O Herdeiro do Mundo

063 - Aumentando a Lista

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Quando Rael ouviu aquilo ele arregalou os olhos surpreso e virou-se na mesma hora para Mara.

― Você o que? ― Rael perguntou para ter certeza.

― Eu disse que estava grávida ― repetiu a moça sorrindo. Rael continuou de olhos arregalados e virou-se de lado com a boca semi-aberta, tudo que ele menos queria que acontecesse estava acontecendo.

― Você não está feliz com a noticia? ― perguntou Mara ficando um pouco ansiosa.

― Como você sabe que já está grávida? Passou tão pouco tempo desde que nós estamos juntos ― disse Rael preocupado voltando a olhar a moça.

― Eu fui ao medico esses dias, ele consegue saber mesmo se estiver a duas semanas. É um método de concentrar a energia no corpo. Eu ainda não contei aos meus pais, mas em breve contarei ― disse Mara e beijou o rosto de Rael voltando a sorrir.

Para Rael aquilo parecia ser um pesadelo. Como um pesadelo poderia vim de algo tão bom? Rael não queria ter filhos, ainda por cima, com uma mulher que ele não sabia ainda direito o que faria com ela no futuro próximo.

― Deixe-me ver ― disse Rael estendendo a mão esquerda e tocando no ventre de Mara. Então ele fechou os olhos e concentrou a energia enviando para o corpo dela. Mara não lutou contra e deixou Rael confirmar. Rael sentiu uma pequena energia sendo formada naquele lugar, ele conseguiu sentir um pouco de essência de vida que não era de Mara. Ela estava certa. Quando Rael retirou a mão de lado sua expressão já era de alguém que não tinha mais salvação, ele seria mesmo pai.

― Você também conseguiu sentir? ― perguntou a moça ansiosa. Rael tinha experiências medicas então ela confiava nele.

― Sim você está grávida ― disse Rael. Sua expressão continuava horrível. Mara percebeu imediatamente que Rael não estava contente.

― Qual é o problema Samuel? Por que você não está feliz? Não queria ter um filho comigo? ― perguntou Mara.

― Eu não queria essa responsabilidade agora Mara, ainda é muito cedo para qualquer um de nós dois. Precisamos nos concentrar no cultivo e tudo o mais ― disse Rael.

― Isso é o de menos, temos pessoas e servos que podem ajudar na criação. Ele não vai tomar nosso tempo. Nós temos todas as condições favoráveis para tê-lo. Temos dinheiro, uma família poderosa, nos amamos, eu não vejo problema. Nosso filho será bem criado ― disse Mara tentando confortar Rael.

Se fosse uma situação normal com um homem normal. Ele estaria saltando de alegria e comemorando. Ter filhos com tal mulher garantiria seu futuro e sua permanência no clã talvez até para sempre. Rael por outro lado estava desanimado, porque isso significava que ele jamais poderia tentar machucar Mara. Ela seria mãe de seu filho ou filha, Rael não poderia colocar sua vingança contra um ser que não tinha culpa nenhuma, e tirar a mãe desse ser, já era como fazer mal ao mesmo.

Rael também já estava dividido sobre o que fazer, mesmo antes daquilo, então ele não podia colocar toda a culpa de sua atual situação nesse filho que viria. Porque ele estava começando a gostar de Mara, ou talvez, fosse apenas vicio, nem ele tinha certeza sobre isso.

― Samuel! Você fica com essa cara faz parecer que até odeia, se não está feliz tudo bem, mas ficar com essa cara também não da ― Mara se levantou da banheira irritada e saiu deixando Rael daquele jeito.

― Se você não quer minha presença vou me retirar ― disse a moça e começou a se vestir. Rael continuou ali travado na banheira. Ele ainda não sabia o que fazer a respeito.

Mara não entendia os sentimentos de Rael, e por isso estava um pouco magoada. Mesmo depois de vestida Rael não disse nada, então ela se retirou deixando Rael sozinho na banheira. Rael ainda continuava pensando.


Três horas depois Rael estava em frente ao quarto de Mara. Depois de pensar bastante ele não tinha decidido nada, mas ficar longe dela, não ia ajudá-lo de qualquer modo.

― Entre ― disse Mara abrindo a porta depois de Rael chama. Ela ainda estava um pouco chateada por causa da maneira que Rael reagiu mais cedo por isso aparentou um ar sério e não alegre como geralmente ela ficava com as visitas de Rael.

Rael entrou em silencio e ficou parado esperando Mara fecha a porta.

― O que tem a dizer? ― perguntou Mara.

― Não tem mais jeito, então no fim só posso aceitar. Existem coisas sobre mim que você não sabe, no futuro eu mostrarei. Talvez você aceite, talvez não aceite, isso não importa agora.

― Qualquer coisa que você quiser me contar importa sim, sou sua noiva, sua futura esposa, então estou pronta para ouvir qualquer coisa ― se dispôs Mara.

― Não você não está pronta ― disse Rael com um meio sorriso. ― Esqueça o que eu falei ― disse Rael e já começou a tirar a própria camiseta. ― Eu to morrendo de saudades de você, então vá tirando logo essa roupa ― disse Rael mais animado.

― No fim você só ta me enrolando para consegui uma transa ― disse Mara cruzando os braços. Ela ficou mais satisfeita depois de ver que Rael estava aceitando melhor.

― Enrolando pra conseguir transar? Não se engane, você é minha então é certo que eu nem preciso pedir para ter você. E falando nisso por que ainda está vestida? ― questionou Rael fazendo uma cara bem séria. Mara riu mostrando todos os dentes da frente.

― Eu não sou um objeto Samuel, tome cuidado como você me trata ― disse Mara tentando parecer durona, na verdade ela já estava bem animada.

― Então eu mesmo terei que arrancar suas roupas? ― perguntou Rael abrindo os braços como se fosse pegar Mara. No primeiro instante ela fugiu de um lado a outro enquanto Rael a cercava. No fim ela não aguentou mais e se atirou rindo nos braços de Rael. Então os dois foram se beijando enquanto riam e entrando no clima.

No meio dos beijos roupas eram atiradas em qualquer direção e em poucos segundos os dois já estavam nus. Rael carregou aquele belo corpo nu nos braços e a deitou gentilmente na cama. Depois ele subiu por cima dela.

― Está tão gentil comigo hoje? Por que será? ― perguntou Mara curiosa.

― Ainda pergunta? Idiota ― disse Rael e beijou o pescoço dela. Ela sorriu apertando os lábios satisfeita sem Rael perceber, e o abraçou enquanto fechava os olhos, aproveitando aquele momento.

Os dois transaram aproveitando cada momento e cada toque. Beijos, caricias, Rael não foi tão bruto como costumava ser, o que deixou Mara um pouco chateada, mas no fim ela também sentiu um sentimento quente que crescia em seu peito. Rael mostrou que se importava com o ser que crescia ganhando vida dentro dela, e aquilo para ela, era muito mais valioso do que o desejo estúpido de sentir mais prazer.

Na primeira pausa que fizeram, ficaram deitados lado a lado. Como sempre Mara se agarrou no braço esquerdo de Rael ficando de lado para ele, enquanto ele estava de peito para cima.

― Eu quero saber sobre o torneio, quando ele será realizado, e se você ainda vai participar? ― perguntou Rael.

― É claro que eu vou, sou a única que tem alguma chance de vencer o tal Heitor ― disse Mara.

― Mas você está no quinto reino, como espera vencer alguém do sétimo? ― questionou Rael.

― Você não vence pessoas de níveis maiores que o seu? Por que eu não posso? Meu pai está preparando uma coisa, de qualquer forma nós vamos vencer ― disse Mara.

― Preparando o que Mara? ― perguntou Rael.

― Tem coisas que você não me conta, então também não te conto ― disse ela.

― Tanto faz ― disse Rael se contentando depois de olha ela e voltar a olhar para cima ― se a maioria sabe que não tem chance por que ainda vão lutar? ― perguntou Rael.

― Não é só a primeira colocação que ganha algo. Os três próximos colocados elevam os pais a uma posição no conselho. Nesse momento meu pai é o primeiro Elder e um dos conselheiros. Nesse torneio o primeiro lugar eleva o patriarca, o segundo, terceiro e quarto, elevam os três próximos conselheiros. Tudo é baseado na força dos filhos ― explicou Mara.

No dia seguinte Rael passou boa parte do tempo cultivando, ele sentia que estava próximo de chegar no nível dez (Atualmente ele ainda estava no Quarto reino nível nove). Como tinha treinado por vários dias suas técnicas e seu braço direito, ele achou melhor empregar o resto dos dias em sua força.

No dia anterior de tarde, ele havia ficado com ela e até passaram a noite juntos. Os dois já não se importavam mais com aparências, uma vez que Neide e Rayger já sabiam que os dois andavam se pegando.

No segundo dia Rael foi procurar por Mara e não a encontrou. Rayger havia chegado e levado a filha sem qualquer aviso. Neide apenas disse para Rael não se preocupar ela voltaria em dois ou três dias. Neide não quis dar qualquer detalhe a mais.

De noite sem nada pra fazer Rael ficou andando pela cidade. Ele já tinha se acostumado com algumas auras, principalmente a da irmã.

Naquela noite ele por acaso sentiu que a irmã estava próxima. Rael como sempre ocultou sua energia e seguiu para próximo do local. Era uma das casas ao fundo do clã. Rael as vezes passava aqui e acreditava que a casa era abandonada, porque as portas e janelas sempre estavam fechada e nunca sentia ninguém. Mas naquele momento ele sentiu outra presença junto a Natalia. Era Heitor, Rael pôde confirmar porque cruzou com ele um certo dia durante uma mera caminhada voltando da muralha onde treinava.

Rael também notou que não havia nenhum guarda próximo a muralha perto da casa, parecia que era tudo já preparado.

― Só vai doer no começo depois não dói mais, você só precisa aguenta um pouco. Lembre-se que seu pai mesmo já me deu permissão para eu tê-la, então você não tem que se preocupar ― disse a voz masculina que Rael pouco conhecia. Rael nunca tinha ouvido Heitor falar antes de perto, mas soube que seria ele por só haver duas presenças.

― Por favor para! Ta doendo! ― Natalia gritava chorando desesperada. Rael que estava próximo a porta ouviu a conversa e na mesma hora sentiu o sangue ferver, porque ele sabia muito bem o que estava acontecendo.

Boooom!

Rael chutou a porta e entrou na sala sem mais esperar. Ele encontrou Heitor segurando os braços de Natalia contra a parede, os dois estavam em pé. O rosto dela estava ensanguentado, olho roxo e nariz sangrando. A saia e calcinha dela estavam rasgadas. A calcinha estava caída em um pé porque teve a tira de um lado arrancado. Heitor já estava com o instrumento duro pra fora próximo do local dela, ele com certeza já tinha machucado a garota. Porque Havia muito sangue escorrendo daquele lugar da virilha dela.

Quando Rael viu aquilo seus olhos se arregalaram e seu coração ecoou como um trovão no peito. Seu braço direito na mesma hora começou a tremer, sua fúria foi tão grande que Rael perdeu a noção até de estar vivo. Seus olhos se escureceram como uma noite sem vida e seu braço direito parecia tremer como um terremoto.

Heitor vendo Rael se intrometendo em seu caminho jogou Natalia para trás, virou-se enquanto guardava seu instrumento de volta nas cuecas e depois subiu a calça. Ele percebeu a formação monstruosa de energia em Rael, mas não teve medo, porque Rael ainda passava ser alguém de um mero terceiro reino.

― Eu não imaginei receber visitas estando em um momento intimo com minha noiva. Isso foi muito rude da sua parte ― disse Heitor sorrindo descaradamente.

― VOCÊ MEXEU COM MINHA IRMÃ! EU VOU TE MATAR! ― Rael gritou e avançou carregando energia no braço direito contra Heitor. A manga do sobretudo de Rael do braço direito estava transbordando em ondas elétricas, ela se balançava violentamente.

Heitor sorriu preparando seu próprio punho direito que seguiu contra o de Rael. O impacto estava quase ocorrendo quando Rael lembrou-se de Natalia que estava atrás de Heitor.

Booooom!

Rael segurou a maior parte de sua força no ultimo segundo. Heitor deu meio passo para trás depois do forte impacto e Rael salto um metro para trás propositalmente. Mesas e cadeiras próximas foram destroçadas pelos raios que saíram descontrolados do braço de direito de Rael, mas não era só isso, a força do impacto dos dois até chegou a rachar o chão.

― Impressionante, você aparenta ser só um terceiro reino tosco, mas me mostra uma força dessas ― disse Heitor com um sorriso. Heitor não tinha tomado um único arranhão, ele era afinal um cultivador do sétimo reino e nem se esforçou muito para se proteger de Rael, o que ele não sabia é que Rael conteve sua força para não machucar Natalia indiretamente.

Natalia estava encolhida no canto da parede com os joelhos cruzados e braços abraçados sobre eles. Ela olhava tremula para a direção dos dois.

― Seu maldito! Venha aqui para fora se você tiver coragem! Eu vou arrancar sua cabeça e dar seu corpo para alimentar o Ralf! ― Rael estava irado, tão irado que estava até falando coisas que não poderiam ser faladas.

― Por que tanta raiva? Só por que estou namorando minha noiva? Vai dizer que você não tem uma? Hã? Você por acaso não comeria uma garota linda dessas se tivesse a chance? E você nem imagina o quanto ela é boa! Eu apenas coloquei um pouco e já me deu tanto tesão ― Heitor tinha decidido que mataria Rael como um porco, mas depois de ver Rael tão fora de si ele começou a tirar uma com a cara dele.

Rael estava ali de dentes travados, punhos fechados e tentando controlar o braço direito que não parava de querer juntar energia. Se não fosse por Natalia ele certamente não teria se segurado.

― Desgraçado! Saia para fora se tiver coragem! ― Rael continuava ameaçando.

― Você acha mesmo que tem chances contra mim? Você realmente acredita nisso? Você é uma piada cara. Está apenas tentando jogar o lixo de sua vida fora ― disse Heitor rindo.

― Seu… seu…

― Não me diga que você gostava dessa menina? Você a chamou de irmã a pouco não foi? A entendi. Você está apaixonado por ela, que coisa, eu cheguei primeiro então você deveria se contentar ― disse Heitor que continuava provocando Rael.

― Por que você não sai? ― Rael não parava de repetir, estava a cada momento mais furioso e Heitor percebeu que quanto mais falava em Natalia pior Rael ficava.

― Escute, ela pra mim é só um brinquedo, aqui ela é considerada como a primeira beldade do clã Torres, mas essa coitada nem tem corpo. De onde eu venho, tenho duas mulheres muito mais gostosas que essa pirralha, pra mim ela é apenas um passa tempo. Depois que eu garantir o futuro dos pais dela, vou arrastá-la comigo para o meu clã e farei o que quiser com ela ― quando Heitor disse essas palavras ele olhou friamente para Rael mostrando um sorriso maligno.

― DESGRAÇADO!…

― O que está acontecendo aqui? ― perguntou uma voz feminina atrás de Rael bem no momento em que Rael já ia saltar em cima de Heitor novamente. Era Elisa. Logo que ela viu a cena ficou confusa por um breve momento.

― Mãe Elisa que bom ver a senhora. Eu só estava namorando minha noiva quando esse idiota apareceu ― disse Heitor descaradamente enquanto relaxava o corpo. Ele sorria ironicamente olhando Rael.

― Mãe! ― Natalia gritou chorando, se levantou e correu nua abraçando a mãe com força enquanto chorava. Qualquer um podia ver a mancha de sangue que tinha descido nas pernas dela.

― Heitor eu falei que você só poderia ter feito tal coisa depois que se casasse! ― disse Elisa nervosa e tirou do bracelete um cobertor envolvendo a própria filha que não parava de chorar com o rosto escondido no peito da mãe.

― Eu não sabia que a mãe tinha mais poder de comando que o pai ― disse Heitor mantendo o sorriso sínico. Rael continuava ali se tremendo encarando Heitor, mas agora já estava conseguindo reunir as idéias para não continuar sendo descuidado.

― E você saia daqui, antes que eu chame os guardas ― disse Elisa duramente contra Rael.

― Você não é a mãe dela? Como pode deixar isso acontecer? ― perguntou Rael se controlando o máximo que podia.

― Você não tem direito algum de dizer qualquer palavra a mim, você não faz parte dessa família. Agora suma antes que eu denuncie você por ter atacado meu genro ― Elisa falava friamente com Rael

― Eu nunca vou perdoá-la ― disse Rael e virou-se. Depois saiu caminhando sem olhar para trás carregando todo o ódio em seu coração. Heitor havia acabado de entrar em sua lista de pessoas que precisavam morrer.




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