O Herdeiro do Mundo

061 - Obediência e Confiança

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Isabela parou a espada centímetros antes da mão direita de Rael que já estava no ar preparada para pegar. Rael avançou a mão agarrando a lâmina e puxou para si, isso fez Isabela se atrapalhar como qualquer um ficaria quando alguém tenta puxar sua espada pela lâmina. Isabela avançou em Rael e seu corpo pareceu até perder um pouco as forças.

Tomando Isabela nos braços, Rael deixou a espada cair no chão do lado agarrou Isabela a envolvendo em seus braços, sem qualquer tempo de espera ele tomou os lábios dela. Isabela tentou fugir, não teve tempo. Seus lábios foram apertados pelos de Rael e suas costas seguradas sem ter nenhum meio de escapar daquilo.

Os lábios de Isabela eram com certeza os melhores, tão bons quanto os de Violeta. Embora Isabela estivesse tentando lutar para se soltar ela não conseguia, com os olhos apertados ela acompanhava Rael quase em um tipo de transe, onde ela queria devolver o beijo e ao mesmo tempo não queria.

Rael chupava aquela língua deliciosa enquanto sentia aquelas lábios macios e molhados, isso sem mencionar os peitos de Isabela se apertando no peito de Rael. O corpo dela perto dele parecia que ia pegar fogo.

O beijo durou alguns segundos até Rael deixar ela respirar mas não a soltou. Isabela ficou com o rosto virado de lado respirando confusa. Seus pensamentos estavam tão desordenados. Ela não encontrava forças para lutar contra Rael e não conseguia entender porque isso continuava acontecendo. Ela tentou realmente machucar Rael pelo menos um pouco para assustá-lo, mas parou a lâmina porque não queria feri-lo nem mesmo de leve.

― Será que você não sente isso? Vai continuar mentindo para mim e para você mesma? ― perguntou Rael sem soltar Isabela. Ela continuava com o rosto virado de lado enquanto se acalmava, ainda estava nos braços dele.

― Me deixe em paz ― pediu ela quase sem força na própria voz.

― Te deixar em paz? Farei isso quando você assumir o que sente por mim e parar de tentar fugir. Principalmente de dizer que me odeia ― disse Rael.

― Você já tem duas noivas, será que elas não são suficiente? ― insistiu Isabela sempre olhando para o lado. Ela tinha medo de se virar e Rael beijá-la novamente.

― Qual é o problema? Eu posso ter dez e ainda querer ter você, isso pra mim não está errado ― disse Rael.

― Você é um cafajeste sem vergonha ― disse Isabela irritada. Ela continuava presa nos braços de Rael. Seu corpo parecia não querer obedecer. Ela não conseguia lutar, não é que ela não quisesse é que seu corpo não a obedecia e ela estava com medo que ele percebesse isso.

― Vocês estão hospedados na cidade para acompanhar meu casamento não é? ― perguntou Rael agora pensando com cuidado e mesmo sem ter vontade de soltar, ele soltou Isabela liberando ela de seus braços.

Isabela saiu e deu um passo adiante sem se virar para ele. Ela ainda estava em um tipo estado no qual não sabia como reagir ou o que fazer. Seu corpo não lutava contra Rael e essa não era a primeira vez. Rael não estava usando nenhuma habilidade, nem se quer nenhuma aura de poder, então porque aquilo continuava acontecendo? Porque justamente ela que gostava de liberdade estava se deixando levar por ele? O pior é que mesmo não parecendo Isabela adorou aquele beijo e ela odiava pensar nisso.

― Vá embora! Você já teve o que queria não teve? ― perguntou Isabela olhando de lado. Ela praticamente mordeu os lábios de raiva.

― De você querer só um beijo? Se eu fosse ter tudo o queria de você nem todo o resto do dia e a noite seria o suficiente para me satisfazer ― disse Rael despreocupadamente. Isabela continuou furiosa encarando Rael.

― Você! Se você ousar dizer qualquer coisa sobre esses seus desejos imundos eu juro que eu vou realmente te matar! ― ela ameaçou de novo. Rael nunca deu qualquer atenção a Isabela sobre suas ameaças.

― Vai mesmo? Pela minha contagem eu já deveria ter sido morto por você pele menos uma dezena de vezes ― disse Rael coçando o queixo.

― Ora seu… ― Isabela nem sabia mais o que dizer tamanha era sua confusão.

― Vão ficar quanto tempo por aqui? ― perguntou Rael olhando em volta. Então ele foi até a janela e olhou a rua enquanto esperava a resposta de Isabela.

― Agora que você sabe onde estamos iremos embora assim que você sair ― disse Isabela sempre irritada.

― Pensei que ia ver o meu casamento ― disse Rael se voltando a ela.

― E quem liga para a droga do seu casamento? ― perguntou Isabela irritada.

― É isso é verdade ― disse Rael e se sentou na cama. ― Eu só estou me casando com ela para me infiltrar na família. A família que em breve eu destruirei ― ele estava tão a vontade que nem mesmo percebeu o que estava falando.

Isabela ouviu aquilo e ficou em silencio olhando Rael sentado na cama. Mas seu coração pulsou levemente, como se o que ele estivesse dizendo fosse algo doloroso e importante.

― Por que você quer destruir essa família? ― perguntou Isabela se aproximando de Rael pela beirada com medo de Rael avançar nela de novo. Ela estava ansiosa e estranhamente preocupada.

― Eu sou o filho do patriarca que desapareceu anos atrás. Nasci aleijado e era a vergonha do clã, cerca de cinco anos atrás fui apunhalado nas costas e jogado de um penhasco. Eu morri e fui trazido de volta por um tipo de Deus e então fui apresentado para minha mestra Violeta, que me deu esse braço ― disse Rael levantando o braço direito. ― desde então passei por um treinamento intenso apenas para voltar e me vingar de todos.

― Cinco anos atrás você morreu? Por acaso isso foi de noite? De madrugada? ― perguntou Isabela apreensiva.

― Foi sim, eles me acordaram no meio da noite e me levaram. Antes de me matar cada um deles retirou a mascara e eu pude ver que eram guardas da muralha do clã, eles admitiram que as ordens foram dos meus pais ― Rael contou tudo despreocupadamente. Uma história que só Violeta, Rose e Rika sabia além do velho.

Isabela acabou se lembrando do que Violeta havia perguntado a ela na ilha.

― Cerca decinco anos atrás em uma madrugada, Você sentiu uma dor profunda em seu coração como se sua vida perdesse o sentido não foi? Sentiu como se sua existência tivesse perdido o sentido, mas depois aquele sentimento desapareceu misteriosamente e toda dor se foi ― Violeta tinha feito essa pergunta na ilha. Isabela ficou tão chocada que perdeu as palavras, porque Violeta descreveu exatamente o que tinha acontecido a ela e com o tempo em anos preciso. Na época ela ainda perguntou para Violeta.

 Como sabe disso? Me diga? ― Violeta não respondeu apenas voou indo embora a deixando sozinha. Tudo que Violeta queria na época era arrancar aquela resposta dela.

Rael parecia ter dormido na própria mente enquanto pensava em sua história. Isabela se sentou ao lado dele depois de ouvir aquilo.

― Sua mestra Violeta é uma ruiva bonita? ― perguntou Isabela. Rael virou de lado surpreso.

― É sim como você a conhece? ― perguntou ele.

― Já nos encontramos uma vez a algum tempo atrás, não posso falar sobre isso ela pediu segredo ― disse Isabela.

― Me fale logo ― disse Rael impaciente.

― Foi na ilha depois que você me salvou, ela apareceu para mim, conversou um pouco e foi embora ― disse Isabela e depois enrugou as sobrancelhas se virando para Rael irritada. ― Você pare de me dar ordens! ― reclamou ela.

― Por que Violeta apareceu pra você na ilha? Eu não entendo ― disse Rael mais consigo mesmo do que pra Isabela. ― O que vocês conversaram? ― perguntou Rael.

― Não é da sua conta eu disse que era segredo ― disse Isabela de volta e se virou para o outro lado.

― Tudo bem! Se fosse importante Violeta iria me dizer ― disse Rael e saltou da cama ficando de pé. ― Eu disse algumas coisas e espero que guarde segredo, meu clã não sabe sobre mim e isso deve continuar assim ― disse Rael apenas para confirmar.

― Eu não contarei a ninguém ― disse Isabela. ― Mas por que você me disse isso? Você não precisava ter contado nada.

― Porque confio em você. Uma vez você me perguntou sobre a minha história, como eu não queria mentir nós discutimos. Agora que você é minha futura mulher então decidi confiar e te contar a verdade ― explicou Rael.

― Já disse que não sou sua futura mulher! É melhor que você entenda isso de uma vez ― reclamou Isabela irritada.

― Você disse que me ama, é meio tarde para continuar insistindo com isso não acha? ― perguntou Rael. Isabela que tinha se acalmado voltou a ficar irritada.

― Eu não disse porque queria, seu cafajeste! Você me obrigou a dizer! ― ela rugiu de volta.

― Obriguei? Não me lembro disso. Agora diga a verdade, você me ama ou não me ama afinal ― perguntou Rael.

― Amo! Eu já disse que te amo! ― Isabela não queria dizer aquilo. Ela queria gritar que o odiava mas o que saiu foi outra coisa. Então ela só podia abaixa a cabeça e olhar atrapalhada em volta. Será que ela estava bem?

― Eu não entendo você, uma hora diz que me odeia e depois diz que me ama, você é completamente doida ― disse Rael olhando Isabela com um olhar sério.

― Doida? Como você ousa me tratar assim! ― Isabela se levantou da cama ainda mais irritada. Rael deixava a mente dela um caos.

― Ué? Se não é então haja naturalmente, porque você me deixa confuso com essa forma de dizer cem coisas diferentes ― explicou Rael.

― Você… ― Isabela ameaçou e depois se Calou olhando inconformada para o lado.

― Mesmo assim gosto de você. Você é tão linda que mesmo sendo um pouco doida eu não vejo problema nisso.

― Não acha que sua visita já não está demorando demais? Acho melhor você ir embora ― disse Isabela de mau humor ignorando a ultima sentença de Rael. Ela não podia discordar de Rael porque sua mente realmente estava estranha. Então o jeito era mandá-lo embora.

― Estamos sozinhos aqui, a gente bem que poderia aproveitar melhor esse tempo. Qual dessas é a sua cama? ― perguntou Rael olhando em volta.

― Fora daqui! Seu cafajeste! Tarado! ― gritou Isabela e empurrou Rael para frente. Embora tenha o pegado de surpresa ele nem chegou a cair, foi um empurrão tão de leve que apenas serviu para o assustar.

― Não precisa ficar tão irritada ― disse Rael de volta.

― Você ta achando que sou uma prostituta? Seu sem vergonha! ― Isabela tinha ficado vermelha e envergonhada de raiva. Porque Rael parecia ter falado bem sério mesmo, se ele falasse aquilo como uma ordem, ela tinha medo de não consegui evitar e obedecer ele. Ela já tinha notado que obedecia aos comandos dele, não conseguia mentir e nem conseguia lutar contra, mas ela não seria louca de mencionar esse fato a ele.

― Eu nunca pensei isso de você, só acho que se nós dois nos amamos então isso seria natural de se fazer ― explicou Rael.

― Fora! Saia! ― Isabela praticamente saiu empurrando Rael até a porta e gritando sem parar. Ela não queria deixar-lo falar de tanto medo que ele pudesse perceber.

― Ta bom já entendi, mas antes deu ir me de outro beijo ― disse Rael. Os braços que o empurravam o agarraram e a irritada Isabela se tornou serena beijando Rael como ele pediu. Os dois ficaram se beijando por vários segundos até a porta de trás de Rael se abrir e entrar Luana que pegou os dois bem em cima do ato.