O Herdeiro do Mundo

062 - Gravidez

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

 

Luana fez os dois pararem o beijo na hora. E ficou aquele clima estranho. Isabela começou a se recobrar da realidade.

― Nossa! Quarto errado! Podem continuar ― disse Luana já tentando puxar a porta de volta.

Rael praticamente voou em cima de Luana com o empurrão de Isabela e dois quase vão para chão juntos.

Paaaa!

A porta bateu com tanta força que um pouco de terra caiu das beiradas da porta. Rael ainda estava se recuperando do empurrão meio que se segurando em Luana.

― O que deu nela? ― perguntou Luana soltando Rael. Porque claramente ela tinha visto Isabela beijando Rael e ninguém poderia dizer que ela não estava querendo fazer aquilo. Então depois Isabela simplesmente atira Rael para longe.

― Sei lá ela é doida, uma hora ela diz que me ama e me beija, na outra diz que me odeia e quer me bater, vai saber ― disse Rael dando as costas para Luana e seguindo para a escada.

― Sério? Vocês já estão nessa fase e mal começaram a ficar? ― perguntou Luana sorrindo.

― Eu sei o que quero, agora ela, eu já não sei ― disse Rael já sumindo da visão de Luana.

― Até mais ― disse Luana rindo.


Voltando a rua, Rael caminhou pela calçada pensando no reencontro com Isabela. Definitivamente havia algo de muito estranho no relacionamento entre eles, mas Rael não sabia dizer o que era, tudo que ele sentia era que Isabela era dele de alguma maneira.

O passeio pela cidade foi continuando enquanto Rael ia atravessando para chegar ao território do clã. As vezes ele era parado por algumas pessoas que o reconheciam, pessoas do clã que estavam pela cidade e depois seguia caminho. Rael não parava de receber parabéns pelo noivado dos puxa sacos.

Finalmente de volta ao clã, Rael atravessou os portões e seguiu para a casa de Mara. Ele não parava de ouvir algo sobre o noivado da filha do patriarca. “Ela é tão nova, nem completou quinze anos e já virou noiva” “Eu ouvi dizer que o noivo dela está no sétimo reino com apenas trinta anos, é um verdadeiro gênio” “O patriarca finalmente mostrou as cartas” “A vitoria do patriarca já está garantida, quem diria que ele usaria a própria filha como material de troca”.

A frente da casa do patriarca havia uma movimentação de pessoas entrando e saindo. As ruas estavam lotadas de carruagens e pessoas importantes. Todos estavam ali para mostrar seu apoio ao mais possível vencedor. Rael via até mesmo pessoas que tinham visitado Rayger antes. “Algumas pessoas mudam de opinião muito rápido”. Pensou Rael.

Curioso com aquela movimentação Rael aproximou-se e foi entrando no meio da aglomeração. Então ele conseguiu visão para a sala por causa da porta aberta, havia um homem jovem bem vestido de boa aparência, alto, de cabelos longos e escuros, pele branca e magro, ele apoiava um dos braços nos ombros de Natalia. Romeo e Elisa estavam conversando com os convidados enquanto pareciam apresentar o jovem.

Todos em volta pareciam muito felizes e animados, a mesma cena que Rael viu na casa de Rayger. Um bando de puxa sacos caras de pau.

Rael na mesma hora ficou com raiva. Ele podia ver no sorriso da irmã um olhar deprimido e sabia que ela não estava gostando. Já o jovem estava com um sorriso ousado, havia até mesmo um toque de arrogância. Rael não precisou ver mais nada, ele saiu voltando por dentro da multidão e foi para casa de Rayger.

Rael chegou de mau humor no casarão de Rayger. Depois de ouvir os comentários e ver a suposta situação ele entendeu tudo. Sua irmã estava sendo forçada a um casamento que ela com certeza não queria. Isso o fez se lembrar do que Rika disse sobre pedir para Violeta pegar Natalia. Rael apertou os punhos, irritado por ainda não ter força de destruir seus inimigos e salvar sua irmã. Ele jamais pediria ajuda para Violeta, porque ele tinha seu próprio orgulho e não dependeria de um poder que não era dele. Violeta também deixou claro que não ajudaria.

― Samuel meu querido! Você voltou só agora? Ficamos preocupados, você não retornou nenhum contato ― perguntou Neide o encontrando no corredor e já chegou o abraçando levemente. Ela estava vestida de calça e uma blusa leve, mas nunca perdia seu ar gracioso.

― A desculpe, minha mestra mandou tirar assim que chegamos lá ― mentiu Rael. Ele mesmo tinha tirado o anel para não ficar sendo aborrecido.

― Querido eu e meu marido ficamos tão preocupados, você não mandou qualquer mensagem ― disse Neide.

― É que eu procuro não irritar minha mestra ― mentiu Rael novamente. Rael tinha andado um tempo pela cidade e chegou bem depois do horário de almoço. Ele estava com fome.

― E a sua noiva Rose? Onde ela está?

― Ela não pôde vir, teve um problema na família ― explicou Rael.

― Isso é uma pena.

― Senhora Neide estou com fome, o que tem pra comer? ― perguntou antes que ela pudesse continuar com suas reclamações ou perguntas.

― Vamos resolver isso agora mesmo ― disse ela empurrando carinhosamente o ombro de Rael. Os dois passaram a caminhar.

― E onde está o senhor Rayger e minha Mara? ― perguntou Rael.

― Você já não deveria estar nos chamando de mãe e pai? Eu iria ficar muito feliz se você me chamasse de mãe ― disse ela.

― Nem minha mestra que me treinou por anos eu não chamo de mãe, imagine a senhora ― disse Rael.

― Ora você ― disse Neide e apertou a orelha de Rael levemente como uma brincadeira. Rael apenas se soltou e continuou andando.

― Sobre Mara, ela está treinando no quintal, depois de comer você poderá ir vê-la.

Na cozinha Neide mandou os escravos saírem e ela mesma começou a esquentar as panelas. Rael ficou sentado na cadeira esperando.

― O casa do patriarca está bem movimentada ― comentou Rael. Neide estava de costas para ele de frente ao fogão de lenha.

― Foi uma surpresa para todos nós. O patriarca voltou com um homem e anunciou publicamente que ele é o noivo de Natalia. Pelas leis imperiais uma mulher só pode se casar tendo no mínimo dezesseis anos, mas ele conseguiu um documento dando direito a fazer esse casamento ― explicou Neide. Ela parecia um pouco aborrecida.

― Isso é um problema? ― perguntou Rael.

― Ele usou a influencia do próprio clã para conseguir uma documentação e forçar um casamento antes do tempo. Natalia tem apenas catorze anos, ela ainda não está preparada para ser esposa ― disse Neide.

― Não sabia que vocês se preocupavam com a outra parte da família, uma vez que todos estão tentando derrubar o patriarca ― observou Rael.

― Isso é normal dentro de famílias com poder, todos queremos um pedaço do bolo no fim das contas, mas sacrificar o futuro da própria filha é algo que eu acho tão errado.

― E quem é esse cara? Ele é forte?

― É muito forte. Ele se chama Heitor, tem trinta anos e está atualmente no sétimo reino no segundo nível. Ele é um gênio sem igual e não temos ninguém que possa enfrentá-lo.

― Trinta anos? ― perguntou Rael chocado.

― Sim você ouviu bem, trinta anos. Ele veio de um clã pequeno chamado Sarbaros, situado por trás das Montanhas Pontudas ao Sul. O que sabemos é que o patriarca visitou essa região algumas poucas vezes.

― Ele fez tudo isso pra assegurar que não vai perder a liderança? ― perguntou Rael surpreso.

― Eu não esperava menos do homem que já sujou suas próprias mãos no passado. Samuel talvez você não saiba, mas você está em um covil de cobras. Eu não estou querendo me gabar, mas na nossa família inteira acho que somos uma das poucas famílias descentes.

― Ele sujou as mãos? Do que está falando? ― perguntou Rael

― Não é um assunto que você possa conhecer, mas se quer um conselho, fique longe daquela família, principalmente do patriarca. Ele é um homem frio e cruel. Eu e meu marido estamos sempre lutando para tomar o poder da família.

― E se aparecesse agora um homem no oitavo reino com trinta anos querendo se casar com Mara. O que vocês iriam fazer? Iriam cancelar meu noivado para assegurar o futuro do clã? ― perguntou Rael.

― Jamais faríamos isso. Somos diferentes dos pais de Natalia. Sempre pensamos no melhor pros nossos filhos, se Mara não te quisesse nenhum de nós a forçaria a nada. Também admito que sempre tentamos assustá-la  dizendo que se ela não achasse um noivo, então nós acharíamos ― disse Neide e olhou de lado piscando um dos olhos para Rael enquanto sorria.

― E quais são as chances de alguém vencer esse tal de Heitor? ― perguntou Rael.

― No momento não temos, mas meu marido está trabalhando nisso.

― Isso também imagino que deva ser segredo? ― perguntou Rael.

― É claro, quando você já for da família então poderá ter mais informações ― disse ela.


Depois de comer Rael foi para o quintal e encontrou Mara treinando com um cultivador do qual ele não conseguia sentir o nível.

Mara estava usando um conjunto de vestimentas de batalha, calça de couro vermelha e um camiseta da mesma cor com mangas curtas, nos pés um par de tênis escuros, nos braços protetores de couro escuro que cobriam parte do braço e todo ante-braço.

Ela lutava segurando nas duas mãos uma Espada de porte médio, tinha lâmina vermelha sangue, empunhadura escura com um anel protetor antes do da lâmina e uma cordinha branca presa na ponta baixa do punho.

O seu treinador, mestre ou seja lá o que era ficava se esquivando dos ataques dela e dando dicas enquanto continuava fugindo. Havia uma aura sombria cinza em Mara, que dava reflexos nela parecendo que deixava vultos para trás. Ela constantemente usava técnicas misteriosas, que faziam seu corpo sumir e reaparecer em algum ponto cego do inimigo.

Rael ficou parado diante de Sol da tarde assistindo o treino. Mara só foi notar a presença dele segundos depois. Quando ela o viu, largou o seu treinador, guardou a espada no próprio bracelete e se aproximou correndo de Rael.

― Samuel você voltou, eu estava com tantas saudades ― ela já chegou envolvendo os braços no pescoço de Rael e o beijando sem aviso. Mesmo suada ela ainda estava cheirosa. Os dois se beijaram por alguns segundos e ela finalmente o soltou.

― Sério? Eu nem me lembrava que você existia ― disse Rael tirando uma com a cara de Mara. Ela sorriu porque poderia dizer que ele estava mentindo.

― E como foi o seu treinamento com sua mestra? ― perguntou ela já lançando seus instintos em Rael e descobriu que ele ainda estava no mesmo nível.

― Foi um treino de técnicas não teve nada haver com níveis ― disse Rael com certo desanimo.

― Oh sério? Que pena eu pensei que você fosse me surpreender novamente. Eu tentei falar com você, mandei tantos chamados, você nunca me respondia― reclamou Mara.

― Eu não estava com o anel ― disse Rael de volta.

― O que adianta minha mãe te dar um anel de comunicação e você não usar? ― perguntou Mara.

― Eu nunca prometi que usaria ― disse Rael querendo fugir do assunto.

― E Rose onde ela está? ―perguntou Mara que já estava acostumado a ver Rael sendo seguido pela bela jovem de cabelos azuis.

― Ficou com a mestra, problemas familiares, algo assim ― disse Rael novamente.

― Quer ir para o meu quarto? ― perguntou Mara. Rael já sabia do que se tratava.

― E o seu treino?

― Dane-se o treino! Só me deixe tomar um banho antes, ou se preferi tome um banho comigo ― propôs a moça.


Rael e Mara foram para a sala de banho. Sentado dentro da banheira com água rasa, Mara começou a lavar as costas de Rael. Os dois estavam nus.

― Sua pele é tão boa Samuel, as vezes eu até penso que você é de mentira ― disse a moça atrás de Rael. Mara Aproximou a boca e beijou o pescoço dele. Rael se arrepiou todo por um instante.

Mara não era exagerada em elogiar Rael. Ele tinha o sangue de Violeta em suas veias o que o deixava mais atraente aos olhos das mulheres. Isso sem mencionar outras qualidades.

A presença de Mara também já não deixava mais Rael irritado. Ele ficou se perguntando quando começou a pensar daquela forma. Parecia que Violeta tinha mesmo razão sobre ele no fim das contas. Mas ele nunca deixaria de se vingar do clã e se Mara ficasse em seu caminho, ela também encontraria seu fim. Rael pensou isso e teve certeza que mataria ela se fosse preciso.

― Quando estávamos vindo você disse que tinha algo importante a contar, o que era? ― perguntou Rael de olhos fechados relaxado enquanto Mara esfregava as costas dele com uma bucha.

― Eu ainda não contei nem pros meus pais, quero fazer uma surpresa então você precisa manter segredo sobre isso ― disse Mara. Rael continuava despreocupado de olhos fechados.

― Que surpresa Mara? ― perguntou Rael.

― Nossos esforços já deram resultado ― disse ela fazendo uma pausa e encostou a boca no ouvido de Rael. ― Eu estou grávida.




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