O Herdeiro do Mundo

050 - Revendo os Pais

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

 

Romeo era um homem alto, forte de pele branca, tinha cabelos lisos, volumosos e levemente longos deixando eles caírem dos dois lados do rosto. Ele tinha uma aparência de alguém com cerca de 30 anos. Estava trajando vestimentas longas de prata que lembravam lutadores de caráter, tinha até uma faixa de ouro amarrada na cintura.

Todos na sala já estavam em silencio quando Romeu lançou seus olhos verdes na direção deles, passando rapidamente por cada um de seus familiares. Ali pelo meio tinham irmãos, primos, tios uma série de familiares próximos, as pessoas mais importantes da família.

Rael respirava devagar controlando todos os seus instintos o máximo que conseguia. Ele estava diante de seu pai que mandou matá-lo. Não só isso, também estava diante da mãe que também era culpada, os dois aos olhos de Rael eram como duas cobras. Rael se controlou ao máximo guardando todos os sentimentos de raiva no fundo do seu coração para amenizar seu ser naquele momento, só assim ele conseguiu ficar naquela cadeira com um rosto inexpressivo diante de todos. Como todos estavam sentados então ele também estava ao lado de Mara.

― Agradeço por terem vindo. Estamos aqui hoje reunidos a pedido do irmão Rayger e a Irmã Neide, como eles tem um pronunciamento importante a fazer passo a palavra a eles ― disse Romeo. Rayger, Elisa e Mara se levantaram. Mara puxou a manga do sobretudo de Rael mas o mesmo estava concentrado demais olhando Romeo.

― Samuel ― Mara chamou baixinho dando um empurrão maior e só então Rael se levantou para segui-los. Romeo e Elisa ficaram olhando o belo rapaz que seguia de mãos dadas com Mara se dirigindo para a frente deles.

Elisa se sentiu um tanto familiarizada com aquele rapaz e não conseguia dizer o porque, quando ela olhava para o rosto de Rael parecia ser tragada por uma intensa onda quente que enchia seus peitos.

Romeo foi outro a se sentir estranho. Rael para ele era alguém que ele já tinha visto em algum lugar, mas não se lembrava de onde.

Rayger, Neide, Mara e Rael ficaram na frente da multidão ao lado do patriarca e a esposa para serem apresentados.

― Eu já fiz um anuncio na cidade de Améria e gostaria de fazer aqui também. Minha filha Mara está noiva desse jovem chamado Samuel. Samuel não é de uma família importante, nem mesmo de nenhum pequeno clã, ele tem apenas quinze anos e já está a um passo do quarto reino. Talvez alguns já saibam, mas mesmo no evento de Améria ele até mesmo tirou a primeira colocação. Minha filha mesmo o escolheu e eu não tive nada haver com essa história. Quando ele me encontrou a primeira vez, percebeu que eu estava com uma doença mortal e me curou, mesmo depois de dois médicos dizerem que não sabiam qual era o meu problema ― disse Rayger fazendo uma pausa. As pessoas se agitaram animadas e começaram a conversar entre si.

Elisa não tirava os olhos de Rael. Ela ainda insistia em tentar entender aquele sentimento estranho que queimava em seu coração, mas por mais que ela olhasse nada vinha em sua mente.

Romeo por outro lado ficou um pouco irritado. Cada vez que seus irmãos anunciavam um noivado era igual, um a mais tentando derrubá-lo do poder. Porque aquele ano completava cinquenta anos que estava no poder e até o momento não tinha um herdeiro homem que pudesse assumir o futuro da família. Pelas regras passadas da família, um torneio entre os filhos deveria ser decidido. Os filhos participantes, precisavam estar casados ou noivos até o torneio e tanto ele como seu futuro par poderiam participar. Os vencedores ganhariam o direito a se tornarem o principal ramo da família. Os competidores não poderiam ter mais de cinquenta anos, nem serem de nenhuma família poderosa.

Romeo sabia que Mara estava tendo um crescimento monstruoso, sua filha Natalia mesmo com os melhores métodos nunca chegava nem perto da velocidade de cultivo de sua prima. A única opção que restava para Romeo era correr atrás de um homem para se casar com sua filha e que fosse capaz de derrotar toda a família.

― O casamento será realizado em vinte dois dias, em breve vocês estarão recebendo os convites. Obrigado pela reunião grande irmão ― disse Rayger acenando a cabeça para Romeo. Os mesmo sorriu levemente e acenou de volta. Depois daquilo todos voltaram a seus lugares.

Elisa continuava olhando Rael, ela começava a se achar muito confusa. Ela começou a pensar que talvez estivesse interessada por esse jovem de uma maneira amorosa, porque só isso podia explicar sua onda de sentimentos intensos que surgiu. Nem passou pela cabeça dela qualquer chance daquele jovem ser seu filho morto, por isso ela se sentia tão confusa.

A reunião continuou para os outros. Mara puxou Rael e se retiraram da sala. Quando eles saíram fecharam a porta de volta. Havia dois guardas protegendo a porta, um de cada lado.

― Viu eu falei que seria tranquilo ― disse Mara sorrindo assim que saíram. Os dois foram caminhando pelo corredor.

― Quantos filhos o patriarca tem? ― perguntou Rael.

― Uma garota só, ela tem catorze anos. É uma garota muito fraca e incompetente, não tem poder suficiente para assegurar o futuro do clã.

― Eles não tiveram nenhum filho homem? ― perguntou Rael curioso. Mara virou-se um pouco pensativa antes de falar e depois voltou-se para ele.

― Isso é um tabu aqui no clã então você não pode contar pra ninguém. Mas eles tiveram sim um filho homem, ele era aleijado, nasceu com apenas um braço e não podia cultivar. Alguns anos atrás ele sumiu misteriosamente e ninguém nunca mais o viu ― disse Mara. Ela não demonstrava nenhuma expressão maligna, mas podia-se notar um alivio enquanto falava.

― Você parece feliz por isso ter ocorrido ― chutou Rael.

― Não sei dizer, eu era muito nova na época e não pensava muito em nada. Tudo que me lembro é que ele era um inútil e todos falavam mal dele, então seu sumiço foi a melhor coisa que aconteceu no clã. Nosso nome lá fora era uma piada quando ele estava por perto. O patriarca Romeo gastou uma fortuna tentando achar uma cura para o braço dele e nunca conseguiu.

― Só porque ele não podia cultivar ele foi tratado como um lixo? ― perguntou Rael que queria ouvir mais daquilo.

― Até eu achava ele um inútil, não vou mentir, mas nunca desejei que ele sumisse. Acho que ele foi morto pelo próprio clã anos atrás, é o que eu acho, mas não conte isso a ninguém viu? Agora parando pra pensar, esse destino não foi tão ruim pra ele, pelo menos ele parou de sofrer você não concorda? Ele era humilhado todos os dias por qualquer pessoa e seus pais não faziam nada contra isso, era algo terrível ― disse Mara.

― Engraçado ouvir isso de uma pessoa que matou um escravo simplesmente porque ele cometeu um pequeno acidente. Mara você não é diferente do patriarca e sua esposa ― disse Rael um pouco irritado de volta.

― Você está errado! Se ele fosse meu irmão, nem eu, nem meus pais teríamos permitido que ele fosse tão mal tratado! Uma coisa é um escravo e outra é um ente querido ― disse a moça de volta rapidamente.

― Ele era o seu primo e o que você fez? Provavelmente nada ― disse Rael quase gritando.

― Por que você ficou tão fissurado nesse filho deles? Isso ainda é você irritado por eu ter matado o escravo? Escravos não valem nada, eles são apenas como mercadorias que podem ser recuperados facilmente. Se as pessoas souberem que você anda preocupado com escravos seu nome não será muito bem ouvido ― reclamou Mara.

Na mesma hora Rael a empurrou encostando ela contra a parede a apertando nos ombros com um olhar bem sério.

― Se você é minha futura esposa então aprenda a valorizar a vida até de escravos. Eu não quero me casar com um monstro sem coração ― reclamou Rael encarando Mara no fundo dos olhos. Mara sempre gostava quando Rael agia assim, ela se sentia tão completa e tão cheia de prazer. Ter um homem tentando dominar seus desejos, sua vida, suas ações deixavam ela completamente maluca de tesão. Por isso ela até mordeu os lábios antes de indagar.

― Por que isso é tão importante pra você? Meu pai disse que o motivo é porque você vem de uma família pobre, que isso logo iria passar.

― Esqueça o que o seu pai disse, eu sou seu futuro marido então você deve me ouvir ― insistiu Rael.

― Se é importante pra você eu prometo que vou me lembrar disso ― disse Mara e afastou as mãos de Rael gentilmente para os lados. Depois ela aproximou o rosto com um sorriso e deu um selinho nos lábios de Rael. ― Agora vamos passar um tempo juntos? Meus pais provavelmente só voltarão no almoço ― quando Mara disse aquilo Rael entendeu de imediato o que ela queria dizer. Então ele encontrou algo no qual poderia descontar toda sua fúria.

Quinze minutos depois os dois estavam nus no quarto de Mara. Rael estava tomado por uma fúria estirado por cima de Mara em um intenso vai e vem. Ele estocava Mara com força enquanto pensava em sua raiva. Era cada estocada forte que a cama chegava a tremer, as vezes chegava a doer em Mara, mas ela gostava, ela gemia alto deixando Rael cada vez mais maluco. Misturar prazer com ódio era a primeira vez que Rael estava fazendo, aquilo era muito insano.

Mara agora não sentia mais nenhum ardor, era apenas prazer e mais prazer. Cada estocada de Rael fazia ela sentir tão bem, que ela acreditava que saia do corpo e voltava a cada instante. A maneira brutal com que usava o instrumento, fazia ela sentir um pouco de dor as vezes, mas ela era recompensada com um prazer duas ou três vezes maior do que o normal. Ela simplesmente adorava ser um pouco judiada por Rael.

Mara as vezes fechava os olhos e gemia deliciosamente, enquanto revirava o rosto e mordia tamanha era a sensação de prazer, o ecstasy daquele momento diante de um Rael furioso e selvagem. Os dois corpos suavam, Rael vira e mexe fazia uma pausa lá naquela região, baixava o rosto e beijava os lábios, pescoço  ou até mordia os peitos de Mara, deixando ela ainda mais maluca. Rael fazia aquilo por desejo próprio, porque Mara tinha um corpo cheiroso e conforme ela mostrava que estava gostando, Rael tinha mais vontade de sentir mais e fazer ainda mais forte.

Ele tinha começado aquilo com ódio, mas no meio do caminho para lá já estava fazendo por prazer mesmo, esquecendo tudo que ocorreu a pouco. Ele deixou sua mente mergulhar no prazer porque não havia nada que ele pudesse fazer por enquanto para criar qualquer vingança. Ele apenas iria esperar a hora chegar.

Para Rael não havia nada melhor para tirar o stress do que fazer aquilo. Ele não conseguia se acostumar com aquela sensação que o sexo trazia, aquele conforto, aquele prazer. Aquele corpo quente de Mara tocando o dele, aquela pele suave, cheirosa. Quem diria que alguém de sua família poderia trazer a Rael uma sensação tão agradável, ele ainda ficava com isso na cabeça cada vez que se deitava com ela.

Quando os dois transavam, não era algo muito escandaloso. As posições mais aplicadas eram um mamãe e papai, de ladinho ou uma galopada. Rael gostava da galopada porque a cintura de Mara ficava linda com ela se movendo por cima, Rael sempre deixava as mãos correr pelo seu ventre e seus peitos. Além disso, quando Mara ficava galopando ela parecia muito mais sexy porque seus cabelos ficavam balançando atrás da cabeça dela criando um tipo de ar mais sensual junto ao ventre. Sem mencionar que ele conseguia ver parte da ação quando levantava a cabeça, do instrumento entrando na coisa dela e todo aquele melado entre as partes.

Quanto mais relações os dois tinham mais Rael pensava em como seria sentir Violeta, Rose, Rita, Isabela, Janete. Cada uma das mulheres que tinham cruzado o seu caminho.

― Nossa Samuel, hoje você tava igual um cavalo de novo ― comentou Mara deitada do lado dele.Os dois estavam fazendo uma pausa depois da segunda rodada. Uma coberta de veludo cobria a nudez de Ambos, eles estavam olhavam para o teto.

― Você não estava reclamando até agora ― disse Rael de volta.

― É porque dessa vez não ardeu como antes ― disse Mara se virando para ele.

― E qual é a diferença de agora para antes? ― perguntou Rael se voltando para ela.

― Toda a primeira vez de uma mulher arde ou dói de algum jeito, o homem precisa ser um pouco gentil e você não foi comigo da minha primeira vez naquele dia ― disse Mara e empurrou o rosto de Rael com o braço esquerdo mostrando um pouco de raiva, Rael chegou a ter seu rosto virado por causa da mão de Mara. Ela fingiu um pouco de raiva, mas não estava com raiva de verdade, ela já tinha aprendido a gostar daquela maneira de Rael trata-la.

― Você não me disse nada antes então eu nem sabia ― disse Rael sem pensar muito. Mara se virou de lado e agarrou o pescoço dele. Os dois ainda estavam suados.

― Eu era virgem, eu disse a você que seria a primeira vez, você deveria saber. Foi você que tirou minha virgindade ― reclamou Mara.

― Como eu ia saber que a primeira vez era dolorosa pra mulher? Você não me disse nada antes ― disse Rael sem se importar.

― Seus pais deveriam ter dito algo, qualquer um saberia disso ― reclamou Mara. Os dois ficaram em silencio por um tempo e Rael voltou a falar.

― Qual é o propósito de tomar o ramo principal Mara? ― perguntou Rael depois de alguns segundos que Mara se aninhou em seu pescoço, Rael sentia os peitos dela apertando suas costelas.

― Poder, dinheiro, respeito, existem vários fatores.

― Para você o que é o mais importante? ― perguntou Rael.

― O futuro, eu quero ser a mulher mais importante do mundo. Quero que as pessoas se tremam só em ouvir meu nome. Meu pai quer elevar o nome do clã a um patamar maior e eu vou ajudar, eu seria a peça central desse jogo ― disse Mara.

― E vocês tomando o poder o que acontece com a família do patriarca? ― perguntou Rael.

― Eles descem, viram conselheiros enquanto meus pais viram lideres. Meu pai vira patriarca e minha mãe vira a mulher do patriarca.

― Qual é a importância da mulher depois do marido?

― A mulher é como um vice que toma as decisões quando o marido não se faz presente. Ela é tão importante como o marido, embora não receba o mesmo titulo ― explicou Mara.

― Mas você vai subir no poder de cara? Assim que vencer o tal torneio?

― Não, eu serei famosa porque serei a filha do patriarca, quem vai assumir serão meus pais até eu e você termos condições de assumir ― explicou Mara.

Rael fechou os olhos e se imaginou arrancando a cabeça de seu próprio pai enquanto sua mãe assistia, ele não podia imaginar o quanto essa cena era prazerosa para ele.