O Herdeiro do Mundo

066 - Ligação Sombria

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Rael não esperou muito tempo para pensar sobre o que fazer. Ele se concentrou e conjurou Ralf. Logicamente ele não poderia ser mais rápido que uma mulher do quinto reino com a liberação da Liberdade (O Vento), mas Ralf seria.

― Pegue-a ― disse Rael. Ralf mal apareceu e já se virou correndo na direção da mulher. Ele saltou e bateu as asas ganhando altura e mais velocidade. A mulher já estava longe correndo entre as arvores na mais rápida velocidade que conseguia.

Ralf voou por cima das arvores cobrindo terreno rapidamente conseguindo se aproximar dela. Quando ela percebeu uma sombra a cobrindo já era tarde. Ela só conseguiu se virar a tempo de ver as enormes patas caindo por cima de seus ombros. A mulher foi deitada no chão de peito para cima. Seus dois braços e ombro ficaram presos nas patas de Ralf. Ralf esperou Rael chegar.

A mulher tinha lutado para sair, gritado, se rebatido, mas era inútil, mesmo usando sua energia ela não conseguia afastar Ralf. Ela não entendia, porque a besta a capturou e estava apenas a segurando, ela não tinha percebido que Ralf tinha surgido de Rael.

Rael chegou meio minuto depois dela ser presa no chão. Ralf ficou esperando ordens olhando Rael.

― Para quem não ouviu meu conselho antes até que você está lutando bem para sobreviver não? ― Perguntou Rael. A mulher não sabia o que dizer, porque Rael estava se aproximando dela e da besta sem nenhum cuidado. Aquilo era muito estranho.

― Agora estou pensando sobre o que fazer com você. Depois de ver o quanto você lutou para sobreviver eu fiquei um pouco comovido ― disse Rael e parou de frente a ela. Rael ficou a meio metro de Ralf e isso já provava que a besta não tinha interesse nele e que Rael não tinha medo da besta.

― Olha desculpa o que tentei fazer antes, eu fui uma tola, agora por favor, me ajuda, eu não quero virar comida de besta. Se você me ajudar eu faço qualquer coisa ― a mulher pediu tendo cuidado ao falar muito alto para não chamar demais a atenção de Ralf.

― Faz qualquer coisa é? ― Perguntou Rael olhando ela.

― Você me achou bonita não foi? Me tira daqui e eu serei sua, só me salva por favor ― a mulher desesperada para sobreviver começou a prometer qualquer coisa.

Rael antes não tinha nenhum plano a não ser acabar com ela, mas depois de ouvir o que ela disse antes sobre o patriarca ele começou a pensar melhor, porque de fato se o que ele disse fosse verdade ele poderia acabar se complicando sem meios de provar que foram eles que o atacaram.

Rael também sentia seu poder no auge do quarto reino. Estando a um passo do quinto então não precisaria matá-la para completar a passagem de reino.

― Eu vou te dar outra chance de viver, então espero que você mantenha sua palavra. Você será minha ― disse Rael. Ana não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas Rael parecia controlar aquela besta.

― Ana quero que me escute, você não terá outra chance. Essa besta que está te segurando se chama Ralf e ele obedece a mim, se eu mandar ele acabar com você agora pode apostar que ele o fará sem pensar duas vezes. Você entendeu? ― Perguntou Rael. Ana não podia duvidar de Rael, ele já estava a algum tempo parado do lado e a besta nem ligava.

― Eu entendi ― disse ela porque Rael estava esperando a confirmação.

― Muito bem, eu vou mandar ele te soltar, se você tentar fugir de mim mais uma vez então ele irá estraçalhar você e destruir completamente seu corpo, mandarei ele te devorar sem piedade e mesmo se você implorar e prometer dezenas de coisas diferentes eu não ouvirei ― disse Rael friamente. Ana ficou com uma expressão azul de preocupação e medo.

― Ralf, pode soltar ela, mas se ela tentar fugir pode matá-la e devorá-la da forma que você quiser ― ordenou Rael. ― Agora solte-a.

Ralf obedeceu tirando as patas de cima dela e ficou com o rabo balançando doido para brincar, ele queria que Ana realmente tentasse fugir para a diversão dele começar.

Ana se levantou devagar e tinha medo até de se mexer, ela se tremia inteira. Ela não tinha nenhuma ideia de como Rael controlava aquela besta, mas sabia que se tentasse fugir seria mesmo devorada. Ralf não tirava os olhos nenhum momento de cima dela.

― Certo é um bom começo ― disse Rael satisfeito por ela ser obediente. Rael em seguida pulou em cima das costas de Ralf e sentou-se, depois estendeu a mão para Ana.

― Agora venha comigo, suba ― disse Rael. Ralf ficou olhando de lado para ela com olhos fixados. Ana continuava tremula de medo e não ousava nem pensar em fugir.

― Ele não vai me atacar? ― perguntou ela olhando apreensiva para Ralf.

― É claro que vai, continue me desobedecendo assim e você não vai durar muito ― disse Rael friamente. Ana estendeu a mão e foi puxada para cima. Ela foi sentada na frente de Rael que circulou seus braços por baixo da barriga dela.

― Vamos partir Ralf, procure uma caverna para mim ― disse Rael.

Ralf subiu levando os dois aos céus. Ana estava muito assustada porque estava seguindo um homem que poderia tirar sua vida a qualquer momento com apenas uma ordem.

Depois de alguns minutos Ralf finalmente pousou depois de Rael confirmar uma caverna deserta.

― Você fique aqui parada e não se mexa ― disse Rael para ela, depois de pular e ajudá-la a descer. Ana ficou em pé do lado de Ralf com as mãos juntas na altura do peito, ela não parava de se tremer. ― Se ela tentar fugir pode matá-la ― disse Rael lembrando Ralf que fez um sim com a cabeça mostrando os dentes afiados e a língua enquanto continuava balançando o rabo. Ana engoliu um pouco de saliva sempre com o coração pulsando enquanto observava Ralf.

Rael entrou e olhou o local com calma. O lugar não era tão escuro e nem tão claro, era perfeito para o seu plano. Ele se agachou próximo ao fundo, ativou sua energia da vida ficando com a ponta do dedo indicador coberta por uma energia verde, a mesma que ele usou para prender o papel e a garrafa nas flechas (na época que salvou Isabela). Usando a energia, Rael foi fazendo o desenho circular de quase dois metros redondos, depois ele cortou uma beirada como se fizesse uma lua em (Quarto minguante). Fazendo uma linha na beirada em arco.

― Acho que é isso ― disse Rael depois de se levantar e olhar o desenho brilhante de cima. Ele tinha aquele desenho em sua mente tão perfeito que era impossível ele errar e não era nada ensinado por Violeta, era algo que ele mesmo sabia, o conhecimento que vinha daquela estranha biblioteca de seus sonhos.

Rael voltou para a entrada e encontrou Ana lá parada da mesma forma que a viu da última vez. Ela estava muito assustada até para se mexer.

― Venha Ana, está na hora de você cumprir sua palavra de ser minha. Ralf venha junto e proteja a entrada, se ela tentar fugir então pode matá-la ― Rael não tinha nenhuma piedade em sempre lembrar a ordem mortal. Ana se tremia sempre que ouvia os comandos de Rael. Toda vez que ela olhava para Ralf ele via aqueles olhos afiados de olho nela.

A caverna era bem escura mais para o fundo onde Rael havia feito o desenho. Conforme ela entrou, Ralf ficou esperando na entrada apertada, ele sentou-se ali e ficou olhando o que aconteceria de longe. Ana agora pensava que Rael realmente queria o corpo dela, talvez ele a matasse depois, ela não tinha como ter certeza.

― O que você vai fazer comigo depois? ― Perguntou a mulher se tremendo. Ela não tinha rotas de fuga, e ainda por cima iria se deixar ser tomada pelo homem que matou seu namorado. Isso não era como um terrível destino?

― O que farei com você depois? Isso depende de sua lealdade é claro. Se você me servir bem do começo até o fim, então eu libertarei você no final e deixarei você viver sua vida em paz ― explicou Rael.

Ana ficou parada em frente a Rael e segurava o braço esquerdo com o direito, ela estava com medo por não saber o que iria acontecer.

― Devo tirar minha roupa? ― Perguntou ela porque Rael ficou a encarando por alguns segundos.

― Tirar sua roupa? Para que? ― perguntou Rael.

― Você disse que eu seria sua ― disse ela um pouco confusa.

― É verdade eu disse, mas não foi nesse sentido ― disse Rael abrindo um sorriso, Ana só podia ver porque estava bem perto, a luz aqui chegava fraca porque a entrada estava longe deles. ― Me diga uma coisa Ana, no seu clã vocês tem escravos? ― perguntou Rael.

― Alguns por que? ―perguntou ela.

― O sentido em que eu disse que você será minha é semelhante a ser minha escrava, você não poderá me trair e obedecerá a todas as minhas ordens. Você escolhe agora, morra livre ou siga em frente e se torne minha ― disse Rael e deu um passo para o lado estendendo a mão direita. Ana não podia ver com clareza, mas lá estava o circulo verde desenhado por Rael.

― O que significa isso? ― Perguntou ela.

― Entre na roda e se ajoelhe a mim ― Disse Rael.

― Você não pode me transformar em escrava, você não tem o pergaminho, você não tem pessoas suficientes para fazer o ritual ― disse ela surpresa.

― Você já viu o ritual usado com o pergaminho? Eu só vi ele em livros. Bom esse é diferente. Agora entre e pare de me fazer perder tempo. Você me deu sua palavra ― disse Rael.

Ana olhou mais uma vez para a entrada vendo Ralf sentado lá sem tirar os olhos dela. Rael era alguém misterioso, ela não duvidava de que ele ia fazer algo. Ele controlava uma besta, tinha um poder mais baixo e ainda era mais forte que ela, tinha uma técnica misteriosa que matava cultivadores do quinto reino com um só ataque. Então o que mais ele não poderia fazer?

― Por favor, me deixe ir, eu não contarei pra ninguém sobre isso. Eu juro que vou dizer a verdade que fomos nós que te atacamos, você não precisa fazer isso ― ela tentou implorar pela ultima vez.

― Ana eu não vou repetir. Você escolhe agora entrar no círculo e se ajoelhar para mim ou virar comida do meu amiguinho ali na entrada ― disse Rael impaciente. Ana olhou para baixo e sem dizer mais nada caminhou para dentro do círculo, depois virou-se e se ajoelhou para Rael como foi pedido.

― Fico feliz que você tenha tomado essa decisão ― comentou Rael estendendo a mão direita e apoiando na cabeça dela. Ana no susto olhou para Rael de olhos arregalados quase já querendo se levantar, Rael a empurrou com a mão mantendo ela ajoelhada. ― Não se mexa! Eu não vou machucar você ― explicou ele. Ana se acalmou. O coração dela estava batendo como um trovão no peito.

― Eu vou enviar minha energia em você, se tentar resistir então eu vou tomar isso como uma reação e vou te matar ― disse Rael deixando a situação dela clara.

Rael não podia escravizar pessoas como os outros e nem pretendia, o que ele queria fazer com Ana era um pouco diferente. Ele sabia agora que seus conhecimentos misteriosos eram tirados daquela biblioteca de seus sonhos. Tal conhecimento, ele tinha aprendido na mesma prateleira de livros sobre escravidão. O poder escuridão, tinha uma técnica secreta proibida chamada “Ligação Sombria” essa técnica estava ligada a algo maior, mas Rael não tinha certeza, tudo que ele sabia é que poderia usá-la.

Rael continuou espalhando energia no corpo de Ana. A mulher não resistiu mesmo estando com muito medo, ela manteve a cabeça baixa durante a maior parte do tempo, e chegou a ver um estranho reflexo da sombra de Rael se juntar a dela, talvez ela só estivesse vendo coisas não tinha certeza.

― Ligação Sombria completar! ― Disse Rael. Correntes escuras surgiram no chão em volta da sombra de Ana e depois se apertaram na sombra dela, fisicamente ela não sentiu nada além de um calafrio na espinha. O lugar estava escuro, mas a entrada liberava um pouco de luz que permitia a visão das sombras.

Durante todo o processo depois que Rael encostou a mão na cabeça dela, as linhas circulares do símbolo brilhavam e só foram apagar no final quando Rael tirou a mão da cabeça dela.

― Pronto está completo, já pode se levantar ― disse Rael satisfeito.

― O que você fez comigo? ― Perguntou Ana apreensiva olhando Rael enquanto se levantava.

― Criei uma ligação entre nós, você não pode mais me trair e me obedecerá daqui em diante ― disse Rael.

― O que você quer dizer com isso? ― Perguntou ela e olhou para trás de si mesma pelo menos umas duas vezes seguidas, ela podia senti uma presença ameaçadora atrás dela, como se tivesse a vigiando o tempo inteiro. Quase como se sua vida estivesse sendo apertada por garras invisíveis.

― Você deve estar sentindo uma presença atrás de você ― disse Rael e Ana se voltou para ele nervosa e preocupada com o coração mais uma vez aos saltos. ― Não precisa se preocupar, desde que você seja leal nada vai te acontecer. Agora quando você estiver prestes a tentar me trair, vai sentir no seu peito um frio e terá seu coração apertado para lembrar a quem você deve obediência ― explicou Rael.

― Isso não pode ser possível, eu nunca ouvi falar de nada assim antes ― disse ela preocupada e levou as mãos ao próprio rosto.

― Quer testar? Eu te ajudo ― disse Rael e cruzou os braços. ― Ana Carolina, quero que me diga, o que você pensa em fazer quando estiver longe de mim? ― perguntou Rael.

― Eu? Eu vou… ― Ela estava se preparando para mentir e sentiu como se uma mão apertasse seu coração por dentro. Ela olhou para trás e ficou paralisada, havia uma sombra gigante maior que ela, deformada e com dentes afiados. Uma das mãos da sombra estava levantada no ar e balançava as garras, a outra estava dentro de suas costas como se ela fosse transparente. A coisa era toda escura, nem mesmo Rael podia ver o terror que Ana estava vendo agora.

― Quando você tentar desobedecer minha ordem você será alertada por um aviso sutil, se continua insistindo você começará a ter pesadelos todas as vezes que dormir, se mesmo depois de todos os avisos você continuar tentando me desobedecer ou me trair, então você terá seu coração espremido como um tomate podre e morrerá ― disse Rael seriamente.

― Faz ele sumir! Faz ele me soltar, por favor! ― Ana gritava em pânico.

― Responda minha pergunta com a verdade e ele irá deixar você em paz ― disse Rael. Ana voltou a olhar para Rael, mesmo sendo difícil ignorar aquele monstro maligno atrás dela.

― Eu ia trair você, ia mentir para os Elders do meu clã que estão na cidade, ia dizer que você nos perseguiu e matou Fredy, tudo para tentar ficar comigo ― disse ela nervosa.

― Você se acha muito hein? Só porque disse que você era bonita ― disse Rael inconformado. Ana respirou aliviada porque a presença atrás dela diminuiu e ela sentiu seu coração ser libertado daquele frio e aquela pressão horripilante.

― Segunda pergunta. O que pensa em fazer a partir de agora? ― Perguntou Rael.

― Vou te obedecer, eu juro que vou obedecer, não quero morrer ― disse ela rapidamente. Depois de sentir aquela presença terrível momento antes, ela já acreditava em todas as palavras de Rael e não duvidava que se o traísse seria morta.

― Isso é ótimo ― disse Rael satisfeito e descruzou os braços. ― Agora que estamos entendidos eu direi o que você fará a partir de agora.


Rael passou um bom tempo conversando com Ana e explicando o que ela deveria fazer a partir de agora. Ela ouviu tudo em silencio e se conformou com seu destino cruel que teria de agora em diante.

― Eu sei que você gosta de ouro, não sou um monstro como você pensa que sou. Se você me obedecer e for leal a mim eu vou te libertar e ainda te deixarei rica, é isso que você queria antes não é? Então seja obediente e você será recompensada mesmo que eu não precise fazer isso no final ― disse Rael.

Rael sentiu seu poder chegar no limite e antes de sair da caverna, ele perdeu todo o controle caindo no chão em frente a Ana que saltou de lado assustada.

― Samuel? ― Perguntou ela preocupada. Isso porque era ele quem controlava Ralf, a besta poderia pensar que ela é quem tinha feito aquilo com Rael.

― Aaaaaaah! ― Rael gritou sentindo todo seu corpo querer se rasgar enquanto seu poder se espalhava em sua pele…




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