O Herdeiro do Mundo

052 - Dia a Dia

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Rael teve o impulso de se aproximar de sua irmã e abraçá-la, a única coisa que o segurou foi a presença de Elisa no primeiro instante. Depois ele se lembrou que não podia contar a verdade para Natalia, então ele não poderia ter aquela reação.

Os dois continuaram se olhando por alguns segundos, cada um parado em seu lugar. Natalia como a mãe, se sentia estranha quando olhava Rael.

― Quem é você? ― perguntou Natalia finalmente quebrando o gelo.

― Samuel noivo de sua prima Mara ― disse Elisa respondendo antes que Rael pudesse se apresentar por si só. Natalia virou-se surpresa para a mãe e voltou-se a Rael, ela ainda continuava com aquela expressão embaraçada porque não conseguia tirar a estranha sensação da cabeça, de algo que estava deixando passar ou se esquecendo.

― Essa é Natalia minha filha ― apresentou Elisa para Rael. Não houve qualquer cumprimento nem oi por parte dos dois, isso porque Rael estava silencioso demais. Somente depois Natalia olhou para a bela garota de cabelos azuis ao lado de Rael.

― Essa é Rose segunda noiva dele ― Elisa apresentou assim que sua filha olhou na direção dela.

― Vamos embora Rose ― disse Rael mentalmente se virando sem dizer mais nada. Ele não conseguia ficar bem, quando pensava que estaria enganando a própria irmã.

Elisa e Natalia ficaram vendo os dois partindo. Uma ao lado da outra.

― Mãe eu sinto como se já tivesse visto ele em algum lugar ― comentou Natalia.

― Ele um rapaz misterioso, por isso deve passar essa impressão ― concordou Elisa.

― Eu procurei o pai e não o encontrei, todos disseram que ele tinha saído ― disse Natalia se virando para a mãe.

― Seu pai cansou de esperar, não podemos deixar a família nos derrubar filha. Ele foi finalmente buscá-lo ― disse Elisa.

― Mãe eu não gosto dele, a ultima vez que ficamos a sós ele tentou me arrancar as roupas ― reclamou Natalia que parecia ter tido uma visão dolorosa.

― Eu sei meu amor, mas você deve entender que não há outra pessoa melhor que ele, sem ele vamos perder nosso trono na família ― disse a mãe tentando confortar a filha. Natalia ficou com uma expressão triste enquanto era abraçada pela mãe. Depois de perder o irmão misteriosamente ela tinha virado a única capaz de assegurar o futuro dos pais na permanência do poder.


Rael e Rose tinham voltado para o quarto. Rael não quis conversar, ele apenas se sentou, se concentrou fechando os olhos e imediatamente começou a cultivar, como se pudesse adiantar meses de cultivo para chegar imediatamente ao quinto reino.

Por dentro ele estava furioso, ver os pais e a própria irmã, tanta coisa tinha vindo a tona que era difícil controlar toda aquela onda de sentimentos. Então ele começou cultivar desesperadamente para fugir um pouco da dura realidade.

Rose não podia cultivar em um quarto comum, seu poder deixaria marcas pelo chão, por isso ela apenas ficou em silencio vendo Rael cultivando.

Enquanto cultivava Rael ficou pensando nos antigos eventos e nos últimos. Alguma coisa que ele estava deixando passar, algo que o ajudasse a subir seu poder mais rápido. Matar era o melhor método, mas será que não tinha alguma outra coisa? Rael começou a se lembrar de como venceu James e os outros, do seu braço que a pouco com Elisa quase perdeu o controle também.

Ele não ficou nem dez minutos cultivando e se levantou surpreendendo Rose que achou que ele ficaria até a noite.

― Rose venha comigo ― disse Rael saindo do quarto.

Os dois saíram do muro e entraram mata adentro fora do clã e da cidade pela parte de trás dos muros. É claro que tinham guardas, mas eles deixaram Rael sair porque já o conheciam como noivo de Mara.

― O que viemos fazer aqui fora? ― perguntou Rose.

― Treinar ― respondeu Rael em seguida.

― Então ta ― disse Rose de volta, se sentou e começou a se concentrar trabalhando as próprias energias. Rael por outro lado permaneceu em pé. Concentrou-se fechando os olhos e fez sua energia correr para seu braço direito. Ele tinha um longo caminho pela frente para dominar aquele poder misterioso que nem ele mesmo sabia como controlar ainda.

Quando já estava escurecendo Rael cessou os treinos chamando Rose. Rose pensou que ia embora por isso se levantou.

― Ainda não vamos embora, eu te chamei antes porque precisamos treinar juntos Rose. Quando minha vingança começar você não deve estar perto de mim ― disse Rael para a moça.

― Treinar? O que exatamente? ― perguntou Rose curiosa.

― Essa coisa de não podermos nos encostar, é por isso que sua mãe e Violeta te deixaram comigo, temos que fazer você aprender a controlar e não querer explodir toda vez que chego perto ― disse Rael se aproximando de Rose. Só em Rael olhar para ela tão de perto Rose já ficava um pouco ansiosa.

― Não é uma boa ideia Rael, toda vez você se machuca ― disse a moça.

― Então não me machuque mais, é você que tem esse poder Rose, é você quem tem que controlar ― disse Rael de volta e retirou a luva da mão esquerda. Rose ficou olhando a mão de Rael com um pouco de medo.

― Não é uma tarefa fácil ― disse Rose.

― Por isso vamos praticar. Depois que tivermos conseguido então acho que você poderá voltar e ficar com sua mãe. Quando eu for balançar esse lugar não quero você junto de mim, não quero ficar me preocupando com você ― disse Rael e encostou a mão esquerda no rosto de Rose. A moça fechou os olhos se concentrando, porque só a mão de Rael em seu rosto já fazia o corpo dela tremer. Não era a questão da mão em si, mas sim o toque pele com pele.

― Rael eu não posso controlar! Eu não posso! ― repetiu ela.

― Rose temos que fazer isso, você sabe que temos e só depende de você ― disse Rael acariciando o rosto de Rose. Ele via Rose em sua frente apertando os olhos com força e travando os lábios. Ela estava se contendo o máximo que podia.

― Eu vou beijar você ― disse Rael.

 Não! Não faça isso eu não vou aguentar mais― disse Rose nervosa.

― Eu confio em você ― disse Rael aproximando os lábios. Rose ficou sentindo seu corpo esquentar e lutou com todas as forças para evitar perder o controle. Como ela estava de olhos fechados ela não percebeu Rael cada vez mais perto e mais perto. Até que a mão de Rael se afastou de seu rosto e seus lábios foram apertados pelos dele. Rael que já tinha um pouco mais de experiência em beijar se movimentou fazendo Rose também se movimentar e ir perdendo o medo aos poucos.

― Tudo bem Rose, você consegue, apenas tente me acompanhar ― Os lábios dos dois deslizaram um no outro. Rose não abria os olhos com medo de perder o controle, enquanto Rael queria fechar, mas não podia, porque se Rose perde-se o controle ele não ficaria bem uma vez que não fugisse a tempo.

Rose começou aquele beijo com medo, mas em seguida ele foi sentindo a boa sensação dos lábios de Rael sobre o dela e se deixando levar. Ela sempre tinha pensado em como Rita ou Mara se sentia quando beijavam Rael, ela não fazia ideia de que seria tão bom.

Rael beijava os doces lábios macios de Rose com um certo cuidado, mas não deixava de aproveitar a sensação de cada toque gerado e o delicioso hálito doce da moça. Tomando mais coragem Rael abraçou Rose pela cintura a apertando contra ele. Rose passou a senti aquela coisa dura contra a coxa dela. Naturalmente o corpo de Rose começou a corresponder com mais impulsos e a moça começou a perder o controle.

― Saia Rael! ― gritou ela empurrando Rael.

Booom!

Rael caiu no chão a uns três metros de Rose quando as ondas de Raios se espalharam pelo corpo da moça. O impacto jogou poeira e folhas secas para todas as direções, deixando ainda o chão seco soltando fumaça ao redor de Rose. Rael não sofreu nenhum dano muito sério além de uma pequena queimadura de leve nas costas da mão esquerda.

Rose ainda ficou parada com as roupas balançando, cercada de raios violentos que chicoteavam em todas as direções.

― Eu disse que ia perder o controle ― disse ela olhando Rael com uma expressão um pouco chateada. ― Acabei te machucando ― disse ela que sabia que tinha acertado a mão de Rael no meio da confusão.

― Foi só um aranhão. Mesmo que fosse algo maior ainda teria valido a pena ― disse Rael passando a língua nos próprios lábios. ― Você conseguiu se manter controlada por mais de um minuto ― disse ele se levantando. O corpo de Rose finalmente foi se acalmando.

― Vamos voltar agora? ― perguntou Rose um pouco receosa.

― Se não fosse pelo tal pronunciamento, ainda iríamos ficar e praticar um pouco mais, infelizmente temos mesmo que voltar ― disse Rael vestindo novamente  luva.


A noite tinha caído e as pessoas se reuniam no centro da cidade. Era praticamente a cidade inteira, até mesmo a maioria dos guardas estavam ali, ficando muito poucos pela muralha. No meio da multidão até mesmo Natalia estava presente com a mãe.

Rayger fez o anuncio avisando mais uma vez o noivado e a data. Aquele seria o ultimo aviso e Rael agora seria oficialmente conhecido por todos, não haveria mais ninguém do território do clã Torres capaz de não saber que ele era noivo de Mara.


O dia seguinte começou corrido. A casa de Rayger não parava de receber visitas e mais visitas, todos queriam oferecer os parabéns e presentes. Rael teve que falar com um monte de gente que ele odiava, mas fez tudo isso com um sorriso na cara. Mara por outro lado tinha um sorriso repleto e completo de felicidade.

Fora os presentes do próprio território também chegavam os presentes de fora. Rayger era afinal o elder mais poderoso do clã e quem tinha a filha com maior talento, isso sem mencionar o noivo com apenas quinze anos e quase no quarto reino. Eram muitos pontos que diziam por si só quem tinha mais chances de assumir o controle do clã. Por essas varias razoes as pessoas queriam apoiar e fazer uma boa media com o mais provável futuro patriarca do clã Torres.

Rael foi tirado daquela tortura somente quando a mãe de Mara o puxou de canto, deixando Mara recebendo os presentes.

― Samuel que tipo de arma você costuma usar? ― perguntou Neide no corredor. Ela segurava um bracelete do infinito em mãos.

― Nenhuma, eu luto somente com as mãos ― disse Rael.

― Isso é uma pena. Espero que se escreva o mais rápido possível nas nossas escolas, você será muito bem treinado e aprenderá a entender o valor de uma arma. Aqui pegue ― disse ela estendendo o bracelete, Rael aceitou. ― Eu separei pra você um conjunto de pílulas da grande alma, roupas para variar e não usar apenas preto, um conjunto de nossas melhores armaduras e um anel de apoio de Rank A. O anel ajudará você a cultivar em trinta por cento mais rápido. Quando passar para o quarto reino você pode me procurar que eu darei tudo que for preciso para continuar ajudando ― disse ela. Sorriu e passou carinhosamente a mão na cabeça de Rael, depois aproximou o rosto e beijou a face dele. ― Desde que você trate minha filha bem eu o tratarei bem de volta.

― Obrigado ― respondeu Rael educadamente de volta pra mulher.

― Vá! Pode ir eu e minha filha cuidamos daqui, olhe as coisas que te dei e pense sobre as escolas ― depois de dizer isso ela se virou voltando para receber os presentes com Mara.

Rael queria voltar e ver Violeta, mas como o anuncio era muito recente ele tinha a obrigação de passar ainda alguns dias na área.

Dos presentes de Neide as pílulas eram inúteis para Rael, mas as roupas eram parecidas, camisetas de manga longa, sobretudos, roupas vermelhas, azuis, tinham peças verdes. Rael imaginou que ali tinha o dedo de Mara. Porque não havia nenhuma peça de manga curta. O anel de apoio também não funcionava em Rael, por isso Violeta nunca o comprou. O anel de apoio ele passou para Rose que começou a usar por baixo da luva.

Quando Rael tinha tempo livre, puxava Rose e os dois passavam a tarde treinando fora dos muros. Rael focava em seu braço direito e Rose em seu controle de energia.

Todo final do dia os dois se beijavam treinando o controle de Rose. Cada vez que faziam isso Rose ia aguentando e se controlando melhor. Durante os beijos Rael já começava a avançar uma mão no peito, as vezes na bunda, as vezes beijos no pescoço, mas eles nunca conseguiam ir muito longe, porque quando Rael apenas encostava a mão por cima da região proibida, Rose perdia o controle instantaneamente.

Houve alguns machucados ao longo das vezes, nada muito grave. Rael estava mais resistente ao elemento raio. Conforme ele treinava seu braço mais resistente o resto do corpo parecia ficar.

Seu relacionamento com Mara ia muito bem. Porque por Rael não consegui completar os atos com Rose, ele buscava o corpo de Mara em retorno. Os dois passavam muito tempo juntos durante a noite e se não fosse por Rose, ele com certeza dormiria com ela durante algumas vezes ou durante todas. Rael já tinha se acostumado com Mara e não conseguia ter o mesmo ódio por ela que tinha no começo, até porque, ela estava agradando Rael constantemente e sempre tratava Rose bem, então aquilo fazia Rael ter mais aceitação por ela. Embora ele ainda não tivesse decidido o que ia fazer no futuro.

Elisa e Natalia sempre eram vistas juntas ou separadas por Rael. Claro que da mãe, Rael não queria nem sonhar em se aproximar, mas de sua irmã algumas vezes ele bem que pensou em fazer isso. Seu pai Romeu continuava sumido.

Três dias se passaram sem nenhum caso inesperado. Agora no atual quarto dia de tarde. Rael estava fazendo uma visita na antiga arvore que ele treinava escondido dos outros quanto era pequeno. As vezes as outras crianças batiam nele e ele tinha que treinar fora das muralhas, então ele usava uma arvore.

Rael e Rose encararam a velha arvore grossa, as folhas estavam bem secas e até o tronco parecia estar morto. Ainda havia os pequenos buracos formados pelo punho de Rael, tinha até algumas manchas escuras quase invisíveis, marcas de sangue.

― Rael? ― perguntou Rose mentalmente.

― Eu vou destruir esse pesadelo ― disse Rael fechando o punho da mão direita fazendo menção de que ia socar.

― Samuel? ― perguntou uma voz gentil já conhecida. Rose e Rael se viraram quando Natalia chegou caminhando curiosamente em direção a eles.