O Herdeiro do Mundo

084 - Uma Surpresa Noturna

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Mara pegou no sono suave, Rael ficou um tempo deitado de lado olhando sua esposa respirando vagarosamente enquanto dormia. Ela parecia tão calma e tão serena, ela não lembrava nem de longe a mulher irritante que era tempos atrás. Nem mesmo aquela adolescente chata que tirava sua irmã dele.

Rael estendeu a mão e passou o dedo nos cabelos dela que estavam sobre o rosto tentando arrumar. Ele nunca imaginou que um dia iria estar casado e gostando dessa mulher. Mas ainda havia uma questão que não saia da cabeça de Rael. Como Mara ficaria quando soubesse a verdade? Como ela reagiria?

Ele ficou um tempo pensando nisso e levantou-se. Vestiu uma cueca uma calça e saiu do quarto sem fazer barulho.


Rael seguiu para um quarto vizinho e entrou em contato com Ana. Fazia um tempo que não falava com ela e ele queria saber como estava as coisas.

Ana explicou a Rael que homens do clã Sarbaros continuavam disfarçados na cidade Toravan esperando ele sair. Para não serem facilmente descobertos, esses homens estavam em torno do sétimo reino, o que não chamaria a atenção dos guardas.

― Só isso? Não há mais nenhum plano em ação contra mim?

 Nenhum, como eles não podem entrar no clã está difícil chegar até você. Você deve continuar sendo cuidadoso, não saia do território ― disse ela.

― Qualquer novidade você deve me passar imediatamente, eu não vou perdoa você se esconder qualquer coisa de mim ― avisou Rael.

― Eu não seria louca, aquela coisa que você colocou em mim, não me deixaria enganar você ― disse a moça do outro lado com um tom de medo.

― Melhor assim, pode voltar a dormir ― disse Rael cancelando a conexão. O quarto voltou a ficar em silencio.

― Quando eu pegar o sexto reino poderei acabar com vocês ― disse Rael sozinho enquanto se dirigia para a porta pensando no clã Sarbaros.

Rael desceu para beber um pouco de água e sentiu como se estivesse sendo observado por alguma coisa. Ele chegou a olhar em volta para saber se a empregada ou uma das meninas estaria por perto, não havia ninguém.

Ele ignorou aquele pensamento por um instante e se dirigiu ao filtro. Rael esperou o copo de alumínio encher e tomou a água lentamente sobre aquela estranha sensação de continuar sendo vigiado, depois ele saiu lentamente da cozinha voltando para a sala.

Quando já estava a um passo de subir as escadas ele sentiu uma forte intenção assassina. Seu braço direito se moveu sozinho como se tivesse vida própria e levantou protegendo a cabeça.

Braaaashs!

Rael sentiu uma imensa pancada no braço acima enquanto lâminas quebradas apareceram do nada e voaram para os lados. Rael escutou um tom moco de alguém caindo ao lado dele, mas Rael não via ninguém.

Rael não estava vendo nada, o sujeito que havia acabado de o atacar parecia ter pulado do teto sobre ele. O sujeito ainda invisível se afastou correndo, pelo som no pisar do chão Rael ouviu passos, mas não tinha certeza de onde ele estaria.

― Quem é você! ― perguntou Rael que não conseguia sentir nem mesmo a aura do inimigo, somente o instinto assassino e o som dos passos correndo em volta se preparando para mais um novo ataque. Rael não sabia por onde ele atacaria novamente e por precação ativou o Espaço Ilusório, fazendo sua existência física ser ignorada.

O que Rael não pensou que ocorreria, é que ativando o Espaço Ilusório ele podia ver claramente o vulto do inimigo dançando sobre ele procurando um ponto cego. O inimigo não era muito alto nem forte, mas era ágil e já estava com duas novas adagas em mãos, sem mencionar que estava de capuz e Rael não podia ver o rosto. Mas a visão de Rael não era perfeita, ele via tudo como se fosse um monte de sombras cinzas montando o sujeito invisível em sua visão (quase como um fantasma transparente). Rael também não conseguia ver que estava na sala, para ele, parecia que agora estava um campo aberto, em um tipo de jardim de alguma cidade abandonada.

O sujeito estava se preparando para atacar e Rael começou a concentrar sua energia no braço direito. O braço direito estava todo exposto porque Rael desceu sem por se quer luvas ou camiseta. Podia-se ver facilmente as veias escuras bombeando poder aumentando os músculos de tamanho e o braço sendo cercado de raios amarelos por toda a extensão do ante-braço e do punho.

Rael não era burro, ele sabia que o sujeito acreditava não está sendo visto, por isso ele não ficou olhando abertamente para onde o sujeito estava correndo, aquilo também parecia ser um teste para saber se Rael estava mesmo o vendo. Rael deixou que o mesmo corresse para as suas costas e não fez qualquer movimento a não ser deixar o braço preparado.

Rael carregou o braço no limite, ele não conhecia o poder do inimigo e não ia facilitar. O braço lançava raios tão intensos que parte do chão se desfazia com as pequenas linhas de energia que escapavam, isso sem mencionar o alto barulho que estava ocorrendo na casa.

Vuuuup!

O Sujeito cruzou as costas de Rael atacando o nada, e saiu na frente. Rael cancelou o Espaço Ilusório e avançou com o braço direito cercado de Raios contra as costas do inimigo. Agora Rael já via a sala de novo e não via mais o mesmo, mas sabia que ele estava ali na frente.

Nesse momento Natalia e Mata sugiram juntas na parte de cima da escada, elas tinham acabado de ouvir os barulhos e se levantaram. Elas chegaram no exato momento em que Rael parecia estar socando o nada com a mão e o ante-braço coberto de raios.

Boooooooooom!

Rael acertou em cheio as costas do sujeito. O impulso o atirou contra uma pequena cômoda com alguns artigos de enfeite em cima, estatuas de pedra, vasos etc. A cômoda foi quebrada e em seguida a parede. O sujeito foi parar lá fora caído no chão coberto de raios.

― Samuel! ― gritou Mara e sacou a espada já deixando a aura correr pelo corpo porque ela percebeu que Rael tinha atacado alguém. Natalia desceu preocupada atrás da prima. Rael ficou cansado, parado se recuperando do ataque. Ele tinha botado toda sua força naquele ataque por não conhecer a força do inimigo.

O sujeito estava caído de costas no chão pelo lado de fora da casa. Agora ele podia ser visto normalmente, estava de roupas e capuz vermelho. Os três protetores que protegiam a casa de Rael e Mara o cercaram de armas em punhos.

― Parado não se mova! ― gritou um dos protetores se aproximando com uma lança porque o sujeito moveu de leve a mão direita, como se estivesse se acordando.

O sujeito sumiu de novo diante de todos os olhos voltando a ficar invisível.

― Ataquem onde ele estava antes! ― rugiu Rael que não chegaria a tempo. Os protetores atacaram com suas armas cortantes sem nenhum sucesso. Rael ativou o Espaço Ilusório e viu o vulto dele já a uma centena de metros fugindo em alta velocidade mais a frente. Como não podia ser feito mais nada Rael desativou sua habilidade.

― O que aconteceu? ― perguntou Mara do lado de Rael.

― Eu fui atacado na sala, essa pessoa tentou me matar, ela pode ocultar a aura e ficar invisível ― explicou Rael. Os protetores se aproximaram preocupados e agora, quatro pessoas que não sabiam podiam ver o braço azul de Rael. O braço ainda estava energizado soltando pequenos fios de raios.

― Quem ousaria atacar o nosso jovem mestre? ― bufou um dos protetores. Os outros balançaram a cabeça positivamente em concordância.

― Um de vocês vá imediatamente chamar meus pais, e não falem nada do que viram aqui hoje a ninguém ― ordenou Mara.

― Sim senhora! ― disse um dos protetores e já saiu correndo para cumprir a ordem.

― Samuel vá vestir algo, a não ser que você queira que todos descubram sobre esse seu braço ― disse Mara depois de guarda a espada no bracelete.

― Samuel você não se machucou? ― perguntou Natalia antes de Rael se vestir, ele já tinha tirado uma camiseta azul de manga longa do bracelete.

― Estou bem, ele não conseguiu me pegar ― disse Rael para a irmã.

― O que aconteceu com você? Por que tem um braço azul? ― perguntou Natalia e não era só ela a curiosa, os outros dois protetores também ficaram de orelha em pé para ouvir qualquer explicação que saísse da boca de Rael.

― Vocês dois não fiquem ai parados! Procurem em volta da casa por mais suspeitos! ― ordenou Mara para fazer os dois curiosos trabalharem. Os protetores não tiveram escolha a não ser obedecer e sair de perto deles. Depois Mara ficou mais calma olhando Natalia e Rael.

― Eu tive um problema e minha mestra teve que me ajudar ― disse Rael e se vestiu. Natalia também tocou na mão de Rael se certificando que seria normal, Rael apertou a mão dela sorrindo e sem jeito ela sorriu de volta.

― Sua mão é tão quente, ela parece normal mesmo sendo de outra cor ― disse a garota com uma voz calma apesar de estar um pouco preocupada.

― Ela só é um pouco mais resistente que o normal ― explicou Rael massageando a mão da irmã de leve enquanto sorria de volta.

― Quando eles voltarem vou pedir para não falarem nada sobre seu braço diferente ― explicou Mara quebrando o estranho clima entre os dois.

― Agradeço ― disse Rael depois de soltar a mão de Natalia. Ele pôs as luvas e em seguida camiseta e sobretudo.


Neide chegou acompanhada com dez protetores e encontraram a parede da casa destruída. Rayger não se fazia presente.

Rael contou o que aconteceu, que foi beber água e sentiu uma intenção assassina, então ele previu o ataque, se defendeu e contra-atacou o sujeito destruindo a parede.

Depois de ouvir a história, Neide percorreu a casa e facilmente encontrou os fragmentos das lâminas destruídas. Ela os pegou nas mãos e analisou.

― Essa é uma Lâmina rara, ela é feita pelo minério de Sendrer, talvez você não saiba mais ele é o terceiro material mais poderoso na criação de armas e armaduras. A pessoa que tentou tirar sua vida não é qualquer um. Ser capaz de entrar no nosso território sem ser percebido, usar a técnica Passos Invisíveis e ainda ter uma arma dessas? Eu diria que você provocou uma pessoa muito perigosa ― disse Neide.

Rael reconheceu esse material. Era o mesmo material do qual era feito as lâminas do bumerangue que era de James. Aquele que antes havia machucado a mão de Rael na ilha. Agora não cortou porque Rael já tinha a resistência do quinto reino. Se cortasse, da maneira bruta que foi atingido, poderia ter até destruído o braço. Neide tinha razão, a pessoa por trás do ataque era alguém muito perigoso.

― Eu não me lembro de ter provocado ninguém além dos merdas da família Sarbaros ― disse Rael sem pensar muito.

― Samuel eu diria que esse é um assassino profissional. Julgando pelas capacidades que ele mostrou e a forma que agiu, ele não quer ser descoberto. Eu apostaria que essa pessoa foi contratada por alguém e pode ou não, ser alguém de nosso próprio clã. Quem ia querer você morto? ― perguntou Neide. Na mesma hora veio Elisa em sua mente, ele nem precisou pensar muito.

― Pela sua cara você já deve ter em mente alguém, eu também penso na mesma pessoa. Posso ver seu braço? ― perguntou Neide curiosa. Rael não respondeu de imediato ele ficou um tempo pensando. ― Minha filha já falou dele, eu sei que é diferente ― explicou ela. Rael olhou um pouco irritado para Mara.

― Desculpe ― explicou-se Mara sem jeito olhando de lado. Como ela poderia esconder alguma coisa de sua mãe?

― Saiam todos ― ordenou Neide e todos os protetores saíram para foram. Rael tirou as luvas e o resto das roupas que escondiam seu braço e seu peitoral. Então ele estendeu o braço azul para Neide. Os únicos presentes eram ela, Natalia e Mara.

Rael tinha uma excelente musculatura, ele tinha o peitoral bem definido e as curvinhas na barriga de quem treinava fisicamente a um longo tempo. Aquilo deixava quase qualquer mulher babando. Até Neide que já não era mais uma mulher nova ficou um pouco sem jeito perto de Rael. Rael também tinha a herança demoníaca de Violeta, ele parecia muito mais atraente aos olhos das mulheres do que o comum.

Mara já estava acostumada com ele e tinha orgulho de ter um homem tão incrível ao seu lado. Natalia do lado estava um pouco vermelha, seu coração batia levemente enquanto ela pensava que em breve estaria sendo esposa de Rael.

Neide ignorou o físico de Rael e esfregou seus dedos pelo braço dele. Rael sentiu ela lançando energia enquanto analisava, mas era muito mais forte do que ele. Ele nem poderia resistir, aquela mulher estava em um cultivo tão alto que Rael nem fazia idéia de qual era.

― Eu nunca vi nada assim antes. Seu braço tem toda a composição normal de uma pessoa e ao mesmo tempo de uma besta demoníaca, não, é mais forte que isso, nem mesmo uma besta de rank S teria uma pele tão resistente. Me diga, foi mesmo sua mestra que deixou seu braço assim? ― perguntou Neide ainda analisando o braço de Rael. Ele continuava sentindo as energias dela avançando pelo braço azul.

― Foi, eu tive um acidente e ia perder o meu braço― mentiu Rael para as três mulheres.

― Sua pele, sua aparência ― disse Neide subindo a vista para o peitoral de Rael. ― Você tem um belo físico e não foi à toa que seduziu milha filha tão facilmente. Eu senti a mesma essência quando vi sua mestra naquele dia. Por acaso sua mestra dividiu a essência dela com você? ― quando Neide fez essa pergunta Rael ficou surpreso. Com apenas uma analise ela conseguiu pegar todas aquelas informações de Rael.

― Foi mais ou menos isso ― disse Rael se controlando. Ele teve medo que Neide pudesse descobrir que ele tinha o sangue de um Torres em suas veias. Ela poderia até descobrir que ele tinha o mesmo sangue de Natalia ou da família, quem sabe, até descobri que Mara era prima dele. Isso seria catastrófico.

― Sua mestra não gostaria de saber que isso foi descoberto não é? Não se preocupe eu não vou dizer nada, nem eu e mais ninguém, não é mesmo meninas? ― perguntou Neide se virando para as duas que fizeram um rápido sim com as cabeças. Neide tinha percebido o nervosismo de Rael, o que ela não podia adivinhar era que a causa seria diferente. Violeta não tinha nada haver com aquele nervosismo.

― É, ela não gostaria que os outros soubessem ― concordou Rael se acalmando, mas ele ainda tinha a preocupação dela ter descoberto. Rael ficou imaginando, se ela descobrisse o que ela faria com aquela informação? O protegeria pela promessa que fez na arena?

― E esse medalhão? Pode pelo menos me dizer algo sobre ele? ― perguntou Neide correndo os olhos no medalhão dourado de Rael, era a única coisa que tinha ficado em seu perfeito peitoral nu.

― É apenas um presente que a minha mestra me deu e disse que eu deveria usar ― explicou Rael normalmente. Neide ainda estendeu a mão e tocou passando os dedos curiosamente.

― É algo bem incomum, eu posso sentir uma energia latente nele ― disse ela e depois o soltou. Rael ficou apenas quieto, ele ainda estava um pouco acanhado.

― Então acabou o assunto. Eu só fiquei um pouco chateada de sua mestra não ter comparecido no casamento. Eu queria tanto vê-la novamente ― disse Neide abrindo um leve sorriso.

― Ela não gosta de se envolver muito em minha vida ― admitiu Rael e já começou a se vestir. Mas o coração dele não parava de bater preocupado. Ele sentiu uma imensa vontade de chamar ela de canto e perguntar se ela sabia de mais coisas e não queria falar.

― Vou ter que aumentar a segurança até descobrir quem está por trás disso ― disse Neide olhando em volta, ela já parecia ter esquecido aquilo.

Rael respirou e se acalmou. Ele sabia que nenhuma segurança seria suficiente para alguém com aquelas habilidade, um assassino que Rael só poderia ver usando o Espaço Ilusório. Ele precisava de um tipo diferente de proteção.

― Não precisa se preocupar. Só me diga, quanto tempo levará para concertar essa parede? ― perguntou Rael.

― Isso pode ser arrumado em uma hora. Mas o que você pensa em fazer? ― perguntou Neide.

― Vou criar uma barreira, só vai entrar aqui dentro quem tiver minha permissão ― explicou Rael. Neide na mesma ficou impressionada.

― Pode mesmo fazer isso? ― perguntou Neide. Ela já conhecia Rael e sabia que ele tinha muitas capacidades misteriosas. Depois de matar um sétimo reino sendo apenas um quarto, (na cabeça dela) ela já sabia que Rael era incrível e por isso não ousaria duvidar, mesmo sabendo que para ele montar uma barreira sozinho deveria ser impossível.

― Arrume a parede e eu mostrarei ― disse Rael e se virou pensativo indo em direção a cozinha. Ele não acreditava que Ana ousaria traí-lo, ele saberia porque a sombra a mataria no mesmo instante e voltaria a ele, mas até aquele momento nada tinha ocorrido. Então a única pessoa que sobrava era sua mãe Elisa.

Para criar uma barreira era necessário dias de preparo, formações de poder e selos mágicos espalhados em posições corretas pelo perímetro. Precisaria de três cultivadores do tipo água, vida e vento, todos deveriam estar no mínimo no décimo reino, sem mencionar os conhecimentos na criação da barreira e no tipo dela, fora outras pessoas que teriam também outras responsabilidades durante a criação. Isso ainda levaria cerca de um dia inteiro depois de tudo montado para iniciar o processo.

Neide era uma mulher experiente e sabia de tudo isso, ela inclusive já havia participado na criação de outras barreiras. Mara também tinha boas noções de barreiras e por isso sabia que era difícil. Rael dizia conseguir fazer, as duas poderiam dizer que era impossível, mas nenhuma delas ousaria duvidar das capacidades de Rael.

― Muito bem, vou chamar os escravos para consertarem isso o mais rápido possível ― disse Neide que queria ver se Rael seria mesmo capaz de criar algo como aquilo.

Mara por outro lado teve que se sentar no sofá. Rael era capaz de curar veias sem danificar cultivadores, passar de níveis facilmente e ajudar os outros a passar (Natalia) agora Rael poderia criar barreiras? Espera ai, será que havia algo que ele não podia fazer? Mara não conseguia parar de ficar chocada com seu marido.


 

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