O Herdeiro do Mundo

067 - Julgamento

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Rael sentiu toda sua pele queimar enquanto as ondas de energias se espalhavam. Ele perdeu completamente o controle de seu poder deixando seu real nível visível. Ana ficou do lado parada sem ousar se aproximar. De vez em quando olhava para Ralf. Ralf por sua vez estava lá sentado sem se importar assistindo a tudo. Ele já sabia que Rael estava quase passando de nível então entendia o que estava acontecendo.

O corpo de Rael foi coberto por uma intensa aura escura (Como da ultima vez que ele tinha passado de nível) até seus olhos ficaram escuros juntos. Para Ana aquilo era como está vendo um demônio, porque a aura que ela sentia agora de Rael, era tão fria que gelava até o coração dela.

Rael sentia a pele queimando como se alguém estivesse derramando acido nela, isso fazia ele gritar e se contorcer no chão. Ele apertava os braços no próprio corpo e rolava de um lado a outro. Não houve sofrimento de passar do terceiro para o quarto nível, apenas algumas contrações musculares sem muita dor, mas passar do quarto nível para o quinto, para Rael estava sendo um pesadelo.

Aquilo durou apenas cerca de um minuto, mas para Rael parecia ter sido horas de agonia. Quando suas energias finalmente se estabilizaram ele ainda estava respirando acelerado no chão.

― Ana me diz uma coisa, passar pro quinto reino é tão doloroso assim? ― perguntou Rael sem olhar para o lado, ele sabia que ela estava parada em pé lá.

― Um pouco, mas não me lembro de parecer tão doloroso quanto foi para você ― disse ela que não entendia como Rael a pouco estava a beira do terceiro reino e de repente, estava passando para o quinto.

― Eu sou uma pessoa diferente ― disse Rael com um sorriso enquanto se levantava. Ele estava todo suado e muito cansado ainda. Ana ficou em silencio.

― Vou querer testar essa resistência ganha, você me ajudaria? ― perguntou Rael se virando pra ela. Ele podia sentir a pele vibrar levemente com a energia circulando e isso dava a ele curiosidade de saber como estavam agora os seus limites.

― Acho que não tenho escolha ― disse ela com uma cara não muito boa. Ela ficou preocupada que Rael poderia estar passando mal, mas agora que ele estava bem ela estava um pouco emburrada.

― Não tem mesmo ― disse Rael ainda com aquele sorriso e preparou o corpo. ― Venha e me ataque com os punhos. Ataque meu peito, meu braço esquerdo, não comece com muita força ― ordenou Rael.

― Você acabou de passar de nível, não seria bom esperar um pouco antes? Agora a pouco você estava gritando de dor ― disse Ana sem muito animo.

― Não se preocupe a queimação já passou. Se você continuar se esforçando assim, fingindo toda essa preocupação por mim, vou começar a pensar que você está mesmo séria sobre isso ― disse Rael.

― Não fale besteira, estou sendo obrigada a ser boazinha com você. Você colocou aquela coisa em mim e tem aquela besta na entrada ― disse Ana sendo sincera olhando Ralf.

― Não tenha medo dele. Você sendo minha ele não vai te atacar ― disse Rael. Ana já tinha se preparado e levantado os punhos.

― Posso ir? ― perguntou ela.

― Claro venha ― disse Rael. Ana partiu socando Rael. Ela primeiro deu um soco no braço esquerdo depois outro no peito dele, ele nem se moveu do lugar. Ela parou e olhou Rael esperando resultados.

― Bata com mais força, eu não senti nada ― disse Rael. Ele já podia senti os efeitos em seu corpo. Era como se a pele estivesse coberta com uma couraça dura.

Ana aumentou a força e o numero de ataques. Conforme Rael pediu, depois ela usou toda sua força. Agora sim Rael sentiu os golpes e parou cansado depois de uma rodada. Ele tirou o sobre tudo e camiseta de manga longa olhando o peito. De fato havia algumas marcas vermelha na pele dos socos de Ana. Rael não tinha ficado invencível, mas sua resistência tinha melhorado muito mesmo no nível inicial. Se fosse antes pelo menos algumas costelas ele poderia ter quebrado, depois de algumas dezenas de socos, Ana não pegou leve.

― O que há de errado com seu braço? ― perguntou Ana curiosa olhando o braço azul de Rael.

― Foi minha mestra que me deu. Esse meu braço é resistente como aço, foi com ele que quebrei suas lâminas, você deve se lembrar ― disse Rael e se vestiu novamente. Ele não tinha medo de conta nada a Ana, sobre o efeito da (Ligação Sombria) ela não poderia abrir a boca para quem não era permitida. O braço parecia não ter mudado em nada, continuava do mesmo jeito de antes.

Do primeiro ao terceiro reino, a energia é somente interior e é canalizada para o corpo no uso de técnicas e durante batalhas. No quarto reino a energia se espalha pelos músculos do corpo, fazendo com que o usuário receba uma força física maior. No quinto reino a energia se espalha na pele, tornando o usuário mais resistente a medida que os níveis vão passando.

Rael liberou Ana mandando ela voltar para cidade, era hora de iniciar o plano. Como o patriarca tinha ligação com o clã Sarbaros, ele não podia deixar a morte de Fredy passar em vão, então Rael precisava trabalhar para não ser preso ou até banido do torneio.

Que Rael era culpado pela morte de Fredy isto era um fato imutável, Rael não podia mudar isso uma vez que a imagem de seu rosto havia sido enviada para o pilar da família. Ele já tinha confirmado tudo com Ana. Com sorte Fredy não tinha a Ligação da Alma, ele tinha apenas o registro. Na verdade isso era sorte pelo plano que Rael tinha em mente.

Horas depois Rael voltou para o território do clã e já foi cercado por dois guardas. Rael não resistiu e se deixou ser levado facilmente.

Na cidade havia um prédio de julgamento e ao lado uma prisão para infratores do próprio clã. Rael foi levado para uma das celas e deixado lá.

Não demorou mais que quinze minutos e Rayger já chegou junto a esposa perguntando a Rael o que havia acontecido mais cedo.

Rael contou toda a verdade dizendo que foi atacado por Fredy, mas ocultou a parte em que Ana o atacou junto. Ele disse que Fredy queria dinheiro, como Rael não quis ceder ele o atacou e Rael teve que se defender. Contou que havia uma mulher junto, mas a mesma não o atacou.

Rayger tinha muita influência e conseguiu libertar Rael de imediato, mas ele ainda precisava responder em julgamento pelos seus atos.

Naquela noite Rael teve que dar muitas explicações para sua esposa mesmo não gostando muito. Ele ainda não aceitava cem por cento, mas Mara, se preocupava com ele e era algo real, a moça realmente o amava depois do curto tempo que passaram juntos. Os pais dela também se preocupavam, em parte pelo bem-estar da própria filha e na outra, pela mestra por trás de Rael.


No dia seguinte os conselheiros e Eldes mais importantes se reuniam na sala de julgamento do prédio. O patriarca era quem dava a palavra final, por isso o assento mais importante do fundo era ocupado por ele. Hoje quem se fazia presente para decidir a palavra final era Elisa.

Os Elders tomaram seus lugares do lado esquerdo de Elisa e Rael ficou na cadeira no centro do salão, ao lado de Rael estava Rayger e Neide, enquanto Atrás deles, tinha fileiras e fileiras de bancos onde podiam se sentar qualquer pessoa presente.

Do lado direito deles estavam os acusados, o clã Sarbaros que obviamente tinham as provas (a imagem). Entre eles, o patriarca do clã, um homem forte de pele morena com cavanhaque, dois Elders, Heitor e Ana.

O salão foi quase lotado por vários curiosos que souberam do caso.

Minutos depois o julgamento começou. O patriarca Helks dos Sarbaros, expôs uma imagem de Rael em uma espécie de holograma, criado por uma pedra espiritual de informações, que poderia copiar imagens do pilar do clã. Essa imagem foi ultima coisa enviada pelo Registro da Alma de Fredy, de modo que provava que Rael era o culpado.

Aquela era a prova definitiva que Rael havia mesmo matado Fredy. De começo ninguém perguntou como, apenas expuseram a prova e fizeram a acusação. Heitor durante todo o começo estava com um meio sorriso de braços cruzados. Ele realmente não se importava com aquilo, para ele parecia ser tudo uma grande perca de tempo.

― Ele matou sim, mas foi em legitima defesa ― disse Rayger depois de se levantar, e a multidão cessou os comentários. Alguns não estavam preocupados com o fato de Rael matar Fredy e sim, dele ser do quarto reino e matar uma pessoa do quinto. Agora Rael estava no quinto reino e passava a ilusão que era do quarto.

― Sente-se. Vamos ouvir a pessoa que fez a denuncia do corpo, ela sabe dos detalhes porque também acompanhou todo o acontecimento ― disse Elisa se virando para Ana. Um silencio mortal se fez presente. Ana se levantou.

― Bom dia. Eu sou Ana Carolina. Eu era namorada de Fredy e estava lá quando tudo aconteceu ― quando ela começou a falar, podia-se ver um sorriso satisfeito nos lábios do patriarca Helks e nos de Elisa, mãe de Rael ― Eu tentei parar, tentei fazer Fredy desistir da ideia de tomar ouro de Samuel, ele não me ouvia, tudo que pude fazer foi assistir ele ameaçar e tentar matar Samuel para tomar o ouro a força ― disse Ana. Tanto Elisa quanto Helks pareciam que tinham engolido alguma coisa amarga agora. Heitor do lado abriu um sorriso satisfeito.

Como Heitor poderia se vingar de Rael se o mesmo fosse preso ou expulso do torneio? Quando o patriarca tentou se levantar para calar a boca de Ana, Heitor o segurou com uma mão no braço. Elisa estava sentada numa poltrona. Ela mordeu os lábios irritada olhando Helks com um olhar feroz, mas o mesmo não fez nada por causa de seu filho Heitor.

Rael tinha combinado com Ana, que ela deveria contar aquela historia, mas a mesma explicou que teria problemas se fizesse isso sem preparação. O patriarca dela poderia até expulsa-la do clã e isso arriscaria os planos futuros de Rael. Então Rael se lembrando das ameaças de Heitor em seu casamento, pediu que ela contasse a mesma história para Heitor, assim, Heitor poderia apoia-la,e acabaria podendo dizer a verdade.

Foi exatamente o que aconteceu. Rael usou Heitor para ajudar em sua inocência. Rael sempre foi inocente, mas aos olhos dos outros ele era um culpado.

Todo o conselho de Elders declarou Rael inocente, a própria mulher que mostrou o corpo havia declarado a verdade (para eles) então não restava mais duvidas.

Elisa não pôde fazer mais nada depois daquele depoimento. Ela pretendia prender Rael. Ela tinha uma raiva profunda de Rael desde o dia em que ele cruzou o seu caminho. Quando ela pensava sobre o estado em que sua pobre filha ficou naquela noite, não era Heitor que vinha em sua mente como culpado, era Rael.

O patriarca Helks se acalmou, ele entendia os planos de seu filho Heitor. Embora aquele não tinha sido o plano combinado com a mulher do patriarca.

No fim Rael foi inocentado e saiu livre de qualquer acusação. Ele continuou com direito de participar do torneio normalmente.

Os membros do clã Sarbaros não gostaram daquele resultado, mas tiveram que se contentar, não havia mais nada a ser feito.

Ana não foi expulsa, Heitor cuidou para que seu pai não fizesse nada a ela. Ele disse que ela fez exatamente o que ele havia pedido. Caso ela não tivesse feito então ele a mataria.

Heitor era o filho do patriarca Helks, em breve seria o homem casado com a filha do patriarca Torres. Em alguns anos Heitor estaria sendo o novo patriarca da família Torres, por isso, o pai já estava começando a tratar seu filho melhor.

― Não se preocupe pai, farei ele pagar por ter matado meu primo na frente de todos ― garantiu Heitor sorrindo quando o julgamento havia sido encerrado.


A cidade de Toravan estava muito movimentada com o recebimento de muitas visitas. Pousadas lotadas, casas alugadas. O povo não parava de chegar. Todos queriam saber quem ia no final ficar no trono da família Torres. A família mais importante do continente sul.


Rael não fez mais qualquer saída naquele dia. O Clã Sarbaros agora estaria de olho nele e Rayger nem precisava ter avisado. Agora Rael tinha uma informante que passava toda a situação.

Quando Rael precisava dos serviços de Ana, ele entrava em contato se concentrando nela. Ana recebia um chamado e tinha que correr para algum local escuro para retornar as mensagens de Rael. Estando em um quarto fechado, a moça podia ver uma sombra semelhante ao corpo de Rael e assim ela podia conversa que ele ouvia.

Ana contou que a família Sarbaros estava planejando a morte de Rael. Se ele saísse da cidade por qualquer razão, a ordem era para matá-lo imediatamente. Homens do décimo reino acima estariam prontos para cumprir essa ordem. Rael não tinha nem se quer o registro da alma, então uma vez que ele virasse alvo nada poderia ser descoberto. Eles não tinham medo nem mesmo de Rayger, uma vez que tinham o apoio do patriarca e a esposa do mesmo.

Heitor não estava por trás dessas ordens, ele já tinha planos para Rael e sua esposa durante o torneio. Ele queria Rael bem vivo até lá.

― Fredy era tão importante assim? ― perguntou Rael sozinho em um quarto, janela e porta fechada.

― Não era, eu penso que seja uma ordem de alguém de cima. Talvez você tenha provocado alguém maior, a mulher do patriarca por exemplo. Ela não ficou feliz naquele dia com meu depoimento ― disse Ana. Rael podia ouvir ela como se fosse um pensamento, assim como ela o ouvia da mesma forma quando usavam esse método de comunicação.

― Fique de olho e qualquer informação a mais me chame ― disse Rael liberando Ana.

Rael não ousou ser descuidado e se manteve o resto do tempo sobrando cultivando seguro em casa. O dia do torneio finalmente chegou…

 


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