costelas. Ela em seguida já fechou os olhos tentando dormir.

Rael ficou olhando a garota a frente e cruzou o braço direito por cima dela, depois ele aproximou o rosto para mais perto da cabeça dela e tentou dormir enquanto sentia o cheiro delicioso de flores dos cabelos dela.

Rael mal tinha fechado os olhos e percebeu que a irmã já tinha pego no sono. Ela já respirava com calma e movia o peito em uma calma repetição para cima e para baixo bem suavemente.

― Você estava mesmo com sono hein ― disse Rael e beijou os cabelos da irmã.

Quando Rael se despertou na cama da biblioteca ele ainda podia senti o cheiro dos cabelos da Irma.

Depois de caminhar um pouco ele encontrou Violeta na mesma mesa como de costume na biblioteca.

― Você demorou hoje. O que aconteceu? ― perguntou Violeta sem tirar a cara do livro. Ela tinha ouvido Rael chegar pelos passos.

― Tentaram me matar e eu tive que criar uma barreira na minha casa ― explicou Rael sem enrolar. Violeta se virou no mesmo instante pra ele.

― O que você fez? ― perguntou ela em um tom curioso.

― Nada que você já não saiba. A pessoa que tentou me matar veio a noite, escondia o rosto e tinha a habilidade Passos Invisíveis, pelo menos foi assim que Neide a nomeou. Ela podia ficar invisível.

― Sei qual é essa técnica. Só pode ser usada de sétimos reinos pra cima. E você ficou bem? Não aconteceu mais nada? ―perguntou Violeta.

― Não porque meu braço direito me protegeu a tempo. Obrigado por ter dado a ideia sobre eu aprender a criar barreiras, está sendo útil.

― Imagino que você não sentiu o nível do inimigo não? ― Violeta tinha um tom preocupado mas fazia o possível para ocultar de Rael, ela não queria ele dependendo dela.

― Eu não senti nada Violeta, nem os guardas depois conseguiram sentir. Essa pessoa conseguiu fugir sem deixar ninguém perceber. Ele entrou e saiu do clã sem nenhum problema ― explicou Rael.

― Isso deve ser um problema pra você ― observou Violeta.

― Eu to mais preocupado é com outra coisa. Com duas na verdade. Uma delas é minha relação com minha irmã que ta passando de um limite aceitável ― explicou Rael.

― Que limite? ― perguntou Violeta curiosa.

― Eu acho que to me apaixonando pela minha irmã, ou talvez mudando a forma que penso sobre ela. De qualquer modo está tudo errado, eu e ela somos irmãos e eu sei que esses casos são proibidos. Com Rita era diferente porque ela não era minha irmã de verdade.

― É só esse o problema? Rael é normal. Vocês cresceram juntos e foram separados vários anos. Sua irmã pode não reconhecer você mas ela sente que o ama assim como você senti dessa forma por ela. Vocês são especiais um por outro, paixão entre irmãos nesse caso nunca foi uma coisa muito estranha.

― E é esse o problema, ela é minha irmã e nem sabe disso. Como ela vai reagir quando souber a verdade? Será que ela vai aceitar? Será que não estou ferindo ela mais ainda? ― perguntou Rael com uma série de preocupações.

― Esse tipo de amor não surgi apenas pelo que vocês conviveram no passado ou por serem irmãos. Existe todo um padrão de ligações que levam a causar isso. Eu já sei da história entre vocês porque Rika me explicou tudo.

― Onde quer chegar? ― perguntou Rael curioso.

― Você não quer saber se está certo ou errado? Você também precisa entender a si mesmo e a ela, assim terá sua resposta. Continuando, você sente que deve protegê-la e segura-la ao seu lado depois do que a viu passar e ela ver em você a pessoa que pode protegê-la. Isso já é o primeiro ponto. O segundo ponto é a ligação do passado entre vocês, mesmo que seja inconsciente ela confia em você e você nela pelos laços que criaram, vocês cresceram um tempo juntos, isso é normal. Terceiro ponto você tem uma boa aparência e ela também, isso faz você gostar de vê-la e vice versa. Somando tudo, isso faz de você a pessoa mais perfeita pra ela e ela pra você ― explicou Violeta.

― Certo entendi. Então você apóia completamente o caso entre irmãos ― disse Rael.

― Rael você nem cresceu em família, foi separado quando criança por que acha isso importante?

― Mas e ela? Eu to mais preocupado é com ela. Na hora que eu tiver de contar a verdade como ela ficará como irá reagir? O que eu direi?

― Diga a verdade. Diga que a ama das duas maneiras, ela não vai ficar triste, ela vai ficar muito mais feliz em saber que é você ― disse Violeta.

― E a parte de irmãos onde fica?

― Ela não se importará com isso. Mas se isso incomoda você então diga que não gosta dela e se separe enquanto a tempo. Você tem Mara, tem Rose, tem Isabela, você tem uma lista de pessoas que podem substituí-la e ela quem tem?

― Por que ta me dizendo isso? ― perguntou Rael que já estava calculando onde Violeta queria chegar.

― Ela não tem mais ninguém Rael, eu duvido que ela vá confiar em qualquer outro homem depois do que ela passou e você já sabe disso ― disse Violeta sempre em um tom sério.

― Então por esse motivo eu vou tornar ela uma de minhas esposas? ― perguntou Rael.

― A escolha é sua. A felicidade dela depende da sua decisão.

― Se você fosse eu então ficaria com ela?

― Se você a ama qual é o problema?

― Violeta nunca sente ciúmes? Até Mara já admitiu ter ciúmes de mim, mas você não. Você sente mesmo alguma coisa por mim ou só quer me ver com as outras? ― perguntou Rael fazendo Violeta ficar levemente irritada.

― Eu só não quero que você fique sozinho algum dia. É comum um homem ter muitas mulheres por isso eu não tenho ciúmes ― disse Violeta sem olhar para Rael.

― Eu nunca ficarei sozinho, sempre terei você ao meu lado ― disse Rael. Se aproximou por de trás da cadeira de Violeta e a abraçou deitando os braços por cima dos peitos dela, as mãos de Rael foram até as coxas de Violeta, enquanto seu rosto cheirou o pescoço dela. Violeta se virou de lado e beijou Rael levemente, coisa de segundos.

― Você tinha dito que estava preocupado com duas coisas. Qual seria a segunda? ― perguntou Violeta. Rael foi para trás se afastando dela e deu alguns passos em volta olhando o chão.

― Eu fui descoberto pela mãe de Mara, Neide ― disse Rael.

― Como ela descobriu? ― perguntou Violeta preocupada.

― Ela analisou meu braço direito ― explicou Rael parando de andar.

― Só isso? Ela disse que descobriu?

― Sim ela disse. Ela disse que se eu fizesse mal a Mara ela não me perdoaria.

― Então ela não deve ter descoberto isso. Talvez analisando seu braço ela sentiu a essência de diversas formas de vida e entre elas o tipo das bestas. Ela deve ter dito pra você não matar Mara por pensar que você pudesse perder o controle desse poder. Você também mostrou os olhos negros na arena não?

― Não isso não é possível, eu e ela nos entendemos quando eu me expliquei.

― Ela pensando em uma coisa e você pensando em outra. Rael você chegou a mencionar algo de estranho? Em fim você nem deve ter notado. Me conte exatamente toda a história.

Depois de contar tudo Violeta teve certeza que esse era o ponto. Neide quis dormir com a filha para analisar o corpo dela e confirmar que de fato o corpo de Rael não estava fazendo mal para a filha.

― Isso quer dizer que ela não sabe de nada?

― Exato, ela só pensa que eu como mestra devo ter implantado em você a essência de bestas e que isso pode te fazer perder o controle ou causar algum mal a própria filha, já que você se envolve sexualmente com ela. No fim ela não sabe nada e toda conversa entre vocês foi um mero mal entendido entre ambos.

― Mas ela reconheceu quando eu falei que perdoei a Mara ― retrucou Rael.

― Sim. Mara não tratava as pessoas muito bem antes de conhecer você. Como ela acredita que você perde o controle como acha que ocorreu na arena ela pensa que se você ficasse com raiva da filha isso poderia acontecer, por isso ela entendeu errado o que você disse ― explicou Violeta.

― O que eu faço agora?

― Converse com ela mais uma vez. Diga que você não perde e nunca perdeu o controle de seu poder. Aquilo aconteceu porque você ficou irritado pelo Heitor fez com Mara, isso vai fazer você ganhar mais créditos e ainda ela confiar em você.

― Só isso? ― perguntou Rael surpreso.

― Sim. Quando acorda ela já terá confirmado que você não está causando nenhum mal a filha então ela te deixará completamente em paz depois disso ― explicou Violeta.

Quantas burradas Rael já não teria cometido se não fosse pelos conselhos de Violeta? Rael ficou pensando nisso. Sem mencionar o fardo tirado dele, porque ele achou que Neide sabia seu segredo mas ela não sabia.

Na manhã seguinte quando Rael se despertou lentamente com a mente sendo tirada pouco a pouco da biblioteca ele encontrou Natalia, ela estava na mesma posição em que tinha ido dormir. A garota ainda estava adormecida.

― Oh então você acordou genro, pensei que ia ter que fica esperando a manhã toda ― disse a voz de Neide por trás de Rael. Rael praticamente deu um salto se virando e isso acordou a sonolenta Natalia que foi levantando a cabeça cheia de preguiça. A porta já estava aberta quando Rael se virou.

― Está a quanto tempo ai? ― perguntou Rael.

― Eu acabei de chega. Vi pedi para sua noiva se levantar pra gente ir escolher o vestido dela ― explicou Neide. Natalia estava sentada na cama coçando os olhos. Fazia um bom tempo que a garota não tinha um sono tão confortável.

― Bom dia ― disse ela tanto para Rael quanto para Neide. E levantou os braços se espreguiçando. Os cabelos estavam um pouco bagunçados no rosto dela.

― Bom dia ― respondeu Rael de volta e já pulou da cama depois de olhar a irmã. Neide foi a segunda a responder.

― Querida eu vou descer e esperar você lá embaixo ― disse Neide para Natalia.

― Tudo bem eu já vou ― disse Natalia de volta.

― Me espere no corredor eu preciso falar com você ― disse Rael antes de Neide sair. Neide fez um sim com a cabeça e saiu.

Rael se aproximou da irmã que agora tinha se sentado na beirada da cama e deu um beijo no rosto antes de sair e escora a porta.

― Você fica linda até com os cabelos bagunçados ― disse Rael sorrindo. Natalia não disse nada, ela ficou sem graça e vermelha com Rael. Depois ele saiu.

Neide já estava esperando como Rael pediu quando ele chegou.

― Eu ontem não disse algo que precisava te dizer. Primeiro eu nunca perdi nem jamais perderei o controle sobre meu poder, aquilo na arena, aconteceu porque eu estava furioso com Heitor pelo que ele fez com Mara e como ele vinha tratando Natalia. Você não precisa se preocupar porque eu jamais deixaria nada acontecer com Mara nesse sentido ― disse Rael. Nesse momento a porta se abriu e Natalia passou andando, ela deu aos dois apenas uma rápida olhada para não parecer indiscreta. Neide esperou Natalia segui para o banheiro.

― Tudo bem genro eu sei que você não está mentindo. Minha filha também parece bem então não vou incomodar. Mas me der um filho bem rápido está bem? ― disse Neide olhando o peito nu de Rael (com o medalhão), ele ainda não tinha se vestido. ― E se você ficar me chamando pra conversar assim a sós e meu marido descobri, ele ficará com ciúmes, ainda mais se você continuar se exibindo de jeito ― disse ela com um meio sorriso.

― Não se empolgue ― disse Rael de volta.

― Então me chame de mãe que eu vou mais pensar besteira. Nem meu marido pensará também ― propôs Neide.

― Sabia que tinha um plano por trás e isso não vai funcionar ― disse Rael com um meio sorriso e acrescentou ficando sério ― Quando vocês terminarem com o vestido dela, quero que leve ela diretamente para a Caverna do Céu, vou está cultivando e esperando ela lá.

― Faço sim. Mais alguma coisa?

― Não. Vou descer pra tomar café. Minha esposa está lá embaixo? ― perguntou Rael já se virando e sacando uma camiseta no corredor do bracelete, ele já foi se vestindo enquanto caminhava.

― Está assim ― disse Neide olhando as costas de Rael. Ela ficou de braços cruzados, agora já estava aliviada. Ela tinha confirmado que sua filha não tinha nenhum problema corporal. Depois do que Rael disse eu ficou mesmo mais tranquila. Se Rael não perdia mesmo o controle então ela não ficaria mais preocupada.

― Vamos ver as surpresas que você me fará ter no futuro genro ― pensou Neide sorrindo enquanto Rael descia as escadas já sacando o sobretudo.

 


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