O Herdeiro do Mundo

059 - Rika Revoltada

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Pela manhã Rael acordou confuso. Ele se lembrava de ter tido um estranho sonho com uma biblioteca e com Violeta. Quanto mais ele pensava sobre o sonho mais estranho parecia ser, então ele deixou a ideia de lado rapidamente, afinal, era só um sonho.

Durante o café ele até olhou para Violeta varias vezes pensando em pergunta sobre a biblioteca, mas isso não seria um absurdo? Perguntar a alguém sobre um sonho que ele mesmo havia sonhado? No fim acabou não perguntando nada.

Naquela manhã Rika e Rose estavam estranhamente envergonhadas, porque elas podiam enganar Rael, não Violeta, que olhava para as duas com um sorriso meio escondido e um olhar de indagação como se perguntasse: “E então quando vão tentar de novo?”. Hora, Violeta sabia que aquelas duas estavam querendo atacar Rael, mas em sua vida ela nunca imaginou que iria ver uma cena em que mãe e filha entrariam em ação na mesma noite por um só homem. Pra tudo tinha uma primeira vez e isso não deixava de ser engraçado para Violeta.

Rael depois do café decidiu dar uma saída. Ele precisava se precaver de futuros problemas e por isso foi atrás de algumas ervas.

Algumas ele encontrou, outras ele comprou com comerciantes nas cidades mais próximas. Rael não tinha medo de deixar seu rosto exposto porque ele não devia nada a ninguém. Varias pessoas até o reconheciam e se mantinham bem interessadas, Rael era afinal noivo de Mara e poucas pessoas no continente Sul não sabiam disso.

Depois de achar um local tranquilo. Rael juntou as ervas, a fôrma, a fornalha e se pôs a trabalhar. Em menos de quinze minutos ele tinha em mãos dez pílulas brancas perfeitas. Cada uma daquelas pílulas evitaria que ele engravidasse uma mulher por pelo menos um mês.

Rael pretendia ajudar Rose e Rika, mas ele não queria de jeito nenhum ter filhos agora mesmo que fosse pelo desejo delas. Para Rael que sofreu horrores em sua família quando criança, ser filho era algo cruel e que trazia sofrimento. Ele não pensava muito a respeito sobre futuros diferentes, ele apenas se lembrava dele e o quanto desejou nunca ter nascido naquela época, então ele tinha sim medo, muito medo de fazer alguém nesse mundo ter algum destino parecido.

Rael engoliu a pílula e guardou todo o resto. Em minutos a pílula faria efeito em seu organismo e ele poderia morrer transando com Rose ou Rika e ainda sim não ia engravidar nenhuma das duas por pelo menos um mês. Na verdade não engravidaria ninguém. Depois que Rael acordou essa manhã ele sabia tudo que tinha que fazer para não correr os riscos.

O problema nesse momento era só Mara, que ele tinha feito antes de tomar a pílula. Mas como Violeta dissera, havia uma chance de acontecer e não acontecer. Rael ainda teria tempo de tomar uma atitude, mas queria apostar na possibilidade do não aconteceu.

Voltando para o esconderijo Rael descobriu duas coisas. A primeira Violeta tinha saído e a segunda era uma Rika bem furiosa depois de espiar a mente de Rael.

― Você! Como ousa tomar tal atitude egoísta? ― assim que Rika leu as intenções de Rael ela imediatamente passou a ficar furiosa. Toda aquela vontade que ela tinha de se deitar com Rael desapareceu rapidamente. Rael ignorou os pensamentos, a revolta dela e desceu sozinho para treinar, ele tinha seus próprios ideais de não se dobrar para ninguém além de Violeta que tinha sido sua mestra. Violeta em nenhum momento tinha dito a ele para ter filhos.

Rika tinha ficado extremamente revoltada. Se Rael não tivesse Violeta, ela certamente não seria tão boazinha. Sua filha Rose entendia a mãe e também estava triste, porque a mãe passou a situação para a filha. Mas Rose não tinha apenas o desejo insano de ter filhos, depois de ter ficado com Rael naqueles dias e ter visto aquelas coisas, seu corpo estava curioso e ela tinha curiosidade de sentir, saber como era aquela ligação, que fazia o rosto de Mara perder o controle.

Por causa da atitude de Rael, ele perdeu sua mestra de treinamento para o braço direito o que o deixou meio chateado, mas ele não mudaria de ideia. Rika também não deixou que Rose descesse para ver Rael porque sabia que diferente dela a filha o aceitaria.

― Você não vai se deitar com ele enquanto aquele medicamento não passar, esta me entendendo? Se ele não vai nos dar o que queremos você também não vai ― a ordem foi clara e Rose teve que concorda. Rika estava mesmo furiosa com Rael.

Violeta só voltou de tarde e entendeu a raiva que Rika estava tendo, era afinal justificável, o que ela não entendia eram os ideais de Rael. Isso gerou um conflito durante alguns dias. Rael continuou sem ajuda de Rika e Rose afastada dele por conta da mãe. Nem mesmo a noite Rose podia visitar o quarto de Rael porque toda vez que fechava a essência sua mãe a pegava saindo do quarto.

Rael por sua vez ficou seguro de si e não foi atrás das duas. Ele tinha tomado a decisão então não voltaria atrás e continuaria com sua medicação mesmo que Rika não mais o ajuda-se. Eles tinham discutido mais vezes na mente do que se podia contar e em todas Rael rejeitava a ideia de Rika. Ele gritava mentalmente que não ia ter filhos agora por mais que Rika implorasse dizendo que ele não precisava se responsabilizar. Toda vez que discutiam Rael se lembrava dele mesmo abandonado pelos pais. Rika sempre dizia que ia dar um futuro bom a essas crianças e ele não tinha que ter medo, mas Rael continuava não se dobrando.

Rika sempre o lembrava do presente, das coisas que vinha fazendo por ele como o treino e tudo o mais. Então Rael atacava ela de volta sobre ter salvo Rose e tudo ficava por isso mesmo. Quem mais estava sofrendo no meio dessa guerra era Rose, que só queria poder ficar com Rael.

Já faltava dez dias antes do casamento até já tinha passado da data combinada com Rayger para voltar. Então Rael se despediu, ele pretendia voltar. Rika por sua vez continuava furiosa com Rael e como ela sabia que Rael queria pega sua filha, ela decidiu não deixar Rose voltar com ele.

Violeta não sabia o que dizer. Aqueles dois pareciam que nunca iam se entender e isso sobrava para Rose que era forçada a ficar no meio do muro.

No fim Rael partiu mesmo sem Rose e por um lado ele não achou aquilo ruim, pelo menos era uma pessoa a menos para sua preocupação.


Depois de Rael partir Rika e Violeta ficaram sozinhas na sala. Isso porque Rose irritada com a mãe saiu para a caverna de treinos. Rose não queria ficar longe de Rael, ainda mais agora que eles poderiam…

― Você é ingênua demais Rika ― disse Violeta.

― Eu? Você sabe o motivo que me levou a evo-luir, sabe o por-que eu fiz essa escolha e me chama de in-gênua? ― perguntou Rika de volta.

― Eu não sei se você já sabe, mas seus corpos atuais precisam ser treinados. Mesmo que Rael não tivesse usado aquela pílula vocês ainda não poderiam engravidar. A energia celestial de vocês ainda não se acostumou com esses corpos. Para a gravidez ocorrer vocês precisariam praticar no mínimo dezenas de vezes antes, talvez até um centena ― explicou Violeta.

― Conversa ― disse Rika que não queria acreditar naquilo.

― E o que eu ganharia mentindo pra você?

― Como um ho-mem travado vai nos ajudar em al-guma coisa? ― perguntou Rika de volta virando o rosto para o lado.

― No processo sexual. Você pode entender isso da seguinte maneira. Nesse momento as veias que levariam seu ventre a gerar uma criança estão fechadas, conforme você praticaria elas iriam se abrir até finalmente você ter o que tanto desejava. Mesmo que Rael não pudesse dar a você o que tanto quer agora, ainda sim essas veias estão fechadas e só abriram com pratica. Mesmo assim você manteve Rose longe dele durante todos esses dias que ele ficou aqui.

Quando Violeta terminou de dizer aquelas palavras Rika não sabia se acreditava. Mas ela ainda estava furiosa demais, mesmo que Violeta tivesse razão Rael tinha agido de um modo muito egoísta e ela não poderia perdoa-lo tão facilmente. Mas ela não deixou de pensar que suas ações estavam atrasando a chance de gravidez.


Rael desceu de Ralf cinco quilômetros antes da capital. Ele não sabia até onde iria a extensão de segurança daquela cidade tendo o clã Torres e a família imperial.

Quase meia hora depois Rael chegou nos portões da cidade. Dois guardas ao verem Rael mostraram suas lanças impedindo que ele passasse pelo portão.

― Alto! Quem é você e o que está querendo fazer na capital? ― perguntou o guarda da esquerda. Sempre que chegava alguém eles adoravam tentar arrancar alguma grana.

― Você não me reconhecem? Eu sou Samuel, noivo de Mara do clã Torres ― disse Rael despreocupadamente.

― Você noivo de uma mestra do clã Torres? Há! Então eu sou o imperador Elidas ― o mesmo guarda riu duvidando das palavras de Rael. O guarda da direita voltou a lança para trás e disse no ouvido do outro.

― Talvez seja ele mesmo, ouvi dizer que o noivo de Mara era um homem ruivo, forte e jovem.

― Um noivo que anda sem protetores e sem defesa por ai? Você acredita mesmo que poderia ser um fracassado desses? ― perguntou o guarda da esquerda rindo e o da direita teve que concordar que realmente não fazia sentido.

― É sério que vocês não vão me deixar entrar? Se eu chegar mais atrasado do que estou e contar ao pai da minha noiva sobre isso, o senhor Rayger, ele não ira gostar muito ― disse Rael calmamente olhando os dois homens de armaduras pesadas a frente.

― Isso se sua história fosse verdade hahaha ― o guarda da esquerda continuava sem acreditar. O da direita também riu, seu parceiro afinal tinha razão, alguém depois de virar noivo de tal mestra, não andaria sem defesas.

― Então posso saber o motivo de não me deixarem entrar? Considerando que não acreditam em mim deve ter outra razão além dessa ― perguntou Rael.

― Desconfiamos que você possa ser um delinquente, então não podemos deixar que entre tão facilmente ― disse o da esquerda de novo.

― Entendi, então eu gostaria saber como poderia fazer para que os senhores me deixem entrar? Como podemos passar por essa situação? ― perguntou Rael.

― Se você está realmente interessado em demonstrar que estamos errados sobre você, uma quantia de dez moedas de ouro seria o suficiente para retirarmos todos os nossos maus pensamentos a seu respeito ― disse o mesmo guarda percebendo que Rael tinha caído em sua lábia.

― Certo eu pagarei senhor Mendes Aruno e senhor Gustavo Corcelio ― disse Rael depois de ler os nomes deles em pequenas placas que ficavam expostas a frente no peitoral da armadura. ― E assim que eu voltar ao clã Torres e contar sobre o que os senhores desconfiaram que eu seria, vou querer esse valor vinte vezes de volta para perdoá-los ― disse Rael estendendo as dez moedas na mão com um sorriso.

Mendes que era o guarda da esquerda continuava firme e já lançou as mãos para agarrar as dez moedas. Não tinha como um homem como Rael sem nenhuma proteção ser por fim aquilo que ele dizia ser, mas um fato ainda queimava no peito dele. Rael tinha tirado dez moedas de ouro bem facilmente e não parecia se importa com isso. Geralmente eles pediam dez e o outro lado barganhava para baixar o valor, Rael não tinha tentado barganhar.

Naquele momento uma carruagem do clã Torres entrou na vista deles, no mesmo momento em que Mendes puxava as moedas de Rael. A carruagem se aproximou chegando a todos estavam parados. A carruagem parou em frente aos três esperando os portões terminarem de se abrir.

Um homem gordo, careca e branco saiu da carruagem depois de ver Rael. Ele era um dos homens que tinha dado presentes esperando a futura vitoria do ramo da família por parte de Rayger.

― Samuel é mesmo você? Que surpresa encontrá-lo por aqui. Por acaso o que está fazendo aqui parado? Seu casamento será daqui a poucos dias não é mesmo? ― perguntou o homem animado. Os dois guardas começaram a suar frio.

― Ola senhor Nouran é um prazer revê-lo ― disse Rael com um sorriso animado. ― Estou aqui tendo que pagar minha entrada para a cidade, porque esses dois cavaleiros, acham que eu sou algum tipo de delinquente. Disse a eles que era noivo de Mara, mas eles não estão acreditando ― disse Rael sem a menor pena. Rael não tinha dó de ninguém que entrasse em seu caminho, mesmo que ele usasse sua própria família traiçoeira para ensinar uma lição a alguém, ele ainda ensinaria se tivesse chance.

― Vocês dois tem mesmo coragem para ofender o futuro marido da senhorita Mara. Se ainda não sabem eu devo dizer a vocês. Mara é filha do senhor Rayger e acho que pelo menos ele vocês dois devem conhecer não é mesmo? Se essa ofensa chegar aos ouvidos do senhor Rayger então vocês devem se preparar para virarem futuros escravos ou entregar seus filhos ao nosso clã como pedido de desculpas ― Disse Nouran. Ele não era um homem muito importante dentro da família, mas qualquer um da família Torres já tinha muito mais poder do que qualquer simples guarda.

Os guardas tinham ficado pálidos depois que descobriram que Rael estava certo e o pior é que já tinham tirado o dinheiro da mão de Rael.

― Obrigado senhor Nouran, mas esses homens fizeram um acordo comigo não é mesmo? Se eles estivessem errado ao meu respeito então me devolveriam o valor pago vinte vezes mais. Se eles manterem essa parte do acordo então eu não precisarei contar ao senhor Rayger ― disse Rael.

Os dois guardas se olharam aliviados e rapidamente começaram a contar as moedas. Porque a ofensa deles realmente era muito grande e Nouran tinha toda razão. Eles imediatamente retiraram duzentas moedas de ouro e entregaram para Rael aliviados. Se aquilo fosse esquecido simplesmente daquele jeito para eles seria como uma imensa salvação.

― Mil desculpas jovem mestre eu não tinha percebido, por favor, se lembre de nosso acordo e aceite esse ouro como pedido de desculpas ― Mendes quem entregou as moedas. Ele estava pálido e se tremendo de medo. Gustavo do lado não estava nada bem também, porque diferente do Mendes ele pelo menos tinha desconfiado que a história de Rael tinha sido verdadeira, infelizmente ele acabou indo na onda do companheiro e perdeu cem moedas por nada.

O salário de um guarda imperial que trabalha direto na capital é de dez moedas de ouro por mês. Em resumo eles perderam quase um ano de trabalho por bobeira, mas considerando o tanto de gente que já enrolavam ainda estavam na vantagem.

― Claro que eu me lembrarei, e da próxima vez se os senhores esquecerem novamente, então esse mesmo valor será pago em dobro ― disse Rael com um sorriso. Os homens olharam bem firme para Rael e decoraram o rosto e nome dele para nunca mais cometerem tal erro.

― Samuel você não quer vim comigo? Eu adoraria ter sua companhia em minha humilde carruagem ― disse o senhor Nouran querendo puxar mais um pouco saco de Rael.

― Obrigado pelo convite senhor Nouran, mas eu quero fazer um passeio pela cidade antes de ir para o clã ― explicou Rael e já saiu cruzando o portão aberto. ― E por favor senhor Nouran, não conte nada sobre esses dois, pois nosso problema já foi resolvido ― lembrou Rael. Nouran fez um sim com a cabeça concordando e voltou para a carruagem vendo Rael se afastando.

Os guardas quase desabaram de tanto alivio quando viu a carruagem e Rael indo embora. Eles nunca tiveram tanta sorte assim, ainda mais depois de ofender o futuro noivo do elder mais poderoso do clã Torres.




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