O Herdeiro do Mundo

086 - A Barreira parte 2

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Yan Fonseca

Rael finalmente abriu a porta encontrando as três. Ele tinha um olhar sério e não parecia nem um pouco cansado.

Alguém que tivesse acabado de criar uma barreira deveria estar se tremendo ou até caindo. Geralmente, as pessoas deveriam descansar por pelo menos um dia inteiro logo após.

― Você conseguiu? ― perguntou Neide com um ar curioso.

Natalia e Mara do lado estavam com a mesma curiosidade enquanto olhavam Rael.

― Se eu disse que faria é porque conseguiria, você já deveria saber disso… ― disse Rael olhando a mãe de Mara com um ar sério.

― Meu genro sempre mantendo a palavra, gosto disso ― disse ela de volta com o mesmo ar sério que Rael usou.

― Podem tentar entrar ― disse Rael e deu um passo para a frente saindo, depois ele seguiu para o lado, liberando completamente o caminho. A porta ficou aberta para as três.

― Vamos ver se isso está mesmo funcionando ― disse Neide e já forçou o passo para frente.

O pé dela só chegou até o risco inicial da porta, não entrava de jeito nenhum. Neide forçou de novo e sua expressão ficou um pouco feia, porque ela não estava mesmo conseguindo entrar, havia uma barreira invisível e poderosa que impedia dela passar daquele risco. Era como se ela estivesse forçando o corpo contra uma poderosa tela de vidro.

― Eu não estou mesmo conseguindo entrar ― disse ela surpresa. Todos puderam ouvir.

― Deixa eu ver mãe ― disse Mara animada e gentilmente empurrou sua mãe de lado que saiu deixando ela tentar.

Neide se virou para Rael e seus olhos eram de completo espanto. Rael tinha mesmo criado uma barreira que impedia até mesmo ela de entrar.

Rael era apenas um quarto reino a vista dela, então como aquilo poderia ser possível? Mesmo que ele fosse um décimo reino, sua barreira não deveria ser tão poderosa ao ponto de impedir que ela entrasse.

― Nossa, não entra mesmo. Marido você fez um excelente trabalho ― disse Mara saindo de lado e a terceira pessoa a tentar foi a curiosa Natalia. Natalia também bateu de cara com a mesma parede invisível.

― Em que nível está essa barreira? ― perguntou Neide tentando se recuperar do seu espanto.

As barreiras tinham um nível padrão na criação que impediam usuários com determinados níveis de entrar. As barreiras eram divididas em categorias tendo quatro níveis, sendo a nível quatro a mais fraca. Uma barreira normal criada por três pessoas dentro do décimo reino poderia ter no máximo o nível quatro.

Uma nível quatro impediria qualquer décimo reino de entrar. Uma barreira de nível três já poderia impedir até pessoas do décimo segundo reino. Quanto maior era o nível da barreira, maior era o nível que ela poderia impedir.

Neide não podia acreditar que Rael criou uma barreira acima do nível dois.

― Eu não sei dizer o nível, mas posso assegurar que ninguém aqui é capaz de entrar ― disse Rael de volta com a maior tranquilidade.

Ele não conhecia todo o seu poder, mas sabia, dentro do seu conhecimento, que não haveria ninguém ali capaz de entrar, a não ser Violeta se a mesma aparecesse. Violeta, era afinal, uma existência assustadora até para Rael.

Neide se virou de lado e suspirou levemente. Ela queria se sentar em algum lugar, relaxar a mente se lembrar com calma de tudo que já aprendeu em seus mais de cem anos de vida.

Ela queria revisar toda sua mente na tentativa de encontrar algo que deixou passar, algo que explicasse porque Rael era capaz de criar uma barreira daquelas. Ela nunca poderia encontrar essa resposta dentro do que ela aprendeu.

Rael era diferente de todas as pessoas que Neide já conheceu em sua vida. Ela só poderia sorrir e se orgulhar do genro que tinha. Quando ela pensou que tal monstro, tal gênio, era casado com sua filha, ela não poderia estar mais satisfeita. Ela sorriu por dentro imaginando o quanto a escolha da sua filha foi incrível.

Naquele momento ela olhou decidida para Rael e desejou do fundo do seu coração o proteger como se fosse seu próprio filho, como se ela mesma fosse a mestra dele. Tal gênio que estava ainda se desenvolvendo, não poderia ser parado no futuro e ela queria ver até onde Rael ia levar a família Torres.

Se eles já eram a maior família do continente Sul, imagine o que eles poderiam conquistar com mais alguns anos quando Rael estivesse mais desenvolvido? Talvez todos os outros poderosos continentes.

― A barreira é ótima, mas como fica as paredes da casa? Se alguém não conseguir entrar e decidir atacar as paredes? ― perguntou Mara curiosa olhando Rael.

Ela e Natalia revezavam tentando achar um meio de entrar, nenhuma das duas estava tendo sucesso.

Mara estava certa. As barreiras tinham esse ponto fraco. Se as paredes em volta de um local protegido com a barreira fossem quebradas, a barreira seria desfeita minutos depois.

Isso porque os símbolos iriam enfraquecer e a barreira cederia. Mas, mesmo que alguém quebrasse a parede ainda não ia conseguir entrar na mesma hora porque a barreira permaneceria ativa por alguns minutos.

― As paredes não vão quebrar se você atacar ― disse Rael deixando Mara surpresa.

― Não vão quebrar? ― perguntou Mara surpresa para confirmar

― De maneira nenhuma ― confirmou Rael. Mara ficou surpresa e nem pensou em duvidar.

― E se eu atacar? ― perguntou Neide.

― Nem mesmo você ― disse Rael com toda a certeza que possuía.

― Está mesmo falando sério? Acha que eu não posso destruir as paredes dessa casa? ― perguntou Neide para ter certeza que Rael realmente disse aquilo.

― Não acho, eu tenho certeza. Você não poderá destruir as paredes, nem o teto, não poderá destruir nada. A barreira que eu criei é impenetrável ― disse Rael deixando Neide chocada. Olhando bem no fundo dos olhos de Rael ela podia ver que ele acreditava mesmo nisso.

― Você não conhece toda minha força. Será que o genro está me subestimando? ― perguntou Neide com um olhar bem afiado.

― Por que não tenta? Só saberemos de verdade até testar, não concorda? ― perguntou Rael.

― Depois de ouvir tais palavras eu não posso ficar simplesmente olhando ― disse Neide de volta e se virou decidida para a parede.

― Vá em frente ― disse Rael e já puxou as outras duas pelos braços. Eles se afastaram uns vinte metros de Neide. Rael não conhecia a extensão do verdadeiro poder de Neide, mas sabia que ela era monstruosa como Rayger.

Neide concentrou um pouco de quantidade de aura vermelha em volta do corpo e explodiu. Ela ficou sendo banhado com uma intensa aura vermelha que causava ondas pelo seu corpo. Seus longos cabelos se descontrolaram voando para o ar e suas roupas começaram a esvoaçar se batendo.

Vrum! Vrum! Vrum! Vrum! Vrum! Vrum!

Ela concentrou uma poderosa quantidade de energia no punho direito e atacou contra a parede do lado da porta.

Boooom!

Todos ouviram o forte estrondo e viram o punho dela bater contra a parede. Linhas de chamas foram jogadas para todos os lados em volta do punho, mas a casa nem se tremeu, nem mesmo o chão em volta da casa deu qualquer sinal de fraqueza, mesmo com a imensa aura de Neide varrendo em todas as direções. Aquilo era um fato bem impressionante.

Neide nunca tinha visto uma barreira tão forte quanto aquela, porque a parede não deu qualquer sinal de fraqueza. Ela tinha acabado de usar cerca de vinte por cento de seu poder total e isso já era muito para uma barreira criada por um simples…

― Estou impressionada Samuel, sua barreira é mesmo forte. Posso mesmo ir com tudo? ― perguntou ela olhando para Rael com o mesmo olhar afiado, um tipo de olhar desafiador que só eles mesmos se entendiam.

― Você já deveria ter feito isso ― disse Rael de volta.

Assim como ela, ele também queria mesmo ter certeza que estava certo sobre sua barreira, se ela podia mesmo suportar o maior ataque de Neide.

― Boas palavras ― disse Neide sorrindo.

Mesmo naquela distância eles ainda sentiam a forte pressão da aura de Neide. Ela tinha a liberação das chamas. Como todos aqueles três tinham a combinação das chamas eles não estavam sofrendo com o calor gerado do poder dela. Mas ainda sim, a temperatura em volta tinha se elevado, Neide não era uma simples mulher.

Rael ficou com cada uma das meninas lado a lado. Com a mão direita ele segurava o braço esquerdo de Mara e com a esquerda o direito de Natalia, todos eles estavam alinhados virados para Neide.

Neide estendeu a mão direita para o lado e uma imensa espada de duas mãos surgiu afundando a lâmina no chão, ela ficou presa na terra. A lâmina era transparente como se fosse feita de cristais de vidro, longa, com quase dois metros de comprimento, e fazia uma curva em arco, a empunhadura era vermelha.

Não tinha uma pessoa que não se assustasse com aquela espada de Neide, ela era gigantesca para uma mulher de estatura tão comum.

― Você que pediu para eu ir com tudo, espero que não se arrependa. Se sua barreira não segurar então vocês terão que vir morar comigo por algum tempo ― disse Neide e puxou a espada com as duas mãos a tirando do chão.

Ela a levantou no ar, girou e puxou para trás mantendo ela no seu lado direito, a lâmina ainda arrastava no chão. Ela segurava a empunhadura com as duas mãos. Estava a cinco metros da parede.

― Aqui vou eu ― disse ela apertando mais firme os punhos. ― Corte do Vulcão! ― gritou ela.

Avançando um passo para a frente e levantando a espada. A lâmina se cobriu com chamas e rugiu violentamente…


A Dama que tinha tido seu corpo coberto por uma intensa aura azul congelante finalmente foi liberta e caiu no chão. Os quatro guardiões ainda estavam confusos se recuperando. Um deles havia caído na rua e com um salto tinha acabado de voltar para perto dos outros.

― O que ela fez? Alguém entendeu? ― perguntou um deles. Eles ainda não ousavam se aproximar pois estavam com medo.

A Dama se levantou lentamente e parecia meio tonta, ela tirou a luva escura da mão direita e olhou a própria palma encontrando o símbolo em forma de oito. O mesmo que tinha nascido em Isabela.

Os guardiões continuavam confusos parados a encarando, mas ainda seguravam firme suas armas.

― Essa Dama não sabe o que aconteceu mas parece que eu fui abençoada ― disse ela agora conseguindo ficar em pé sem parecer embriagada.

Nenhum dos guardiões entendeu, todos continuaram confusos olhando. Eles viram bem o que tinha ocorrido a pouco, a estranha explosão azul. Um tempo atrás viram o seu parceiro morrer miseravelmente, quem seria o louco de avançar sem nenhum cuidado?

― O que você acabou de fazer? Confesse agora sua assassina! ― rugiu um dos guardiões apontando a lâmina de sua espada contra ela. Eles estavam todos a uns trinta metros de distância.

― Já falaram pra você que não é muito educado apontar uma lâmina para uma linda e delicada dama? ― ela mal acabou de pergunta e se moveu para frente como um vulto. Seu corpo simplesmente desapareceu da visão deles.

Zuuuup!

Quando o guardião foi perceber, ela já estava correndo ao seu lado. Ele ainda virou os olhos acompanhando o vulto dela, mas o resto do corpo não foi tão rápido quanto os olhos.

Ele foi atingido pela mão do braço direito dela que ficou estendido de lado. O peito do guardião foi empurrado, o levantando no ar, pela Dama enquanto ela se movia a frente. A espada dele foi solta e ele foi arremessado vários metros para trás. O corpo dele saiu voando em forma de V, sendo a barriga o ponto principal da dobra.

Aaaaaaah!

Os outros guardiões só foram perceber o que realmente aconteceu quando ela parou próximo a eles. Seu companheiro virou uma pedra de gelo ainda no ar enquanto gritava e chocou-se em uma parede se despedaçando em vários pedaços.

Booom! Brasshs!

― Essa Dama quer saber, quem de vocês é o próximo? ― perguntou ela levantando a mão direita no ar diante deles.

Sua mão direita estava cercada por uma intensa aura gélida, um tipo de poder azul parecido com uma geléia que soltava uma leve friagem pelo ar.

Todos os homens travaram em seguida. Eles não conseguiam mais ver o nível dela. Mesmo que a pouco ela fosse mais fraca que eles.

Um dos guardiões tremendo de medo apontou a lança trêmula para a Dama. Ela virou-se de lado e já sumiu como um fleche novamente diante deles.

Zuuup!

Boooom!

Quando os outros foram vê-la novamente, ela já estava esmagando a cabeça do companheiro no chão com a mesma mão direita dela. O chão embaixo chegou a se partir abrindo um buraco para um dos cômodos de baixo. Parte da cabeça do homem ficou para dentro.

Brashs!

Barulhos de vidro se quebrando foram ouvidos enquanto a cabeça do pobre guardião se desmanchava em um monte de pedaços, espalhando pelo chão e caindo pelo buraco. O corpo dele ainda ficou tremendo por um tempo antes de parar completamente.

Quando ela se levantou os outros dois já estavam se virando para correr. Eles perceberam que o poder que ela tinha agora, eles não podiam enfrentar. Se antes quando ela era mais fraca não estavam podendo, o que dirá agora?

― Por que a pressa rapazes? Por acaso vocês não querem mais ficar na presença dessa linda dama? È um desrespeito deixar uma delicada dama sozinha ― disse ela.

Zuuuup!

Boooom!

Aaaaah!

Mais um foi afundado no chão recebendo um golpe no centro da coluna. A parte central de suas costas congelou e ele foi partido miseravelmente em dois. Ele ainda ficou batendo as mãos tentando segurar em algo, ele gritava desesperadamente para sair de perto dela.

Os pedaços quebrados dele ficaram espalhados no chão. Enquanto este ainda estava morrendo depois de ter seu corpo dividido ao meio, ela sumiu e reapareceu vinte metros adiante bem a frente do último guardião que parou de correr e praticamente esbarrou nela.

― Essa Dama não achou isso muito educado ― disse ela já levantando a mão direita.

O guardião só teve tempo de travar os dentes e se preparar para o pior…


Depois de matar todos com seu estranho poder congelante ela parou satisfeita e acalmou sua mão. Retirou toda a vestimenta escura guardando em seu bracelete e por ultimo retirou a máscara de seu rosto.

― Essa Dama agradece aos deuses ― disse ela e reverenciou educadamente o nada, baixando a cabeça e fazendo um movimento com o braço direito.

Nem mesmo ela sabia de onde tinha vindo aquele aumento de poder misterioso, por isso ela agradeceu. Depois de agradecer ela tirou um espelho de seu bracelete e se olhou.

O rosto redondo que ela via no reflexo tinha uma harmonia impecável de uma bela jovem com aparência de dezoito anos. Seus lábios eram grossos e avermelhados, havia uma pinta sexy do lado direito da boca. Os olhos eram levemente puxados e azuis como céu, seu nariz era bem fofo, tímido e pequeno. Seus cabelos eram lisos, escuros e longos, chegando até o meio das cotas. Todo o seu rosto era como uma linda escultura.

Quando começou olhando a imagem, ela estava sorrindo se admirando como se quisesse se morder de tão linda que era. Depois foi ficando séria e cada vez mais séria, até ficar um pouco vermelha. Quando ela não aguentou mais, guardou o espelho de volta no bracelete o mais rápido possível.

Ela saltou da laje e caiu em pé na rua. Agora ela estava vestida com roupas comuns. Uma calça verde e uma mini blusa azul escura, nos pés um par de sandálias rosa. Não havia quase ninguém presente naquele momento. Apenas dois jovens cultivadores se aproximando enquanto conversavam algo.

Quando eles viram a Dama já ficaram de olhos alarmados. A beleza dela era tão grande que eles sentiram que suas almas estavam sendo sugadas.

A Dama viu os dois se aproximando e a olhando descaradamente. As curvinhas sexy do seu rosto ficaram vermelhas na mesma hora, ela baixou a cabeça e começou a andar na direção deles, pois era o caminho que ela precisava ir.

Ela passou o mais rápido que pôde pelos dois e continuou seguindo em frente sem se virar. Os dois até pararam para ver as costas daquela mulher.

 


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