O Herdeiro do Mundo

072 - Rael VS Heitor

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Quando Rayger liberou sua enorme aura cinza vários guardas se afastaram sendo empurrados pelo seu enorme poder. O juiz saltou para trás percebendo que a coisa ia ficar feia. Neide foi a segunda a liberar seu poder, uma intensa aura vermelha fogo.

― Está se revelando irmão? Está traindo o clã? ― Romeo perguntou com um ar pesado enquanto se levantava. Naquele instante vários guardas desceram e voaram cercando os pais de Mara.

― Trair o clã? Você por acaso não estava vendo? Minha filha estava quase morta e aquele desgraçado ainda a atacou? ― perguntou Rayger furioso se tremendo.

― Ela ainda estava de pé e não tinha desistindo, todos que estão aqui assistindo a essa batalha viram. O que eu vejo é você tentando se revelar ― disse Romeo duramente. As pessoas em volta começaram os cochichos no mesmo instante.

― Eu acho melhor vocês se acalmarem e irem ajudar sua filha ― disse Elisa do lado cruzando as mãos com um sorriso frio. Ela estava mais do que satisfeita com o resultado final. Neide podia ver os olhos dela brilhando de felicidade por dentro.

― Sua maldita! ― rugiu Neide e quase avançou em Elisa, ela foi segurada pelo próprio marido. De mulher para mulher ela entendia muito bem o olhar de Elisa. Rayger começou a se acalmar enquanto a barreira estava sendo desativada.

Rael do outro lado já estava se acalmando também. Quase ninguém chegou a ver a estranha aura escura de Rael por causa de Rayger que tinha tomado a maior parte da atenção. Rika tinha entrado na cabeça e zombado dele. Dias atrás Rael queria Mara morta e agora estava enfurecido por ela ter apanhado um pouco a mais? Isso desequilibrou Rael e conseguiu ajudá-lo a voltar a si.

Heitor saiu da arena caminhando normalmente assim que a barreira foi aberta. Rayger e Neide passaram voando por ele correndo de encontro a filha, mas não deixaram de encará-lo severamente. Heitor não se importou, ele continuava com o meio sorriso irônico.

O médico que auxiliava as famílias pulou junto para ajudar.

Não demorou muito e Mara foi deitada numa maca vermelha e trazida para o lado da família.

Mara estava gravemente ferida e corria risco de vida. Ela estava desmaiada e o médico preparava todos os procedimentos possíveis, passando remédios e cobrindo as feridas com faixas.

Rael se aproximou com um olhar distante enquanto via Mara no chão. Suas mãos ainda tremiam. Rayger correu e afastou todos do caminho de Rael, ele sabia que Rael também era um excelente medico e ele poderia ajudar. Até mesmo o médico foi retirado de perto deixando somente Rael próximo de Mara.

Palavras não foram necessárias serem ditas. Rael se encostou do lado de sua esposa e tocou o rosto vermelho dela com a ponta dos dedos. Em seguida ele deslizou a mão cuidadosamente na direção do ventre ferido e espalhou um pouco de sua energia. Não demorou muito para Rael ter as respostas que procurava. A vitalidade de Mara estava muito fraca e não havia qualquer sinal de outra vida, ela tinha perdido a criança.

O estado corporal de Mara não estava bom. Ela estava com muitas feridas leves e outras maiores, sem mencionar o fato de que boa parte de sua pele estava queimada.

Queimaduras não eram tão relevantes porque haviam tratamentos que deixavam a pelo normalizada em poucos dias, o problema era a dor que ela enfrentaria nos primeiros dias.

As pessoas não paravam de falar perto de Rael, mas naquele momento ele não ouvia ninguém.

Rael retirou uma pílula curativa de seu bracele e engoliu, depois aproximou da boca de Mara e passou via beijo, forçando a boca de Mara a engolir. Ele sabia que ela não morreria, não depois dele dar aquela pílula a ela, mas ela perdeu a criança.

Rael nunca concordou cem por cento com o fato de ter um futuro filho, mas ele também nunca odiou completamente a ideia. Os pais de Mara ainda não sabiam que aquela luta tinha destruído um futuro neto, talvez se soubessem, não teriam conseguido se controlar como estavam fazendo agora.

Mara ia se recuperar em alguns dias. Seu poder e resistência corporal tinham a deixado viva, mas claramente Heitor tentou tirar a vida dela.

Rael se afastou de perto de Mara e o medico voltou a circular ela e preparar os curativos. O corpo de Mara foi cercado pelos preocupados irmãos e pais novamente.

O juiz decidiu dar um intervalo de descanso antes de prossegui com a ultima luta.

O publico estava em cochichos silenciosos. Era comum em todo grande clã ter problemas externos quando o clã poderia passar por mudanças no poder e isso sempre gerava alguns contra tempos.

Rose ficou encolhida de canto porque não sabia se deveria chegar perto de Rael depois do que aconteceu. Rika não disse mais nada, ela gostava de provocar Rael, mas preferiu se manter neutra naquele instante.

Enquanto esperava Rael preferiu ficar longe de Mara. Ele mesmo ainda não queria admitir que tinha sentimentos reais por ela. Mesmo que ele não quisesse aceitar,Rika tinha razão, ele estava vacilando com sua ideia de se vingar e mudando seus objetivos. Se ele começasse a perdoar todos, não restaria ninguém para ele se vingar, e no fim, ele teria ficado forte para nada.

― Posso falar com você ― quem chegou do lado foi Neide. Ela estava muito séria com um ar meio pensativo, enquanto falava com Rael ela olhava o nada de lado.

― O que foi? ― perguntou Rael.

― Se você puder fazer ele sofrer pelo que fez a minha filha, eu prometo, eu dou a minha palavra que não importa o que venha a acontecer depois eu o apoiarei. Você poderá me pedi qualquer coisa ― disse Neide baixinho. Rael ouviu aquilo em silencio e guardou bem aquelas palavras. Ele planejava surrar Heitor mesmo sem aquilo, mas ter uma promessa de uma mulher como Neide não seria uma coisa ruim.

― Mesmo que você não me pedisse eu ainda o faria, mas é melhor você se lembrar do que prometeu ― disse Rael sem olhar para ela.

― Então me surpreenda ― disse Neide e depois se afastou voltando para o lado da filha.

Rayger que tinha acompanhado a cena ficou apreensivo e se aproximou de Rael um pouco depois que sua esposa saiu.

― Samuel o que você e minha esposa estavam conversando? ― perguntou ele.

― Nada com o que o senhor deva se preocupar ― disse Rael sem muito animo.

― Eu e minha esposa temos visões um pouco diferentes. Eu sempre mantenho minha família em primeiro plano e depois meus objetivos. Eu não sei se você terá alguma chance contra Heitor, mas se achar que não vai ter desista e não se preocupe. No futuro eu me encarregarei de aplicar uma lição que ele mereça ― disse ele. Rael o olhou e de lado sem dizer nada e ele continuou. ― Não se esqueça que você ainda é um mero quarto reino e mesmo que fosse mais forte, eu não saberia dizer se você ainda teria alguma chance contra ele.

― Você e sua mulher pensam completamente diferente, pelo menos ela acredita em mim ― disse Rael sem pensar muito.

― Mulheres são mais inteligentes que nós homens quando estão calmas, porém quando estão nervosas elas tendem a perder o controle de suas emoções muito mais do que nós. Eu prefiro que você não se arrisque, minha filha precisará de você do lado dela ― disse Rayger e bateu de leve a mão no ombro de Rael antes de se afastar. Neide ficou olhando do seu lugar com os braços cruzados.

Rael estranhou que Rose agora mantinha um pouco mais de distancia dele e se lembrou do que havia feito antes. No momento da raiva ele acabou sendo um pouco estúpido com a garota.

― Rose me desculpe, eu não queria ter feito aquilo ― disse Rael olhando ela de lado. Rose estava a cerca de três metros dele ao lado da mãe.

 Tudo bem, você estava chateado é normal ― respondeu a garota de volta sem pensar muito e abriu um leve sorriso.

 Mesmo assim desculpe ― repetiu Rael e Rose fez um sim com a cabeça aceitando as desculpas dele. Rika não disse nada, ficou em silencio estudando as ações dos dois.

Quinze minutos depois Rael e Heitor desceram para a arena. Agora estava prestes a começar a ultima batalha.

Heitor não tirava aquele sorriso malicioso do rosto enquanto Rael, mantinha um olhar sério e impenetrável. Desde que Rael ficou cara a cara com Heitor seu olhar natural havia sido mudado para um olhar sério e cheio de ódio por dentro.

― Como ficou sua esposa? Ela vai ficar bem? Espero que ela se recupere logo. Seria muito ruim acabar de se casar e já perder a esposa não? Oh eu sinto muito, me lembrei que fui eu que quase a matei ― disse Heitor com seu sorriso irônico. O juiz ainda estava saindo para ativar a barreira.

Rael não respondeu, ele tinha um olhar sério fixado em Heitor, um olhar de poucos amigos.

O juiz saiu para fora e ativou a barreira, dando em seguida o comando para começarem.

Não houve uma palavra por parte de Rael, ele já correu preparando o braço direito que se cobriu de raios no curto percurso.

― Quando eu percebi que você tinha a mesma liberação que a minha fiquei surpreso. Vamos ver qual de nós é mais forte nos raios! ― rugiu Heitor se cobrindo em raios e saltou contra Rael socando com o punho direito.

As pessoas levaram suas mãos a boca, porque todos imaginavam que Rael não podia bater de frente com Heitor, muito menos de ter uma troca de golpes direta. Na mente do publico Rael morreria ou teria para sempre seu braço direito destruído.

Boooooom!

Os dois punhos se colidiram e uma onda elétrica partiu se espalhando por toda arena. Por um momento ninguém viu nada além de poeira, a arena estava um pouco danificada depois de todas as ultimas lutas.

Heitor tinha parado de sorrir, ele foi completamente parado contra o soco de Rael, não só isso, ele foi empurrado meio metro para trás.

Heitor travou os dentes liberando mais aura elétrica, uma aura tão poderosa que só em alguém ficar perto já seria electrocutado de varias formas.

Rael parou de forçar o corpo para frente e abriu espaço de lado retirando o punho do caminho de Heitor. Heitor se desequilibrou e se lançou para frente cobrindo Rael com sua aura de raios enquanto passava de lado. Rael deixou o pé na frente propositalmente e Heitor caiu depois de tropeçar.

Todos viram a aura de Heitor cobrir Rael. Uma aura de um sétimo reino cobrindo um simples usuário do quarto. Nada aconteceu, Rael parecia não sentir nada. Ele ainda derrubou Heitor e o socou com o mesmo braço direito contra o chão.

Booooom!

Quem menos entendia era Heitor. Ele havia acabado de cair e receber um forte soco nas costas. Ele sentiu que seus ossos quase se quebraram de tanta dor. Sem mencionar o fato que ele estava liberando uma grande quantidade de raios e Rael estava completamente bem do lado dele.

O chão tinha até se rachado com o soco de Rael, que levantou a mão direita pronto para dar outro soco.

― Técnica Impulso do Trovão! ― gritou Heitor. Antes de Rael baixar o punho novamente Heitor levantou-se e correu sumindo.

― Rose me ajude! ― gritou Rael. Rose no mesmo instante ligou a consciência dela com a de Rael para compartilha a visão.

Rael não se virou porque com ajuda de Rose podia ver o vulto do corpo de Heitor circula ele.

― Agora quero ver você se livrar disso! ― gritou Heitor indo por trás de Rael e preparou o punho direito com uma imensa quantidade de raios.

― Punho Trovão! ― rugiu Heitor e acertou as costas de Rael. Na verdade ele pensou ter acertado porque ele basicamente atravessou Rael. Rael estendeu a mão direita e fez um arco no ar a frente no exato momento em que o confuso Heitor o atravessava. A mão de Rael conseguiu pegar as costas do pescoço de Heitor. Rael o puxou e sua cabeça caiu para trás enquanto ele se desequilibrava caindo de costas no chão.

― Impacto Invisivel! ― rugiu Rael e partiu com a mão esquerda pronto para aplicar o golpe no peito de Heitor no chão.

Heitor conseguiu rolar e fugir a tempo do tapa que parou no ar. Ele rolou para o lado e já se levantou em um salto.

― Parece que você tem alguns truques, me lembrarei deles a partir de agora ― disse Heitor friamente e acalmou a aura de raios do corpo se estabilizando. ― Você também parece ter uma alta resistência a raios, vamos ver como você se sair contra a força bruta ― disse Heitor e sacou um porrete de metal (parecido com um taco de basebol) que segurou nas duas mãos. O porrete foi coberto por uma energia roxa, a amplificação.

O sétimo reino amplificando o poder de uma arma era monstruoso, mesmo que fosse um elemento em segundo plano, Rael não podia ser descuidado.

Como um vulto ele dançou contra Rael aplicando o golpe contra o peito dele. Rael ergueu a mão direita no ar defendendo o ataque que explodiu em seu ante-braço.

Boooom!

Heitor ficou forçando o porrete contra o braço de Rael, ele não entendia como aquele braço podia ser tão resistente, mas ele já tinha percebido que Rael só usava esse braço para se defender, ele já vinha acompanhando as lutas de Rael a um tempo. Como um vulto ele sumiu e atacou Rael de lado que mais uma vez foi obrigado a ativar o (Espaço Ilusório). Heitor passou direto errando seu ataque e quando tentou contra atacar Heitor ele sumiu rapidamente e apareceu novamente do lado de Rael.

Boooom!

Crek! Crek!

Rael voou caindo de lado no chão depois de receber um golpe contra seu braço esquerdo. O impacto foi tão forte que o braço de Rael quebrou-se, entre o braço e o ante-braço. Rael se levantou com dificuldade e apoiou seu braço esquerdo com o direito encarando Heitor.

― Opa! Foi mal, eu pensei que seu braço esquerdo seria tão forte quanto o direito. Acho que exagerei ― disse Heitor sorrindo ironicamente.

Rael olhava para Heitor e parecia estar tendo uma estranha ilusão de algo que já havia acontecido antes, como um tipo de déjà vu. Ele teve ilusões que se misturavam com a realidade, como se fossem choques em sua vista, sumindo e voltando varias vezes seguida, hora ele via Isabela morrendo, hora ele via sua irmã Natalia…

― Não! Não! Não! ― gritou Rael sozinho e estendeu o braço direito para frente, sua respiração acelerou. Enquanto sua cabeça parecia brincar com a mente dele.

― Eu nem comecei ainda e você já ta delirando? ― perguntou Heitor sorrindo e bateu o porrete na mão se preparando para usar de novo. Rael nem estava mais olhando para ele…

 


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